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Quarta-feira, Agosto 30, 2006

[televisão brasileira]
A FILHA ADOTIVA DA DITADURA


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O cineasta Cacá Diegues, em 1985, fez um texto espetacular ("O Futuro Passou") que abordava a possibilidade da construção de um novo Brasil, onde haveria espaço para a tolerância e a crise.

Inicia o texto descrevendo uma imagem não cinematográfica, mas real, vista no nordeste, no sertão de Alagoas, ao final de 1972, quando retornava da filmagem de cenas nos canaviais da região e que faziam parte do seu célebre Bye Bye Brasil, coincidentemente uma obra marcante do cinema nacional por desvelar um país que era desconhecido para uma grande maioria.

Num início de noite encontrou a pequena cidade onde estava hospedado "inundada por etérea luz azul, como num cenário fantástico de modesta ficção científica". Ao se aproximar da praça principal, descobriu tratar-se de um aparelho de televisão, ainda em preto-e-branco, que havia sido instalado para uso público a mando do prefeito. "Na praça, em torno do totem, vaqueiros e feirantes, cortadores de cana, pequenos funcionários rurais, homens, mulheres e crianças de todas as idades, com suas roupas de campo e instrumentos de trabalho, assistiam embevecidos ao show dominical da época, animado por apresentador vestido em impecável smoking, usando jargão e discurso tão distantes, mas que muito em breve se tornariam familiares de todo o Brasil. ".

A associação que ele montou na seqüência do texto entre esse cenário e o drama cultural que acabou se perpetuando até nossos dias, mesmo depois de vinte e um anos do fim da ditadura, demonstrou que o audiovisual em geral, mas a televisão de modo particularíssimo e relevante, mesmo cencentracionária e superficial, escapista e autoritária, é amada pelo povo.

Os governos militares sabiam deste fenômeno e usaram a televisão para marcar o território. Em arremedo histórico foi como se tivéssemos nova versão das capitanias hereditárias -- só que desta feita as terras foram substituídas pela ideologia -- e através de elaborado sistema cartorial de concessões de canais televisivos institucionalizou o controle social da população. E como rezava a velha tradição das capitanias, depois de escolhidos, os políticos beneficiários dessas concessões não tinham de dar qualquer satisfação a ninguém, a não ser ao general da vez. A Nova República herdou o "tratado audiovisual" e continuou usando os recursos concessionários para as articulações do poder, como, aliás, se faz até hoje.

Mesmo passado tanto tempo daquele regime espúrio de 1964-1985, na contra mão dos demais países que trataram de se prevenir com leis, compromissos de programação e reserva de produção, o Brasil não alcançou maturidade suficiente para qualquer iniciativa de proteção contra um verdadeiro "Estado clandestino". Hoje temos uma televisão transformada em instrumento do poder político e econômico, que continua com suas portas fechadas e não dando voz às representatividades dos segmentos da sociedade que lhes dá audiência. Ao contrário, como filha adotiva da ditadura vivendo em tempos modernos, impõe o maior desajuste com a prática do restante do mundo onde "quem exibe não produz".

Para melhor entender: o governo estimula um grupo através da concessão, este se compromete com o doutrinamento oficial e, através da programação marcadamente alinhada ao espírito senhoril, passa a "incentivar" a continuidade de uma "ideologia cultural" que preserva os interesses políticos. Dentro deste ardil concentra-se um processo que só consegue ser visto pela minoria mais atenta, ou seja, ao exibir e ao mesmo tempo produzir, a TV dissemina a cartilha do sistema e cumpre à risca sua missão de alienar o cidadão, preservando a ignorância e afastando as massas do entendimento necessário aos maiores problemas do país. Por este motivo arma uma fortaleza e sob nenhuma conjetura abre suas portas a segmentos organizados (bandidos e traficantes têm mais espaço na mídia televisiva do que um cidadão honesto).

Parece intrigante, mas, como disse o próprio Cacá Diegues, o desencanto com tudo isto "acorda outro tipo de consciência. Até aqui, mesmo nossos intelectuais mais críticos sempre se comportaram diante da realidade como se nada tivessem a ver com ela. É como se fôssemos todos turistas no inferno, fotografando as desgraças que nele vemos - críticos, mas turistas. Descobrimos que o inferno, além dos outros, somos nós mesmos.".

