Clique para remeter E-mail
HISTÓRIA UNIVERSAL PELO...
MUITO AINDA É POUCO
O VENDEDOR DE ESTRELAS
PEQUENOS MIMOS, GRANDES...
RÉVEILLON NO AEROPORTO
PANDEMIAS DE QUEM NÃO SABE...
VIDA ATRAVÉS DA CONSCIÊNCIA...
AEROPORTO 2006
A CARTA DA SOLIDÃO
LER DEVIA SER PROIBIDO
SÚPLICA
BREVE PASSEIO PELA DINÂMICA...
A FILHA ADOTIVA DA DITADURA
UM OUTRO TERRORISMO
QUINTANA, O PASSARINHO DO SUL
YES, NÓS TEMOS BANANAS
TICO SANTA CRUZ, "O DETONADOR"
O HOMEM QUE ESCREVIA CARTAS
...TRATADO SOBRE A CÓPULA
COMO NÃO GOSTAR DE UM CARA...

Afrodite
Aqueles Dois...
Bailar das Letras
Bailar das Letras II
Banana&Etc
Brincando com Clarinha
Bombonière Delikatessen
Caminhar
Cláudio Bettega
Críticas e Reflexões
Crônicas Mônica
Dito Assim Parece à Toa
Em meio ao caos
Flabby 2
Garimpando Beleza
Horizonte Geométrico
Juntando Pedacinhos
Leila Eme
Livros & Afins
Lord Broken Pottery
Mais ou Menos Nostalgia
Milton Ribeiro
No Limite da Razão
Número Cinco
Observador
Pensamentos Imperfeitos
Perplexo Inside
Piá curitibano
Rebelde sem Causa
Sesmarias
Subterfúgio
Tabuleiro da Thereza
Teoria do Conceito
Vadiando
Zadig

Estadão
Folha Online
Gazeta do Povo
Jornal do Brasil
O Globo
The New York Times
Agulha - Revista de Cultura
Digestivo Cultural
Estante Virtual
Jornal da Poesia
No Mínimo
Rascunho
Releituras
1000 Imagens

Rádio UOL
Rádios ao vivo
VH1

Guia Curitiba
Guia São Paulo


Letras de Música




by letras.mus.br


Google

2007-ABR
2007-MAR
2007-FEV
2007-JAN
2006-DEZ
2006-NOV
2006-OUT
2006-SET
2006-AGO
2006-JUL
2006-JUN
2006-MAI
2006-ABR
2006-MAR






























Faça a sua parte




Segunda-feira, Abril 23, 2007

[datas]
DIA MUNDIAL DO LIVRO


ip0135 - visão superior - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Instituído pela UNESCO, o dia 23 de abril é lembrado desde 1995 como do Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor.

Quem não acredita que seria um ótimo momento para que um país preocupado com uma das necessidades básicas como a educação - e da qual o livro é um poderoso instrumento - estivesse ao menos debatendo formas alternativas para a "popularização" das boas idéias e o conseqüente aumento de possibilidades para que o livro se tornasse definitivamente acessível a todos que dele necessitam ou gostam?

Haverá quem diga, em defesa do poder, que aí estão, espalhadas pelo Brasil inteiro as bibliotecas oficiais e muitas outras, por sinal, criadas e sustentadas pelo idealismo de segmentos cidadãos. Entretanto é preciso conhecer os meandros da política para perceber que, no que diz respeito às oficiais, elas estão abandonadas e carentes pela ineficácia da política cultural que permeia o governo. E quanto às particulares, mantidas heroicamente pela população, sobrevivem à custa de doações.

Nada mais justo do que no processo educacional e cultural ter o cidadão satisfeita sua vontade em adquirir um livro. Além de referência, em tal condição, ele se torna uma herança a ser entregue às futuras gerações.

Seria pretencioso que eu me aventurasse a discutir a política editorial vigente, mas limito-me apenas a lembrar que, de forma idêntica ao que acontece com as produções de outras áreas, quem menos ganha é o autor. Infelizmente o livro como produto, assim como o disco e qualquer outra obra de arte, passa por uma linha de "atravessadores legais" até chegar ao consumidor final. As extremidades deste trajeto, que deveriam receber o tratamento mais justo, "pagam" por todos os lucros da cadeia intermediária e com raras oportunidades de recebimento de benefício incentivador.

