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Quarta-feira, Junho 27, 2007
[o conto que não quer calar]
TENTATIVA DE CONTINUAR O QUE É DO MILTON RIBEIRO
Fui um dos convidados a tentar uma continuação do conto do Milton Ribeiro. Havia entendido, depois de trocar informações com o Valter Ferraz, que faríamos uma seqüência semanal, mas como já foram publicadas duas outras versões, fui autorizado a postar no momento que quisesse. Como o sempre belo trabalho do Milton se transforma, ganha fronteiras e nos instiga a criar dentro de uma possível lógica ficcional, tenho o imenso prazer de lhes apresentar minha vertente amarrada a uma ótica burocrática, mas que tenta um tratamento específico quanto ao caráter da personagem Luana, sem preocupações com eventuais traços anteriormente delineados pelo primeiro autor.
Espero que gostem. Apreciarei comentários de todos os envolvidos com o acompanhamento ou não. Agradeço a ambos, Milton e Valter, pela oportunidade deliciosa de "brincar" com uma idéia alheia. Igualmente, parabenizo as inteligentíssimas colegas de ofício blogueiro, Adelaide Amorim e Lulu, cujos textos não conhecia e que este bom exercício me deu oportunidade de encontrar.
Dias depois do incidente no Velho Quintino, como que por obra do acaso (ou seria continuação da mesma obra?), a cena anterior se muda para o ambiente de trabalho de Luana e Juliano: o cartório de uma vara da Justiça Trabalhista.
Tudo foi observado da sala de espera, defronte ao balcão, espaço reservado que ficava na lateral de uma sala média e separada por uma divisória envidraçada.
Nada naquele outro compartimento chamaria a atenção, entre algumas mesas e armários compondo um moderno mobiliário, apoios de um amontoado de papéis, alguns computadores e outros objetos, não fosse a presença de Juliano ao telefone. O garoto, compenetrado na ligação, parecia cumprir atendimento com considerável dificuldade, dado suas constantes interrupções e consultas dirigidas à colega sentada ao lado, por naturais evidências de postura e figurino, possivelmente a escrivã juramentada.
Findo o atendimento, Juliano foi chamado àquela mesa e ficou ouvindo o que parecia um longo sermão de chefe.
Em determinados momentos colocava as mãos sobre a cabeça espalhando os cabelos e as deslizava pelo rosto rubro e preocupado. Voltou ao telefone e iniciou uma rápida ligação. Desligou e retornou com renovado ar negativo.
Um auxiliar apareceu no balcão e chamou um cliente que também aguardava e estava sentado próximo:
-- Preciso lhe pedir desculpas porque temos um imprevisto. Alguns processos de mesmo período não estão sendo localizados e o que procura está entre eles. Temos um resumo das etapas, com todas as anotações, imprimiremos do cadastro e se aguardar mais alguns instantes poderemos resolver. Tudo bem?
-- Sem problemas, aguardarei. Mas estive aqui há alguns dias e fui atendido por aquele moço, disse apontando para Juliano. Será que ele ainda não está com este volume? O atendente concordou com a cabeça e retirou-se. O homem voltou a sentar.
Cá de fora era possível perceber que dentro da sala a conversa se referia ao dossiê sumido. Instantes depois, foi impossível não lembrar da cena do restaurante pela imponente entrada de Luana naquele recinto, com meia dúzia de dossiês seguros como um bebê e que foram depositados sobre a mesa da escrivã.
Ela ficou lá revezando o olhar entre Juliano e a chefe que conferia os volumes. Braços na cintura, postura retilínea, ar de superioridade e arrogância. Os eriçados bicos dos seios, dentro de um meia-taça, pareciam apontar para Juliano como se fossem dois últimos desembargadores, aptos a anunciar os votos que decidiriam uma causa cujo relator já condenava o personagem promovido a réu ouvindo sentença de recurso.
A escrivã levantou-se erguendo o dossiê como se fosse uma “Copa Libertadores”, ganha depois de um milagre em pleno Olímpico, e o soltou nos braços de Juliano. Ele, agora pálido, chorava copiosamente. Era um choro de raiva, mas também parecia de suspiro, redenção. Saiu da cadeira, como um relâmpago, com a camisa amarrotada e já por fora das calças, e soltou o verbo com o dedo em riste, a três centímetros do nariz de Luana que, impassível, parecia vingada.
Segundos depois, com o processo trazido da sala envidraçada, o atendente chamou o cliente que concordara em esperar.