A natureza humana se democratiza pela cultura e este é o mais lindo conceito de civilização. Para entender este intrigante paradoxo que consiste em nosso povo (democrático e amante da liberdade) amar incondicionalmente uma "televisão que é um lixo" é suficiente recorrer ao poeta e filósofo Antonio Cícero: "Podemos dizer que o paradoxo do Brasil está em, sendo capaz de oferecer a prefiguração da solução de alguns problemas que poucos países conseguem efetivamente enfrentar, não tem conseguido efetivamente enfrentar alguns problemas que muitos outros países já resolveram total ou parcialmente.".

Assim, o que vemos é que aquilo que deveria servir para o desenvolvimento cultural virou uma arma de controle do cidadão.

Nossa televisão, através dos seus funestos personagens, só consegue aumentar o nível de idiotismo que é transferido pela glorificação do chulo, da ridícula presunção, do puro mau-gosto, do humor infame, da futilidade e da falta de educação e criatividade. Ao pobre telespectador são levadas diariamente as lições de cultivo da parcialidade, da normalidade da traição e da absoluta funcionalidade da mentira. Além disto, a exploração da miserabilidade humana e as soluções insólitas para necessidades imediatas concorrem com a exaltação desenfreada dos desvios da sexualidade.

Tudo isto, agregado a estímulos conhecidos como mensagens subliminares, atua no sentido de afastar o cidadão dos problemas, fazendo-o avesso à participação na vida política e totalmente afastado da possibilidade de iniciativa de reação. Dentro do mais absoluto conforto, pois o ópio da "luz etérea azul" saiu do coreto da praça e foi para a sala estar de milhões de lares.

Enquanto os mais fanáticos ficam acordados até a madrugada para ver as múltiplas "sessões de descarrego", porque afinal de contas ainda tem gente que acha que o diabo existe e não mora em Brasília, a juventude "sonha" com o mundo de "Malhação" e não quer nem saber de aprender a votar. Vive no desenfreado individualismo, emburrecendo progressivamente, abusando dos costumes, usando drogas, condenando-se por seu próprio juízo a viver no futuro à espera de um novo milagre que a resgate da alienação social, política e cultural.

Quem sabe será tarde. Estará sem idioma, sem referências e sem valores.

Penso seja esta uma das preocupações que nos mobiliza a elegermos deputados federais e senadores comprometidos com a mudança do nosso futuro, que sejam agentes dos anseios de tornar o Brasil um país culturalmente livre.

Ou alguém garante que ele sozinho consegue "ler" a realidade?



[01.Set.2006 | 17h11] -



- Filha de peixe - Hoje, mesmo antes de ler este texto, a minha filha Gaby - apaixonada por montagens fotográficas e recém convertida aos encantos do Fireworks - estava dando o acabamento a uma imagem. Por se tratar de um trabalho que ilustra o espírito da mensagem que tentei passar através do meu desabafo contra a televisão brasileira, com sua autorização resolvi publicar.


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- The other side: Notícia publicada hoje.

- Ontem, 31.08 - data recentemente consagrada como Blog Day - recebi uma homenagem da querida amiga Nilza do blog "Juntando Pedacinhos". Transmito-lhe meu agradecimento pelo gesto e carinhosas palavras.


Por Ery Roberto Corrêa | 7:13 PM - Link deste post


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Domingo, Agosto 27, 2006

[esporte]
DA RESSACADA A ISTAMBUL


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"Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto /
Eu to voltando..."


Ainda lembro todos os detalhes daquele domingo triste de dezembro, no ano passado, quando meu alviverde jogava suas últimas esperanças de escapar do rebaixamento à Série B do Campeonato Nacional. Embora fizéssemos a nossa parte, vencendo o poderoso Internacional - hoje Campeão da América -, dependíamos de resultados de outros jogos. Infelizmente, apesar da bela vitória e principalmente do magistral exemplo da torcida que lotou o Alto da Glória, caímos.

Pois a partir de lá esta magnífica torcida deve ter renovado seu pacto de amor pelo "Coxa-Branca" e ontem, com seu efervescente apoio, concluímos o primeiro turno da Segundona em primeiro lugar após uma vitória de virada sobre o Avaí, em Florianópolis. O Coxa, aos poucos, está construíndo a rota do glorioso retorno à 1a. Divisão.



