MSN: eryroberto2@hotmail.com



Veja ao final da página a lista com links de posts selecionados para releituras.








- Nº.1 - Adelaide Amorim
- Nº.2 - Maria Eliza Guimarães
- Nº.3 - J. Nunes (Jens)
- Nº.4 - Jayme Serva
- Nº.5 - Dora Vilela
- Nº.6 - Cris



A Janela de Alberti
Apoio Fraterno
Aqueles Dois...
Armazém do Peri S.C.
Bailar das Letras
Bailar das Letras II
Banho de Gato
Blog da R'existência
Blogue da Magui
Bombonière Delikatessen
Café Impresso
Cláudio Bettega
Cris
Críticas e Reflexões
Crônicas Mônica
Design ao litro
Digital-Pixels
Dito Assim Parece à Toa
Do Avesso
Drops Azul de Anis
Expresso da Linha
Flabby 2
Francine versus Francine
Garimpando Beleza
Horizonte Geométrico
Ilumine
Leaves of grass
Lino Resende
Lord Broken Pottery
Mais ou Menos Nostalgia
Norival Duarte
Milton Ribeiro
O Meu Jeito de Ser
O Sítio do Ruvasa2
Observador
Oficina de Idéias
Perplexo Inside
Pretensos Colóquios
Quem conta um conto...
Rafael Reinehr
Redatoras de Merda
Saco de Filó
Roque Sponholz
Só Poesias e Outros Itens
Sturm und drang!
Subterfúgio
Taxitramas
Teoria do Conceito
Toca do Jens
Umbigo do Sonho
Vadiando
Varal de Idéias
Visão Masculina
Zadig


2008-FEV 2008-JAN 2008-DEZ
2008-NOV 2008-OUT 2008-SET
2008-AGO 2008-JUL 2008-JUN
2008-MAI 2008-ABR 2008-MAR
2008-FEV 2008-JAN 2007-DEZ
2007-NOV 2007-OUT 2007-SET
2007-AGO 2007-JUL 2007-JUN
2007-MAI 2007-ABR 2007-MAR
2007-FEV 2007-JAN 2006-DEZ
2006-NOV 2006-OUT 2006-SET
2006-AGO 2006-JUL 2006-JUN
2006-MAI 006-ABR 2006-MAR



























Ícones by Mark James
Foto do autor by Selva Maria



Quinta-feira, Maio 31, 2007

[a pátria muda]
ESTÚPIDO SILÊNCIO


ip0156 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Se ainda não serviu para nivelar definitivamente os políticos do Congresso, tornando-os todos suspeitos, os últimos acontecimentos reforçaram a certeza que não há esperança para o país enquanto não se consume uma vultosa reforma política.

Torna-se paradoxal, porém, alimentar o ressurgimento da esperança quando se tem a noção que qualquer reforma será feita por estes mesmos políticos que hoje, mais do que nunca, são mestres em vilipendiar a decência e trair a confiança de quem os levou a assumir o sagrado dever de preservar a justiça e o bem comum.

O doutrinamento partidário foi assassinado. É visível e palpável a diferença do discurso anterior -- a teoria -- com a prática geral. O corporativismo, expresso por uma espécie de aceitação coletiva da corrupção, falta muito pouco para se tornar lei.

Recentes manifestações de parlamentares, da maioria dos partidos, denotam uma descarada hipocrisia quando se recorre à sua história pessoal ou a do partido a que pertence.

Os líderes ou se calam ou se contradizem sem escrúpulos e todos passam uma certeza absurda que podem manipular a qualquer tempo porque tem ao seu domínio as comissões de ética, a Polícia Federal e a própria Justiça, além de serem soberanos na recusa de instalação de CPIs. Ainda sobram a imunidade e o foro especial.

A situação se torna ainda mais grave quando uma releitura política nos permite lembrar que até os ídolos que nasceram na condução de CPIs anteriores, ou seja, os julgadores de ontem, se transformam nos acusados de hoje, possivelmente nos réus de amanhã. O maior exemplo é o do deputado Delcídio, que facilmente se vende por caraminguados bilhetes de passagem aérea, pagos pelo Zuleido.

O Senado está manchado. O ex-comandante da tropa collorida, hoje figura exponencial do PMDB, não tem hombridade suficiente que lhe permita o gesto nobre de se afastar temporariamente da função de presidente, para que as acusações sejam esclarecidas. Quem não deve deveria não temer.

E onde está Lula? Ah! Os discursos de Lula enquanto sindicalista, como eram lindos! Será que ainda não pensou que se sua bancada de apoio é suficientemente moral para sustentar a aprovação de uma medida saneadora, como tanto pregava, ele já deveria ter intervindo pelo menos para suspender temporariamente o "festival de emendas ao orçamento", a maior fonte de todos os males, especialmente do sistema livre de ações entre corruptores e corruptos, salteadores do dinheiro público?

E o povo? O detentor da matéria prima que sustenta a existência política de todos esses biltres, até quando dormirá? Até onde o sinistro silêncio?

Enquanto tudo acontece, ou seja, enquanto a PF prende e a Justiça liberta e a Zuleilândia comemora, estamos ligados só nos Campeonato Brasileiro a Copa do Brasil e a Libertadores. Enquanto o povo espera o Pan Pan Pan do Brasil, a indústria fonográfica brasileira lança um CD de reggae que vem com um encarte de papel de seda para enrolar fumo. Enquanto um Hospital do SUS liquida uma fila quilométrica com consultas de um minuto e meio para doentes que nem são examinados, alguns meninos esperam passar de ano porque é bom receber 200 reais do Lula. Enquanto as balas perdidas e a violência incontrolável proliferam, o servidor público faz greve para repor a correção de salários de 11 anos. Enquanto esfria pra caralho e todo mundo vai dormir mais cedo, eles, sim, eles, os congressistas AUMENTAM (aproveitando o profundo silêncio) SEU SALÁRIO PARLAMENTAR já tão recheado de "benefícios" e, certamente, se preparam para novas emendas que elevem o "referencial" de outras zuleidadas.

Ah! O silêncio nunca foi tão absoluto. O silêncio governa este país! O povo aceita tudo em profundo silêncio. Somos filhos do silêncio. "Verás que um filho teu não foge ao sono /.../ Terra Adorada! / Entre outras mil és tu Brasil / Ó taciturno / Dos filhos deste sono és mãe gentil / Pátria amada Psiu!".

Por Ery Roberto Corrêa | 7:56 PM - Link deste post


|

Quarta-feira, Maio 30, 2007

[vidas em festa]
DOIS FERNANDOS


o ano passado, nesta data, fiz menção a dois homens especiais. Naquela oportunidade usei a idéia de tempo para enaltecer as qualidades tão admiráveis que conheço em ambos, um por convivência familiar, outro pela amizade blogueira.

Pois bem. Um é o Fernando Corrêa, meu pai. A Providência tem tido cuidados especiais com ele. Senhor de si em suas lutas, da vida vivida com respeito a si próprio e aos semelhantes, consegue hoje completar 81 anos agradecido pelas conquistas que marcam com garbo o seu tempo.

Para nós, meus irmãos e eu, ele continua um símbolo de disciplina, de amor à família, dedicação invejável e principalmente otimismo. Orgulhamo-nos da sua capacidade de tanto viver e conseguir entender as mudanças sem perder suas referências mais caras. Agradecemos pela lucidez e continuamos aprendendo com seu exemplo.

O outro é o Fernando Cals. Amigo blogueiro por alguns anos, desde que o conheço faço questão de lembrá-lo de forma especial neste dia pelos motivos que sempre me fazem respeitá-lo cada vez mais. São as marcas invejáveis de comportamento, como viver a vida com rara intensidade, afetividade explícita, pensamento lúcido, capacidade observadora, franqueza absoluta e invejável juventude aos 73 anos de idade. Há, tão importante quanto os demais, outro particular que se soma à reverência por esta amizade: seu gosto pela escrita e a forma como constrói suas argumentações, pois nos impõe a admiração e interpretação pela experiência, o que faz das traduções de cada fato do nosso cotidiano uma crônica com o olhar da sabedoria.

Repito sempre, "como não comemorar aniversários de gente assim"?

Por Ery Roberto Corrêa | 5:00 PM - Link deste post


|

Terça-feira, Maio 29, 2007

[histórias não escritas]
QUASE VIREI UM ADVENTISTA


ip0155 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket - Hotel Lancaster - R. Voluntários da Pátria, 91 - Curitiba (PR)



"Seu sorriso era um arco-íris, os cabelos negra cachoeira, a pele seda do oriente, o perfume primavera perene, os pés, ah! os pés, prisioneiros por engano de um par de sandálias de ameaçadores saltos 10 e cuja causa libertária eu já me via advogando como dativo."





Os primeiros anos da década de 90 foram inesquecíveis. Talvez tenha sido o tempo em que mais pequei por conta da gula. Até hoje não descobri todos os motivos desses incontáveis pecados, posto que nunca fui devoto da comilança, mas já cheguei a pensar que aquilo se devia a certa ansiedade decorrente de uma fase de indefinições pessoais, desilusões amorosas e incertezas profissionais dentro de um ramo que havia sido o sonho dourado de muitos jovens em décadas anteriores.