À noite, em conhecido buraco jazzístico de Porto Alegre, Juliano estava em companhia de uma bela loirinha de olhos verdes, parecida com uma dançarina de folclore alemão, trajada de forma simples e sem maquiagem, com carinha de “todo amor que houver nesta vida”.
Colorido pelos fachos de luzes azuis e vermelhas, o eclético e bom guri Milton Guedes, em temporada sulista, armado do primoroso saxofone, não poderia executar nada mais comovente, completo e intimista para colorir a cena, quanto “Just The Way You Are”, de Billy Joel. A garota, em perfeitíssimo inglês, descolava uma parte lindíssima da letra com voz adolescente e sensual: “I said I love you and that’s forever / And this I promisse from the heart / I could not love you any berer / I love you just the way you are...”
Ao fim do show, os dois já se beijavam. Sobre a mesa, nos copos, ainda brilhavam últimas gotas de whisky e reluzia o rubro de um Bitter Campari quase todo por se beber.
No dia seguinte Juliano não foi trabalhar e Luana deve ter sido chamada pela escrivã para explicar os motivos de ter encontrado tão rapidamente aqueles volumes, após ela mesma ter liderado as buscas empreendidas por dois dias consecutivos, no auge da cobrança de responsabilidade imposta ao seu colega.
Se fosse o dono deste conto apostaria todas as fichas que Luana escondeu dossiês de responsabilidade do Juliano para se vingar do que erroneamente pensou ser um assédio sexual no trabalho. E, certamente, a loirinha o ajudou a passar o episódio a limpo com ou sem carteira assinada...
Concederia à Luana a condição de afetada pelo "efeito nocebo", que se trata de ação desencadeada num indivíduo, por substância inócua, ou por substância cuja ação, teoricamente, não o deveria produzir, e cuja manifestação tem forte contribuição de fatores psicológicos.
Por Ery Roberto |
8:13 PM
Terça-feira, Junho 26, 2007
[arte digital]
AUTO-RETRATO
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Partindo-se do princípio que nem a nossa voz é igual àquela que chega aos nossos próprios ouvidos, é possível imaginar ser verdadeiro que esta premissa se projete para os outros sentidos, como a visão. Assim, qualquer auto-retrato também não reflete efetivamente o que os outros vêem.
A partir da renascença italiana, a produção destes, conscientemente, pelo artista, passou a ser cada vez mais freqüente, chegando à obsessão de um Rembrandt - quase uma centena. Na pintura brasileira, Eliseu Visconti certamente foi um dos artistas que mais se auto-retrataram. Estima-se que tenha executado cerca de quarenta auto-retratos, representativos das diversas fases de sua produtiva carreira artística.
Entre as mulheres, foi Elisabeth Vigée LeBrun (1755-1842), francesa, uma das mais profícuas e bem sucedidas pintoras da história da arte, até meados o século XIX -- período em que ainda era restrito o ingresso de mulheres nas academias -- quem mais produziu auto-retratos.
De qualquer forma, para quem não sabe desenhar ou pintar, os recursos da ferramenta Ultimate Flash Face dão chance de, pelo menos, tentar. Foi o máximo que consegui. Se quiser experimentar o seu, ou aventurar reproduzir outra pessoa, acesse este endereço. Cada componente do desenho pode ser movimentado, redimensionado em largura e altura e corrigido no quesito brilho. Um bom exercício. Eu só fiz alguns pequenos retoques no Fireworks.
A dica foi do Eduardo, do Varal de Idéias. Lá também tem o retrato dele feito pelos olhos da "polícia". Deve ter ficado mais exato, pois além dos olhos alheios, tem um coração envolvido.
Por Ery Roberto |
8:44 PM
Segunda-feira, Junho 25, 2007
[tesão tem explicação]
ESTÁ NO SANGUE
O conjunto dos fenômenos da vida sexual de qualquer indivíduo tem na libido -- que a psicanálise codificou ser energia motriz dos instintos da vida -- um elemento identidade. Diz-se, na definição da matemática moderna, que um elemento identidade, ou apenas "identidade", é aquele que numa operação binária definida sobre um conjunto reproduz outro, qualquer que seja este outro.
O sujeito já nasce com a libido infiltrada no sangue. É componente nato. Logicamente que os compartimentos biológicos, ou as fases da idade, se encarregam de conscientemente gerenciar manifestações mais explícitas. Esta regulação biológica, no entanto, não tem total domínio sobre outro elemento básico, o instinto, que se manifesta desde a infância. Costumam os pais chamarem certas exteriorizações por peraltices e alguns adultos ainda, erroneamente, as classificam como atos de má educação.
