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Terça-feira, Maio 30, 2006

[vidas exemplares]
CALS, CORRÊA E SABINO




Escolhi a idéia de "tempo" para falar de um grande amigo: Fernando Cals.

Lembrei da teoria do aprisionamento temporal quase fatalista defendido pelo alemão Schiller, o autor de Ode à Alegria, usada por Beethoven no último movimento da fantástica 9ª. Sinfonia - que há 200 anos anunciou: "Três aspectos tem a marcha do tempo: o futuro aproxima-se hesitante; o agora voa como seta arremessada; e o passado fica eternamente imóvel". Temos muita dificuldade em aceitar esse aprisionamento. Talvez a incessante vontade que alimentamos de querer reinventar o tempo não permita uma melhor aceitação deste pensamento de Schiller.

Pois o Fernando Cals é uma dessas raras pessoas que tem perfeito domínio do seu tempo porque possui marcas invejáveis de comportamento, como viver com responsabilidade, afetividade sincera, pensamento lúcido, capacidade observadora, franqueza absoluta e invejável juventude.

Alguém com estas qualidades faz do ato de viver uma alegria, principalmente quando aposta e pratica a "dinâmica do agora" através do trabalho e do aproveitamento da existência, gestos que permitem se sobrepor ao tempo e ser feliz, justo porque o passado é apenas uma melodia de lembranças e o que vier, virá, será enfrentado com a dignidade da experiência.

Impressiona neste grande amigo a sua disposição profissional. Hoje, certamente, observa sua Arquitetura como na história daquele menino de As Aventuras de Tom Sawyer, obra prima de Mark Twain: em um dia de sol inclemente, à beira do Mississipi, quando tudo chamava para a brincadeira e o lazer, surge uma convocação compulsória para o trabalho e não há alternativa que o garoto possa encontrar, a não ser tornar todo aquele fardo algo com um dissimulado ar prazeroso e, ainda, convocar e convencer a outros que deveriam ajudá-lo com satisfação. Aí arrumou o argumento "trabalho é tudo aquilo que uma pessoa é obrigada a fazer... Passatempo é tudo aquilo que uma pessoa não é obrigada a fazer".

De todas as demais facetas desta grande pessoa, a maior é o amor pela família. Ao falar da mulher, filhos e neta, ele transmite um orgulho infinito só presente no coração de quem ama verdadeiramente.

Como não comemorar o aniversário de um cara assim?

Parabéns Fernando! Meu nobre, seus amigos blogueiros, nós seus pupilos somos só reverências.

Um forte abraço.

Por uma dessas raríssimas coincidências da vida, meu pai também se chama Fernando. O velho Corrêa. E também hoje, 30 de maio, faz aniversário. Oitentão. Como alcançou esta marca? Por outra maravilhosa coincidência, sendo e praticando exatamente o que disse outro Fernando. O Sabino: "De tudo o que se faz na vida ficam três coisas: a certeza de que sempre estamos iniciando; a certeza de que é preciso continuar e a certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar. Fazer da interrupção, caminho novo. Fazer da queda, passo de dança. Do medo, escada. Do sonho, ponte. Da procura, encontro. E assim terá valido a pena existir." Mônica, gratíssimo por esta lembrança!

Meu pai é um menino, uma fonte de otimismo, um oceano de ponderação, um arquiteto no reconstruir, dança e canta até nas tempestades, não sobe por elevadores, atravessa tranqüilamente pelos seus sonhos e sempre concluiu as buscas porque soube o que procurar. Vive por amor.

Como não ter orgulho de um Fernando assim?

Um beijo, pai.

Por Ery Roberto Corrêa | 10:09 PM - Link deste post


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Sexta-feira, Maio 26, 2006

[rubem braga]
SONHAR, VERBO OBRIGATÓRIO


Quanto mais leio o nosso papa da crônica, mais me convenço que "sonhar é preciso", seja acordado, dormindo, ressonando, parado, andando, em preto e branco ou verde, amarelo e azul, com gol ou sem gol. Porque, às vezes, temos que fazer do sonho a nossa própria realidade.

