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Terça-feira, Agosto 26, 2008
[sentimentos intensos]
O choro de cada um
As últimas duas semanas foram repletas de análises sob os mais diferentes aspectos, desenvolvidas na abordagem das Olimpíadas de Pequim. Jornais, TV, revistas semanais, rádio e internet dedicaram largos espaços para discutir performances individuais e coletivas, reações emocionais e aspectos obrigatoriamente vinculados à história e políticas do esporte.
Acompanhar este jogo de opiniões foi uma oportunidade ímpar para tentar entender uma série de fatos que, mesmo sendo corriqueiros em nossa cultura, afloram com maior oportunidade de debate nessas ocasiões dos grandes eventos.
Concentrei atenção em muitos temas, mas um deles me envolveu mais. Trazia, do terreno das idéias, a explicação dos motivos que fazem o atleta brasileiro cair em lágrimas após uma conquista ou diante da derrota consolidada. Na oportunidade do maior laurel se acrescentava ainda o sentimento patriótico que historicamente está inserido no momento da premiação, decorrente do hasteamento da bandeira e da execução do hino nacional, simbologia que inegavelmente se associa às nossas emoções.
Por que é mais raro vermos atletas de outros países extravasarem emoções similares nas mesmas ocasiões? Um nobre representante da psicologia apegou-se nas heranças da nossa latinidade para consolidar sua tese, justificativa que me pareceu desprovida de consistência razoável quando analisados os comportamentos de outros povos vizinhos e que possuem raízes da mesma origem.
Chorar após o resultado de uma competição me parece conter muito mais do que isto. O fenômeno não é tão simples para ser tratado de forma genérica. Nas lágrimas de Maurren Maggi não existiam os mesmos motivos das de César Cielo. Suas histórias são completamente diferentes. A saltadora, em postura exemplar, embora carregada de reconhecido sofrimento interior, arquivou durante anos qualquer reação – que se diga tinha direitos – contra a injustiça esportiva de que se tornou vítima. Naquele choro do podium estava contido um resgate pessoal que significou a forma mais humana de transmitir a sua verdade. Aquela que não foi suficiente como testemunho da própria inocência.
Existem lágrimas que são transparentes. Nenhuma ciência ainda desenvolveu o conhecimento absoluto capaz de decifrar o que envolve alguém em momentos raros, mas que nada exterioriza. Ali, no coroamento de uma vitória, bem que pode estar presente um tipo de felicidade que é feita de um significado de vingança reprimida, um ingrediente que se conteve claramente nos gestos e nas lágrimas invisíveis da menina Mari, da seleção de vôlei. O "cala a boca" pode ter sido uma forma ainda bruta de lágrima.
O temperamento individual prioriza a ordem e seleciona atitudes. É compreensível que também poderá advir da formação pessoal a diversidade de reações a qualquer tempo. Quem poderá provar que não existia um pouco de estado líquido naquela dança do jamaicano Bolt após a linha de chegada dos 100 metros rasos? Bater no peito pareceu um fechar de portas dos elementos mais sensíveis, decididos a se exteriorizarem de outra maneira.
Igualmente, embora não pareçam inseridas no mesmo contexto de razões – que no caso inclui a derrota – foram diferentes os motivos das lágrimas de Marcelinho, levantador do vôlei, e as da Marta, da seleção de futebol, cuja natureza contém um histórico de perdas relacionado com outras razões, inclusive falta de sorte e dosagem de incentivos, particular que ela sempre mencionou.
Para o primeiro certamente contou o fato vivido por muitos meses dentro do grupo e que virou uma pesada nuvem negra. Coincidentemente coube-lhe substituir o pivô da crise e ninguém mais do que ele gostaria de vencer a partida final. Ao sair do lugar comum, na primeira entrevista após o jogo, dizendo entre lágrimas que aquela medalha de prata era de "prata" e não uma que valesse ouro como outros disseram, inclusive familiares que assim se pronunciaram, demonstrou que seu choro era racional, nunca um pedido de excusas. Por outro lado, quem viu Gustavo na mesma entrevista jamais poderá afirmar com certeza que não existiam lágrimas retidas naqueles olhos indecifráveis. A todos os seus motivos também se poderia acrescer o fato que a derrota fora ainda mais terrível pelo anúncio antecipado da sua última participação no grupo.