Conheci e desfrutei de praticamente a maioria dos restaurantes de Curitiba, uma capital também conhecida pela diversidade da sua gastronomia dada a concentração de múltiplas culturas decorrentes da elevada quantidade de imigrantes.

Ainda não tinha, e nem pretendia, certa necessidade da solidão, essa exigência que parece ser comum em alguns momentos da maturidade. Eu buscava algo diferente, a exemplo de amigos verdadeiros e que fossem pessoas com outras experiências de vida diversas da maioria do meu círculo principal, os bancários. Daí vagava, freqüentava ambientes de todos os tipos, fossem cultos, exóticos, ecléticos, proibidos, numa romaria incessante que começava na quinta e acabava só no domingo.

Sábados eram sagrados. Trocava qualquer cardápio pela feijoada do Hotel Lancaster, cuja cozinha era famosa, detentora de prêmios das revistas especializadas, ponto de visita obrigatório de turistas e aficionados da boa arte gastronômica.

Chegava lá pelas onze. Pinta de galã solteirão. Camisa branca engomada e transada com detalhes pretos nas mangas, colarinho e botões, sobre jeans de grife, sapatos de camurça, cordão de ouro no peito semi-desabotoado, pulseira banhada no relógio e muito crédito.

Devorava torresmos, esvaziava quase um litro de jornal e lia três cadernos do whisky do dia no Lobby Bar (anexo ao restaurante). Ficava por bom tempo atento naquele burburinho de gente bonita que chegava, cedia minha cadeira de balcão a qualquer senhorita que adentrasse acompanhada ou não, flertava com alegres grupos de trintonas e quarentonas. Percebi assiduidade de algumas e com o tempo fui invadindo bons territórios.

O acúmulo de calorias eu administrava logo à noite, fosse dançando tudo que podia e tinha direito nos salões de outro restaurante cravado lá no bairro de Santa Felicidade, distante 10 quilômetros de onde eu morava, ou no desfrute em comum acordo da companhia que não tinha hora pra chegar em casa depois da decoreba mútua de geografia humana. Algumas ainda exigiam uma passadinha no "depois da saideira", o Bar do Saul Trompete, uma toca de puro jazz que resistia na Boca do Lixo, na quase esquina da Cruz Machado com a Alameda Cabral. Era o auge da noite curitibana. Ecletismo total.

Certo sábado, no Lancaster, degustei a feijoada na companhia de Sarinha. Kleiton e Kledir que me perdoem, mas eu também não tinha visto beleza tão infinita e boca mais bonita. Seu sorriso era um arco-íris, os cabelos negra cachoeira, a pele seda do oriente, o perfume primavera perene, os pés, ah! os pés, prisioneiros por engano de um par de sandálias de ameaçadores saltos 10 e cuja causa libertária eu já me via advogando como dativo.

Ficamos lá quatro horas em mútua exploração contínua e infindável de assuntos que nos fizeram pensar que tínhamos longa convivência e invejável relação. Saí concluso que ainda podia não ser uma paixão, mas era um delicioso "quero mais".

Nem foi preciso combinar outro almoço. No sábado seguinte meu cartão ponto foi o primeiro a ser batido. Antes dela chegar alguém já me havia perguntado quem era a moreninha da semana passada. Respondi que era minha mulher e que ainda estava trabalhando, mas chegaria em seguida. Senti certa decepção no semblante do companheiro de aperitivo. Não demorou e Sarinha desfilava pelo tapete vermelho do saguão. Estava mais bonita e pela primeira vez pude ver que a guarda dos seus pés havia sido trocada por um esportivo par de tênis. Senti que um habeas-corpus estava próximo. Vestia calça colante e negra sob um blusão branco que me passava um ar de tudo e nada ao mesmo tempo. Chegou sorridente e elogiando a minha espera. Beijou-me duas vezes na face, eu retribui creditando-lhe um longo abraço.

Bebemos, gargalhamos quando comentei sobre a pergunta do pretenso fã e minha resposta, conversamos sobre a semana de trabalho de cada um, eu processando dados, ela atendendo pacientes. Descobrimos que havia outros restaurantes que coincidentemente freqüentávamos, talvez em horários diferentes ou em outras companhias que não nos permitiam praticar ao menos as famosas panorâmicas. Estava calor. Ela tirou o blusão e acendeu uma perturbação geral só contornada com o convite a que almoçasse comigo mais cedo.

Durante a feijoada fiz-lhe todas as honras, auxiliado pelo atendimento personalizado de já velhos amigos garçons. Brindamos e bebemos bom vinho. Fomos olhados com insistência. Sarinha definitivamente aumentava o consumo de cervejas da casa sem aquele blusão. A rima insubstituível era tentação.

Já sabia das suas preferências. Antes da sobremesa o maitre lhe entregou um presente, dizendo ser de um ardoroso fã. Assustada e incrédula abriu o pacote, vibrou com a pulseira, colocou os óculos e foi ler o cartão. "Outro bem atenua minha solidão, mas só você a Sara! Com carinhos". Descobriu rapidamente que o fã era eu mesmo. Verdade, nela rolou uma lágrima. Simples comoção? Alegria e algum sentimento maior? Senha? __ "Não conte a mais ninguém que foi você quem me deu, usarei como se fosse seu coração batendo em meu pulso".

Depois de mais algumas coincidências descobertas, inclusive a noitada combinada com suas amigas para aquele sábado no mesmo restaurante dançante que eu freqüentava, levei-a até ao estacionamento na óbvia certeza do noturno reencontro.

Às 22:00 horas, calça e camisa de linho, cinto e sapatos todos azuis escuro, eu já estava no Toscana. Pedi reserva para cinco, fui atendido e sentei. Minhas costumeiras parceiras de pista estranharam meu comportamento pacato, solitário, introspecto, avesso visível do bailarino intrépido de muitos "saturday night fever". Bebi moderadamente durante uma hora e senti uma agitação profunda. E se Sarinha chegasse acompanhada de outro homem? Que rei sou eu? Mainframe e Medicina preservariam algo em comum? Glória, uma princesa da balada, pé de valsa premiada me interrompeu: __ Oi, você está doente? Quer ser convidado a dançar? Não lembro o que lhe respondi, só percebi, minutos depois, que suas costumeiras companhias me olhavam com certo pesar da mesa lá no canto.

O vocalista entoava Cazuza quando Sarinha chegou com sua turma. "Codinome Beija-flor"! Entraram as quatro, em pares, duas mais à frente, outras duas atrás. Levantei para me fazer notar. A mulher que vinha ao lado dela parecia mais velha e tinha um comportamento protetor. Era esguia e elegante. Cabelos loiros, tingidos, curtos. Olhar inquiridor. Sem sorrisos. Meio desconfiada, meio segura de si. Pararam no meio da área lateral que levava ao bar. Sarinha estava uma deusa. Segundos e nossos olhares cruzaram. Ela sorriu e puxou as companheiras. Primeiro apresentou a dupla retardatária. Depois, Ângela. __ Ge, Ery. Meu amigo da feijoada. Ery, Ge. "Minha namorada"!

Fiquei três semanas sem feijão. Quase virei adventista.

Ainda encontrei Sara algumas vezes em outros badaladíssimos restaurantes dançantes, eternamente linda e avec, sempre com uma atenta e sisuda Ângela feita competente "guarda-costas". Cena típica de Mick Jackson, com Kevin Costner apaixonadamente protegendo sua doce Rachel "Rach" Marron (Whitney Houston), embalada pelas notas românticas de "I Will Always Love You", em The Bodyguard, 1992.


A citação de Kleyton e Kledir é uma homeagem ao Milton Ribeiro, cujo blog -- uma das raridades da blogosfera -- completou 4 (quatro) anos.

Por Ery Roberto Corrêa | 3:49 PM - Link deste post


|

Segunda-feira, Maio 28, 2007

[revelações]
BRINCADEIRA DOS 7


Carinhosamente agradeço a lembrança da Claudia Letti em incluir meu nome na lista dos sete blogueiros a responder este questionário. Foi um exercício de seletividade, pois há muito mais de sete coisas que me dizem respeito em cada item. As respostas não estão, necessariamente, em ordem de preferência. Ei-las.

7 coisas que tenho que fazer antes de morrer:

1.sair do país temporariamente; 2.ver/sentir definitivamente a tranqüilidade da família frente seus maiores problemas; 3.ver minha filha totalmente recuperada e produtiva; 4.construir a casa dos sonhos; 5.ter a possibilidade de participar de um empreendimento social - escola especial para meninos de rua, por exemplo; 6.escrever uma obra auto-biográfica; 7.envelhecer viajando.

7 coisas que mais gosto:

1.escrever; 2.ler; 3.ouvir boa música; 4.cozinhar (para poucas pessoas e sem platéia); 5.solidão necessária (converso demais comigo mesmo); 6.vinho; 7.design.

7 prazeres fúteis:

1.sapatos transados; 2.camisas de cor única; 3.perfume; 4.relógios; 5.incenso; 6.chocolate; 7.noitada.

7 coisas que mais digo:

1.Não acredito!; 2.Obrigado; 3.Tem que reagir!; 4.Valeu garoto(a)!; 5.Ótimo!; 6.Porra!; 7.Fique frio(a)!.

7 coisas que faço bem:

1.escrever; 2.zelar por quem amo; 3.ouvir; 4.organizar um ambiente; 5.esquecer desentendimentos; 6.falar; 7.tudo que gosto.