É indiscutível, porém, o valor do livro e a preservação do direito autoral.

Preocupa-me, como resultado disto tudo, o fato da juventude do nosso país em sua maioria desconhecer e não viver estes valores. Conseqüentamente cada vez mais se aliena por efeitos provindos dos costumes, do desconhecimento histórico, da nocividade da televisão e até mesmo do lado podre da internet.

Para quem gosta de livros, permito-me a indicação de dois links. O primeiro é um post maravilhoso onde aprendi muito sobre a arte de guardar e manusear os livros, uma rara oportunidade de sentir que efetivamente o livro é um ser vivo. Ele precisa até respirar. É excelente. Está aqui. Vale o clic. O segundo é um texto de Guiomar de Grammon que tive oportunidade de republicar e pode ser (re)lido aqui.

Os livros me ajudaram a aprender a viver melhor.

Por Ery Roberto | 6:32 PM
Comentários: | |


Domingo, Abril 22, 2007

[mal traçadas linhas]
INSPIRAÇÃO DA ESPERANÇA


ip0133-Anoitecer - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

A noite cai violeta cortinando lentamente de breu o cenário que refletia nas retinas meu horizonte aparente. Depois, fundido o céu e o mar, rende e transiciona mais um dia que se vai e leva um tanto de mim no acréscimo de um tempo que já hesito em contar.

A noite serve-me à libertação da descrença. Faz-me jurar que o horizonte continua em seu lugar, bem lá, atrás do crepe negro do vestido dessa senhora, a quem agora chamam "noite morta", cuja transparência depende do luar. Essa luz difusa, que me força o nervo ótico, talvez seja a fé.

Depois de infrenes tempestades de sonhos lilases e outros também violetas, quando ainda me habitam últimos restos de madrugada, povoados de sombras de entes que não conheço, quando outra luz mais potente começa a mostrar as bambolinas do ato seguinte em colorido abrasante, sinto em mim as esperanças. Ainda não vejo o mesmo horizonte. Talvez ele dependa da lembrança dos sonhos. Mas a minha memória insiste a transitar em lusco e fusco.

No fundo do palco, já quase de novo azul, teimando em brilhar em cena imprópria, cisma uma estrela - última personagem deste meu drama rotineiro...


[+] - SOBRE A IMAGEM

Esta cena resultou da minha mais recente divagação no Fireworks, depois de descobrir um novo plugin (que por sinal ajuda a criar nuvens maravilhosas - nesta composição, por óbvio, não tão visíveis), brinquedinho que se chama "Xenofex 2". Usei três imagens reais - o pescador, a lua e o castelo -, sobre camadas geométricas em tons de degradês que receberam algumas máscaras e efeitos construídos com recursos do próprio Fireworks. A intenção era produzir algo surreal, que acrescentasse o texto, desprezando construções refletidas, sistematização, lógica e com isto capaz de beliscar o inconsciente e o irracional.


Quero que esta ilustração e texto contribuam para a lembrança que toda inspiração humana tem sua origem na natureza preservada. Que sirva para reflexão que o momento da nossa vida exige, com profundidade, mudanças radicais e obrigatoriedade de ações coletivas que salvem o planeta.

As três imagens, de forma proposital, foram escolhidas para representar componentes de uma cena que poderá ser funesta para nós próprios e futuras gerações. O pescador é a humanidade na sua tentativa de sobrevivência em cenário que se anuncia estarrecedor, onde dificilmente haverá o que pescar. A Lua, por portadora de uma luz, mesmo que seja indireta, é o sonho de salvação. Um sonho cíclico, energético, que deva ser possível lembra-lo, mantê-lo diariamente para se transformar em meta e esperança. O castelo é a nossa vida, carente de cuidados especiais de preservação para que as significativas modificações oceânicas não nos afoguem nas tragédias das transformações previstas.

Precisamos continuar avistando o horizonte. E a única possibilidade será termos a certeza de novo dia. Este só existirá dependendo do que fizermos hoje. Do contrário, o exercício da nossa irracionalidade haverá de somar para um mundo inóspito - como resultante inalterável da inconsciência individual e coletiva. Que a memória dos sonhos se fortaleça através dos atos e jamais se perca no lusco e fusco do egoísmo.



ip0134 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


Matéria dedicada a enaltecer a iniciativa do blogueiro Flávio Prada e do pessoal consciente que trabalha o blog FAÇA A SUA PARTE, patrocinadores da idéia de "Postagem Coletiva" nesta data.

