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Sábado, Setembro 30, 2006
[eleições 2006]
CARTA AO DEPUTADO
 | Caro amigo Gustavo,
Sinto-me inteiramente à vontade e confiante no meu voto para deputado federal.
Embora o difícil momento político por que passa o país, onde a maioria dos nossos parlamentares parece escarnecer do eleitor neste contexto marcado pelos episódios de corrupção e desmandos, foi com imensa alegria e incomparável orgulho que acompanhei seu desempenho durante o último mandato.
Confesso-lhe que, além deste declarado orgulho, sua pessoa me traz a lembrança de um homem da mais alta estirpe política, cidadão probo e de comportamento ilibado, bravo guerreiro da luta democrática que foi seu saudoso pai, meu particular amigo, Dr. Maurício Fruet.
Lembro-me, com regozijo no coração, da última vez que o vi e com ele conversei. Foi num momento igualmente importante para a sua carreira política, caro Gustavo, quando - convidado por uma amiga - me fiz presente no lançamento da sua candidatura a vereador em Curitiba, participando de um jantar em churrascaria no Bairro Alto.
Desde aquela eleição tenho mantido meu voto de confiança em sua pessoa. Até hoje sinto a felicidade de, sempre, renovar meu sufrágio a cada oportunidade possível.
Comunico-lhe que nesta eleição não será diferente. Sua postura parlamentar em muito honrou a tradição política herdada do nosso inesquecível Maurício. Saiba, além do mais, que o amadurecimento político que tive nestes últimos anos, onde foi possível aprender com as crises, mormentemente saber separar o joio do trigo, imputa-me uma responsabilidade maior como eleitor. Assim, estarei - como sempre - acompanhando suas ações. E neste novo momento da vida nacional, sinto-me impelido ao contato, às sugestões, às cobranças quando necessárias, pois assim entendo deva ser a relação eleitor/parlamentar.
Desejo-lhe pleno sucesso no pleito pois tenho a fé na vitória do bem.
Deixo-lhe um fraterno e cordial abraço.
Ery Roberto Corrêa
Professor - Curitiba PR |
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Por Ery Roberto |
8:58 PM
Sexta-feira, Setembro 29, 2006
[eleições 2006]
O DEBATE
A pergunta que continuará sem resposta: "O senhor é um candidato sob forte suspeita do uso de recursos públicos e de outros recursos que ninguém sabe de onde vieram no processo eleitoral em um caso muito grave. Se depois se comprovarem as suspeitas, o senhor renunciará ao cargo? Diante disso, estamos votando no senhor ou no vice-presidente, José Alencar?"
[Cristovam Buarque, candidato pelo PDT, em pergunta ao candidato Lula, o absenteísta].
Pode não ter servido para mudar absolutamente nada, mas os Srs. Geraldo Alckmin, Cristovam Buarque e Heloisa Helena mostraram a todo o Brasil que quem prega a democracia não tem medo. Igualmente, que quem é civilizado consegue debater frente a frente em alto nível seja contra quem quer que seja. E, com este civilizado gesto, provaram ao presidente ausente e a todos os eleitores que quem não tem proposta tem medo.
Foi elogiável a atuação de Cristovam Buarque pela sua ponderação, equilíbrio e perfeito domínio. Só mesmo com uma "revolução doce", proporcionada pela educação, como não se cansou de repetir, é que poderemos avançar e eliminar da política o câncer da bandidagem que corrói as estruturas, para poder abrir definitivamente o caminho para o progresso e a igualdade social. Provou que uma intenção verdadeira, decente, é capaz de falar mais alto que o radicalismo e a artificialidade.
Ganhou meu voto, definitivamente!
Por Ery Roberto |
12:58 AM
Quarta-feira, Setembro 27, 2006
[acorda brasil]
COMPARAÇÕES
"No Brasil,
quem tem ética
parece amoral."
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Diamantina, interior de Minas, 1914 - O jovem Juscelino Kubitschek, de 12 anos, ganha seu primeiro par de sapato. Passou fome. Jurou estudar e ser alguém. Com inúmeras dificuldades, concluiu Medicina e se especializou em Paris. Como presidente, modernizou o Brasil. Legou um rol impressionante de obras; humilde e obstinado, foi (e ainda é) querido por todos.