A simples condição de latinidade não é suficiente para explicar a essência do choro de Diego Hipólito após o tombo – uma fatalidade - e, mesmo que fosse não caberia na mesma forma de razão, para o inconformismo da saltadora que perdeu seu instrumento de competição por falha da organização dos jogos.
Já nem se perde tempo em discutir sobre incoerência ou não de considerar lágrimas em função do sexo. O choro nunca foi algo a que a mulher esteja mais suscetível. Lágrimas nascem na alma, a fonte inteligente das mais expressivas reações humanas. E alma não tem gênero. Apenas há os que abrem automaticamente todas as portas de onde é possível avistá-la no todo. Outros só deixam frestas.
Talvez, nós brasileiros, em comparação a outros povos, sejamos menos preocupados com as tramelas desta nossa alma tão liberta.
Por Ery Roberto Corrêa |
12:53 PM - Link deste post
Sábado, Agosto 23, 2008
[beijin 2008]
Manhã dourada
A "leoa" (Paula Pequeno) rugiu. Sheila (maravilhosa), comandou. Mari (gigante), superou-se. Zé Roberto (competente), tranqüilizou. A tensão virou garra. O bloqueio funcionou como ótima arma do conjunto. As americanas (conformadas) não resitiram ao show. As meninas nos deram uma manhã dourada e consagraram de vez esta geração do vôlei, que será lembrada pela persistência, disciplina tática, lágrimas de emoção e alegria da conquista inédita, tão desejada e mais que merecida.
Por Ery Roberto Corrêa |
1:13 PM - Link deste post
Sexta-feira, Agosto 22, 2008
[beijin 2008]
No woman no cry
"Melhor é deixar pra trás..." e seguir adiante.
Em um país que prefere não enxergar o esporte como estímulo capaz de reverter injustiças, chegar à competição só com esforço próprio, superando obstáculos que só os guerreiros transpõe, já é uma vitória insofismável.
Apesar da medalha ser prata, a luta foi ouro. Das lágrimas sinceras brotarão as alegrias das futuras vitórias.
Parabéns, meninas! Continuaremos "observando estrelas..." que são vocês.
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MAURREN DE OURO
Outra mulher acaba de entrar para a história do esporte olímpíco brasileiro. Maurren Maggi só venceu a prova de salto em distância depois de ter superado todos os problemas pessoais que a levaram à uma punição. Em feito admirável, é a primeira atleta a ganhar ouro em desempenho individual no atletismo. Os demônios de Maggi estão exorcizados.
Estas imagens (4 em 1) dizem tudo.
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CALADO É UM POETA, já dizia Romário
Olha aí o "Rei" dizendo bobagens outra vez!
Por Ery Roberto Corrêa |
12:40 PM - Link deste post
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
[beijin 2008]
Momentos e canções
Com a sobrevivência garantida até a disputa do bronze, caso não vença a partida Dunga não passa de setembro quando o Brasil jogará mais uma partida das Eliminatórias da Copa 2010, em Santiago, contra o Chile. É o que "canta" a crônica esportiva.
Embora constrangedor, aceito qualquer crítica, mas, caso Dunga chegue até lá, torcerei para que Valdívia & Cia repitam a sova de "los hermanos". O futebol profissional, principalmente este dos tempos de Teixeira, está dando nojo. Se ninguém muda por convencimento, que seja através de sucessivas derrotas.
Já com a alegria e o "espírito olímpico" da seleção feminina, que sobrevive sob um manto de amadorismo e nenhum incentivo da CBF, temos tudo para chegar ao ouro olímpico. Pra elas, torço como nunca. Afinal, não foram para China passear, não freqüentam hotéis suntuosos, treinaram ao máximo e tem demonstrado que gostam de defender nossas cores. É muito diferente.
Por Ery Roberto Corrêa |
12:46 PM - Link deste post
Terça-feira, Agosto 19, 2008
[beijin 2008]
Toma Teixeira!