O PAÍS DE MINHA NOIVA é uma crônica especial pra mim. Fiquem com esta delícia e tenham um ótimo fim de semana. Eu o terei, com certeza, pois estou indo comemorar (dia 30.05 - terça) o aniversário "oitentão" do meu pai, um sabido em matéria de viver a vida com respeito a si mesmo e aos outros, devoção espiritual e dedicação aos filhos e a única mulher que escolheu para viver. O ato de encontrar um momento de alegria deve ser considerado um "sonho realizado". Eu estou feliz. Por estas e por outras que ainda não posso contar. Mas logo haverá de ser dito e brindado.

E que a noiva atire logo esse ramalhete...



A minha noiva é formosa e ditosa; assim é o seu país.

No país de minha noiva os trovões são gordos e alegres; e a chuva é musical. Costuma parar de chover um pouco antes das cinco e meia da tarde, a tempo de propiciar um arco-íris, em sinal de aliança do Astro Rei com a Terra. Não se trata de aliança para o progresso, mas aliança de amor.

Parágrafo 1º - A expressão Astro-Rei refere-se ao Sol.

Não há outro Rei, além do Astro. Também não há escravos, a não ser algumas escravas egípcias, enfeitadas com correntes de ouro, as quais escravas são lindas e de seios túrgidos e longas coxas desnudas; e bailam no carnaval. São morenas. Têm cinturas finas.

No país de minha noiva a patente mais alta das forças armadas é a de aspirante a anspeçada. Anspeçada mesmo só se imagina em tempo de guerra.

Mas não há tempo de guerra no país de minha noiva. Há tempo de jabuticaba, de açucena, de jogar bilboquê e de ovas de tainha. Há muitos tempos. O Tempo se divide em alegres tempos, e flui suave e cordial. Às vezes se detém um pouco, para que eu possa mirar a minha noiva. Quando minha noiva me mira a mim, o Tempo se imobiliza inteiramente. Só eu estremeço. "Amo tanto e estremeço esta terra!"

CAPÍTULO II - DA TERRA

No país de minha noiva não há trabalhadores rurais, nem mesmo camponeses. Há campônios. Eles não se juntam em ligas nem sindicatos, mas em grupos corais, à hora do Angelus. Ninguém pensa em dividir a terra, mas em laborar e colher.
Art. 1º A terra é indivisível.
Art. 2º A terra é toda de Deus.
Art. 3º No uso das praias e dos relvados é assegurada a primazia dos adolescentes, para seus jogos e bailados.

Parágrafo 1º - As ninfas são locadas nos bosques, à razão de treze por alqueire. São os chamados grupos de treze.

No país de minha noiva não há prisões; apenas corações cativos. Mas ainda a estes é permitida uma certa leviandade.

A alegria de minha noiva, quando descíamos no elevador, me encheu de sol meu coração. Mas agora não há mais elevadores, pois não é permitida a construção de edifícios. Tampouco a de favelas.

As pessoas habitam choupanas ou mansões, segundo a idade, o estado de espírito e os sentimentos religiosos. As mansões são antigas e as choupanas são felizes.

A minha noiva é jocunda e bela; assim é o seu país.

Maio, 1964


Por Ery Roberto Corrêa | 9:49 PM - Link deste post


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Terça-feira, Maio 23, 2006

[contrastes]
QUANTO CUSTA A SEGURANÇA?


Embora não costume ficar tirando conclusões de estatísticas e pesquisas, recente estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário parece ser bem significativo neste tempo em que se discute mais abertamente a segurança no Brasil.

De início já se depara com um parâmetro que mostra o tamanho da carga, ou seja, cada cidadão precisa trabalhar 145 dias/ano para custear tributos. Destes, 45 são necessários para arcar com o custo do item segurança.

Quanto pagamos? Os salários e equipamentos da polícia são bancados com os impostos federais, estaduais e municipais, algo na ordem de 60 bilhões de reais por ano. Esta necessidade custa para cada brasileiro 324 reais/ano. Uma quantia razoável se os gastos parassem por aí. Ocorre que por não confiar na eficácia do serviço, somos levados a um outro custo maior com segurança privada. São grades, cercas eletrificadas, serviços de instalação e manutenção de alarme, circuitos internos de TV e mais aquele carinha que fica rodando o bairro de motocicleta e apitando para espantar os bandidos.