Brasília, 2003 - Lula assume a presidência. Arrogante, se "vangloria de não ter estudado". Acha bobagem falar inglês. "Tenho diploma da vida", afirma. E para ele basta. Meses depois, diz que ler é um hábito chato. Quando era sindicalista, percebeu que poderia ganhar sem estudar e sem trabalhar. Assim vive até hoje.
Londres, 1940 - Os bombardeios são diários e uma invasão aeronaval nazista é iminente. O primeiro-ministro W. Churchill pede ao rei George VI que vá para o Canadá. Tranqüilo, o rei avisa que não vai. Churchill insiste que, então, ao menos, mande a rainha com as filhas. Elas não aceitam e a filha mais velha entra no exército britânico; como tenente-enfermeira, sua função é recolher feridos em meio aos bombardeios. Hoje ela é a rainha Elizabeth II.
Brasília, 2005 - A primeira-dama Marisa requer cidadania italiana - e consegue. Explica, candidamente, que quer "um futuro melhor para seus filhos".
Washington, 1974 - A imprensa americana descobre que o presidente Richard Nixon está envolvido até o pescoço no caso Watergate. Ele nega, mas a imprensa e o Congresso pressionam e ele acaba confessando. Renuncia nesse mesmo ano, pedindo desculpas ao povo.
Brasília, 2005 - Com o PT flagrado no maior escândalo de corrupção da história do País, na compra de parlamentares para "garantir" a base aliada de sustentação do governo, Lula é questionado. Ante todas as evidências, tentando disfarçar e manter o plano de poder ele repete o "eu não sabia de nada!", e ainda acusa a imprensa de persegui-lo. Disse que foi "traído" (mais tarde ainda se compararia ao herói Tiradentes, defendendo-se por "não saber de nada" no caso do dossiê tucano), mas não conta por quem.
Londres, 2001 - Embriagado, o filho mais velho do primeiro-ministro Tony Blair é detido. A polícia avisa que vai ligar para seu pai vir buscá-lo. Com medo de envolver o pai num escândalo o adolescente dá um nome falso. A polícia descobre e chama Blair, que vai sozinho buscá-lo na delegacia numa madrugada chuvosa. Pediu desculpas ao povo pelos erros do filho.
Brasília, 2005 - O filho mais velho de Lula é descoberto recebendo R$ 5 milhões de uma empresa financiada com dinheiro público. Alega que recebeu a fortuna vendendo sua empresa, de fundo de quintal, que não valia nem um décimo disto. O pai, raivoso, o defende e diz que não admite que envolvam seu filhinho nessa "sujeira".
Nova Délhi, 2003 - O primeiro-ministro indiano pretende comprar um avião novo para suas viagens. Adquire um excelente, brasileiríssimo, EMB 195, da Embraer, por US$ 10 milhões.
Brasília, 2003 - Lula quer um avião novo para a presidência. Fabricado no Brasil não serve. Quer um dos caros, de um consórcio anglo-alemão. Gasta US$ 57 milhões e manda decorar a aeronave de luxo nos EUA.
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A citação inicial do Dr. Mario Covas, hoje, infelizmente, de saudosa memória, contribui para uma profunda reflexão neste momento em que a população brasileira se prepara para decidir o futuro do país.
É preciso compreender que pequenos atos, principalmente quando exercídos por alguém cuja responsabilidade política e social é fruto de delegação coletiva, contribuem de forma positiva ou não para a formação do caráter das gerações.
O combate a corrupção é um dever do chefe de estado, que para tanto deve ser alguém altamente competente em agir de forma tempestiva, evitando assim ter que se pronunciar à nação de forma defensiva e sempre procurando preservar apenas seus interesses de poder.
Precisamos eleger alguém que tenha como objetivo maior preparar o Brasil para o futuro. E neste aspecto precisamos contar com a força individual de cada cidadão brasileiro a partir de um pré-requisito fundamental: a inclusão. Não a que se pratica hoje, com assistencialismo --como se o homem fosse um eterno mendigo, um dependente do Estado-- mas com geração de emprego na via da estabilidade econômica e do crescimento, pois "... sem o seu trabalho um homem não honra, não dá pra ser feliz". Além disto precisa de educação acessível e de qualidade e saúde garantida. Só assim será capaz de ACORDAR e ter orgulho de ser brasileiro.