"Quem quiser saber o que é felicidade / É uma mistura temperada de prazer / É um sonho lindo que vira realidade..."

Depois de Émerson, Pace, Piquet, Senna e Barrichelo, Felipe Massa conquistou seu primeiro pódium na F 1, escrevendo a 89a. vitória brasileira na história deste esporte. Ele recebeu o batismo na companhia de Alonso e Schumacher, depois de 66 corridas na categoria.

Após a conquista da pole-position no treino de sábado, Massa liderou a corrida de ponta a ponta e chegou a cravar diferença de doze segundos para o segundo colocado, fez a melhor volta, e mais, depois de um erro do alemão, deixou a Equipe sem qualquer condição de ditar uma nova "tramóia", como aquela da época de Barrichelo, para que seu piloto principal ganhasse a corrida e se aproximasse do título.

Massa provou que é piloto de ponta. Sua tranqüilidade nos últimos dias quanto a situação para o ano que vem dá mostras que o alemão vai mesmo "pendurar as luvas" na próxima temporada e que aí sim, se depender dele, poderemos novamente ter um piloto brasileiro campeão do mundo.

Arriba garoto! Sua humildade e competência encantam e o velho "Tema da Vitória" tocado ao fundo de fusões fantásticas de imagens, faz novamente a gente sentir aquele apertinho na garganta e os olhos marejarem de gratas lembranças.

Por Ery Roberto Corrêa | 2:16 PM - Link deste post


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Quarta-feira, Agosto 23, 2006

[protesto]
CONFISSÕES DE UM PODÓLATRA


Ah, essas jóias de pés! Não consigo deixar de me aventurar no toque e na carícia de tanta dádiva. Dedos falam ao se moverem, plantas lisas e macias escondem segredos só desvendáveis por aqueles que já apreenderam a navegar por pontos nevrálgicos. Curva-te à idolatria dos pés femininos e descobrirás a erógena delicadeza. Entrega-te a uma viagem labial, percorrendo a longitude que principia num calcanhar e te remete ao extremo do vão dos dedos em pele de seda, e terás encontrado, na face rubra e térmica, o retrato da expressão contorcida pelo desejo do Nirvana. Se, porém, enquanto assim viajas pelo deserto inferior, conseguires descrever rota alternativa com teus dedos a navegar por veias em convulsão, no lado oposto dos teus quase beijos, terás aprendido a levitar uma mulher antes que entre no paraíso.


Se for pecado rendo-me ao castigo sem progressão de regime e que a pena não me cure.

É nos pés que habitam as convergências da sensibilidade total e neles residem os segredos de um corpo inteiro. Em cada zona deste magnífico terreno erotógeno concentra-se a capacidade máxima de percepção das modificações do meio externo ou interno, contendo o poder de reflexo que a partir dos estímulos desencadeia reações.

Se não fosse um centro de equilíbrio e elemento sensorial não permitiria a leitura do sistema nervoso central. Pés são os corações que podemos fisicamente tocar. Quando por acidente sofrem lesões de qualquer espécie promovem desequilíbrio natural que, por refletirem remotas ligações com órgãos específicos, promovem alterações do humor, potencializam a emotividade e sentenciam à instabilidade geral.

Merecem, portanto, cuidados, fino trato, carinhos e até mesmo certa dose de vaidade no sentido de vestí-los, quando necessário, por parte de quem os têm como objeto de prazer e estímulo da sexualidade.

Pés femininos fardados por borzeguins de solas grossas, verdadeiros chapins que transformam frágeis pés em calhaus, grotescamente banalizados como dura rocha, transmitem-me uma visão de insensibilidade, prepotência, brutalidade, pretensa auto-suficiência que se desenha no desejo do inexplicável fetiche da masculinidade inadmissível.

A moda, por vezes, é algoz desta provada admiração dos homens pelos pés femininos. Como resistir a tamanha agressividade contra o encanto do suave e delirante encontro com a sensibilidade? Como não lamentar essa clausura consentida que transforma a beleza em cruel representação de tirania?

Deuses pesepelos, tenhais piedade de certas mulheres!