7 coisas que não faço:

1.guardar rancor; 2.alimentar discussões sobre religião e vida alheia; 3.contar segredos; 4.promessas; 5.gambiarras com eletricidade; 6.ir à igreja; 7.dormir mais do que 5 horas.

7 coisas que me encantam:

1.toque; 2.educação, fino trato; 3.gente inteligente; 4.mulher bonita; 5.sorriso; 6.talento; 7.lealdade.

7 coisas que odeio (acho melhor dizer "detesto" e em alguns casos, como os três últimos, "abomino"):

1.falsidade; 2. Ivete Sangalo; 3.batata salsa ou mandioquinha (tenho alergia); 4.políticos brasileiros; 5.drogas; 6.fanatismo, por exemplo, como do torcedor do Clube Atlético Paranaense (ainda escreverei a respeito); 7.aproveitamento da bondade alheia.

Enviar pra 07 blogueiros.

Esta é a questão mais difícil. Sinto-me à vontade para responder questionários, mas não tenho facilidade para remetê-los a outras pessoas. Aos amigos blogueiros que porventura comentarem este post, deixo-os à vontade para, se ainda não participaram, tomarem a iniciativa e me ajudarem a corrigir tal deficiência. Podem, inclusive, citar esta condição. Obrigado.

Por Ery Roberto Corrêa | 4:38 PM - Link deste post


|

Sexta-feira, Maio 25, 2007

[geladeira sulina]
LINDA PAISAGEM


ip0154 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


O dia amanhece lindo, principalmente quando a madrugada deixa uma geada. A paisagem típica do Sul no inverno é encantadora, mas o preço é ardido.

Resta preparar as "ceroulas", que por aqui a gente chama de "pega louco", conferir a adega e bater o pó do caderno de receitas das sopas. Ou então chamar o Fernando Cals e combinar um projeto para instalação desta "charmosa lareira canadense" (movida a eletricidade, portanto ecologicamente correta) que, se tudo der certo, será objeto do meu próximo "trampo".

Bom final de semana, friends. Já estou concentrado para o GP de Mônaco (aquilo espirra charme por todas as ventas!). Dá-lhe Massa (em todos os sentidos, na TV e nas panelas)!

Por Ery Roberto Corrêa | 8:12 PM - Link deste post


|

Terça-feira, Maio 22, 2007

[gênio]
HERGÉ


ip0153 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
GEORGES PROSPER REMI (1907 - 1983)
CENTENÁRIO DO CRIADOR DE TINTIM É CELEBRADO HOJE EM VÁRIAS PARTES DO MUNDO


[Dedico esta ilustração e post ao Jayme Serva. No dia 8.5.07 ele escreveu o texto "Tintim no país dos niilistas e acabei contribuindo nos comentários para que o tema do post fosse atravessado por discussão alheia ao bom assunto que ele havia proposto. Vale a pena rever.]




O centenário do desenhista belga ganhou exposição em Madrid, anúncio de projeto cinematográfico nos EUA, reedição da sua obra pela Companhia das Letras no Brasil e logicamente uma comemoração especial na Bélgica.

Criador de diversos personagens e séries (dentre elas As Aventuras e Desventuras de Quim e Felipe ou As Aventuras de Joana), Hergé ganhou celebridade pelo jovem jornalista Tintim, seu cão Milu e o magnífico Capitão Haddock. As Aventuras de Tintim teve tradução em aproximadamente 50 países e supõe-se que a coleção tenha superado a marca dos 200 milhões de exemplares vendidos em todo mundo.

Mesmo gênio, Hergé não teve vida fácil com sua obra. Leitores de Tintim tinham contato com temas como a guerra entre chineses e japoneses em 1934 e a tensão em torno da Guerra Fria. Como crítica, algumas histórias foram consideradas racistas ou colonialistas.

Tintim também ganhará um museu próprio a ser inaugurado até 2009 em Lovaina la Nova, cidade a 20 quilômetros de Bruxelas.


Fonte: Jornal Gazeta do Povo - Coluna G - 22.03.2007.

Por Ery Roberto Corrêa | 7:04 PM - Link deste post


|

[personalidades]
CHICO - O QUINTO PODER



ip0152 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Devo à Leila, talvez a minha mais fiel leitora, um post sobre Chico Buarque de Holanda. Aliás, quer vê-la feliz descubra uma letra que ela ainda não conhece (é meio difícil!), escreva à mão mesmo, no primeiro pedaço de papel que encontrar e lhe dê de presente. É subterfúgio para uma conversa de lá vão duas ou mais horas sobre o maior compositor da música brasileira.

E eu não contesto. Nem devo, nem tenho como.

No mês de abril (3 e 4), depois de dez longos anos, Chico veio a Curitiba. Após a odisséia da fila de compra dos ingressos (conseguimos dois dos treze últimos para o primeiro dia do show, uma terça-feira), preparamo-nos para o evento do ano. O show "Carioca" foi o máximo, embora o primeiro balcão do Teatro Guaíra permita mais ouvir do que ver. Mas, como sair descontente de uma apresentação daquelas, onde além de estar na presença de um ídolo, a gente ainda ouve dele que "Carioca" era apenas o nome do show, mas que este tinha muito de Curitiba porque incluía músicas feitas para o espetáculo "O Grande Circo Místico", especialmente para o Balé do Teatro Guaíra? Foi o momento de delírio naquela noite.

A segunda e última apresentação estava prevista para o dia seguinte, quarta-feira. Porém, a busca de ingressos foi tanta que decidiu por uma apresentação extra na quinta. Leila ganhou dois ingressos de "camarotes". E lá fomos nós novamente, desta vez, ver Chico Buarque de perto. E na saída ela veio com uma costumeira sugestão: "isto deve render um bom post, hein!!"

Pois bem. Fiquei procurando o que dizer sobre Chico. E acabei concluindo que tudo que escrevesse seria lugar comum.

Acontece que mudei de idéia. Não vou escrever, mas tomo a liberdade de aqui reproduzir um post que encontrei no blog do Alexandre Nero, querido artista paranaense. Nero, além da sua peculiar maneira de escrever, conseguiu dizer diferente sobre Chico. E de forma bem humorada, anos-luz melhor do que qualquer coisa que eu tentasse. Ri muito.

Fiquem com este texto, de título igual, copiado na íntegra e sem alteração da sua forma (só espero que ele não me escrache).



Chico - o quinto poder
- 12/03/2007
http://alexandrenero.com.br/

Essa semana fiz uma cagada! Das grandes, das piores, quase que imperdoável.
Eu posso chegar aqui e dizer "O papa é um louco", ou "O Pelé nunca jogou nada", "A Gisele Bündchen tá gorda", que a seleção da Argentina é melhor que a nossa, posso falar que Einstein era um idiota, até dizer que Deus não existe ou que Ele é uma invenção da Rede Globo. As pessoas aceitam tudo isso, teríamos algumas pequeninas discussões, mas sempre teriam pessoas que concordariam comigo. MAS, se um dia eu vier aqui no blog e escrever algo do tipo:
O Chico Buarque é uma enganação, pronto.............serei exilado, castrado, jurado de morte, minha mulher (ou nenhuma outra) nunca mais fará sexo comigo, nunca mais me atenderão no restaurante, o flanelinha riscará o meu carro , não me deixarão votar......Serei banido, sem perdão, da sociedade brasileira. Cairei no mesmo esquecimento que uma CPI no congresso, ou que o Túlio Maravilha.
Nunca vi ninguém no Brasil falar mal do Chico ou mulher que não o ame.
Chico Buarque é o quinto poder!
Alguns dizem que ele entende a alma da mulher. Na Paraíba, chamam isso de outra coisa. Aquele viadinhodusinfernus!
Por que isso? Como que esse cara conseguiu isso?
Virou uma unanimidade! Desbancou até Nelson Rodrigues, pois segundo o dramaturgo "toda unanimidade é burra". Pois as pessoas preferem ser chamadas de burras, do que trair o "homem perfeito de olhos cor de esmeralda". Como ele consegue isso.....aquele bosta?!!!
Como conseguiu se comunicar com todo intelectual e ao mesmo tempo com uma grande parcela do povo brasileiro? Aquele merda! Sempre preferi Aldir Blanc à Chico Buarque como letrista, ou Tom Jobim e Guinga como compositor, sempre achei o Caetano mais artista do que o Chico, o Gil mais músico, mas......nenhum deles junta tudo isso, com tamanha competência, num só. Os olhos do Fabio Assumpção são mais bonitos, o Romário joga mais bola, o Super-Homem voa mais alto. Mas tudo junto num homem só? Só ele, Chico Buarque de Holanda. Que SACO!
Essa semana cometi uma imprudência. Numa roda de amigos e conhecidos, disse:
"Não gostei do novo CD do Chico Buarque". Afirmei "Pode até não ser uma porcaria, mas que é decepcionante para um sujeito tão talentoso que ficou tanto tempo sem compor...." ......Pronto! Agredido de maneira cruel e implacável, fui obrigado a sair da mesa correndo. Fugi como um atropelador de motoboy à beira do linchamento. Semanas depois soube que meus amigos espalharam um boato que eu tinha sofrido abuso sexual do meu tio Cláudio quando eu era criança. Esse povo é foda!
Gosto de falar mal das coisas (ou bem, sempre do lado inverso à maioria), meter o pau, na maioria das vezes é por brincadeira, pras pessoas ficarem incomodadas e a partir daí termos uma caminhada de discussões (saudáveis exercícios intelectuais). Mas falar mal do Chico é foda......é um tremendo filho da puta!