Outro aspecto interessante é o custo de segurança que as pessoas nem imaginam que pagam. Produtos e serviços à venda em shoppings, supermercados, lojas e até o boteco do sambão na sexta, têm incluído em seus preços a parcela destinada ao custeio da segurança particular.

Para ficar só no estritamente necessário, a segurança do supermercado representa, em média, 4,04% da renda bruta individual. E para que os alimentos e outros produtos cheguem às prateleiras é preciso arcar com outras despesas. Afinal, os caminhões precisam de escolta, rastreamento e demais medidas de segurança (que logicamente envolvem pessoal e encargos obrigatórios). Isto alcança 15% do valor do frete.

Conclui-se que, no total, 12,5% da renda bruta dos brasileiros é aplicada no custo da segurança.

O contraste absurdo mostrado neste estudo é quando se leva tal gasto à comparação com o preço de outras necessidades tão ou mais importantes, como educação e saúde, que consomem 11% e 9% respectivamente.

Logicamente o Instituto aplicou parâmetros médios para chegar a essas conclusivas. Se considerarmos que a população de baixa renda não tem acesso aos serviços da segurança privada em suas casas, que custam mais do que a pública, ou seja, 379 reais por ano, apuraremos, com base, por exemplo, em renda de dois salários mínimos mensais, que ela contribui com aproximadamente 4% para a segurança oficial. Para que pudesse elevar a qualidade dos serviços de educação e saúde para sua família, este brasileiro teria que deixar de comer. Se para tanto, compulsoriamente paga também o preço da prevenção do supermercado, é lógico que a segurança passa a ter mais importância do que muitas outras coisas.

Isto prova que não interessa em que patamar salarial estejamos, invertemos os valores de uma sociedade dita civilizada. Mais grave ainda é quando se procura a resposta para a pergunta que não quer calar: "E temos segurança"?

Por isto é que quando se ouve um presidente da república dizendo que a culpa de tudo é o fato de não termos investido mais em educação na década de 80, quando os bandidos eram inocentes criancinhas, dá uma vontade danada de lhe perguntar: "E o que o senhor tem feito para diminuir a carga individual de impostos e o custo da segurança, no objetivo de que cada brasileiro se sinta mais capacitado a arcar com a educação e saúde dos seus, já que o Estado nunca teve a vocação de se voltar para máxima qualidade destas coisas?".

Acho que ele iria responder que criou o Fome Zero e o Bolsa Família...


Fonte da notícia: Jornal HOJE (TV Globo), de sábado, 20.05.06.
Imagem: www2.rnw.nl

Por Ery Roberto Corrêa | 3:25 PM - Link deste post


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Sexta-feira, Maio 19, 2006

[música]
LEVA JEITO


No meio de tantos absurdos (imitadoras da Xuxa, pseudo-tenores, almas penadas e outras anomalias) que se apresentaram no início, o juri que o SBT juntou para selecionar os melhores candidatos da competição "IDOLOS" foi coerente e conseguiu fazer um bom trabalho.

Dos já selecionados pela opinião do público (!!) para a etapa final (serão dez), estou apostando minhas fichas no garoto Leandro Lopes. É detentor de uma voz agradável, tem carisma (o Orkut prova), faz um estilo pop da melhor qualidade e domina instrumento.

Se o estrelismo não lhe atrapalhar tem futuro.

Só espero que o tal do "ÍDOLOS" (pra variar mais uma criação estrangeira que nossa TV compra) não repita o "FAMA" (TV Globo), que até hoje só conseguiu colocar no mercado mais uma dupla de "sertanojos" - Hugo e Thiago (com o perdão de quem gosta).

Saudades daquilo que era bem nosso: os velhos Festivais da Record!