Se você ama o Brasil, pense. Não vote com arrogância, com orgulho partidário. Não entregue a responsabilidade da condução da vida coletiva a um mentiroso, ou a um dissimulador. Vote em quem tem competência, em quem tem a melhor proposta. Não vote em quem constrói diariamente, através da pseudo-humildade, um muro que o separa do povo e lhe tolhe a visão. Vote com consciência, pois só a democracia permite-lhe esta graça de "decidir pelo seu próprio futuro e o do seus filhos".
Curitiba, 27.Set.2006
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E "para não dizer que não falei de flores-2"...
"Primavera 2"
Por Ery Roberto |
6:52 PM
Terça-feira, Setembro 26, 2006
[acorda brasil]
MODELO DE CONDUTA
Os jornalistas Eduardo Scolese (Folha de São Paulo) e Leonencio Nossa (O Estado de São Paulo) fazem parte do Comitê de Imprensa do Palácio do Planalto. Eles acompanharam Lula em algumas das 423 viagens (91 para o exterior) do presidente desde sua posse até abril deste ano. Juntos escreveram o livro Viagens com o Presidente [Editora Record, 2006], um verdadeiro diário de bordo que é um relato do comportamento "magnânimo" do Sr. Luiz Inácio, o "Lulinha Paz e Amor".
Selecionei oito passagens interessantes, ilustrações do comportamento de alguém que deveria ser um exemplo. Os destaques que as introduzem são de minha autoria. Ei-las.
finura no trato com subordinados do sexo feminino
Numa audiência com a Ministra do Meio Ambiente, Marisa Silva, na época em que o governo começava a discutir a transposição de parte das águas do Rio São Francisco, o presidente ouve atentamente a opinião contrária dela e os argumentos favoráveis dos técnicos das empreiteiras. Após ouvi-la, Lula consola a Ministra:
- Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a exame de próstata, não dá para ficar virgem a vida toda. Uma hora eles vão enfiar o dedo no cu da gente. Então, companheira, se é para enfiar que enfiem logo.
respeito e humildade
Tá vendo? Eu não tenho mesmo curso superior, mas quem carrega papel para mim tem... todos eles têm curso superior, disse Lula a um ministro, depois de receber um discurso das mãos de um assessor.
atenção e interesse nas informações necessárias ao desempenho do cargo
Lula, durante viagem ao Japão, a um assessor que queria fazer-lhe um relato das atividades da CPI dos Correios, nesse dia:
- Deixa eu te dizer uma coisa, meu caro. É o seguinte. Se você tiver que dar uma notícia ruim a um companheiro, não faça isso à noite, pelo amor de Deus. Se tiver passado das nove da noite, primeiro que não vai ter tempo para resolver mais nada naquele dia, e segundo, você ainda vai fazer o favor de estragar o sono do companheiro. Ele não vai conseguir dormir mais com aquela coisa martelando na cabeça. O Presidente olha o assessor e solta mais uma preciosa dica:
- Ah, e de preferência também não dê uma notícia ruim a um companheiro pela manhã. Não dê, não dê. Isso vai fazer o companheiro começar o dia num baita mau humor. É horrível!
polidez no trato da opinião da imprensa
Na viagem que fez à Bolívia em janeiro de 2006, Lula fica irritado ao ler um artigo de jornal que aponta algumas falhas na política agrária do governo federal:
- Tem que mandar esse cara aqui tomar no cu. A gente aumenta o número de contratos da agricultura familiar, faz uma reforma agrária de qualidade e investe no agronegócio e ainda tem que ler isso aqui? - Ao notar o silêncio dos assessores, Lula prossegue o ataque:
- Num caso como esse não tem jeito, meus caros, não tem jeito. Tem que mandar tomar no cu mesmo, não tem outro jeito.
cortesia, boa-educação e vocabulário adequado
Na suíte presidencial de um hotel de Georgetown ao receber de um assessor o texto do discurso que fará sobre o combate mundial à fome. Diante do Ministro Celso Amorim e de funcionários do Palácio do Planalto e do Itamaraty, o presidente folheia rapidamente a papelada e a arremessa a metros de distancia:
- Enfiem no cu esse discurso, caralho. Não é isso que eu quero, porra. Eu não vou ler essa merda. Vai todo mundo tomar no cu. Mudem isso, rápido.
cultura em família
No final do primeiro ano de governo, Lula vai ao Egito e visita o Museu do Cairo. Naquele dia, o primeiro comentário ocorre quando é informado de que a tumba do faraó Tutancâmon foi a única entre as dos imperadores egípcios a resistir aos ataques de saqueadores:
- Veja desde quando vem o crime organizado!