POIS CHEGA! Eu não vou me intimidar perante a opinião pública, vou falar, custe o que custar................ELE NÃO SABE JOGAR GOLFE, pronto falei!!!!
É bom que o "meliante" saiba que depois dessa minha "notícia bombástica", os fãs não irão mais ao show no Teatro Guaira, ainda que tenha esgotado os ingressos, pois todos sabemos a importância do jogo de golfe na cultura brasileira.
Pronto, acabei com a carreira dele........Eu sou muito mal mesmo!
Falei mal e pronto!

ps: Vcs não me verão na platéia, pois ver o Chico, no palco e cantando, é uma dessas coisas que não me interessam muito. Mas não é raro eu ouvir as canções do Chico - nem que seja só para ficar lendo as letras e tentando entender como ele consegue fazer aquilo. Que raiva daquele desgraçado! É um FILHO DA PUTA!!

ps2: 85% dos ingressos foram comprados por mulheres, 85% casadas. 85% dos homens que estarão no teatro serão arrastados pelo cabresto de sua companheira.
100% dos homens tem inveja de Chico Buarque de Holanda.

Por Ery Roberto Corrêa | 6:41 PM - Link deste post


|

Segunda-feira, Maio 21, 2007

[lógica]
LEI DO MENOR ESFORÇO


ip0149 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


Nem sempre a "Lei do Menor Esforço" é a tendência comodista a exercer qualquer atividade de forma mais fácil ou rápida sem atender à qualidade do resultado que se espera, como definem os dicionários.

Que digam a Ciência Matemática -- onde seu uso é amparado pela lógica e filosofia conceitual -- e a Informática em seu campo operacional onde a opção do "atalho", simplificação da fração executiva, produz igual resultado e melhora a produtividade.

O único perigo dela um dia vir a ser revogada é o parlamento brasileiro.

Alguém pode explicar por que aquele "bando de incompetentes" faz o mesmo serviço em casas diferentes? Não seria mais fácil compor uma CPI mista com Senadores e Deputados Federais para investigar, por exemplo, o tal do Apagão Aéreo? Por que uma CPI no Senado e outra na Câmara?

Do jeito que esta lei é desconhecida por lá, é bem capaz de uma comissão chegar a um resultado que desqualifique a conclusão da outra! Bem, esta é a receita perfeita para o recheio da pizza.

Por Ery Roberto Corrêa | 9:32 PM - Link deste post


|

[novo trabalho]
SELMA MOSAICOS


ip0150 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


Já está no ar o meu último "filhote" - selmamosaicos.vilabol.uol.com.br, site pessoal da amiga Selma de Oliveira, cujo objetivo é divulgar sua bela arte mosaicista.

Além dos belos trabalhos que produz , Selma ministra cursos pra quem tem interesse nesta secular arte de "cortar, colar, rejuntar". Quem estiver em Curitiba e sentir interesse é só entrar no site e fazer contato.

Por Ery Roberto Corrêa | 9:27 PM - Link deste post


|

Sábado, Maio 19, 2007

[divagações]
METAMORFOSEAR É PRECISO


ip0148 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


"Todo dia é uma nova vida. Difícil, às vezes, é sair do casulo do ontem."

Por Ery Roberto Corrêa | 7:42 PM - Link deste post


|

[protocolo tupiniquim]
A PRIMEIRA DAMA E O PAPA


ip0146 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket>


Quem coleciona selos ou é um curioso da filatelia sabe que o "Máximo Postal" é uma peça cobiçada. Torna-se ainda mais interessante o fato de ser o próprio colecionador quem produz.

Para ser considerado um máximo perfeito a peça deve conter 3 elementos fundamentais: o selo, carimbo e cartão postal. Este é considerado o suporte e a regra é estabelecer uma concordância entre seus elementos. Assim, é normal o filatelista comprar ou criar um cartão postal que tenha uma relação direta com o motivo principal do selo e, através das agências filatélicas dos Correios, obliterar com um carimbo preferencialmente em local também relacionado com o lançamento do selo e na sua data de primeiro dia de circulação.

Chama-se "Maximafilia" a arte de colecionar este tipo de peça. Quando adolescente eu produzia uma infinidade com selos brasileiros e mandava para o exterior em troca de outras peças. Infelizmente não guardei nenhum, tampouco sei onde foram parar.

O máximo da ilustração acima, caso tivesse conseguido montar, seria uma raridade por alguns bons motivos, mas o principal seria conter uma cena que talvez nunca tenha acontecido no mundo -- uma primeira dama "beijar de mentirinha" a mão de um Papa.

Dizem as línguas que defendem Dona Marisa que ela lembrou que estava com baton e preferiu evitar o vexame de "carimbar" a mão do pontífice. Mas se beijar a mão do ilustre visitante faz parte do protocolo, ou é permitido, e se estava disposta a tanto, como foi o caso, por que não foi ao aeroporto com os lábios "in natura"? Afinal, Dona Marisa tem dado sucessivas demonstrações que está bem mais ambientada com as etiquetas da oficialidade do que o próprio marido. Este cometeu gafes, como tentar em alguns momentos puxar o Papa pelo braço. Eu estava vendo a hora em que ele iria "coçar o saco" com a mão por dentro do bolso, dando aquela "clássica disfarçadinha".

Disse uma consultora de etiqueta da Rede Globo que no fim das contas o casal não decepcionou, até porque esse negócio de ficar puxando visitantes pelo braço eles tem que se acostumar, porque é normal -- e disso devem saber -- pois a expansividade brasileira inclui o excessivo gosto pelo toque. Interessante: um tocou demais e a outra ficou devendo.

Só resta então procurar nas boas livrarias o "best-seller" (abaixo), da Dona Marisa. A capa está o fino! Tem o detalhe do b-e-i-j-o! Talvez ela explique o ato, nem que seja com um mínimo de detalhes. Ah! lembrei, tenho certeza que "não tocará" no assunto. É ficção...



ip0147 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket









[As imagens usadas nestas ilustrações foram copiadas do douglas.nireblog.com]












Por Ery Roberto Corrêa | 7:07 PM - Link deste post


|

Sexta-feira, Maio 18, 2007

[música alternativa]
A MUSA E O POETA


Quando o poeta alcança sua musa ele tomba o seu discurso. O amor, como grande tema, é capaz de criar a coragem da confissão pública e fazer revelar o sentimento que explode em seu peito. Ele percorre o caminho da criação dos seus versos com utilização de elementos múltiplos, sejam simples objetos ou entes da natureza, tentando com estes aproximar o entendimento sobre suas razões, seja na poesia ou na canção.

Tempos idos recuperei esta letra, composição de Antonio Ramos de Oliveira Jr e Joel Diniz, a partir da doce voz de Bárbara Vieira, uma promissora artista de Avaré-SP, com quem consegui falar certa vez no MSN.

Vale a pena ouvir e sentir esta letra cheia de beleza e poesia.




Get this widget | Share | Track details



Quando a chama da poesia
Acendeu o fogo da minha paixão
Fagulhas de amor rodopiavam
Feito bailarina no meu coração
Me revelei poeta
Senti à flor da pele toda emoção
Escrevi esses versos pra você
Num pedaço de papel de pão
Quando dedilhei no violão
Os primeiros acordes desta melodia
A dor e a tristeza foram embora
Só ficaram as pétalas desta magia
E foi nascendo assim
Na voz suave deste cancioneiro
Meio sem querer querendo
Como flor brotando no canteiro
Singrei os mares do desejo
Quebrei as ondas dessa dor
A minha veia as rimas e os versos
Dessa nossa canção de amor

Quando dei por mim marejavam
Gotas na minha janela
Olhei fiz surgir um arco-íris de emoção
No céu pintando uma aquarela
Era a primeira brisa da manhã
E entre sustenidos e bemóis
Alvoreceu e os pássaros cantavam
Esta canção que eu fiz pra nós

Por Ery Roberto Corrêa | 7:05 PM - Link deste post


|

Quinta-feira, Maio 17, 2007

[award]
THINKING BLOGGER


Recebo de dois grandes amigos, Lord Broken Pottery (broken-pottery.blogspot.com) e Valter Ferraz (perplexoinside.blogspot.com), a menção "Thinking Blogger".

Independente do fator merecimento, o que deixa feliz é estar na honrosa companhia de outros blogs citados por ambos nos seus respectivos posts, estes sim, poderosos instrumentos da expressão individual e que verdadeiramente "fazem pensar".

Agradeço por esta lembrança, acrescentando que o ato de blogar contém um artigo indispensável e talvez o mais importante desta arte: a responsabilidade pelo que se diz. É preciso estar atento, pesquisar, ilustrar, ponderar, medir e finalmente buscar a palavra certa que expresse o sentimento. Não existe palavra adequada para nenhum texto independente da vivência, do contexto. Muita gente faz isto muito bem. Eu continuo sendo um esforçado aprendiz.