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[24.Ago.2006 | 17h21] - A convite do Valter Ferraz, desde ontem estou no Livros & Afins. Postarei por lá quinzenalmente, às quartas-feiras. Prestigiem.

Por Ery Roberto Corrêa | 5:13 PM - Link deste post


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Sexta-feira, Agosto 18, 2006

[conflitos no oriente]
UM OUTRO TERRORISMO


Muito se lê sobre os conflitos no Oriente Médio, porém em raras ocasiões é possível sentir tamanha lucidez no tratamento desta importante questão. O texto a seguir, publicado com autorização do seu autor, demonstra a importância do registro histórico verdadeiro e o caráter primordial da sua exposição sem julgamentos pré-concebidos.


José Henrique de Faria


conflito recente no Oriente Médio faz reabrir velhas e surradas análises eivadas de equívocos, parciais e maniqueístas. Certos pensadores que se pretendem dialéticos mostram-se incapazes de encontrar a unidade dos contrários, base analítica da busca da negação, e entram no fácil caminho da dicotomia entre o bem e o mal, tratando como se fossem oposições o que nem ao menos é dialética mecanicista. Outros, titulados historiadores, revelam desprezo pela história e a reduzem a um conjunto mal feito de efemérides, às vezes até ordenadas cronologicamente para dar certa impressão de capricho contextual. Caem em um erro comum, de certa maneira promovido pelos Islamitas Integristas, que se resume em colocar todos os fatos na mesma cesta analítica. O que está se passando hoje no Líbano não tem relação direta com o Problema Palestino. O Islã tenta hoje se apropriar das crises do Mundo Árabe e propor soluções de "Volta à era gloriosa do Profeta", à época da Expansão Islâmica, ou seja à Idade Media. O materialismo aparece na forma de ideologia, o histórico na forma de dados manipulados e o dialético na forma de classificação dicotômica.

Fosse um leigo a discorrer sobre a "história" do conflito, desde sua gênese, ainda seria admissível a ignorância, embora lamentável. Mas, quando são profissionais da área que se dispõem a explicar um fato a partir de uma história sem passado, é inaceitável. Eis que nos deparamos, alhures, com análises plenas de erros, sugerindo que estes não estão ali por acaso ou por descuido. Análises nas quais tudo se justifica para "um lado", descrito como origem natural do outro: sou o que sou por culpa do outro e não tenho responsabilidade alguma em sê-lo. Análises do tipo causa-efeito, tão ao gosto do raciocínio linear. "Um lado" bondoso, caridoso, social, humano, assistencial e deificado. O outro, malévolo, demoníaco, desumano. Esta história já tem milênios. E é porque tudo se justifica para um e tudo se condena para outro que se pratica um outro tipo de terrorismo: o do preconceito. Este que se esconde sob a máscara dos que não assumem suas faces.

Nada justifica, de "um lado" e de outro, a morte de inocentes. Por este motivo é também necessário questionar, como se deve fazer, que outros fatores se encontram impregnados neste conflito. Acobertar e aceitar atitudes, omitir informações, deturpar a história, não são atividades que competem a um historiador. Por esta razão, a humanidade orgulha-se dos seus grandes historiadores, pois eles são a garantia do registro de um passado que é necessário expor sem julgamentos pré-concebidos.

Mas, encontramos análises que, a pretexto de revelarem a história, primam pela quantidade de inverdades, distorções, exageros, omissões, confusões e mitos. A sociedade certamente merece informações precisas e corretas para melhor compreensão a respeito do conflito do Oriente Médio. As análises não revelam, por exemplo, que na Guerra dos Seis Dias em 1967 não houve expulsão de palestinos. Foram 325 mil cidadãos jordanianos que ali viviam e fugiram para outra parte da Jordânia a fim de não serem atingidos pelo fogo cruzado da guerra. Também não dizem que a Organização pela Libertação da Palestina (OLP) não foi fundada no exílio após a ocupação em 1967. Ela foi fundada em 1964 e seu objetivo, conforme rezava o caput de sua carta, era a "destruição do Estado de Israel" e não a desocupação de um território que só seria ocupado três anos mais tarde. Não mencionam que em 1970, a Jordânia matou e expulsou milhares de palestinos de seu território depois que Arafat tentou destituir o rei Hussein e tomar o poder. Que no Líbano, a OLP tinha uma força de 15 mil a 18 mil membros estacionados na fronteira, atacando com morteiros e mísseis Katyiucha, e contava com cinco mil a seis mil mercenários estrangeiros vindos da Líbia, Iraque, Sri Lanka, Chade, Moçambique e outros países.