Com todos os elementos em absoluta sincronia ocorre o processo de atração, ao qual cada espécie o trata pela ativação de um sentido diferente.
Neste particular a raça humana desenvolveu seu sentido de visão. Os apelos visuais, cada vez mais ousados, acabam constituindo um fenômeno de massa. A Física explica: fenômeno de massa decorre das diferentes velocidades das moléculas constitutivas do gás e dos choques dessas moléculas com as paredes do recipiente que o contém. Se para uma criança estas "moléculas" podem estar relacionadas a inerente curiosidade que também ativa o tato como recurso para "escorar a parede", para o sujeito adulto a pressão (que, óbvio, produz uma "boa avalancha" proporcional ao nível dos apelos) é vivida também por outros mecanismos relacionados ao nível presente da sua libido. A última instância, porém, a racionalidade equilibrista, desempenha o papel de general. E convivemos bem, outras vezes não, com a "ditadura" dos conceitos culturais.
Como o tamanho maior do receptáculo aparentemente diminui a força, penso que nesta questão, por analogia, a liberdade possa ser o recipiente atual citado pela Física. É o exemplo dos jovens deste século, cujos levantamentos estatísticos mostram que o indefectível "ficar" nada mais é do que uma capa protetora que os mantém imunes da pecha de "não comerem ninguém".
Sei não, quero crer que isto explica um pouco a crescente atração das mulheres jovens por homens mais velhos... (eu poderia ter dito maduros!).
Você ainda não riu? Bom, eu cai na desgraça de reler alguns dos meus antigos compêndios de Matemática e Física utilizados na faculdade. Ando carente de assuntos, lógicas e não tenho livros novos na fila. Para ser mais exato, ninguém me presenteia com Beethoven, de Edmund Morris ou Purgatório do Mário Prata! Minha esperança é o "mês do cachorro louco" (lá vem de novo a minha fobia!). Até hoje não entendi, mas sou um leonino que quando o inferno astral se aproxima a libido fervilha. Ficarei preocupado se a seca continuar depois de doze de agosto, pois coincidentemente serei capaz de recomeçar a décima segunda incompleta releitura da Bíblia.
Acho que fiz bem em citar ao início "... numa operação binária definida sobre um conjunto reproduz outro, qualquer que seja este outro", para evitar erros de interpretação.
Continua sério? Então minha última tentativa é uma invenção. Criei o Blog Slideshow (o número zero abaixo). As crianças andam me divertindo demais ultimamente. Se ainda não for possível rir depois de clicar para ativar o objeto e acionar o play, sintonizem a TV Senado. Lá virou um puteiro, está acontecendo a maior orgia. No momento, tudo por culpa da libido incontrolável do presidente pilantra que veste o uniforme de excelência.
Ah, ia esquecendo: corrupção política conjugada com fornicação também está no sangue.
UMAS & OUTRAS
Há seis jogos do Grêmio que tento postar esta imagem.
Ufa! E com que prazer a publico hoje. Havia uma "secação" por aí que até se transformou em praga e dava conta que o tricolor perderia sete jogos seguidos. Coisa de colorados. Eles não fizeram as contas direito e erraram na tabela.
Ontem, 368º. GRENAL. Grêmio 2 x 0 Inter. As crianças continuam me divertindo!
[UPDATE - 25.jun.2007 | 19h56]:
O texto "Está no Sangue" foi postado às 12h04 e por falha da publicação ficaram suprimidas as duas primeiras frases do 4º. parágrafo, o que de certa forma deixava incompleto o pensamento sobre "apelos visuais". A correção foi providenciada a partir deste horário do UPDATE. Aceitem minhas excusas.
Por Ery Roberto |
12:04 PM
Sexta-feira, Junho 22, 2007
[para o brasil de amanhã]
REDESCOBRINDO A ESPERANÇA
 "Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar para fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica".
Foram com estas palavras que Fernando Sabino começou a escrever uma maravilhosa crônica, considerada pelos especialistas como referência do gênero, autêntica obra-prima.
Lógico que falta de assunto não devia ser obstáculo instransponível para Sabino. Bastar-lhe-ia o traveling daquela olhada para fora da sua janela e qualquer cena passaria a ser matéria-prima logo transformada em exuberante trabalho literário.