O award recebido tem uma contrapartida: indicar 5 (cinco) outros blogs que carregam esta característica do fazer pensar. Confesso que fiquei em "sinuca de bico". Não porque seja difícil a escolha, mas porque alguns já receberam a mesma indicação e caso aqui os repetisse (ver este link e este) estaria me tornando um tanto redundante. E acredito que o caráter não é de disputa.

Assim, contrariando a condição, permito-me indicar dois blogs que ainda não foram mencionados, mas que tem a saudável virtude de prender o leitor e fazê-lo pensar nos textos super elaborados que costumam postar.

São eles:

1- Bailar das Letras, da minha grande irmãzinha Bailarina das Letras, pela beleza e incomparável suavidade com que trata seus textos, a maioria carregados de intensa poesia e invejável cuidado com a palavra. Seus textos nos remetem à reflexão, tem amplitude, verdades implícitas e explícitas e são embalados por uma música tão bela que fazem os sentidos flutuar;

2- Críticas e Reflexões". Seja para contar sobre o seu dia-a-dia como um jovem professor de geografia, ou para criticar a dureza do nosso cotidiano em todas as suas dimensões, o Ítalo, que é um blogueiro novo, consegue traduzir com extrema facilidade e clareza os seus pensamentos. Nos últimos tempos tem sido um porto onde ancoro com bastante freqüência.

Porque são merecedores, aos dois ofereço o "Award THINKING BLOGGER".

Por Ery Roberto Corrêa | 8:41 PM - Link deste post


|

Quarta-feira, Maio 16, 2007

[o brasil de hoje]
FÁBULA PARA CRIANÇA GRANDE


Foi inaugurada mais uma modalidade turística no Brasil. O sujeito dá uma exagerada no seu "trabalho", fica meio visado e é recolhido, por exemplo, para a estação Bangu Um e depois de certo tempo de check-in (este procedimento tem sido um pouco demorado ultimamente) toma o avião e é levado para Catanduvas (PR).

Catanduvas é (era) uma cidadezinha pacata do interior do Paraná, até que lá foi construída uma Colônia de Férias de Segurança Máxima. O Brasil está ficando muito violento e era necessário fazer alguma coisa neste sentido, nem que fosse para uma pequena parte da população. Lá não há grandes perturbações. As instalações são novíssimas, com cômodos individuais, serviçais exclusivos, pensão integral, bem próprio para a reflexão e a recuperação das forças através do isolamento.

O sujeito fica lá, quietinho, longe deste mundo cruel do resto do país, enquanto seus "substitutos" vão tocando o trabalho na indústria do tráfico de drogas -- um negócio meio radical, mas que certamente, apesar das contrariedades do Papa, um dia algum deputado ainda apresentará um projeto para regulamentá-lo.

Ele até se acostuma com aquela tranqüilidade. Alguns reclamam de um tratamento especial chamado RDD, que é oferecido para o turista reaprender certos valores disciplinares, mas no fundo é bom e o tempo passa. Enquanto fica hospedado e de acordo com a quantidade de dias que lá execute uma função laborativa (pelo menos é assim que reza a lei) ou contando tempo de permanência, ele vai ganhando condições próprias para se tornar beneficiário de uma concessão chamada "progressão de regime". Neste, tudo ficará mais tranqüilo porque poderá ser transferido para outro local, sempre de avião, até ver chegado o dia em que poderá, se quiser, voltar ao trabalho ou ao "trabalho". Esta escolha é própria.

Durante todo o tempo lhe são oferecidas certas mordomias que muitos trabalhadores de outros ramos legais não têm, exclusivamente por impossibilidade de uma boa poupança. Alguns destes trabalhadores vêm de longe, deixam a família inteira, filhos pequenos, viajam de ônibus que atravessam o sertão, cortam o Brasil e, no Sul/Sudeste, permanecem anos pingando suor na construção civil, ralando na noite como garçons, etc, etc, enfim, fazendo tudo aquilo que Chico Buarque canta em "Brejo da Cruz". Mas não conseguem guardar um dinheirinho para ir ver a família. Nem esta, por lá onde ficou, consegue ajudá-los a um dia qualquer retornarem e aproveitarem para matar as saudades. É o preço ou a inversão de valores que o sujeito livre tem que pagar/enfrentar.

Pois bem, no "turismo especial", basta a família do sujeito -- que segundo a lei tem direito de vê-lo -- sentir uma saudade, correr para um agente que chamam de advogado e pronto. Este preenche uma guia chamada "petição", apresenta na agência central, o STJ, um juiz dá o despacho e está tudo resolvido.

Lá vai de volta para o Rio de Janeiro uma gang inteira da qual fazem parte Elias Maluco, Marcinho VP, Isaias do Borel e outros grandes "trabalhadores". Ninguém consegue intervir nesta operação. Ninguém consegue provar muito fácil que os coitadinhos ainda não estão bem "descansados". E lá se vão para outro centro onde funciona uma espécie de "tele-marketing inverso" do crime, onde ao invés de vender eles ordenam o dia-a-dia da indústria para os operários que estão lá fora, ou lá em cima, nos morros. Tem celular à vontade pra todo mundo. O regime não é tão rígido. Os agentes intermediários os visitam periodicamente para ver se está tudo nos conformes, e uns até servem de mulas para levar uma carguinha nova de equipamentos, recados da gerência local do tráfico e outras coisas mais.

A família fica mais tranqüila porque o "bom filho" volta para mais próximo do seu seio e um eventual retorno àquela vida "difícil" de Catanduvas fica mais longe.

É preciso registrar que todo este turismo é financiado pelo imposto que pagam os trabalhadores de verdade. E lá no Brejo da Cruz, as crianças continuam a "se alimentar de luz" e agora tiveram que aprender a desviar "balas perdidas".

Meus amigos, o que está acontecendo com o STJ?


Por Ery Roberto Corrêa | 6:52 PM - Link deste post


|

Terça-feira, Maio 15, 2007

[presunções]
A ARTE DE (TENTAR) ESTICAR A PASSAGEIRA FAMA


ip0145 - Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketÉ isto que nos arrumam a Rede Globo e a Endemol. Agora preparem os tímpanos.

O estilo -- claro -- será o sertanejo. Alberto não sabe que nome dará ao seu primeiro trabalho, mas tem a certeza de que colocará sua alma no projeto. E está otimista: "Gosto demais de cantar e vou aproveitar essa oportunidade até a última gota", exagera.

Quatro coisinhas:

1- "gostar de cantar" pode ser apenas um hábito pessoal, mas "agradar" é inspirar complacência ou satisfação a outros (bem, o sujeito pode querer fazer algo para agradar a si próprio. Nada aborrece);

2- queria muito saber quem é o "autor da oportunidade";

3- no meu tempo se dizia que "o lugar da última gota era na cueca" (é mentira Adelino, Lord, Valter, Jayme, Eudes Vianna, Diomar Pozzo, Sergiomar Baena?);

4- está difícil achar um nome para o CD? Não é problema, eu tenho um: "para ELIMINAR o Cowboi, DESLIGUE o player".

Fico imaginando se isto fosse naqueles tempos em que o finado Flávio Cavalcanti quebrava certos LPs num programa de TV (apesar que exagerava um pouco)! Ai que saudades dos tempos em que a produção musical era coisa séria, era promoção cultural, não era negócio "caça-níquel"!

Por Ery Roberto Corrêa | 5:27 PM - Link deste post


|

Segunda-feira, Maio 14, 2007

[decoro parlamentar]
NEM TODO DEPUTADO É POLIDO, NEM TODA BRASILEIRA É BUNDA


ip0143 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket


Evito ao máximo, além dos limites da minha tolerância, falar, escrever, discutir sobre atitudes decorrentes do comportamento homossexual. Passou a ser uma norma de vida. E não é sobre isto que hoje vim dizer. Não nego, até porque não nutro qualquer preconceito, tenho alguns amigos assim, embora com eles nada compartilhe e a convivência seja - por questões de oportunidade - limitada ao tempo e situações estritamente necessários. Eu ainda tenho alguns cabelos que precisam ser aparados umas três ou quatro vezes por ano e até aproveito para rir um bocado com meu cabeleireiro homossexual, um sujeito polido e inteligente.

Ficou patente, mais do que provado no escritor e roteirista Jean Willis, ex-Big Brother, que a diferença está no nível de educação que cada um traz como herança. O caso Jean prova ainda mais: o nível educacional não depende da condição social ou da representatividade. É questão de berço e da formação específica da personalidade. Afinal, segundo se sabe, sua família nordestina é humilde. Tenho visto na TV por assinatura bons programas que têm sua grife, participação em discussões até mesmo sobre a homossexualidade e as intervenções são admiráveis pelo aspecto da seriedade. Seu comportamento mais elogiável está no fato de não precisar "levantar bandeiras" para manter sua condição.

Quanto a este personagem insólito, chamado Clodovil Hernandes, eleito deputado por São Paulo, está há quatro meses no desempenho da sua função parlamentar(?) e já conseguiu provocar quatro processos contra si, todos decorrentes de atitudes onde grassa a falta de tempero verbal e respeito absoluto às diferenças, o que, em última instância, resume-se por desconsideração total ao ser humano.

Aprendeu, talvez pela necessidade de se impor ante as câmeras de TV, a usar sua condição homossexual como uma metralhadora que atira em qualquer direção, nunca sem carregá-la com certo esnobismo e alta dose de necessidade íntima de impor-se à aceitação do meio.