Morador de uma cidade como Curitiba, pioneira do Programa do Lixo que não é Lixo, sucesso há alguns anos, minha meta principal continuará sendo atingir plenamente os procedimentos diversos do programa, colaborando também no sentido de orientar outras pessoas que ainda não alcançaram a conscientização necessária.

Por Ery Roberto | 1:54 PM
Comentários: | |


Quinta-feira, Abril 19, 2007

[música]
CANÇÃO TRANSPARENTE


ip0132 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Se cada vez que Maria Olívia Leuenroth Hime idealiza um disco trabalha em torno de um conceito, é possível dizer que esta concepção traz em si o signo da qualidade. Também se poderia dizer que para quem tem à sua disposição o talento de Francis Hime na construção de letras e arranjos sonoros sofisticados seria perfeitamente normal criar canções da maior beleza harmônica.

Olivia passou um bom tempo da carreira prestando homenagens a grandes nomes da música, das letras e do cinema e em alguns trabalhos somou sua timidez à engenhosidade excepcional de artistas do timbre de Tom Jobim, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi, Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro, Joyce, Rui Guerra e o próprio marido Francis.

Entre seus discos de carreira ela gravou "A Música em Pessoa", feito com Elisa Byington, um trabalho temático com 15 poemas de Fernando Pessoa musicados por Tom Jobim, Francis Hime, Sueli Costa e Edu Lobo, entre outros. Em 1987, com sons de Tom e Caymmi, foi a vez de dar nova vida aos versos de Manuel Bandeira. Este trabalho musical foi transformado em espetáculo, com Olívia atuando ao lado do ator Ítalo Rossi. Demonstrando que sua preocupação maior sempre foi a perfeição, levou seis anos pesquisando a obra de Chiquinha Gonzaga para depois produzir "Serenata de Mulher", uma obra rara, realizada em parceria com um time respeitável de compositores que tinha Hermínio Bello de Carvalho, Paulo César Pinheiro e Joyce. Nela nos ofereceu um encontro mágico entre Chiquinha e Vinicius de Moraes, na canção "O Poeta e a Maestrina", fazendo dobradinha com Chico Buarque.

No oitavo disco, "Mar de Algodão", lançado em 2002, escolheu Dorival Caymmi. A crítica rendeu-se à sua criatividade para exaltar a sutileza artística com que separou os mares do baiano em três imensidões - O Mar da Manhã, o Mar da Tarde e o Mar da Noite.

O último trabalho de Olívia foi dedicado a Ruy Guerra. "Palavras de Guerra" reúne 17 canções com composições do poeta e cineasta, para músicas de Edu Lobo, Chico Buarque, Sergio Ricardo, Carlos Lyra e Francis Hime. Os devotos do óbvio conseguem enxergar apenas imagens na obra de um cineasta, mas há quem alcance as mensagens poéticas que surgem nas cenas de Ruy. Para estes é possível perceber que ali, de um lado, existem doçuras, mas de outro há também verdades cruas que corroem a realidade do ser humano. Independente deste paradoxo, Olívia foi capaz de materializar a emoção ao tratar dessas palavras, ajudada por seu exuberante timbre às vezes só, outras na companhia de Olívia Byington e Nilze de Carvalho.

Neste álbum ela incluiu "Tatuagem", "Bárbara" e "Fortaleza", do musical Calabar, parceria de Guerra com Chico Buarque, censurado no dia da estréia, nos anos 70. É além de tudo um resgate.

Tem também a canção "Corpo de Marinheiro", a única composição inédita do disco feita por Ruy e Francis. Olívia disse que um dia imaginou a voz de Nilze de Carvalho cantando com ela e imediatamente a convidou, pois "marinheiro não pode ter uma mulher só".

É exemplar a instrumentação deste disco. Em "Meu Homem" há o acordeom de Marcos Nimrichter e o violão de Marco Pereira, que segundo Olívia deixaram a canção mais portuária e arranhada. Em "Minha", há os violinos de Marcos Alves e Paulo Aragão, do Quarteto Maogani e "Ieramá" ganhou o coro feminino de Maria, Joana, Luiza Hime e da cantora Silvia Nicolato.