Em A Última Crônica esta frase, colocada logo no início, já é intrigante. Por usar uma oração com coordenação aditiva, é possível pensar que poetas escrevem mesmo sem ter assuntos, e, por isso são "fingidores" ("Todo poeta é um fingidor" - Pessoa/Caeiro, versos magnificamente parodiados pela ilustre revelação da poesia na blogosfera, o meu amigo Jayme Serva, em Autopsicopatia).
Minha momentânea preocupação está no fato de não ser poeta, estar sem assunto e não ter, nem para a minha mãe, o talento de Sabino e a perspicácia de Serva. E mesmo acreditando ter um tanto de "olhos de ver", ser um apostólico praticante desta benção que é sair da redoma interior e buscar os acontecimentos do mundo de fora, lugar onde estão os fatos que podem ser interpretados com lirismo e poesia, ainda encontro profunda carência. Quisera ter trazido em meu sangue o nobre talento de artistas da palavra e deste tipo de interpretação como foram Antonio Maria, Carlos Drummond e Paulo Mendes Campos.
Ah se soubesse retratar as nossas situações cotidianas mais importantes com humor! Infelizmente o mais próximo que cheguei de Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, foi sermos funcionários do Banco do Brasil. Ele em uma época, eu em outra. Luis Fernando Veríssimo ainda me deixa mais humilhado: além da crônica humorística toca saxofone e até já enfrenta uma crise interior que deve ser uma delícia, ou seja, "tenta descobrir o que é melhor continuar fazendo", se literatura ou música. Faça as três Veríssimo: música, crônicas e "continuar fazendo"!
Sobrou a terceira forma, a crônica-ensaio, aquela onde é possível extravasar, por exemplo, as grandes indignações. Estas periodicamente me obrigam a escrever aqui sobre política. Quando consigo alivio-me tanto a ponto de me sentir como alguém que vence a obesidade. Ou, melhor, como se fosse um vômito depois de um porre daquele que faz a cabeça não parar de rodar. O problema é que estou quase decidido a parar de beber esta aguardente fabricada no grande alambique do Planalto. Ela está destruindo meu fígado. Depois, esta nossa realidade cultural, social e ideológica já é por demais bem fotografada, pintada, coreografada e ferrenhamente criticada com a classe do pensamento, letras e voz de Arnaldo Jabor.
Se conseguisse ao menos mesclar o ensaio com a ficção, teria uma boa saída. Mas para que isto fosse bem feito teria que ter sido aluno do nosso catedrático Nelson Rodrigues.
Ademais, a grande ficção que todos pensavam fosse o Brasil definitivamente se transformou em realidade. Toda mentira já é verdade. A canalhice agora é virtude, símbolo de resistência. Nada mais precisamos inventar para fazer a imaginação se divertir. Temos o teatro diário da mais perfunctória concretude.
Se resolvesse escrever crônica esportiva precisaria morar em São Paulo, Rio, BH ou Porto Alegre, porque fora destes o assunto motiva pouca gente. Aqui permeia, sobretudo, a falta de ética. O futebol do Paraná com Petraglias, Oinareves Mouras e Gionédis, fede como lixões e o bairrismo da crônica especializada nem os nativos suportam. Acho que afastaria de vez os meus cinco fiéis leitores, da mesma forma que os três cavaleiros do apocalipse futebolístico afastaram os torcedores dos nossos estádios.
Quase decidi. Vou esquecer tudo. Fecharei o blog.
Todavia, lembrei de um ocorrido que me emocionou. Afinal, se eu parar de escrever isto vira um barraco esquecido e vai ficar aquele ar de abandono ou fastio.
Vocês devem estar pensando, com aquela nossa velha mania de querer passar adiante do texto, que eu ganhei na loteria, ou fui bem sucedido na proposta para o quarto casamento (calma, também não tenho nada com Vinicius de Moraes -- uns dizem que foram nove outros dizem que foram dez, ou Chico Anísio), que ganhei um emprego de quatorze mil reais por mês, ou consegui vender centenas de cabeças de gado para os mesmos compradores do Renan Calheiros.
Nada disto. É que outro dia fui intimado a ficar "tomando conta" de três crianças desconhecidas. Quase puseram a casa abaixo em três minutos. Eu tinha que inventar alguma coisa para aquele trio explosivo a qualquer custo. Imediatamente lembrei de um texto que havia lido em um blog dois dias antes. Cliquei no link e abri uma página que para qualquer criança não é nada atrativa porque não tem figurinhas coloridas, desenhos ou joguinhos convencionais. Chamei-as e comecei a ler um poema.