A seguir, é a vez da primeira-dama soltar a sua apreciação, ou ouvir do guia que os egípcios seguiam setenta mandamentos, e não apenas dez:
- Imagine, setenta. É muito pecado!
alto nível, linguagem ultracoloquial e respeito aos adversários políticos
Numa sessão de cinema, no Palácio da Alvorada, num dos raros momentos em que o Presidente se dispõe a bater papo com senadores e deputados, ele foi questionado, em tom de brincadeira, pela senadora Ana Julia, do PT paraense.
- Presidente, diga para nós. O que existe de fato entre o senhor e o governador sergipano João Alves?
- Eu sempre quis foder o João Alves. Já fiz aliança com todo mundo lá, com o Albano Franco, com o Almeida Lima. Eu faço aliança com qualquer um para foder o João Alves. Esse eu quero foder de qualquer jeito.
moderação no uso do recurso público e sua adequada aplicação
Nas viagens internacionais, logo no início do trajeto de volta ao Brasil, Lula costuma chamar o Ministro Celso Amorim e um Oficial da Aeronáutica à sua cabine e, com a ajuda de um grande mapa-múndi, trata de ficar imaginando quais poderiam ser os próximos países a serem visitados. A rotina, então, é questionar Amorim sobre as características dos países apontados por ele no mapa e ao militar pergunta a respeito das questões técnicas das rotas imaginadas, como escalas e trajetos viáveis à aeronave.
O estadista, o engenheiro da reconstrução do país, o impoluto sedutor das massas, o líder da América, o cisne da oratória política, o ilibado guardião da causa pública, o probo trabalhador número um do Brasil, o equilibrado e sábio governante, o armipotente da ética e da moral, quando passar o cargo -- tão brilhantemente exercido, principalmente pela sua capacidade em tornar efetivo o prescrito nas promessas partidárias -- deixará tamanha lacuna que nem mesmo em um século a história será capaz de preencher. NOTAS
1 - ALIENAÇÃO: notícia divulgada pela Rádio CBN nesta data dá conta que 40% do eleitorado não tomou conhecimento do "escândalo do dossiê".
2 - CONTINUAÇÃO: no próximo post desta série uma homenagem ao Dr. Mário Covas ("No Brasil, quem tem ética parece amoral."), em COMPARAÇÕES. E "para não dizer que não falei de flores"...
 "Primavera"
Por Ery Roberto |
7:54 PM
Quarta-feira, Setembro 20, 2006
[mal traçadas linhas]
SÚPLICA
 | "A estirpe dos poetas tem parte com as estrelas.
Talvez seja este o motivo
que os faz voar.
Como naves espaciais,
como aviões,
como passarinhos.
Como Quintana."
Hoje também estou aqui, com "OS POETAS". | Sabino,
ensina-me a ser um menino
pequeno como passarinho!
Quintana já me disse o que é voar.
Um dia sonhei ser poeta,
mas meus pés são raízes no chão.
Ao tudo que é retornei em delírio,
ser poeta, meu Deus, que martírio!
Se bem menino eu ficar
e um dia puder voar,
do espaço trarei sentimento,
chave que liberta o coração.
Depois quero voltar a ser grande.
Das asas guardarei uma pena
pra escrever que poeta só é triste
se a felicidade da rima não existe.
[SÚPLICA, Ery Roberto Corrêa - Curitiba, Set2006] |
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Por Ery Roberto |
6:42 PM
Terça-feira, Setembro 19, 2006
[crise política]
O TSE CUMPRE SEU PAPEL
No desdobramento da crise institucional e política comentada no post abaixo, o TSE acaba de aceitar a abertura de investigação judicial eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os suspeitos de envolvimento no dossiê contra candidatos tucanos.
É luz no fim do túnel!