O próprio Ruy participa do disco na canção "Em tempo de adeus", recitando versos de "Tigrana": A morte / tigre paciente / me mastiga todos os segundos / os dentes mansos / os olhos cegos de infinito / nas narinas calmas / um vago perfume de gazela / parada no salto do poente.

Particularmente gosto de ouvir Olívia em seu penúltimo CD, "Canção Transparente", não apenas por ser este um trabalho onde ela verdadeiramente dispensa a timidez autoral cantando suas letras feitas em parceria com Francis, Maurício Carrilho, Sérgio Santos, Cynthia Thompson e Ray Jessel, como por oferecer música sem meias palavras, com pura essência rítmica e principalmente poesia. Não uma poesia qualquer, mas aquela que desnuda a alma, que cria a verdadeira transparência do ser.

Este disco contou ainda com a participação de Lenine, do Quarteto Maogani e do grupo Tira Poeira.

Eis uma artista respeitável por tudo que consegue impor em termos de qualidade e emoção, resultado do caráter perfeccionista que lhe é peculiar, sempre suportado pelo elogiável trabalho de pesquisa que o define. É biscoito fino de verdade.






Canção Transparente
[Francis Hime/Olivia Hime]

Eu queria uma linda canção
Que falasse somente de amor
Ou quem sabe lembrasse
Uma grande paixão
Voltasse como flor
Eu queria uma linda canção
Transparente igual uma ilusão
Que contasse o que eu nunca vivi
Que inventasse o que eu nunca senti
Eu queria uma linda canção
Que tranqüila viesse me encontrar
Deslizando surgisse do ar
Com palavras de mel e algodão
Se eu pudesse essa linda canção
Aos ventos eu iria entregar
E deixar que ele espalhasse
Como chuva e trovão as notas pelo ar
Perguntei as sereias do mar
Pelos versos que um dia abandonei
Distraída deixei-os molhar
Já não prestavam mais quando eu voltei
Eu sonhei uma linda canção
Que eu cantava sozinha num altar
E a voz me saia das mãos
Parecia que eu ia voar
Viajei em antigos balões
Por montes matas sobrevoei
Esvaziei gavetas busquei nos porões
Os versos procurei

[+] - Em entrevista ao jornalista Marco Antônio Barbosa, a cantora Olívia Hime fala da importância de resgatar a obra lírica do cineasta Ruy Guerra como um dos motivadores para criar "Palavras de Guerra".





Por Ery Roberto | 11:12 PM
Comentários: | |


Sexta-feira, Abril 13, 2007

[esporte]
VÍTIMAS DA ANSIEDADE


ip0131 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

O esporte é talvez a atividade que nos oferece o maior exemplo do quanto é difícil o desempenho sob excesso de ansiedade. Guardadas as devidas proporções e as peculiaridades de cada modalidade, Romário, o atacante vascaíno e Felipe Massa, o piloto da Ferrari, vivem situações semelhantes.

Em ambos os casos parece não existir (ainda!) pressões das equipes que interfiram no desempenho de ambos para que alcancem seus objetivos. Romário vive uma cobrança interior que é reflexo da angústia do seu ego. O milésimo gol, acontecimento que elegeu como coroação da sua vida futebolística e que vem sendo perseguido há algumas partidas, está lhe causando um stress emocional maior do que prejuízo físico. Até porque, de um atleta com 41 anos de idade, já não se espera mais que corra com igual disposição como no auge da carreira.

Concorre para agravar este drama a decisão do próprio jogador de escolher o palco e adversários para a tentativa de atingimento da marca. Ele quer que aconteça no Maracanã e preferencialmente jogando um clássico ou partida contra adversário de vulto. Sua última oportunidade na primeira parte da temporada foi desperdiçada na partida de quarta-feira (11/04/07), quando o Vasco foi eliminado da Taça Rio pelo Botafogo, perdendo nos pênaltis. Agora terá que esperar mais um mês até que inicie o Campeonato Brasileiro.

Na F1 o piloto brasileiro vive um drama semelhante e embora não se trate de alcançar um record a ansiedade vem pela busca de auto-afirmação. Com a saída de Schumacher da Ferrari, ele sentiu as oportunidades de vitória e a condição valorizada pela decisão da equipe em não apontar um piloto principal, pelo menos neste início de temporada. Diferentemente do futebol, no circo da F1 se guardam mais segredos e isto impede o torcedor de saber se existe um limite de provas para que a equipe passe a priorizar alguém. Mas, pessoalmente, Massa parece nos transmitir que este limite é curto.