Por Ery Roberto Corrêa | 1:59 PM - Link deste post


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Terça-feira, Maio 16, 2006

[segurança pública]
FARTA COLHEITA




O admirável Rui Barbosa, quando se referiu em tom pouco acadêmico, bem Brasil, crítico e tempestivamente irônico, ao que no pé da letra "qualifica" as pessoas de atuação notável nos negócios políticos e na administração de um país, disse: "Toda capacidade se esvai na intriga, na astúcia, na cabala, na vingança, na inveja, na condescendência com o abuso, na salvação das aparências, no desleixo do futuro". Isto foi escrito há mais de um século.

Para pensar no assunto temos que considerar outros fatores da nossa conjuntura, principalmente quando vivemos esta situação caótica da segurança pública com o que se sucedeu nos últimos dias, envolvendo rebeliões em presídios e ataques ao patrimônio e corporações policiais.

O simples contato com o noticiário nos enche de vergonha e preocupações. O luto, como resultado mais contundente desse caos, deveria nos impor uma ação coletiva desprovida de qualquer bandeira partidária e voltada, exclusivamente, para um sentimento que fosse capaz de nos resgatar do atraso a que estamos submetidos.

Infelizmente é preciso lembrar que tudo que aí está fomos nós mesmos quem plantamos. A nossa falta de engajamento, nossa histórica desmotivação política e nosso egoísmo têm produzido, durante longos anos, governantes ineptos, homens públicos desvinculados do interesse coletivo, figuras sombrias que só se mantém a custa da ignorância da população quanto aos princípios doutrinários do Estado, bem como dos direitos e deveres da cidadania.

A criminalidade no Brasil não se cala, mesmo em estado de pagamento de penas. Isto não se deve somente ao mau comportamento de parte do aparato repressivo, que é resultante de vícios institucionais que deságuam em concessões ridículas, mas principalmente pela falta de capacidade jurídica que, é preciso reconhecer, começa no idiotismo de quem tem a responsabilidade de formular as leis. O nosso sistema judiciário opera, aplica o que se contém nos códigos próprios, mas não cria nem os altera.

O sistema penal está crivado de brechas que levam às raias da condescendência, produzindo um oportunismo sem limites do que resulta, de forma crônica, na total insegurança da população em todos os níveis.

É surpreendente termos que reconhecer que nossas leis sejam elaboradas por alguns indivíduos tão criminosos quanto os que se rebelam em nome dos seus próprios direitos. Mais intrigante é termos que admitir que nós mesmos os diplomamos, delegando-lhes o poder absoluto de contribuir para nossa própria sorte. Nossos legisladores são "mensaleiros", traficantes de influência, são astutos nos percalços da causa própria e pior, absolvem-se mutuamente no manto do corporativismo das suas bancadas, sob a final e intensa alegria de uma dança enfatuada de descaro em louvor à corrupção.

Quando lembrei Rui Barbosa foi pela constatação óbvia da possibilidade que existe, ante toda nossa falta de comprometimento, de continuarmos a ser enganados por esses crápulas. Enquanto não fizermos da nossa condicional de cidadãos - que muitos pensam acabar na obrigação do voto -, uma arma para cobrar, exigindo e principalmente lutando bravamente por nossas idéias de paz e bem estar coletivo que tem princípio no direito, continuaremos a apreciar como fantásticas e atualizadas as ironias seculares dos nossos mais admirados personagens da inteligência nacional.

Outros séculos escorrerão e não será nenhuma novidade nossos próximos eleitos legislarem sem lembrar que somos um país que já beira a 200 milhões de habitantes, na sua pluralidade carente de alimentação, educação, saúde, habitação, emprego condigno, "segurança" e futuro.



Acabei de receber por e-mail. Bem no ponto, ou seja, logo "o povão esquece tudo". Parece que a somos malucos por "estrelas". Veja AQUI.
- [18.Mai.2006 - 19:39h] -

É o cúmulo!