Dos quatro processos, dois deles foram desconsiderados pela Câmara por se tratarem de demandas cuja origem estava em fatos ocorridos no ínterim da eleição e da diplomação. O terceiro ainda tramita e se refere à acusação de preconceito contra a comunidade judaica. Segundo a Federação Israelita, teria supostamente ofendido os judeus ao comentar o Holocausto.

ip0144 - Photo Sharing and Video Hosting at PhotobucketAgora, no auge da sua destemperança, resolve investir contra uma colega de plenário, exorbitando em sua falta de respeito contra a condição da mulher. Ao proferir palavras de baixo calão, reconhecidamente impróprias ao decoro parlamentar, o Sr. Clodovil Hernandes uma vez mais fez parecer cristalina a sua patológica necessidade de uso da condição pessoal para se impor publicamente.

Foi um ato irreverente que não ofendeu unicamente a deputada Cida Diogo (PT-RJ). Sempre se soube do cuidado necessário com a palavra, pois é capaz de ferir além porque em seu poder há igualmente a capacidade de convergir para a posição de linhas que se afastam progressivamente do seu destino, fenômeno capaz de provocar indignação coletiva.

"As mulheres ficaram muito ordinárias, ficaram vulgares, cheias de silicone e hoje em dia as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé.". Será que Clodovil consegue lembrar que foi eleito, também, por muitas mulheres?

Quanto à beleza, já deveria ter aprendido, como qualquer homem, que não existem mulheres feias. O que existe na realidade é uma capacidade própria de olhar para poder verdadeiramente enxergar a beleza que existe dentro de cada uma delas. Na minha escola isto foi ensinado antes da expressão "eu te amo".

Aplaudo de pé as iniciativas das representações femininas que se mobilizam no Senado e em outras instâncias da vida civil e que se destinam ao sentenciamento da ofensa moral provocada contra a deputada e por extensão a todas as mulheres deste rincão. Ele e as comunidades da sua opção sexual estariam agindo de idêntica forma se tivessem sido agredidos por atitudes homofóbicas.

Além de tudo, das mazelas que se contém no contexto político, é preciso lutar contra o mau caráter que individualmente contribui para que se ampliem as inépcias de um parlamento do qual depende a vida do cidadão comum.

Se for procurado para assinar qualquer ação pública contra o ato deste cidadão, não hesitarei. Enquanto isto não acontece, dedico-lhe a letra de Zélia Duncan e Rita Lee, magistralmente gravada por uma terceira "deusa" - Maria Rita - , "Pagu":


Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratátátá

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Ratátátá



[imagens: G1.Globo]

Por Ery Roberto Corrêa | 9:59 PM - Link deste post


|

Domingo, Maio 13, 2007

[mal traçadas linhas]
MÃE TODO DIA



Tem um dia que sorrateiro, Deus
Leva a Mãe do seio da gente.
Faltos deixa-nos - filhos seus -,
Órfãos do amor, tristes somente.

Seu chamado em dias inverte
Mutilando a Mãe que era feliz,
Que pra dor lenir chora e reza inerte
Abençoando o pedaço que Deus quis.

Por que Deus nunca pensou
Como o sábio Drummond imaginou?
Mãe morre jamais, Mãe sempre ficará

Junto do - embora velho - seu filho.
E este, feito um grão de milho,
Eternamente pequenino será.


[Mãe Todo Dia - mai/2007]
www.ramcreations.com

Por Ery Roberto Corrêa | 12:29 PM - Link deste post


|

Sábado, Maio 12, 2007

[poética curitibana]
PORQUE ALÉM DA LITURGIA, O MUNDO PRECISA DE POESIA


"O poeta que aqui se lê, a exemplo dos faraós, construiu uma obra capaz de continuar falando, por si só, como as pirâmides, e transcender mesmo no deserto a aridez da mesmice de nossa finitude. E essa vida que se mostra, se despe e se despede, nos deixa com gosto de mais vida e muito, muito mais poesia, de um jeito tal que, tenho certeza, ainda vai haver poesia um dia."

[Alice Ruiz, poetisa, compositora, escritora, mulher de Leminski]



Paulo Leminski, Curitiba - 1944-1989A lua no cinema

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
-- Amanheça, por favor!

Por Ery Roberto Corrêa | 7:39 PM - Link deste post


|

Sexta-feira, Maio 11, 2007

[contra queda de audiência]
RECAUCHUTAGEM GRÁFICA



Depois de ver este vídeo e lembrar que já tenho seis anos de aprendizado e experiências múltiplas com a mão na massa -- Corel Paint Shop Pro, Adobe Photoshop, Macromedia Fireworks, além de outros menos votados -- 2 cursos específicos, além de outro de Fotografia e Vídeo, leituras e a prática em diversos trabalhos para a web, "estou pensando em abrir uma clínica". Porque isto é mágico!!!! Já estou pensando na convocação das modelos.

Viva Vinícius! As feias que nos perdoem, mas... (vocês sabem).



   

Por Ery Roberto Corrêa | 10:14 PM - Link deste post


|

Quinta-feira, Maio 10, 2007

[criatividade]
MEET THE WORLD


Circula por e-mail, há algum tempo, uma apresentação em arquivo "pps", contendo um belo trabalho atribuído a um certo norueguês, Charung Gollar. Trata-se de uma série de oito gráficos, intitulada "O PODER DAS ESTRELAS" e que, segundo o autor da apresentação, seria resultado de uma incumbência recebida de mostrar na ONU um trabalho que abordasse os problemas que preocuparam o mundo no decorrer de 2005 e que rendeu ao autor candidatura ao prêmio Nobel em Marketing Político.

Há criatividade vazando por todos os orifícios na rede. Apesar do material ser fantástico, verdadeiro -- pois os dados usados são todos reais e foram tirados de sites da Amnistia Internacional e da ONU --, não há nenhum Charung Gollar envolvido com o trabalho nem tampouco se trata de encomenda destinada ao fim divulgado.

O trabalho é fruto de uma campanha desenvolvida para a Revista Grande Reportagem, com a idéia de mostrar o conceito jornalismo profundo nos assuntos de real importância no mundo atual. Além do mais, o responsável seria o redator Ícaro Doria, um brasileiro que trabalha ou trabalhou em Lisboa, Portugal, para a referida revista.

Sempre tive certa reserva com arquivos "pps". Já vi gente recebê-los e se emocionar até às lágrimas. Muitos não passam de "masturbação mental" de desocupados que tem uma lista enorme de endereços e-mail e tem verdadeiro prazer de fazer circular o seu "produto". Tudo bem, tem gente pra tudo. Mas por que inventar tornando falso parte de alguma coisa bem feita?

Bem, no caso desta apresentação, apesar do repúdio a seu formato, e já que o conteúdo é bom, pensei em um script que mostrasse imagem a imagem com botões de avanço/retrocesso a cargo do leitor, mas as limitações no Blogger.br não permitem. Restou-me, na carência material, a última alternativa: construir um gif animado. Não é a melhor solução, mas pelo menos é possível ver os gráficos mesmo que não se tenha maior domínio do tempo de transição dos slides. A criatividade do "norueguês" brasileiro é simplesmente sensacional. Se é que ainda não recebeu em sua inbox, aprecie.



[Em caso da imagem apresentar problemas ou para reiniciar o gif faça "reload" (F5)]


Por Ery Roberto Corrêa | 10:55 PM - Link deste post


|

Quarta-feira, Maio 09, 2007

[crônicas urbanas]
O BANCÁRIO E AS MENINAS


ip0138 - Meninas - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

O bancário quarentão, morador solitário do apartamento 1910 daquele prédio de classe média-alta, agradeceu quando o expediente acabou. Nada deu certo naquele dia. Para começar o despertador não lhe acordou e, sem o costumeiro banho matinal (para o viciado na chuveirada matutina não poder dela usufruir só é menos pior do que tomar banho e vestir roupa suja) teve que ir ao trabalho de carro. Sempre usava o bom senso com relação ao trânsito, ia de carona ou de ônibus e não era qualquer motivo que lhe alterava a rotina para mergulhar naquela aventura insensata. Porém, naquele dia, não havia outra saída.

Chegou ao banco com atraso de quase noventa minutos, depois de algum engarrafamento e a parada para abastecer.

Guardava documentos importantes da função chaveados na gaveta da escrivaninha. Aquele dia era o prazo final para entregar um deles a importante cliente, um papel remetido pela diretoria. Quando lembrou de apanhá-los deu conta que a pressa o havia induzido a esquecer as chaves. O funcionário responsável pelas cópias do claviculário, excepcionalmente, só trabalharia à tarde. Antes da chegada do cliente, ainda pela manhã, arrombou a fechadura.

De Vitis era pacato, embora não resistisse à menor provocação e sempre disparasse sua metralhadora verbal em qualquer direção, sem se preocupar com a mira no verdadeiro alvo.

A reunião setorial, pouco antes das dez horas, foi cancelada porque ele havia deixado de encaminhar um relatório a tempo da chefia opinar. Quando saia da sala, e cruzava o corredor, enfrentou olhares cobradores de um grupo de colegas participantes do mesmo projeto. Teve um impulso e pensou em pedir folga. Mas, conteve-se. O mau momento não duraria mais do que meio expediente. Afinal, nem a sua chefe parecia empolgada com aquele trabalho -- uma encomenda da direção.