Na Austrália, primeira prova da temporada, era favorito até que apareceu o erro cometido pelo seu engenheiro na programação do câmbio. Apesar de marcar pontos, após ter largado em último lugar, teve que se conformar com a primeira vitória do novo "companheiro" na Ferrari. Mas seu objetivo continuou sendo vencer. Veio a segunda prova, em Sepang, marcada com a glória da pole-position. Mas a primeira posição no grid funcionou como uma faca de dois gumes. Largou mal e foi ultrapassado pelo rival Alonso que acabou ganhando a corrida. Após o start desastroso ainda foi superado por um impetuoso novato, companheiro de Alonso, e por seu próprio parceiro depois de um erro que só se pode atribuir à vontade excessiva de querer mostrar serviço.

Domingo próximo, no Bahrain, o ímpeto não será diferente. Se vencer terá recuperado a auto-estima e atingido a tranqüilidade necessária para continuar aspirando a prioridade da equipe. Mas se não vencer, terá que esperar por mais trinta dias até a chegada do circo na Espanha. E se o companheiro vencer pela segunda vez?

É possível um paralelo das duas situações. Até quando o Vasco, já eliminado de duas competições (Copa do Brasil e Campeonato Carioca), com Romário em campo só para tentar sua marca pessoal, será capaz de evitar a cobrança? Afinal, marcas à parte, o clube mais cedo ou mais tarde vai perceber que o desempenho de seu atacante (na última partida ele teve menos de 2 segundos de posse de bola), não ajuda em nada porque futebol é um esporte coletivo. Suportará o Vasco a realidade de Romário estar usando o clube apenas para que seu objetivo particular seja alcançado? Isto lembra muito a Seleção na última Copa e as aspirações pessoais de suas embaciadas "estrelas".

E na F1, apesar da teimosia de muitos em valorizar apenas a conquista individual do piloto, a Ferrari deixará de pensar no campeonato de construtores? A maior rival da temporada já colocou seus dois pilotos no podium por duas vezes!

Sob o aspecto da torcida é preciso lembrar que nem Romário é Pelé e nem Massa será um novo Senna. Os caminhos da bola e os traçados das pistas podem ter analogias. Porém, só uma razão é óbvia: no futebol e no atual automobilismo pouquíssimas coisas acontecem fora da normalidade e dos interesses coletivos.

Torço para que Romário marque seu milésimo gol antes que o Vasco decida não mais ser apenas instrumento. E que Felipe nos faça ouvir o Hino Nacional, para seu bem, antes da lua-de-mel com a belíssima Rafaela Bassi.

Por Ery Roberto | 6:50 PM
Comentários: | |


Domingo, Abril 08, 2007

[a pedido]
O QUE ME FAZ FELIZ


ip0130 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Este texto é dedicado à Aninha, que gentilmente me incluiu na relação dos seus amigos os quais gostaria que escrevessem sobre o tema. Um pedido assim chega sempre na embalagem do carinho, respeito e admiração por aquilo que se costuma transmitir.






Li um artigo filosófico da autoria de Filipe Jacques Wels, intitulado "A Arte da Felicidade". Nele, sem precisar adentrar ao mérito da doutrina esotérica que norteia sua sustentação, de forma independente e com inteira liberdade de interpretação - reputo, foi o meu caso -, é possível identificar-se com boa parte dos conceitos expressos.

O primeiro exemplo está no fato da tentativa de definir a felicidade através de palavras. Quando assim fazemos, somos levados apenas a um conceito limitado, pois o insumo verbal sofre de igual finitude. Palavras como medo, saudade, amor e ódio transcendem o território mental e invadem o do coração, de forma positiva ou negativa. "Portanto, quando tentamos atingir a felicidade a considerando como uma palavra, nunca vamos atingi-la porque estamos, inconscientemente, limitando o que possa vir a ser felicidade. Então, uma busca pela felicidade é uma forma de nunca alcançá-la em sua plenitude."