Da próxima vez, "mirem-se naquelas mulheres... da outra Seleção".
FICA DUNGA!
Fica por aí pela China, não precisas voltar. É o maior favor que tu prestarás à nova geração do futebol brasileiro.
Seguro? Será? No momento a única coisa totalmente segura é a medalha (por hora, "de prata") de los hermanos.
Tu és a coisinha mais decepcionante que o futebol brasileiro já viu e que a CBF inventou!
Por Ery Roberto Corrêa |
1:49 PM - Link deste post
Sexta-feira, Agosto 15, 2008
[tertúlia virtual II]
Água
Quando a água é pura
o coração do povo é forte.
Quando a água é suficiente,
o coração do povo é tranqüilo.
[filosofia chinesa - séc. IV a.C]
Os profissionais de educação convivem com a necessidade cotidiana de transformar seus ensinamentos em mudanças comportamentais dos educandos. Sabedores que os recursos que utilizam são instrumentos que servem para alcançar o nível de qualidade almejada na formação de senso crítico e consciência cidadã, servem-se da arte para despertar o interesse e a atenção.
Esta didática efetiva levou à superação de um desafio histórico em nosso ensino, ou seja, atingir o nível adequado para estímulo de participação nas atividades discentes. Seria inconcebível que, com toda tecnologia e recursos de pesquisa existentes neste século, ainda existissem profissionais da área que desprezassem os modernos meios de acesso às informações. Na prática de uma educação onde se abandonou acertadamente o caráter estanque das disciplinas, as técnicas em uso promovem a saborosa interligação com o conhecimento de outras matérias, em salutar integração curricular.
Você acaba de ler estes dois parágrafos e deve estar pensando que este escriba sofre delírios ou esteve mentindo até hoje que mora no Brasil. Ou olha para a Educação e pensa como o presidente populista ao se referir à Saúde Pública, aquela que em terras tupiniquins é "coisa comparável a serviço de primeiro mundo".
Na verdade não estamos longe do sentido filosófico norteador desta Educação de excelência, graças ao comportamento criativo e idealista dos nossos novos mestres, cujos quadros têm sido oxigenados com a entrada de jovens professores no mercado.
Já existem trabalhos acadêmicos sugerindo, por exemplo, o uso das letras de músicas nas práticas metodológicas do ensino de Geografia, fazendo do uso racional e sistemático deste recurso pedagógico uma forma atraente de conscientizar a respeito dos nossos recursos naturais.
Além de instigar ao hábito da pesquisa, faz com que o aluno sinta-se exigido na sua capacidade de interpretação de textos. Temas relacionados ao meio ambiente, especificamente as suas vinculações com a política, economia e aspectos sociais importantes com as contradições e conflitos e, ainda, o despertar da consciência ecológica e seu vínculo com a vida, são possíveis a partir deste jogo interativo de conteúdos com o que provém da arte.
Hoje, nesta "Tertúlia Virtual", falamos sobre a água. Sobre ela a filosofia chinesa diz tudo. É uma conjugação de saúde e paz. Ilustro minha participação, em justificativa ao que disse até agora, com uma maravilha de composição do cancioneiro popular do Brasil – Planeta Água -, obra do compositor/cantor Guilherme Arantes.
A música surgiu em 1981, escrita para participar do festival "MPB-Shell". Embora preferida do público, acabou recebendo a segunda colocação no evento, que teve como vencedora a canção "Purpurina", de Jerônimo Jardim.
Analise esta letra ouvindo a melodia espetacular na voz deste artista que já teve uma fase áurea na vida artística nacional. A água é o Sangue da Terra. A Terra é o "Planeta Água".
Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...
Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos...
Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...
QUANTOS LITROS DE ÁGUA SE GASTAM POR DIA?
100 anos antes de Cristo, um homem consumia 12 litros de água por dia para satisfazer as suas necessidades. O homem romano aumentou esse consumo para 20 litros diários e no século XIX passou a consumir 40 litros nas cidades pequenas e 60 litros/dia nas cidades grandes. Já no século XX, o homem moderno chegou a consumir 800 litros de água por dia para atender as suas necessidades. Chegou a gastar 50 litros de água somente numa rápida ducha de 3 minutos!