Havia até esquecido a frustração do almoço, quando se serviu de belo frango à milanesa para em seguida descobrir que se tratava de bucho empanado e ter improvisado a disfarçada perante os colegas gozadores. À tarde, problema com o sistema de comunicações foi a gota d'água para aumentar a correria e o burburinho. Entre reclamações de clientes e a inexperiência de alguns funcionários da sua equipe para desenhar justificativas, passou um sufoco.

Já em casa, abriu a geladeira. Nem ovos! Nem cerveja. Nos armários, nem sabonete! Havia decidido pela reclusão naquela noite, mas foi inevitável: fez a lista e partiu para o supermercado. Mal entrou e quase desistiu. A freqüência era altíssima. -- Por que essa gente não compra durante o dia? Quase foi atropelado pelos fundos por uma idosa que corria para a fila preferencial com um carrinho meio manco. Abriu a lista e resolveu comprar apenas o necessário. Macarrão, queijo ralado e vinho pelo menos. Ah! e pilhas. Era a melhor maneira de sair rápido de lá. Decidiu por tão pouco que arriscou não usar nem carro nem cestinha.

Duas garotas, recém saídas da adolescência, correndo com dois fardinhos de cerveja gelada, atropelaram-no quando se dirigia à fila do caixa-rápido. Conteve-se para não dizer um palavrão ao sentir sua garrafa de vinho cair espatifando-se no corredor. Deu um salto para salvar os sapatos de camurça. Olhou para o chefe de loja que passava por ali e fez um gesto com a cabeça. Inconformado, balbuciando impropérios, seguiu em frente.

Na fila, pouco atrás das garotas, procurou alguém às suas costas para resmungar.
-- Esta juventude de hoje não tem jeito. É pura falta de educação. E ainda compra cervejas como se soubesse beber antes mesmo das fraldas largar.

Para as meninas abriu-se o sinal luminoso do próximo caixa vago. Seu chamado veio em seguida, ainda a tempo de ironicamente ficar lado a lado com as duas "barbeiras". Foi sorteado com um caixa de primeira viagem que lhe recebeu sorridente.
-- Boa noite! Obrigado por sua preferência!
-- Boa noite. Este mercado vende bebidas alcoólicas para menores?
Sem atenção ao que se passava:
-- Não. Mas, o senhor pode levar!
De Vitis teve vontade de estrangular a novata do caixa. Olhou para o lado e viu as garotas gargalhando. O segurança, que a tudo assistira postado à frente do corredor, na lateral dos caixas, aproximou-se um pouco da cena. De Vitis retirou a carteira preta de couro do bolso traseiro e instintiva e despropositadamente abriu-a segurando pela ponta, deixando bem à vista um brasão em relevo acondicionado na primeira repartição de acetato, enquanto aguardava o fim da soma.

As meninas demoraram porque seu pagamento foi feito com cartão de crédito. Quando uma delas, com olhar refestelado, já saindo, viu a carteira aberta e o brasão exposto, não hesitou em tentar aproveitar a última oportunidade para se justificar e ao mesmo tempo reclamar.
-- Foi um acidente, não nos queira mal. E não queira nos atemorizar mostrando essa estrela da polícia federal na carteira. Foi apenas um acidente, repetiu. Desculpe-nos.
As duas saíram correndo para o estacionamento.

De Vitis mirou a carteira e imediatamente seu olhar subiu na direção do segurança que também não se conteve, embora o seu sorriso parecesse meio amarelo. À saída, o chefe de loja lhe conformou.
-- Isto acontece. Não se preocupe. E olha, bonita a estrela solitária na sua carteira, também sou botafoguense. O senhor está sempre por aqui, leve este vinho, é brinde da casa.

Já no carro, ainda pensando nos acidentes do dia, De Vitis ligou o rádio. O Botafogo já perdia por 2 x 0, aos sete minutos do primeiro tempo.

Parou no primeiro cachorro quente, devorou um prensado e foi pra casa. Depois do banho atrasado, do vinho e do resultado do jogo, lembrou de trocar as pilhas do despertador e foi dormir...

Por Ery Roberto Corrêa | 5:27 PM - Link deste post


|

Terça-feira, Maio 08, 2007

[cotidiano]
RÁDIO PIRATA & OS RACIONAIS



Uma nave da aviação comercial iniciava seus preparativos para o pouso no Aeroporto de Guarulhos. Na cabine, seu comandante reportava a torre dificuldade de contato claro pela incidência de uma transmissão de rádio (emissora pirata que naquele momento transmitia um programa evangélico). Os sinais espúrios (explique-se, pela condição e não pelo conteúdo que desenvolvia) causavam interferência tal, que foi necessário alternar para outra freqüência a fim de poder segurar o contato.

Na conversa registrada entre a torre e o piloto, aquela chegou a perguntar se por acaso não era certa emissora, mas o piloto respondeu que se tratava de outra, a "cinco meia doze quatro dois quarenta", referindo-se possivelmente a identificação do intruso. Este fragmento da conversa foi explorado pela mídia para noticiar o caráter comum da ocorrência.

Apesar de análise muito superficial é possível deduzir que os problemas com o setor, promovidos à condição de críticos com os acontecimentos recentes a partir do acidente com o Boeing da GOL, estão além da estrutura ineficiente que envolve equipamentos, carreira, treinamento, política salarial e regime de trabalho dos controladores de vôos.

Já se sabe, por exemplo, apesar das ações do Ministério das Comunicações no sentido de reprimir transmissões piratas de inúmeras rádios comunitárias que operam próximas a regiões de aeroportos, que estas voltam a burlar as leis e continuam contribuindo para atrapalhar e aumentar as situações de risco em setor estratégico. Há quase 3000 rádios comunitárias operando no Brasil. Nada posso afirmar quanto a utilidade desta rádio especificamente, mas penso com meus botões: se é das que já foram reprimidas, até onde vai a incoerência! Será tão difícil alcançar a consciência de que é paradoxal pregar o caráter escorreito do "seu Deus" e por outro lado a própria atividade que proporciona isto ser algo irregular, ilegal?! Irracionais.

Começo a entender, embora não confie nos resultados, da importância desta CPI do Apagão Aéreo. E muita gente ainda a desqualifica!

Diante de situações assim é curioso querer saber: o que é pior, uma rádio pirata operando perigosamente próximo a um aeroporto internacional, ou um bando de inconseqüentes promovendo um quebra-quebra defronte a Catedral da Sé, em São Paulo, mobilizados por um evento cultural em que a prefeitura de uma metrópole consegue entender que "Os Racionais Mcs" é algo que se possa considerar contribuição específica?

Por favor, não entendam como preconceito e nem me levem a mal. Eu também não gosto de sertanejos, rodeios e tudo que diga respeito, mas não me lembro de alguém ter depredado patrimônio alheio e colocado uma multidão em perigo só porque alguma dupla chegou atrasada para um show (!).

O poder público não me convence. Ou melhor, nada convence neste país.



Powered by eSnips.com


Eu acho isso meio divertido
Eu acho isso meio triste
Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que já tive
Eu acho difícil para dizer-lhe
Eu acho difícil para aceitar
Quando pessoas correm em círculos, isso é um mundo muito
Mundo louco, mundo louco

[Tears For Fears]

Por Ery Roberto Corrêa | 2:03 PM - Link deste post


|

Quinta-feira, Maio 03, 2007

[filosofia]
RAZÃO? QUE RAZÃO?







O iluminado Francisco Goya (pintor espanhol de finais do séc.18 e princípios do séc. 19.) mostra através da arte da gravura que "EL SUENO DE LA RAZON PRODUCE MONSTRUOS"

[imagem acessada em onascerdosol.blogspot.com]












Na maioria das vezes em que leio o pensamento de Jayme Serva sobram-me identificação, alinhamento ideológico e orgulho transformado em suave consolo que não estou só.

Ontem ele fez um desabafo lancinante sobre o título que aqui repito com a devida vênia.

É estarrecedor pensar no "falso idealismo" que permeia o mundo quando o que se assiste e se experimenta, como decorrência, é o êxito brilhante da injustiça, a progressão geométrica da miserabilidade do povo -- agravada espetacularmente pela ignorância, pela alienação, pela doença e violência -- o que, segundo Serva, é a negação do ideal do retorno à bondade atávica rousseauniana que desaguaria na evolução para o pensamento de Marx.

Sublinha que a sobrevivência neste tempo de sonhos (o desejo racional do homem de caráter fraterno) culmina por nos mostrar que a maior parte desses ideais estava construída sobre um terreno impróprio, como a ingenuidade, capaz de tornar seres humanos massa de manobra de "manipuladores pragmáticos" e que Zé Dirceu talvez seja o exemplo emblemático.

As decisões neste mundo globalizado -- o que também nos permitiu sonhar com um conseqüente reconhecimento que os problemas maiores poderiam receber tratamento mais humanista -- têm sido tomadas sob a égide da desconsideração do futuro, do ser [¹] como razão absoluta, impondo-se o poder econômico de um lado e a incapacidade de evoluir a cultura de outro. Bons exemplos podem ser vistos nas atitudes norte-americanas e japonesas.