Por Ery Roberto |
9:24 PM
[o país de hoje]
LAVA A CARA BRASIL!
 país iniciou esta semana ainda estarrecido por dois fatos até agora inexplicados: a denúncia que macula o processo eleitoral e a exposição da vulnerabilidade do Poder Judiciário.
No caso do dossiê contra os candidatos do PSDB (Serra e Alckmin), que deveria merecer providências em regime de urgência urgentíssima por parte do TSE, o mais provável é que sua investigação só seja concluída após as eleições.
Sobre os grampos telefônicos, aplicados em linhas do Tribunal Superior Eleitoral, especificamente as dos ministros Marco Aurélio e Cezar Peluso, há um reconhecimento próprio que é "difícil nestes casos" apurar a "autoria da arapongagem".
Ambas as lambanças excitam a uma observação política mais refinada. Os que já foram presos, o empresário dono da Saneng Valdebran Padilha da Silva, seu tio Paulo Roberto Dalcol Trevisan e o advogado Gedimar Passos, são ligados ao PT, sendo que o primeiro é filiado. O outro acusado na negociata é o conhecido Luiz Antonio Vedoin, principal personagem da máfia das sanguessugas.
Em depoimento à Polícia Federal, Gedimar disse que o dinheiro veio do PT.
Agora surge a figura do Freud Godoy, assessor da Secretaria Particular do presidente, que renunciou ao cargo depois do seu nome ser vinculado ao escândalo através de informação do próprio advogado Gedimar.
A que ponto chegamos! O Brasil inverteu a psicanálise. É preciso explicar esse Freud.
Mas é simples: "Meu nome é Freud, trabalho com o presidente e minha esposa tem uma empresa de segurança. Isso tudo é verdade... ". Das campanhas eleitorais de Lula, onde atuava como "segurança", ele passou a "assessor especial da Secretaria Particular do Presidente da República".
Em entrevista ao Jornal Hoje, da Globo, Freud reconheceu algo que nem Freud seria capaz de explicar. Disse que, de fato, encontrou-se quatro vezes com Gedimar Pereira Passos, o sujeito que foi preso na sexta, em São Paulo, com o dinheiro que seria usado para comprar no mercado negro eleitoral o dossiê contra o tucanato. [Blog do Josias]. Consta que o assessor recebeu R$ 79 mil da União. O total é referente a diárias, auxílio moradia e ajuda de custo de 2003 até setembro deste ano. Só em 2003, ano em que foi nomeado para o cargo, Freud Godoy recebeu mais de R$ 30 mil em benefícios. Estes dados não computam os proventos normais do cargo. Note-se que a promoção foi rápida. Se a um simples funcionário são concedidas tais benesses, o que imaginar dos graúdos e seus cartões de cortesia "bancados" pela Presidência?
No episódio do dossiê é preciso lembrar certo rito da Polícia Federal. Ao prender outros bandidos ela costuma mostrar à imprensa o material também detido na posse dos delinqüentes. Por que neste episódio nega-se a mostrar o dinheiro (quantia apenas divulgada, de aproximadamente 1,7 milhões de reais em espécie)? Qual o motivo de exceção para apresentar apenas os vídeos e as fotografias que, coincidentemente, podem comprometer personagens do PSDB? De onde saiu este dinheiro se o PT disse estar falido depois da crise do Mensalão?
Gostaria de saber como Luiz Inácio 'não sei de nada' da Silva explicaria tanta podridão que acontece nas salas ao lado e dentro do seu partido. Como aceitar que um servidor da presidência possa ser usado para cumprir tarefas de campanha, sendo que atos da espécie são terminantemente proibidos por lei?
Na onda do "não sei de nada" surfa agora o presidente do PT e coordenador de campanha, Sr. Ricardo Berzoini. "O PT não tem nenhuma atividade em relação à campanha que envolva recursos financeiros para compra de informação". Como é esclarecedora esta declaração! O discurso está afinadíssimo.
É possível acreditar que o digníssimo Ministro da Justiça, Márcio Thomáz Bastos, esteja disposto a "colaborar" com uma desejável elucidação dos dois fatos, preferentemente antes das eleições?