À vezes nos deparamos com informações tão equivocadas que chegamos a colocar em dúvida a própria finalidade do texto. Por exemplo, existem alguns analistas que afirmam que em junho de 1982 os israelenses provocam a maior mortandade de civis desde a Segunda Grande Guerra, aí incluso os 2.700 palestinos mortos nos campos de refugiados de Sabra a Chatila. Entretanto, sabe-se que os maiores morticínios, após a 2ª Grande Guerra, só para citar os principais, foram o do Cambodja (em que Pot Pol matou mais de 2 milhões de pessoas), a guerra do Vietnã e a de Biafra, na África, entre as décadas de 1960 e 1970 (com mais de um milhão de mortos cada uma) e, mais recentemente, a Guerra dos Bálcãs - Kosovo, Bósnia e Croácia - (com 200 mil mortos) e a da Chechênia (com 150 mil mortos). Por este motivo, sabendo que a população atual do Líbano é de 3,6 milhões de habitantes, podemos aferir o significado da maior mortandade lá ocorrida, causada pela própria Guerra Civil, um conflito interno que se iniciou em abril de 1975 e com a OLP, xiitas, sunitas, drusos e a Síria de um lado, contra cristãos maronitas e setores da direita do outro, matando 150 mil pessoas.

Em relação a Sabra e Chatila as estimativas de mortos variam de 300 a 500, segundo a polícia libanesa. De todas as aldeias libanesas que sofreram massacres, as únicas que ficaram conhecidas são as de Sabra e Chatila, em 1982. Entretanto, em maio de 1985, houve novo massacre em Chatila e em Burj-el Baranjê quando muçulmanos atacaram os acampamentos. Segundo a ONU, houve 635 mortos e 2.500 feridos. E durante uma batalha de dois anos entre a milícia xiita Amal - respaldada pelo Governo Sírio - e a OLP, foram registrados mais de dois mil mortos, incluindo muitos civis. Mas, não se trata de contabilizar. Uma única vítima já é motivo mais do que suficiente para tirar qualquer razão de quem quer que seja. Nada justifica tantas mortes. Mas, nada justifica a ignorância de que as mesmas tenham ocorrido.

Quanto ao Hezbollah, é preciso ingenuidade ou má fé para negar que o mesmo foi criado, financiado e armado pelo Irã. Atualmente, é discurso comum afirmar que o Hezbolah é uma resposta às ações israelenses. Entre tantos fatores este é um deles, mas não é o único e tampouco o principal. Para angariar simpatia da população libanesa muçulmana, o Hezbolah sempre empregou como estratégia a expulsão dos israelenses do Sul do Líbano. Porém, entre seus objetivos, sempre estiveram a conquista do poder no Líbano e a eliminação de Israel. Aliás, Nasrallah, seu líder, nunca fez segredo disso. Quando atacou a embaixada dos Estados Unidos em 23 de Outubro de 1983, não deixou cerca de 60 mortos, pois os dois atentado-suicidas contra a força multinacional de interposição fizeram 248 mortes de americanos e 58 mortes de franceses.

A própria imprensa tem informado que o Hezbollah tem usado civis libaneses como escudos e armazenado seu arsenal de 12 mil a 13 mil mísseis iranianos e sírios, sob as clínicas, escolas e mesquitas que constrói para a população que ele mesmo condena à morte ao usá-la como escudo protetor. Desde o ano de 2000, quando os israelenses se retiraram por vontade própria do Sul do Líbano, até a eclosão do atual conflito no dia 12 de julho passado, mais 500 foguetes e mísseis caíram sobre a população civil israelense, matando, ferindo e causando grandes danos. No dia anterior, o Hezbolah invadiu Israel, matando oito soldados, ferindo outros e seqüestrando mais dois que ainda continuam em seu poder. Não existe somente "um lado". Não há e nem pode haver qualquer justificativa para uma guerra. Quando ela existe a humanidade falha. Mas, também sabemos quantos interesses habitam os bastidores e que não se revelam. Daí que a história precisa ser escrita sobre os fatos concretos e suas relações sempre contraditórias.