Por Ery Roberto Corrêa | 5:56 PM - Link deste post


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Sexta-feira, Maio 12, 2006

[dia das mães]
RETRATO DE MÃE




"Uma mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de
Deus e muito de anjo pela incansável solicitude dos cuidados seus;
uma mulher que, ainda jovem, tem a tranqüila sabedoria de uma anciã e,
na velhice, o admirável vigor da juventude;
se de pouca instrução, desvenda com intuição inexplicável
os segredos da vida e, se muito instruída age
com a simplicidade de menina;
uma mulher que sendo pobre,
tem como recompensa a felicidade dos que ama, e quando rica, todos os
seus tesouros daria para não sofrer no coração a dor da ingratidão;
sendo frágil, consegue reagir com a bravura de um leão;
uma mulher que, enquanto viva, não lhe damos o devido valor,
porque ao seu lado todas as dores são esquecidas; entretanto
quando morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para vê-la de
novo ao menos por um só momento, receber dela um só abraço,
e ouvir de seus lábios uma só palavra.
Dessa mulher não me exijas o nome, se não quiseres
que turve de lágrimas esta lembrança,
porque... já a vi passar em meu caminho.
Quando teus filhos já estiverem crescidos, lê para eles estas palavras.
E, enquanto eles cobrem a tua face de beijos, conta-lhes que um humilde
peregrino, em paga da hospedagem recebida, deixou aqui para todos o
esboço do retrato de sua própria mãe."


[Tradução do original de D. Ramóm Angel Jara, bispo e orador chileno]

Texto: www.arteducacao.pro.br
Imagem original: www.rlrouse.com


Desejo a todos um ótimo final de semana, coroado com um especial domingo, na presença ou na lembrança deste anjo que atende pelo nome de MÃE. Estou viajando. Matarei as saudades e preparararei um bobó de camarão para a minha. Até segunda.

Por Ery Roberto Corrêa | 2:04 PM - Link deste post


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Quarta-feira, Maio 10, 2006

[copa do mundo]
GOL NELES, BRASIL!




Segunda-feira próxima, dia 15 de maio, começa definitivamente a Copa do Mundo para o Brasil. Será o dia da convocação oficial de Parreira, com a divulgação da lista contendo os 23 jogadores.

Embora de há muito conheça o estilo do treinador, ainda acredito em pelo menos uma novidade milagrosa. E esta, penso, deva ser Rogério Ceni. Se assim agir, Parreira estará fazendo justiça ao melhor goleiro da atualidade no futebol brasileiro. Além do Marcos estar afastado das atividades, sem jogar há bastante tempo, Ceni é uma unanimidade.

Quem acompanha sua carreira, vê os jogos do São Paulo no Brasileiro e Libertadores, concorda que vive uma grande fase, talvez a melhor da sua carreira. Além da experiência e do desempenho, Ceni é um goleiro diferente por outras três virtudes: como nenhum outro brasileiro na posição, sabe repor a bola em jogo, faz gol e tem espírito de liderança. O que se poderia mais esperar de um guardião de meta?

Dida poderá até ser o titular, mas, caso convocado, Ceni merece ser o reserva imediato, já que o "preferidinho" Júlio César convenhamos, não tem a bola toda do goleiro sãopaulino.

E Zagallo em recente entrevista perdeu mais uma chance de ficar calado, desta vez em reverência à memória de Telê Santana. Disse à France Presse, referindo-se a seleção de 1982, que "Aquela seleção não foi perfeita. O importante para o nosso trabalho são os resultados. Aquela equipe jogou bonito, mas não ganhou nada."

Esperamos que ele ajude a evitar que isto aconteça na Alemanha. Ou, que pelo menos, não atrapalhe. Torcemos para que a Seleção jogue bonito, faça muitos gols e ganhe o hexa.

Por Ery Roberto Corrêa | 6:59 PM - Link deste post


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Domingo, Maio 07, 2006

[paralogismo do inocente]
ÂNSIA DE VÔMITO





Presidente, o senhor está dividido. "Sou presidente do Brasil ou sou um militante do PT no governo?". O senhor só faltou aplaudir o Evo por ter invadido a Petrobras com o exército, e ainda disse que a Petrobras entubará qualquer aumento numa boa.