Quanto aos grampos o TSE precisa ao menos lembrar que durante este mandato petista, em tentativa de manobra que cheirava a golpe, cogitou-se a criação de um mecanismo para "controle do Poder Judiciário". Neste momento do processo eleitoral quem seria o maior interessado em escutas clandestinas?
A quem interessa as atitudes diferenciadas das nossas principais instituições, quando a lei e demais procedimentos garantidores da ordem são abdicados?
Quantas dúvidas! Ou interrogações retóricas? (Que diferença isto faz? Isto não faz diferença).
O Brasil vive seu momento de maior crise moral. Infelizmente a sânie que escorre dessa podridão conseguiu cegar a maior parte da população. A quantidade equivalente desse pus continua estampada nos gráficos estatísticos das pesquisas eleitorais. Fica fácil imaginar o que faria o PT caso os números dessas pesquisas projetassem segundo turno ou mesmo derrota no primeiro.
É preciso ter inteligência, porque estômago ninguém tem mais.
Lava essa cara Brasil! Enxerga o teu futuro!
"Ao votarem pela segunda vez no maior farsante de toda a história política brasileira, os brasileiros passam da condição de eleitores à cúmplices, conscientes da lamentável desagregação ética e moral que assola o país". (Carlos Vereza, ator)
[Citação mencionada nos blogs Ramses Séc.XX e Perplexo Inside]
Por Ery Roberto |
7:11 PM
Quinta-feira, Setembro 14, 2006
[língua portuguesa]
BREVE PASSEIO PELA DINÂMICA DO IDIOMA
 firmar que o Português é uma língua fácil é muito arriscado. Já dizia o jornalista Barão de Itararé (1895-1971) que "O português é uma língua muito difícil. Tanto que calça é uma coisa que se bota e bota é uma coisa que se calça".
Para chegar ao pleno domínio do seu sistema de signos é preciso ir além do terreno da gramática. Torna-se obrigatória uma viagem, diga-se, não incidente (en passant), para outras áreas complexas como a História e a Geografia.
No caso desta última a dinâmica encerrada no processo global criou-lhe uma dependência da primeira, ou seja, é impossível estudá-la sem recorrer aos registros históricos. Tudo em óbvia função das mudanças causadas por acidentes naturais e não naturais que levaram às extinções, às invasões, aos separatismos, à formação de novas culturas e outros fatos.
Apenas esta bela viagem nos dá condições de conhecer um dos aspectos mais interessantes da língua, ou seja, a etimologia das palavras. Na nossa, originada no latim mas com tantas influências essenciais, como do grego que ajudou a construir o vocabulário, é preciso ir bem longe para assimilar razões, pronúncias, evolução da forma e conhecer reconstruções decorrentes das leis fonéticas.
Nos aspectos que contribuem para que nossa língua se transforme paulatinamente, e sem que percebamos, está a crescente utilização de vocábulos que, pelo seu uso trivial, vão se incorporando sem qualquer referência oficial na linguagem escrita e falada. São palavras que ainda não foram admitidas nos melhores dicionários, o que as torna difíceis de terem suas origens explicadas a um aluno de ensino fundamental ou a um estrangeiro interessado no idioma, por exemplo.
Casos como barista, brasiguaio, culinarista, custo-benefício, jogo-treino, lava-rápido e lolita são exemplos que não constam nos seis mais conhecidos. Outras, como apagão, cara-pálida, epa, mochileiro, mundo cão, oba-oba, e pisca-alerta já foram incorporadas em um ou no máximo dois dicionários. Embora assimilada a significação, não apresentam recursos referenciais publicados.
Para se ter uma idéia da popularidade de alguns desses vocábulos, "degravação" e "lava-rápido", que não constam em dicionários, têm no Google 30.000 e 100.000 ocorrências respectivamente. São palavras e termos barrados no baile.
Ainda existe a influência lingüística dos regionalismos. Palavras surgidas em absoluta consonância com a cultura localizada, muitas delas só decifradas por quem convive geograficamente. É preciso contar sua "história".
Estes particulares, no entanto, não causam problemas. Aliás, são novidades aceitáveis porque se utilizadas sem os vícios terríveis espalhados por aí soam de forma bem brasileira. Não sei afirmar se são passíveis de utilização em textos formais, como a redação do vestibular (resposta que transfiro ao querido pessoal da UFPR que lê este blog e aos demais leitores bem informados).