Esta progressão de uso nos leva ao questionamento: que faremos quando a água acabar? Pense nisto!
[+] - Confira AQUI a lista de participantes desta tertúlia e visite seus blogues.
Por Ery Roberto Corrêa |
9:34 AM - Link deste post
Quinta-feira, Agosto 14, 2008
[internet]
Os imbecilóides da rede
Embora muita gente não goste e ache que não há poesia no que escreve, ou suas letras contém um nível de dificuldade acentuado para que se entenda normalmente, sou fã de Djavan. Leio muita coisa a seu respeito e acompanho sua carreira, deliciando-me com a maioria das suas músicas. Ainda pretendo vê-lo ao vivo e a cores, preferentemente em algum show onde cante seus melhores temas.
Outro dia uma leitura me emocionou. Cheguei a gastar horas conversando com Leila (que também é fã), sobre assunto.
A notícia, anônima, pretendia dar um sentido à composição "Flor de Lis". Dizia que Djavan e sua mulher Maria esperavam uma filha, cujo nome já teria sido escolhido e seria Margarida. No momento do parto Maria teve um problema grave e ele foi informado que ambas corriam risco de vida. Djavan pediu ao médico que tudo fizesse para salvar as duas, mas por uma crueldade do destino ambas não resistiram e faleceram. Assim, com esta revelação, teria ficado mais fácil de entender a letra da música - agora lida em um contexto real - bem como entender como "a dor pode ser transformada em poema e arte".
Fui checar a história. Achei um endereço que comentava e desmentia a notícia, apresentando, inclusive a resposta de uma consulta feita à assessoria do cantor.
Mais tarde, navegando, achei um fórum excelente, o Point Cultural que também estava discutindo o mesmo tópico. Registrei-me como usuário e lá consignei a informação que havia descoberto, inclusive com a menção do link (fonte).
No dia seguinte recebi um e-mail inusitado. A usuária, inadvertidamente, dirigiu-me uma mensagem que pretendia remeter a um dos moderadores do Point Cultural. Nele cobrava uma atitude por achar que minha informação era furada e que eu, tratado por "cara", teria sido, digamos, um pouco ousado para postar tal desmentido.
Deixei por isto mesmo. Apenas relatei o e-mail ao moderador e nada mais registrei por lá, a não ser um esclarecimento mais detalhado após ter recebido resposta da moderação, esclarecendo-me e confirmando que o e-mail não era para ter sido enviado pela usuária ao meu endereço.
O interessante desta história foi ter comprovado a seriedade e o profissionalismo do pessoal do Point Cultural, nas pessoas do Rodolfo e Rodrigo. Hoje, depois de algum tempo e de já ter esquecido, recebi um novo e-mail do Rodrigo, onde remete ao fórum, na continuação do tópico "Flor de Lis", e lá é apresentado, na íntegra, uma nova consulta ao Djavan, agora do PC, confirmando o que eu havia registrado anteriormente. Ao final, um agradecimento do site pela forma como tratei tudo isto.
Assunto: Re: História sobre a música Flor de Lis
Data: Thu, 14 Aug 2008 17:23:59 -0300
De: Djavan
Para: Rodrigo
Rodrigo,
Em nome de Djavan agradeço seu e-mail e informo que a estória é completamente falsa.
Coisa de quem não tem o que fazer e vai para a Internet criar fantasias.
Um abraço.
Assessoria Djavan
www.djavan.com.br
Ery, agradeço encarecidamente mais uma vez a sua preciosa informação!
Grande abraço a todos,
Rodrigo |
O melhor de tudo é descobrir que há na internet gente séria e profissional, em contra-ponto a tantos imbecilóides que criam suas fantasias e ainda tem tempo para ficar repassando por todos os meios disponíveis e, infelizmente, ao seu alcance.
Deixo aqui meu louvor aos garotos Rodolfo e Rodrigo por serem dois baluartes da arte de conduzir fóruns. Meu aplauso ao Point Cultural.
Por Ery Roberto Corrêa |
7:32 PM - Link deste post
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