[Arnaldo Jabour, comentário no Jornal da Globo]




Para o ardoroso eleitor de Lula, não poderia haver melhor solução.

Vamos raciocinar da forma mais simples: a Petrobras compra o gás da Bolívia e faz a revenda para as distribuidoras aqui. Tudo bem, mesmo aumentando o preço por lá, por aqui ninguém haverá de sofrer absolutamente nada, pois Lula garantiu que a Petrobras vai absorver a diferença e o consumidor nada sentirá. Beleza. Tão bonzinho nosso presidente!

Pena que ninguém disse ao distinto que, como empresa pública, para que a Petrobras custeie o ataque indigenista, alguém vai ter que pagar a conta. Sem contar que a promessa, caso cumprida, levará ao claro enfraquecimento da estatal, num resultado ainda mais que óbvio da simples equação. Por conseqüência de uma aplicação maior de recursos para pagar o gás, o lucro diminuirá. Nem é bom falar em outras conseqüências pois parece que ele pensa que a prospecção tecnológica é de graça.

Lula, em sua louvada simplicidade, deve estar pensando: "tudo bem, a Petrobras tem recursos para bancar isto". Será que nunca ensinaram ao "paralogista militante" que a empresa é de capital aberto e nesta condição é constituída por acionistas? Será que algum "companheiro" lembrou de lhe assoprar que o trabalhador brasileiro investiu em ações da estatal utilizando para tanto recursos do seu Fundo de Garantia? Será que este sujeito algum dia vai aprender que o governo não é o único dono da empresa? Que no mínimo ela tem uma diretoria que conhece muito melhor do que ele os mecanismos técnicos da gestão de recursos e que deveria ser ouvida antes de qualquer promessa?

Será que ele pensa que além dos seus "eleitores" alguém vai acreditar que, mesmo isto acontecendo, a maioria da população vai deixar de pagar a conta quando estiver pagando por serviços e produtos que dependem do gás? Claro, os empresários espertalhões da indústria vão querer aproveitar a maré! Talvez não antes de outubro ou novembro, mas depois ninguém segurará a avalanche de aumentos. Até porque a atual promessa de Lula tem prazo de validade, vence quando acabar a eleição.

Como na equação anterior, o resultado aqui é simples: quem investiu na Petrobras estará sendo punido duas vezes. Primeiro porque vai receber menores dividendos à vista da retração do lucro e segundo porque vai pagar mais pelo azulejo, por exemplo, quando for fazer a reforma de final de ano.

É gostoso demais prometer e não ter que arcar com nada. Fazer filho e não pagar pensão é ser esperto. Antes era crime e dava cadeia. Como estes tempos mudaram!

Para emoldurar toda essa situação "paz e amor", discurso! Só a muralha da China é mais imponente do que o futuro gasoduto da América Latina. Oh! Deverá ser a décima maravilha do mundo. Porque a nona deve ser a "inocência de quem ainda acredita e aposta nessa gangue repugnante do Partido dos Trabalhadores" e sua "estrela guia", o herói do povo, este original pacificador do Novo Mundo, este ser iluminado que jamais fará com a Bolívia o que os americanos fizeram com o Iraque!

Tem gente que está convencida que é boi e não cansa de procurar os chifres para poder dormir durante a conversa.

Como o governo do meu país ficou ridículo! Quando deveria agir defendendo os nossos interesses, brigando até as últimas conseqüências para honrar o controle da empresa pública, já que Evo Morales usurpou bens que pertencem a todos os brasileiros, prefere o populismo da pior espécie para fingir que tem soluções, evoca ("evoca" é bom hein! deve ser elisão de Evo com "eca") o carinho como melhor forma de tratamento para quem se apossa violentamente, e, para não ficar por menos, prossegue impune em seus interesses eleitoreiros como se tudo estive na santa normalidade.

Estou em dúvida se me escondo de vergonha ou se vou procurar um vaso para vomitar. Sim, um vaso! Pois tem muita gente que se conseguisse vomitar descarregaria nos próprios ouvidos, já que o conformismo os convenceu que os pavilhões auriculares viraram penicos.