A sonoridade existente na construção das palavras, compostas em ritmo de música, como uma canção infantil, as fizeram parar quando por mim recitadas com um acréscimo gestual. Foi incrível o silêncio que assumiram. Nem a natural curiosidade por querer operar o PC elas manifestaram.
Quando cheguei ao fim, temi. Restava uma meia-hora de cuidados. Enquanto ainda lia já tinha me perguntando interiormente o que faria depois que o post acabasse. Tive uma grata surpresa. E foi minha emoção. A loirinha, a mais esperta de todas, me pediu sorrindo: "Tio, lê outra vez?!".
Atendi e ela foi decorando algumas palavras, principalmente a última de cada estrofe. Quando repetia, dava pulos e batia palmas. As outras duas começaram a se entusiasmar. Ao fim de tudo, depois de ter lido mais de dez vezes, sua mãe rendeu o meu míni turno e elas saíram correndo pelas calçadas ainda saltitantes pelo efeito daquela leitura.
Deus meu, pensei! Está aí a única esperança que nos resta: investir na educação das crianças, acostumá-las ao gosto pela leitura com uso do lúdico, orientá-las na ajuda da construção de sua personalidade e principalmente fazê-las desenvolver sua visão de realidade da forma mais ética e leal possível. Assim, um dia, no futuro, este país reencontrará a sua verdade.
Renovei-me. Não devo parar de escrever. E se possível fosse contrataria o Lord, o autor do poeminha (coloco no diminutivo por ser escrito para crianças) Playing With Words , para ser meu guru. Bem verdade que já existem ele, o Ziraldo e o Maurício de Souza. Mas, para crianças, quanto mais, melhor.
Por Ery Roberto |
3:28 PM
Terça-feira, Junho 19, 2007
[orwellianas]
O GADO NO PLANALTO
-- Sempre te falei: "antes mesmo daquela revolução, eu já achava o Porco um cara muito perigoso!"
-- Por que?
-- Intuição bovina!
-- Eu já acho que a cagada maior foi ter deixado um Jegue tomar conta de tudo isto...
-- O interessante é que os Tucanos sumiram, percebeu?
-- Os bicudos nunca se beijam e também mentem demais, só para manter a aparência da intelectualidade. E se odeiam.
-- Sabe de uma coisa? Vamos embora antes que pensem que este cheiro de carniça está em nós. Lá dentro já está cheio de Urubus.
-- Eu tenho medo das Cobras.
-- Que nada! Agora só estão mordendo os Veados.
-- Vamos. Lembra daquela canção do velho Major? Vou tentar mudar a letra e o ritmo para samba.
-- Vamos e é melhor mudar de assunto. Lembre que você pode estar com os chavelhos grampeados.
Por Ery Roberto |
5:48 PM
Segunda-feira, Junho 18, 2007
[experiências]
A INCOMPLETEZA NOS LIMITA A AUTONOMIA
 Neste último final-de-semana bateu-me uma tristeza. Obriguei-me a alterar a rotina porque havia combinado um compromisso familiar que, por circunstâncias muito duras, acabou não acontecendo. Bom dizer que não fui o motivo, embora até tivesse um e bem frustrante, mas, como sempre e por vezes obrigado, superei-o a qualquer custo. A impossibilidade decorreu por culpa de problemas inerentes a outras pessoas sobre as quais não tenho poder e que eram imprescindíveis para a realização do objetivo.
Vencida a decepção inicial, apesar do esforço, restou uma tristeza profunda e persistente que alagou o meu domingo.
Por horas fiquei só e aproveitei o tempo, depois de colocar em dia as respostas dos últimos comentários por aqui, para "relaxar" (da maneira convencional, é bom que se diga) a cabeça e fiquei viajando como há muito não fazia. Foi bom.
Durante este intervalo li um artigo da Revista Filosofia - Ciência & Vida - Editora Escala. Tratava do conhecido Teorema da Incompleteza de Gödel. Ele nutria profunda admiração por Leibniz, o inventor do sistema binário -- linguagem natural sobre a qual se baseia todo computador moderno -- e esteve muito próximo de Einstein. Este triângulo demonstra que o trabalho dos três é responsável por muito da realidade cotidiana que vivemos. Eles, com suas indagações filosóficas possibilitaram não só o desenvolvimento de tecnologias sem as quais viveríamos diferentes como também nos mostraram suas limitações.