O que preocupa são verdadeiros "dialetos" criados por segmentos etários e profissionais.
No primeiro caso há uma séria influência do uso dos mecanismos de comunicação instantânea na internet. Aceitável por circunstância da exigência tecnológica, mas ainda inadmissível quando transferida para a formalidade da escrita. "ta td bem e flz p/vc tb. Flw? Pt mail for me blz... tipow hj dps do trampo ok". Está preparado pra isto?
O outro caso agride através da linguagem falada. Profissionais atuantes na área do tele marketing insistem na pobreza do "gerundismo", um fenômeno já comentado por muita gente boa das diversas mídias. Se a sonoridade provocada pelo vício é terrível, a leitura desta mesma licenciosidade -- quase devassidão lingüística -- é insuportável. Pior: tem um poder de multiplicação de adeptos maior do que a reprodução das baratas. Já existem gerentes de bancos, empresários e palestrantes diversos caídos nessa gandaia.
Como algo que não escapa da concepção maniqueísta, a dinâmica da língua atropelada pelas transformações dos costumes tem seu lado positivo e sua fração intrigante. Parece o bem e o mal. Haverá um "inferno verborrágico"? Se houver, "Menas chamas, menas chamas! ". É o que muitos estarão pedindo ao diabo em esquálido "português presidencial".
Por Ery Roberto |
2:45 PM
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
[tragédias]
11 DE SETEMBRO
"Paz" - Parque Tanguá - Curitiba PR, ilustração em Fireworks
Há cinco anos a América foi ferida. Apesar de todos os esforços na reconstrução material e na tentativa de conforto aos parentes e amigos de tantas vítimas, o trauma continua. É uma ferida que não cicatriza. Prossegue aberta pela incapacidade humana de reconhecer os verdadeiros caminhos da Paz.
Aquele choque emocional de violência jamais imaginado ultrapassou as fronteiras da América e se irradiou pelo mundo inteiro.
Hoje, o "Marco Zero" -- local das torres destruídas do World Trade Center -- em Nova York, foi palco de homenagens, lamentações e orações.
O terror só será vencido quando a humanidade compreender que a Paz não deve estar apenas em um lugar, mas sim em toda parte. E para conquistá-la é preciso encontrar a verdade. Esta existe no coração de cada criatura, o que nos leva a concluir que se o homem não conseguir se encontrar consigo próprio, jamais será parcela da grande soma que reverterá na igualdade tão almejada. "Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração" (João 14.27).
A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino; A paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"
[A Paz - Gilberto Gil & João Donato]
Por Ery Roberto |
7:28 PM
Domingo, Setembro 10, 2006
[educação]
O FUTURO LEITOR
"A leitura" - Renoir
Se existe algo que me entusiasma é uma criança que gosta de ler.
Tudo começa nas historinhas contadas e que são passadas de geração para geração, constituindo uma tradição oral que em suma é a origem da literatura. A leitura ilumina e o homem precisa de luz. As crianças têm a grande vantagem da inocência e conseguem olhar o mundo com olhos de ver. Ser criança é estar na luz, viver na luz.
Contar histórias e principalmente escrever para crianças, no entanto, exige de nós a capacidade de regressar na infância perdida para recuperar a pureza esquecida. Para isto são precisos bom senso e inteligência. Por lembrarmos que seu senso caminha para a direção do querer um final feliz, faz-se necessário trabalhar com a verdade nua e crua da fantasia.
Foi pensando assim que escrevi sobre o assunto. "O Futuro Leitor" está lá no Livros&Afins.
Por Ery Roberto |
7:23 PM
Terça-feira, Setembro 05, 2006
[música]
O QUE É AMAR
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| segundo Johnny Alf: | | | |
É só olhar, depois sorrir, depois gostar
Você olhou, você sorriu, me fez gostar
Quis controlar meu coração
Mas foi tão grande a emoção
De sua boca ouvi dizer: quero você
Quis responder, quis lhe abraçar,
tudo falhou;
Porém você me segurou e me beijou
Agora eu posso argumentar
Se perguntarem o que é amar:
É só olhar, depois sorrir, depois gostar
[O que é amar, Johnny Alf]
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Por Ery Roberto |
3:50 PM
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