Todos os que temos famílias no Líbano e em Israel e todos os que ainda se comovem pelos dramas e sofrimentos humanos, estamos estarrecidos. Entendemos, contudo, que a prática do preconceito, este terrorismo de gabinete, em nada colabora para desvendar as contradições que se expõem neste conflito. Se já conhecemos "um lado" da história, é justo conhecer o outro, mas não como dicotomia e sim como contradição. E é mais justo ainda conhecê-los como são.


José Henrique de Faria é Doutor em Administração pela USP, Pós-doutorado em Relações de Trabalho pela University of Michigan, Ex-Reitor da Universidade Federal do Paraná. Diretor Geral da UNIBRASIL.

Por Ery Roberto Corrêa | 7:10 PM - Link deste post


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Quarta-feira, Agosto 16, 2006

[coisas do brasil]
O TERÇO MALDITO


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Desconheço números sobre o crescimento dos evangélicos no Brasil, mas o pouco que tenho lido sobre o assunto me permite arriscar que nosso país é uma das principais vítimas da "exploração da fé".

Seitas de linha pentecostalista são as que mais crescem em número de fiéis e igrejas. Coincidentemente, são as que têm maior representação política dentro do Congresso Nacional. É de conhecimento público que a Igreja Universal do Reino de Deus - império do bispo Edir Macedo - já chegou a constituir um partido político próprio.

É sabido que a bancada evangélica no Congresso Nacional se constitui em uma das maiores representatividades, servindo-se cada vez mais da sua estrutura financeira e exploradora da fé popular para reeleger deputados.

Outro aspecto a se registrar é relativamente à formação desses bispos. Enquanto algumas seitas mais tradicionais condicionam o exercício do "presbitério", ou do "ministério evangélico" a uma passagem por seminário que lhes comprova o caráter vocacional e dá a preparação teológica necessária, nas denominações pentecostais este processo é relativo. Basta se tornarem "obreiros" bem desenvolvidos na arte da "retórica" para que uma espécie de carreira profissional abra as perspectivas de se tornarem servidores do império e até maus políticos de âmbito nacional.

Inúmeras situações registradas pela imprensa já mostraram a fragilidade de caráter desses bispos e pastores transformados em políticos, forjados na exploração da religiosidade, ato que contribue em larga escala para o "anestesiamento do eleitor" na via indigna da enganação popular.

Navegando pelo site da CBN deparei com este comentário do jornalista Arnaldo Jabor (07.08.2006), uma das vozes mais contundentes do país contra o estado de corrupção no governo Lula, abordando aspecto particularíssimo da Máfia das Ambulâncias. Ele afirma que dos noventa envolvidos, um terço são parlamentares evangélicos.


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Trinta sanguessugas são da Igreja Evangélica


"Amigos ouvintes, antigamente se dizia que: de boas intenções o inferno está cheio! Hoje, os homens falsamente bons não estão mais no inferno não, eles estão no Congresso. Extraordinário!

Nesse episódio dos sanguessugas eu vejo na reportagem de Roldão Arruda, do Estado de São Paulo, que dos noventa deputados notificados pela CPI das Ambulâncias, trinta são bispos, pastores e obreiros evangélicos de várias igrejas. Trinta, ou seja, a metade da frente de sessenta e dois evangélicos. Eles só falam em Deus e Jesus, mas na hora 'H' surgem no meio das sanguessugas. Um deles, o deputado João Mendes de Jesus, escreveu um livro chamado: "Servindo a Deus na vida pública", lançado pela Igreja Universal. Aliás, a Universal é a igreja que mais investe na política sendo que dos seus dezoito deputados, dezessete estão na lista negra do sangue e da sugação. Um dos mais lidos é o João Batista, aquele deputado que estava com dez milhões em grana viva num aviãozinho e que disse que eram notas do dízimo, lembram? Na época ele foi afastado do PFL e correu para se refugiar na caverna de Ali Babá do PT. Em segundo lugar vem a Assembléia de Deus com nove sanguessugas e muitos outros.

E há várias desculpas para essa lista. Uma delas é que os pobres deputados evangélicos são vítimas da vingança sabem de quem? Do deputado Fernando Gabeira, que sempre lutou pela liberdade dos costumes, protegendo prostitutas, homossexuais, e estaria agora se vingando dos ataques dos evangélicos.