É interessante observar que tanto o Teorema da Incompleteza quanto o sistema binário foram desenvolvidos dentro do campo da lógica com o objetivo de atingir sua sistematização.
Leibniz partiu da idéia de simplificação do sistema decimal. Assim, da mesma maneira que 178 pode ser escrito como 1x100 + 7x10 + 8x1 (uma centena mais 7 dezenas e mais 8 unidades), a maneira mais econômica de se escrever um número (econômico, no sentido de quantidade de símbolos diferentes a serem empregados) é obtida ao usarmos no lugar de dez sinais diferentes (0 a 9) apenas dois (0 e 1).
Podemos assim mostrar que 178 = 1x128 + 0x64 + 1x32 + 1x16 + 0x8 + 0x4 + 1x2 + 0x0 = 10110010, em que escrevemos apenas os dígitos que multiplicam as potências de 2 (2,4,8,16,32,64,128). Se desde cedo tivéssemos aprendido o sistema binário, leríamos qualquer número com a maior facilidade, ou seja, com a mesma que nos faz lê-los no sistema decimal.
A razão pela qual os computadores usam o sistema binário é simples: os chips são dispositivos que detectam impulsos elétricos em sua forma mais simples: a passagem (1) ou não (0) de corrente elétrica pelo circuito. Assim, para um chip o número 178 é visto como uma seqüência de sinais elétricos que ora se faz presente, ora não.
Já Gödel quis subverter a hipótese do matemático alemão David Hilbert acerca da "completeza" da Matemática. Uma área da Matemática é dita "completa" se para toda proposição feita for possível dizer se ela é verdadeira ou falsa baseando-se apenas em axiomas daquela área.
Por exemplo: todo número primo, com exceção de 2 é ímpar. A prova é simples: se um número primo fosse par, então ele seria divisível por 2. Sendo divisível por 2, ele não pode ser primo (números primos só são divisíveis por si mesmo e por 1). Portanto, para ser primo ele tem que ser ímpar.
Gödel mostrou que, em qualquer ramo da Matemática, sempre haverá proposições cuja veracidade não poderá ser provada usando apenas regras e axiomas daquele próprio ramo.
É possível provar que uma proposição da Geometria é falsa ou verdadeira com novas regras e axiomas trazidos de outro ramo da Matemática, como a Álgebra, por exemplo. O que se consegue, então, é apenas criar um novo ramo da Matemática chamado "Geometria Analítica", na qual ainda haverá dependência de regras de um sistema mais amplo para que se prove uma proposição e assim ad infinitum.
Se ao invés de Matemática tratarmos por "Sistema Lógico Formal", teremos a generalização da sua teoria para outros ramos do conhecimento.
Isto sepulta a afirmativa que um dia será possível criar um computador que responda corretamente toda e qualquer pergunta que possa surgir. Na lingüística estudiosos usam este resultado para argumentar sobre o poder da linguagem em criar novas maneiras de expressar novas idéias. Na área da Cognição, pode-se argumentar que nunca uma pessoa será capaz de entender a si mesma. Se a mente é um sistema fechado e tudo aquilo que pode saber sobre si baseia-se naquilo que sua própria mente já sabe, essa seria a razão porque nunca conseguiremos entender a mente humana, uma vez que só podemos estudá-la com o auxílio do nosso próprio intelecto.
A pergunta cuja resposta ainda não apareceu, é se o teorema de Gödel se aplica aos seres humanos. A teoria é sempre razoável, mas quem a glorifica ou não é a experimentação prática.
O incrível é sentir, com algum conhecimento, como certas teorias que levaram a grandes revoluções têm sua origem em princípios simples porque completamente seguros pela lógica formal. Nunca é demais afirmar que na solução de nossos problemas, via de regra, instintivamente ou não, menosprezamos a lógica.
Depois disto, mandei a tristeza passear. Se Querer é um Poder, Não Fazer é "não" Poder. Logo, Querer é "não" Não Fazer. Como em lógica matemática "não" não é igual a sim, Querer, para ser Poder, sempre será Fazer.
Hoje, acabei sendo vítima do "Não Querer". Sem querer não pude. Mas restou o consolo da Incompleteza.
Por Ery Roberto |
8:54 PM
Sexta-feira, Junho 15, 2007
[direito de resposta]
VILIPENDIOSO E REVOLTANTE
| BULA DESTE POST
COMPOSIÇÃO: Adrenalina pura e Revolta em alto teor.