Outra grande assertiva é a realidade do ser humano viver grande parte da sua vida com medo da infelicidade. Isto o torna limitado e escravo de si mesmo, fazendo-o incapaz da percepção de estar usando diversas máscaras e falsas imagens de si próprio para que consiga acreditar que assim é feliz. Tal estado cria-lhe os milhares de defeitos de ira e orgulho.

Uso desta dupla de conceitos na tentativa de chegar ao meu objetivo neste breve discurso. Propositadamente deixarei de incluir Deus, considerando que está dentro de cada ser humano; sim há um Deus dentro de cada um de nós, todos somos um e seu poder é inversamente proporcional à quantidade dos nossos egos. Para se ter uma idéia da força dos egos, e do quanto perduram na contenda interior, é só lembrarmos da realidade que nos faz continuar apenas "seres humanos" por toda esta vida.

Minha convicção é que não se alcança a verdadeira felicidade exatamente porque ela é infinita. O que conseguimos é viver momentos considerados felizes.

A infância é a vida feliz. Nela nos é dada a graça de existir sob o signo da inocência, da supremacia sobre os egos, que faz com que a destreza lúdica seja a marca principal de uma personalidade que já existe, mas ainda não confundida pelo reflexo dos espelhos que ganhamos de presente na maturidade, momento em que conseguimos perceber as loucuras. ["... deram-nos espelhos e vimos um mundo doente", cantava Renato Russo.]

Mas não podíamos ter continuado crianças! É o que todos dirão. Temos que assumir as conseqüências normais do ciclo telúrico. Óbvio, é incontestável. O segredo está na preservação simbológica da nossa "criança" como única forma de validar o testemunho de alegria e leveza interior.

Impossível felicidade enquanto preocupação. Somos limitados, cegos para a paisagem do infinito e diversas soluções estão além da linha do horizonte individual. Mas existe uma lente conhecida por "alegria". Como os óculos, que às vezes procuramos tanto sem perceber que estão apoiados sobre nossas cabeças e empreendemos excesso de energia para a leitura dos textos a olhos astigmatizados, esta alegria muitas vezes também é usada com falsidade. Assim como se jurássemos ver além daquele horizonte, apenas para nos satisfazer ou enganar alguém.

A felicidade fica mais próxima quando nos tornamos íntimos da autenticidade. Leia-se assumir os próprios valores e fraquezas, aprender a pedir quando nos falta aquilo que parece necessário, completar-se através da soma de valores sem se importar com o tamanho do talento individual, libertar-se através do amor e ver através das coisas simples e existentes. Com isto teremos alegrias.

Estas alegrias geram filhos chamados de sorrisos. Talvez seja impossível alcançar a felicidade plena, mas cultivar bom estado de ânimo pelas raízes da alegria e multiplicá-lo pela divisão que converte os incrédulos é atingir estágio avançado de autoconhecimento.

Se a "Fé é acreditar naquilo que você não viu e a recompensa da fé é ver aquilo em que você acreditou", como dizia Santo Agostinho, é preciso ser um pouco Martin Luther King e exclamar: "I have a dream!". Eu quero ser feliz.

Particularmente, para concluir e não deixar a minha incentivadora apenas com respostas teóricas, digo que sou feliz a cada momento que consigo reencontrar a criança que sempre cuidei para continuar existindo dentro de mim. Sou esta criança vestindo roupas e sapatos enormes. E a cada momento que consigo conceber mais um sorriso estou verdadeiramente de bem com a vida.


Assim, me faz feliz:

  • ser palhaço para tentar fazer com que outros riam deles mesmos através de mim;
  • ouvir música instrumental porque me transporta para qualquer época e nessas lindas viagens eu reabsorvo o que já esqueci e sinto o que ainda não vi;
  • ler algo absolutamente novo todos os dias, como se fosse a lição da escola que já ficou para trás;
  • brincar diariamente através do meu hobby predileto (computação gráfica), como se o mouse fosse o lápis de cor que pinta o desenho naquele caderno de folhas em branco;
  • fingir de fazer comidinhas para os outros pilotando uma cozinha de verdade;
  • beber um vinho em perfeita companhia de alguém que aprendeu a conversar, como se fosse o refresco da hora do recreio da vida;
  • escrever textos verdadeiros (feito este!) como uma penitência que pague as maldades das mentiras que eu rabiscava quando mandava cartas para as mais de trinta amiguinhas na adolescência;
  • jogar uma pelada pelos pés dos jogadores profissionais, ao vivo no estádio ou, como se fosse um sonho, na TV;
  • ter dinheiro para comprar as minhas guloseimas informáticas, meus gibis que hoje em dia chamam-se revistas periódicas de informação e outras tantas coisas reais que são sonhos de consumo de qualquer criança grande;
  • cantar, mesmo que não haja mais uma roda onde se possam dar as mãos e as cantigas sejam tão sérias;
  • ter próximo, poder ver e sentir belezas naturais como o campo, o mar, a praia, a serra e principalmente percorrer a geografia mais perfeita que só existe no corpo da mulher amada;
  • não ter ninguém que me obrigue ir à igreja todos os domingos;
  • não ter que dormir cedo, regime do qual a "santa insônia" me libertou;
  • morar sozinho, sempre, para que a criança não se aborreça nunca com os adultos cobradores e tenha que deixar de fazer suas artes;
  • vez ou outra ir sentir um cheiro de mãe e ainda levar umas broncas do pai. Dar um abraço nos irmãos. Chegar pela manhã e voltar antes de chegar, porque cunhado é castigo do pecado que não cometi;
  • estar sempre ao lado da minha filha, já que ela sempre será a minha amiguinha preferida, minha companheirinha de mutuamente "passar as lições", a confidente e amor maior da minha vida.


Tenho um registro importante. Não existe leonino nem criança feliz sem platéia, em certas horas. E dela faço questão porque assim as pessoas podem sentir que "Subo neste palco / Minha alma cheira talco / Tal qual bumbum de bebê...". E no mínimo meu sorriso pode ser visto no alto.

E há um ditado chinês, também muito propício: "Se você deseja um ano de prosperidade, cultive grãos. Se você deseja 10 anos de prosperidade, cultive árvores. Mas se você quer 100 anos de prosperidade, cultive gente." Foi só para não esquecer que prosperidade é felicidade e os amigos são os melhores exemplares de "gente". Os que possuo me fazem milionário!

Quero terminar com algo aprendido na infância. São versos de Vicente de Carvalho em poema que nos ensina a respeito da existência desta necessidade humana da felicidade, enunciada com tanto sentimento através da busca interior, mas onde prepondera a existência da fraqueza e dificuldade que todos temos quanto a saber onde se encontra efetivamente. Fiquem com ele:

"Essa felicidade que supomos, / Árvore milagrosa que sonhamos / Toda arreada de dourados pomos / Existe, sim: mas nós não a alcançamos / Porque está sempre apenas onde a pomos / E nunca a pomos onde nós estamos."

Por Ery Roberto | 1:41 PM
Comentários: | |


Quarta-feira, Abril 04, 2007

[nova páscoa]
SEM MÁGICAS, AINDA SÓ CABE O SONHO


ip0129 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Pencil Art


É fácil compreender de forma diferente porque não há Páscoa na solidão. Carência e tristeza não são adjetivos que sirvam para ilustrar aquilo que se convencionou entender como uma festa cujo motivo não é único.

Na época pré-mosaica foi uma comemoração de pastores nômades que se alegravam com a chegada da primavera. Para os hebreus, atuais judeus, ainda é um memorial de sua saída do Egito. E os cristãos adotaram-na em seu ano litúrgico para relembrar a ressurreição do seu mártir.

Em cada uma dessas naturezas o senso coletivo a traduziu como noção de novidade advinda de um aspecto singular. Em ambas as definições históricas há um tom visível de renascimento, passagem para uma nova fase e a celebração se dá sob a reminiscência de algo por eles vivido concretamente. Em todas é algo que se manifestou por um efeito real. Transmite, portanto, sentimento de efetividade.

E o homem moderno, que novo significado poderá agregar aos valores já consagrados dentro desta simbologia para ser herdado ao futuro como uma nova páscoa? A Terra vive séria transformação, mas voltada para o sentido trágico. A anti-páscoa? Os adustíveis da sua pretensa revolução, a ganância do seu senso corrupto e o desamor pela natureza e ao próximo o estão condenando à falta de oxigênio, de água, de luz, de clima, em novíssimo padrão unitário chamado morte.