Imagem esprestada do blog do Marcelo Tas.

Por Ery Roberto Corrêa | 2:55 PM - Link deste post


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Quinta-feira, Maio 04, 2006

[cotidiano]
O PMDB NO TERREIRO









-- "Meu caro, vocês precisam de uma saída brilhante."

-- Brilhante? Não Mestre! Estrela não, resmungou Pedro Simon inconformado e recebendo apoio de Sarney que não parava de coçar o bigode.










PMDB já foi o maior partido de oposição da política brasileira, um verdadeiro emblema anti-revolucionário quando ainda MDB à época da ditadura militar. A agremiação antes conhecida pela ética, coerência e atitudes dos seus principais personagens, preocupada com causas maiores, hoje se debate ante comportamento insano do seu candidato a presidente.

Consta que a ala mais descontente com os papelões, temerosa de possível crise, esteve reunida por diversas horas tentando costurar uma estratégia que levasse a uma saída honrosa para a greve de fome do "petiz".

Houve quem sugerisse deixar a carruagem rodar mais um pouco, como querendo segurar o destino andando com o freio de mão puxado, só pra ver como ficariam as coisas. A proposta, segundo alguns, seria uma faca de dois gumes. Por um lado a imprensa poderia ceder dando ao "gurizinho" seu tão sonhado brinquedo, isto é, um microfone e algumas manchetes de capa nas próximas semanas. Mas, por outro, ele poderia ficar magrinho demais e partir desta para um acerto de contas que também não deve estar muito preparado.

A mais debatida proposta foi a de formalizar imediatamente um compromisso de apoio a outro partido, abrindo mão oficialmente de ter um candidato próprio, tática que, segundo alguns, apressaria uma decisão do "adolescente" no sentido dele próprio resolver sobre a saída. Cairia no esquecimento e nem precisaria devolver a grana para as ONGs.

Outras teses, "impróprias para menores", foram deixadas à margem.

Resolveram então, por unanimidade, tentar um contato com o Dr. Ulisses.

Através de certas forças, quando finalmente conseguiram, ouviram os sábios conselhos do grande e inesquecível Doutor. Disse-lhes o memorável sábio:

-- "Às vezes, precisamos de muita coragem para abandonar estruturas que construímos durante a vida e seguir os sinais que nos indicam novos caminhos. Crescer é preciso. O universo tem uma lei, uma harmonia, que a gente desconhece... Ficamos "perdidinhos" se algo muda e foge do nosso controle...
Quando nos tornamos mais atentos aos sinais que mostram os caminhos, deixamos de ser um ego que tenta controlar tudo a qualquer custo. Cedemos a nós mesmos e daí mudamos. Isto chama-se sincronicidade! É disto que o partido necessita.
"

-- E que fazer Mestre? perguntou-lhe um animado Rigotto coberto com um poncho, quase se afogando num gole de mate quente.

-- "Meu caro, vocês precisam de uma saída brilhante."

-- Brilhante? Não Mestre! Estrela não, resmungou Pedro Simon inconformado e recebendo apoio de Sarney que não parava de coçar o bigode.

-- Um reluzente discurso?!, pronunciou animado o eloqüente Requião.

-- "Não!", esclareceu-lhes o Mestre. "Sincronizem. Pensem no futuro. A crise é de material humano. Construam um líder confiável. Um democrata honrado. Probo, idealista, inteligente, agregador. Que ame e defenda a pátria e o povo antes dos seus interesses mesquinhos. Impossível terem perdido a receita. Mais do que uma estrela brilha um HOMEM de verdade, pois é dele o universo. Se agora ainda não existe este nome, e até que ele sobrevenha no partido, sejam pelo menos nobres aliados do melhor." Temer e Calheiros terminaram tão calados quanto estiveram o tempo todo.

Quando iam saindo todos ouviram uma voz conhecida. Era Cássia Eller, linda e com saudades do Brasil, cantando: "Quem sabe eu ainda sou uma garotinha..."


A definição de "sincronicidade" foi tirada deste texto.

Por Ery Roberto Corrêa | 6:25 PM - Link deste post


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