A outra desculpa é bíblica. Os bispos e pastores pegados em flagrante se penitenciam, pedem perdão e dizem que foram vítimas das tentações do demônio mas que agora vão se regenerar. Uns bispos ainda dizem aos fiéis que esses pobres homens caíram por causa da força do diabo que os atacou e, que portanto, queridos fiéis, é necessário eleger mais bispos e pastores para poder lutar contra o dito cujo, o diacho, o filho do cão. Tudo isso serve para alertar ao país, a Lei, a Receita Federal, aos juristas que é um espantoso absurdo que as igrejas evangélicas sejam isentas de pagar imposto de renda. Sabiam, amigos ouvintes, que todos nós pagamos imposto mas que os bispos e suas igrejas não pagam nada? É isso ae, amigos... E tudo 'em nome de Jesus'."


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Muitos destes safados são candidatos à reeleição. Como as seringas da anestesia continuam estocadas em seus púlpitos, aplicadas de forma geral nas "sessões de descarrego" e outras liturgias, têm tudo para alcançar seus objetivos. Como estelionatários do reino possuem o handicap financeiro suficiente para suas campanhas. Reassumirão em nome da fé e continuarão impunes para se servir mais fartamente no novo banquete quadrienal do Congresso delinqüente.

Meu Deus, onde está o povo? Temo que a anestesia já tenha provocado um choque anafilático.



O comentário de Arnaldo Jabor pode ser ouvido AQUI. Clique no título "Trinta sanguessugas são da Igreja Evangélica", comentário de Segunda-feira, 7 de agosto de 2006.

Por Ery Roberto Corrêa | 6:08 PM - Link deste post


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Segunda-feira, Agosto 14, 2006

[agradecimento]
O SONHO É O FUTURO


Photobucket - Video and Image Hosting"A capacidade de carregar a semente que produz o pensamento, gerando frutos que só podem ser colhidos através da mudança para uma nova dimensão de experiências que proporciona a maturidade, é um belo sentido da vida. Eternizar essa metamorfose constante através do significado magno das palavras é, quiçá, contribuir para que outros aflorem seus sentimentos e se tornem amigos do tempo e se descubram, se reencontrem, se tornem tolerantes e passem a olhar a vida e os anos sempre como um "novo tempo". O fruto mais doce a se colher é a maravilhosa certeza que a emoção é perene."


Existem presentes que são fantásticos.


O homem é um sonhador e seus desejos constituem a essência do processo realizador. Talvez esta constatação seja o argumento máximo de um belo conceito que se traduz pela frase "Se não desejamos o que ainda não há somos prisioneiros do agora".

Há, no entanto, uma profunda identificação desta capacidade criadora com o tempo. Diferentemente de um percurso conhecido que nos permite precisar a exatidão do seu tamanho e assim é capaz de transmitir a noção definitiva do ponto onde estamos e do quanto falta para se chegar ao destino, a linha da existência - embora tenha sentido único para o futuro - só permite referência concreta quanto ao que já percorremos.

Neste caminho existencial, especificamente quanto ao que ainda falta, o que abre todas as perspectivas com vistas ao destino são os sonhos. Pelo fato de existirem dentro de nós, a busca da capacidade de realizá-los torna-se a única métrica possível no sentido de avançar. Mesmo assim, por mais que tenhamos a virtude de imaginar e compor paisagens do nosso futuro existencial somos absolutamente incapazes de garantir que lá chegaremos.

Esta incerteza valoriza os sonhos. Mais ainda, permite-nos a percepção da iminência de transformá-los em objetivos imediatos após a cuidada priorização de ideais. Estes podem ser entendidos como os atalhos para a felicidade.

Pela abençoada necessidade da convivência humana, existe também nos incentivos, lembranças e votos dos amigos companheiros de jornada uma transferência magnífica de energias, que resulta em qualitativa recarga da vontade quanto à realização e concepção de novos sonhos.

Transmito sinceros agradecimentos a todos que aqui deixaram, através da magia das palavras, um tanto deste insumo essencial ao manifestarem suas congratulações pelo meu aniversário.