O mundo todo perdeu o juízo. Conseqüentemente esvaiu-se a crença. A falta de respeito instalou a idéia de superexposição da individualidade. Desafeto puro que faz nascer a possibilidade diária de um novo calvário. Sem direito a ressurreição alguma, a salvador nenhum.

No Brasil há um jugo, não como aquele que viveu o povo semita na Antiguidade, mas é a Opressão da Ignorância. O que pode produzir como herança um homem ignorante? Que futuro se reserva a uma criança subnutrida e sem educação que não seja o caminho do crime e da miséria absoluta?

São idéias que ajudam a pensar na construção de um novo motivo retumbante de glória.

"Disciplina é a ponte que liga nossos sonhos às nossas realizações" (Pat Tillman). Enquanto não houver justiça estaremos ilhados. "Quanto mais as pessoas acreditam em uma coisa, quanto mais se dedicam a ela, mais podem influenciar no seu acontecimento." (Dov Éden). A força coletiva é a única engrenagem capaz de mover a realização de um sonho quando este é sonhado junto. "Superação é ter a humildade de aprender com o passado, não se conformar com o presente e desafiar o futuro." (Hugo Bethlem). A repetição dos erros, conseguida através da desenfreada ganância nos apagará a noção do tempo, fazendo-nos viver apenas a estação do presente desconstruído.

"A vontade de se preparar precisa ser maior que a vontade de vencer". (Bob Knight). Precisamos prender e condenar a cultura do "dar um jeitinho". Cada nova situação que se crie nesta prática será como uma anti-jurisprudência da pseudo isonomia que serve apenas às classes dominantes.

Talvez eu tenha escrito demais para dizer apenas o óbvio, ou seja, que não acredito que se possa comemorar alguma coisa sem nada fazermos ou lutarmos para que nos deixem fazer. A vida não se constrói somente sob memoriais alheios. É preciso passar pelo inverno para que se alcance a primavera. É preciso atravessar a fronteira para alcançar uma nova terra. É preciso ressuscitar qualquer Cristo que teimamos em manter morto dentro de nós.

Temos que mandar embora a solidão do nosso ego. O egoísmo não nos reabrirá a porta da ética, a pobreza jamais será erradicada com esmolas e o espírito não crescerá sem a cooperação. O populismo deveria ser uma festa do povo, não uma técnica de governo.

Nada é possível sem Educação. O lápis é das primeiras ferramentas que se usam na construção do resgate da dignidade. Esta, o único caminho da honra.

Desejo a todos nós a possibilidade da realização de um "Feliz Sonho de Páscoa".


[Os pensamentos aqui citados foram colhidos no livro Transformando suor em ouro, Bernardo Rezende - Editora Sextante, 2ª Edição - Rio de Janeiro, 2006.]

Por Ery Roberto | 8:18 PM
Comentários: | |


Segunda-feira, Abril 02, 2007

[flagrantes da vida]
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR


Pra onde que esse cara tá olhando? Ou, o que estará fazendo?

Só me resta uma alternativa: o brother é o manipulador da torneira que alimenta a mangueira e, baita puxa-saco do patrão, está controlando o consumo no hidrômetro. Só pode ser! Ou não?


[UPDATE: 03.abr.2007 | 16:38] - Infelizmente meu host de imagens "censurou" a foto na data de hoje, alegando o que aí está - violação dos termos de serviço. Questão de interpretação. Deles. O nu não era frontal, a modelo apenas banhava-se com o esguicho de uma mangueira, com os seios à mostra, no meio de uma multidão, onde todos a olhavam, fotografavam, filmavam e às suas costas, postado feito um segurança, um cidadão peso-pesado, em contraste, olhava para direção oposta.

Como cão mordido por ofídio corre até de linguiça, resolvi não tentar mandar a imagem para o Blogger.br. Quem me garante que os caras não pensam igual e tiram meu blog do ar?! Os prejudicados em situações assim são sempre os leitores. De minha parte aceitem as sinceras desculpas pelo gesto hipócrita que acabamos de ser vítimas. Paciência...


Daniel, tem outras aí de ângulos diferentes? Manda mais!!!

Boa semana a todos. Vou me preparar porque amanhã é noite de ver, finalmente, em carne, osso e voz, sabem quem? Ah! CHICO BUARQUE DE HOLANDA. Morram de inveja!

Por Ery Roberto | 10:45 PM
Comentários: | |



Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.