PROPRIEDADES FARMACOCINÉTICAS: O texto poderá ser bem absorvido se o leitor costuma acompanhar os "improvisos" maléficos do comandante em curso e que menosprezam a inteligência, atacam os ouvidos e produzem indignação.
É recomendável administrar a leitura enquanto se ouve a música "EMBEDuzida" através do objeto ao final do post.
INDICAÇÕES: "Vilipendioso e Revoltante"® é indicado a todo cidadão antenado na conjuntura social e política do país e sensível aos desmandos e à verdadeira orgia verborrágica produzida pelo poder, visando desviar a atenção popular das pandemias mais agravantes e que são tratadas nos bastidores apenas como simples e passageiras alergias.
POSOLOGIA: Dose única. O texto só parece longo, mas é absorvido naturalmente sem necessidade de qualquer esforço adicional. A música pode ajudar no relaxamento apropriado. A impossibilidade da execução da melodia, por qualquer motivo, não invalida os efeitos do post. Neste caso, apenas concentre-se e pense no poder da expressão "Vai Tomar no Cu".
CONTRA-INDICAÇÕES: Não há.
EFEITOS COLATERAIS: Poderá produzir uma grande vontade de abrir o Sistema de Comentários. Eventualmente poderá causar certa timidez ao escrever alguma impressão a respeito, pela vontade de uso de termos diferentes, o que poderá ser evitado com a normal aplicação de vocábulos corriqueiros, sem especial preocupação com palavrões ou expressões chulas. Vivemos numa democracia que ainda não cassa a liberdade de expressão, embora já pratique a censura através de subterfúgios como "NÃO INDICADO PARA MENORES DE TANTOS ANOS".
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"A gente volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora."
[Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio, ao fazer campanha para eleição
do Cristo Redentor como nova maravilha do mundo, em 14.06.2007.]
Senhor Presidente,
Quando esta sua frase foi proferida e completada com a citação que outros povos não falam mal de seus países, supondo que só os brasileiros têm este costume, ficou explícito que V. Exa. quis afirmar que somos os culpados pela imagem do país no exterior.
Pois bem, Senhor Lula. É impressionante sua retórica ser utilizada como subterfúgio para desviar as atenções dos mais relevantes e urgentes problemas do Brasil e fica claro que, em ocasiões um tanto informais, como esta que se tornou cenário para sua fala, o seu paupérrimo e lastimável improviso sempre causa espécie e indignação a milhares de patriotas espalhados por todo chão verde e amarelo.
Permita-me, distinto comandante, sua condição de aprendiz de estadista não lhe confere a visão que alcançaram grandes homens públicos. Talvez, se não por demagogia (aqui em sua definição familiar - "Afetação ou simulação de modéstia, de humildade, de desprendimento"), sua patente de ignorante da história não lhe permita conhecer, por exemplo, o pensamento de Woodrow Wilson, professor-patrono da Universidade de Princeton, autor de inúmeros livros e ex-presidente dos EUA (1913-1921): "Estadista é aquele que interpreta e defende o interesse do Estado, e político é aquele que defende o interesse do partido".
Mas, por conseqüência da obrigatoriedade do conhecimento histórico exigível a um grande líder e em consideração a um grande patriota, o senhor devia ao menos ter lido Rui Barbosa. Em tom mais nacional, crítico e irônico, ele disse: "Toda capacidade de nossos 'estadistas' se esvai na intriga, na astúcia, na cabala, na vingança, na inveja, na condescendência com o abuso, na salvação da aparência, no desleixo do futuro".
A história está repleta de outros incontáveis belos exemplos de pensamentos de homens públicos honrados e inteligentes, principalmente quando se trata de conceitos emitidos na direção da defesa patriótica e da nobre virtude de um líder que se materializa pelo ato de "saber assumir as responsabilidades". Mas, infelizmente, o Senhor não conhece a história. E nem mesmo sua aparente sinceridade no usual "Eu não sei de nada!" justifica esta carência.
É preciso que compreenda, Senhor Lula, que a "boceta de pandora" é a incompetência do sistema político do qual o senhor é hoje um grande representante.
Somos uma nação que, segundo o nosso grande sociólogo Gilberto Freire, tem tudo para progredir, mas que pelo desgoverno e descontinuidade de sua política deixou-se atrasar em pelo menos 50 anos em relação aos países do Primeiro Mundo.