É exemplar o texto do Jayme.

Digo, especificamente quanto ao caso brasileiro, ser possível depreender que, a considerar a idéia de pragmatismo de Friedrich J. C. Schiller, consistente no fato que a verdade de uma doutrina deveria ser útil e propiciar alguma espécie de êxito ou satisfação, manipuladores como esse cidadão citado no texto estejam mais alinhados ao pragmatismo da escola jamesiana [William James (1842-1910)]. Nela a doutrina admite, quanto à origem do conhecimento -- e óbvio, tal saber leva à ação -- que este tem origem tão somente na experiência, seja pelo ato de negar a existência do racional como princípio, ou negando que esses princípios, embora existentes, tenham o poder, além da experimentação, de levar ao atingimento da verdade. É uma contradição do que filosoficamente possa ser entendido como racionalismo.

Armado com certo atrevimento é possível ousar e dizer, sem ser irracional, que da leitura permitida pelo raciocínio lógico pode se concluir que o pensamento do nobre petista representa puro charlatanismo. Eis que só existe racionalismo quando se pode atribuir a outros princípios não racionais, como a vontade, a intuição, os instintos, a sensibilidade, etc, o poder de resolver os problemas da humanidade com o uso da verdade. Já abusamos demais do tempo de encontrar a nossa aletheia [²].

Infelizmente, mesmo excluída nossa contemporânea tendência de rendição passiva ao pessimismo, é possível acreditar que, pelo menos na periferia continental estamos à beira do apocalipse. Não me espantarei se alguma revelação menos pragmática fizer saber que depois dessas coisas, homens como Bush, Morales, Chavez e Zé Dirceu (o "ainda" possível mentor espiritual e material do governo Lula) sejam candidatos aos quatro postos de "anjos" que estarão sobre os quatro cantos da Terra, segundo as palavras do apóstolo, "retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento sopre sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma". [Apocalipse 7-1]

Procuram-se ideais. Esta deveria ser a placa na porta do mundo do século 21.

Resta-me aplaudir o grande companheiro bloguista, a quem rendo meu tributo de extrema consideração pela oportunidade que assiduamente reserva em me fazer aprender.


[¹] - Em tempos de transformações, é oportuno lembrar que Melisso de Samos talvez ofereça certa necessidade de aceitar a ampliação de domínio do ser. "A natureza é o ser." [SPINELLI, 2003 pg. 296].


[²] - A interpretação da poesia de Parmeníades nos reserva um bom conselho. No texto original surge a palavra aletheia, que os estudos da língua concluíram representar "verdade". O fundador da escola eleata partiu levado pelos corcéis, na companhia de jovens aurigas que seguiam com a cabeça coberta por véus, na direção da deusa Justiça (Dikê). [...quando se apressaram as jovens filhas do sol a levar-me, abandonando a região da Noite para luz, libertando com as mãos a cabeça dos véus que a escondiam. /.../ E a deusa acolheu-me de bom grado...: "Ó jovem, acompanhante de aurigas imortais, tu, que chegas até nós transportado pelos corcéis, Salve! Não foi um mau destino que te induziu a viajar por este caminho - tão fora do trilho dos homens - mas o Direito e a Justiça. Terás, pois, de tudo aprender."] O ato das aurigas -- a retirada do véu que escondia a cabeça -- (desvelamento), ajudou a traduzir aletheia por verdade porque, ao referir-se à ordem do Cosmos, quer-se com isso indicar que a verdade não está apenas no discurso que a razão humana pode proferir a respeito dessa ordem (concepção moderna de verdade), mas que ela também é o que constitui a própria realidade das coisas. Tira-se o véu para que surja a ordem verdadeira que estava oculta nas aparências da realidade.



[minha leitura de Luíz Paulo Neves, professor de Filosofia do Centro Universitário São Camilo, in "Impossível Não Ser" - Revista Filosofia Especial, nr. 2 - Editora Escala - S.Paulo]

Por Ery Roberto Corrêa | 1:45 PM - Link deste post


|

Quarta-feira, Maio 02, 2007

[comoção]
PORQUE O INESPERADO FAZ PARTE DA HISTÓRIA


ip0136 - Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket
Amanhecer na Serra da Canastra (MG)


"Quando olho para trás, vejo alguma coerência em meu destino, mas
existem coisas que ainda não consigo compreender... Então busco
incessantemente a resposta para as flores e ervas daninhas que colho
em meu jardim. Encantado? De certo o seu também é cheio de encantos, recantos
e desencantos.

Há dias em que o céu está azul, um resplandecente sol brilha ao alto,
pássaros cantam lindas melodias, a brisa refresca o corpo e a
alma parece bailar ao sabor do vento. Tudo parece em harmonia e me sinto bem. Em paz.

No entanto, em outros momentos, nuvens pesadas escondem a luminosidade
radiante do sol e minha mente se turva, assim como meu olhar,
deixando-me cega e quase sem energia. O corpo pede por água
e não encontro uma fonte para me refrescar. Parece que num instante tudo que
existia de bom em mim perdeu-se em algum lugar que não consigo encontrar.

Por que tanta oscilação?

Porque o inesperado faz parte desta história tão cheia de mistério e coerência."


[Contradições - Flávia Oliva e Mônica de Carvalho , Editora Scortecci,
S.Paulo - 2006, pg. 19]



Alguns mistérios desta vida são dolorosos na medida em que nossa capacidade humana é insuficiente para explicar ou compreender. Certos enigmas são cruéis, é verdade, e turbam os olhos sofridos pelas lágrimas da privação. Mas há o caráter essencial de tudo o que é real, a contradição em si. Sabermos que algo existe como passível de acontecimento não é suficiente para o consolo ou fim da dor. E assim, por estranho nexo das relações harmônicas, percebemos que às vezes sofremos porque nos foi legado um dom: o de amar.

O inesperado da perda é parte da vida em sua aparente finitude, mas jamais poderá turbar de vez o nosso coração, pois neste reside a força capaz de ajudar a depreender certos desígnios. Iluminar-se para poder aceitá-los é uma operação delicada e só compreendida mais rapidamente pelos que encontram o conforto da crença.

Mônica, querida amiga, que a força do coração e a luz do entendimento continuem em você. Que em autêntica contradição, nossas inevitáveis lágrimas neste momento doloroso sejam produtos de alta pureza, tornando-se então, o agente ativo de nova reação de vida com nossas fagulhas de fé. Uma vida onde se possa ver um céu azul, um resplandecente sol que brilhe ao alto, pássaros cantando lindas melodias, a brisa refrescante para o corpo e a alma e tudo realce a harmonia e a paz.


[Mônica de Carvalho perdeu o marido em acidente automobilístico no último dia 29.04.2007.]

Por Ery Roberto Corrêa | 9:28 PM - Link deste post


|





Para contato use o form mail

Nome:

E-Mail:

Assunto:

Mensagem:



Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.




- TRIBUTO A UM VELHO PAI
- O AMOR É ASSIM
- BILLY PRESTON - My Sweet Lord
- DESNECESSIDADES EM METROS...
- DIVAS E FEITICEIRAS
- RECONSTRUÇÃO
- A BOA MÚSICA PRESCINDE DO CANTO
- É ASSIM QUE O SAMBA VEM
- A CRÔNICA DE ADONIRAN
- O DRAMA DO JUCA CANHOTEIRO
- O MOMENTO DA GAITA
- MENINAS DO BRASIL
- GRÊMIO RECREATIVO ESCOLA DE ...
- PSICÓLOGA: CAZUZA ERA MARGINAL
- O URINOL DE MADAME POMPADOUR
- UM BELO EXEMPLO

- A DESAFIANTE VERDADE
- CONSENSO RECUPERACIONAL E...
- SOLTANDO OS BICHOS
- A TRAGÉDIA DE CONGONHAS
- CINCO TÍTULOS INESQUECÍVEIS
- DOIS NORDESTINOS EM ...
- THE PERSONAL FRIEND
- REDESCOBRINDO A ESPERANÇA
- QUASE VIREI UM ADVENTISTA
- CHICO - O QUINTO PODER
- FÁBULA PARA CRIANÇA GRANDE
- O BANCÁRIO E AS MENINAS
- O QUE ME FAZ FELIZ
- HISTÓRIA UNIVERSAL PELO...
- MUITO AINDA É POUCO
- O VENDEDOR DE ESTRELAS
- PEQUENOS MIMOS, GRANDES...
- RÉVEILLON NO AEROPORTO
- PANDEMIAS DE QUEM NÃO SABE...
- VIDA ATRAVÉS DA CONSCIÊNCIA...
- AEROPORTO 2006
- A CARTA DA SOLIDÃO
- LER DEVIA SER PROIBIDO
- SÚPLICA


- BREVE PASSEIO PELA DINÂMICA...
- A FILHA ADOTIVA DA DITADURA
- UM OUTRO TERRORISMO
- QUINTANA, O PASSARINHO DO SUL
- YES, NÓS TEMOS BANANAS
- TICO SANTA CRUZ, "O DETONADOR"
- O HOMEM QUE ESCREVIA CARTAS
- ...TRATADO SOBRE A CÓPULA
- COMO NÃO GOSTAR DE UM CARA...





Oferecido, em 15/09/08, por Adelaide Amorim, do Blog "Umbigo do Sonho".