Por Ery Roberto Corrêa | 8:17 PM - Link deste post


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Quinta-feira, Agosto 03, 2006

[eleições 2006]
MENSALEIROS E SANGUESSUGAS


O grande pecado do eleitor brasileiro foi transformar seu voto em arma para o inimigo. O país entrou neste "estado catastrófico" onde a corrupção e todas as mazelas da vida pública ceifam diariamente a esperança dos cidadãos, aumentando a desordem, a criminalidade e o indecoro e fazendo emergir do lodo transformado em mar o monstro terrível da indecência e da vergonha, também conhecido como impunidade.

Se para muitos era difícil até lembrar a quem foi dado o último voto, imaginem conhecer antecipadamente seus nobres candidatos.

Pois agora este é um problema do passado. A internet passa a desempenhar seu papel de contribuição no processo de remoção do lodo, pois através de uma organização independente fundada em abril de 2000 por um grupo de indivíduos e organizações não-governamentais comprometidos com o combate à corrupção, passou a existir o portal Transparência Brasil.

Nele é possível o acesso aos perfis de todos os candidatos à reeleição na Câmara dos Deputados em 2006. A intenção é propiciar ao eleitor uma decisão mais informada sobre seu voto para deputado federal.

No lançamento do projeto estão disponiveis os históricos dos candidatos de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os demais estados da Federação serão incluídos gradualmente a partir do lançamento, à taxa de cerca de um por dia, seguindo-se a ordem do tamanho do respectivo colégio eleitoral.

Além de deputados que pretendem ser reeleitos são incluídos também ex-ministros, ex-governadores, ex-senadores, ex-prefeitos de capitais que buscam um mandato na Câmara.

Ao acessar este maravilhoso banco de dados o eleitor poderá checar dados relevantes da vida do candidato, os processos em que é ou foi indiciado, o que "deu no jornal", os bens declarados à Justiça Eleitoral, a atuação parlamentar (faltas, votações, uso das verbas de gabinete, emendas de sua autoria) e a lista de todos os "financiadores" da sua campanha eleitoral em 2002.

Em se tratando da urgente necessidade de moralização em que se encontra o Brasil, o projeto é de raríssimo valor não apenas pelo seu ineditismo, mas sobretudo pela relevância que assume na sacrossanta missão de informar a verdade ao cidadão, fazendo-lhe retomar o voto como arma da lucidez e do compromisso de amor à pátria.

Para tanto deve ser amplamente divulgado por todos os meios que nos estejam disponíveis. É o que humildemente peço a todos os caros leitores.

Por Ery Roberto Corrêa | 5:12 PM - Link deste post


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[quebra de ritmo]
QUASE A PNEUMONIA


Definitivamente não há vida dentro de um quarto quando a única visão que se tem dele é na horizontal.

Depois de um vácuo insuportável de sete longos dias e noites, eu voltei a respirar normalmente e pude sair logo cedo para caminhar, embora a "pestilência" deste inverno cruel que cada ano chega com uma nova tática (desta vez concentrou todas as forças e acampou disfarçado de uma seca nunca vista, fazendo a temperatura chegar a 33C, para no dia seguinte atacar ao nível de 7C e dizimar com a saúde de muita gente).

No inverno de Curitiba o céu é uma sinfonia fúnebre e todas as manhãs são novo desafio para quem não consegue enxergar qualquer centelha de vida quando olhada apenas através da paleta de graduações de cinza.

Eu prefiro o Sol (não lembro mais da última vez que o vi e senti!). Sou Leonino! Hoje soltei meus rugidos. Chega de cama!

Está tudo bem. Até cumpri uma promessa. Juntei umas coisas velhas e fiz uma fogueira, logo pela manhã. Vi as chamas queimarem primeiras páginas que tinham Lulas, Parreiras e Ronaldinhos. Até me aqueci enquanto lia um "bom", "do dia", falando da espetacular vitória deste maravilhoso clube chamado Rogério Ceni Futebol Clube. Espetacular. Estou sarando.

Meus agradecimentos aos amigos antigos e novos que por aqui estiveram e deixaram comentários. Ainda visitarei e responderei a todos.

Peço, encarecidamente, que leiam o outro post de hoje. É muito mais importante que este.

Por Ery Roberto Corrêa | 5:10 PM - Link deste post


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