Tenho certeza que à época desta afirmação de Freire todos os casos de corrupção deslavada, desmandos, espionagem política, desvio de dinheiro público, mensalões e mensalinhos, enriquecimento ilícito de governantes e filhos de governantes, absolvição coorporativa de congressistas que usam crachá de ladrões, propinas do orçamento, caixa dois do partido situacionista, falta de decoro, caos da saúde -- que o Senhor acha que é quase um serviço de primeiro mundo --, apagão aéreo, desmatamento da Amazônia para plantação de maconha em terras de União, insegurança máxima pelo poder do crime organizado e outras tantas feridas que continuam abertas e escorrendo o pus que denuncia a infecção da incompetência e da impunidade, estavam apenas parcialmente contempladas.
É preciso lembrar, também, que na medida das conveniências o senhor diz que tudo isto "começou em governos anteriores". Daí compreendermos um tanto do seu improviso no Rio, aos pés do Cristo, que, paradoxalmente, estes mesmos brasileiros tão culpados pela imagem do Brasil lá fora estão votando e torcendo para que se torne um símbolo do mundo. Não esqueça de colocar em suas "Memórias", se o monumento for eleito, que à época o Senhor era o Presidente. Mas também poderá escrever, sem rodeios, que quem lhe sucedeu foi eleito com maior consciência por este povo tão culpado.
Senhor Presidente, a maior parte dos 53 milhões que lhe elegeram não tem culpa alguma. Eles são miseráveis. São vítimas. Foram magnetizados pelo "batrachium kanthós" pensando que ouviam o "Canto da Sereia" e depois descobriram que se tratava do "Canto do Cisne". São brasileiros que interpretaram as promessas como resgate e não como esmolas rotuladas de "bolsa hífen necessidade". Eles estão, prioritariamente, preocupados com sua situação de desgraça e com a visualização do caminho da redenção. São trabalhadores da informalidade, porque não existem os milhões de empregos das suas campanhas. São homens, mulheres e crianças que jamais saberão o valor da pompa e circunstância das gastronomias do poder, pagas com o dinheiro público -- vaidade que o Senhor também estranhou quando era povo, mas que agora já deve ter se acostumado e não consegue ficar sem elas. São pessoas simples, sem saúde, sem escola, sem segurança pública, sem previdência, sem despensa, sem guarda-roupas.
Este povo desconhece até o que se passa nos subúrbios do seu governo, o que acontece no País, porque não tem informação. São excluídos, não lêem, não vêem noticiários, dormem cedo para acordar cedo, driblar as balas perdidas e tomarem transporte coletivo para viajar ao trabalho de dez ou doze horas. São pais conscientes de seus filhos não serem culpados pela imagem que terceiros façam deles quando eventualmente descambam para os caminhos tortuosos, para as armadilhas do tráfico, porque têm a clareza da luta travada para educá-los, cientes de haverem defendido os memoráveis princípios de justiça e demais valores imprescindíveis à boa convivência em qualquer circunstância. É a luta pela honra que falta ao poder.
Senhor Lula, começa a ficar repugnante ouvir o Senhor dizer que conhece bem o seu povo. Sua descompostura verbal em muito reporta-nos à perda de memória a que são acometidos indivíduos vítimas de situações temulentas, após intensa orgia regada a poderosas aguardentes e na qual há uma posterior e inevitável crise de ressaca moral.
Espero, Senhor Presidente, que passado este interstício de enfado, desse cansaço provocado pela exorbitância da desastrada retórica típica de porre de festim licencioso, o Senhor possa refletir e compreender que o primeiro mundo sabe -- e muito bem -- fazer leituras da realidade. Se necessário, e munido de toda informação infalsificável, poderá, melhor do que ninguém, reconhecer a inocência do povo brasileiro. E lhe absolverá. E condenará a elite política cuja ficha criminal, mesmo dobrada ao máximo, não cabe numa cueca sem dólares escondidos.
Tome cuidado, caro Lula, não deixe seu ímpeto se transformar em vesânia. Deus disfarçado nem Nietzsche, "pois já dentro da loucura, quando cambaleava pelas ruas de Turim a sussurrar aos ouvidos dos passeantes: 'sou um deus disfarçado! ', viu um dia um cocheiro zurzir um cavalo com tal descompaixão que, em plena vesânia, se agarrou a chorar ao pescoço do animal, num protesto convulso." [José Gomes Ferreira, O Mundo dos Outros, p. 127].
Passe bem, Senhor Presidente.
POST-POST (que segundo um entendido desta arte, abaixo citado, pronuncia-se póst-poust)
Prometo que vou preparar um super post sobre a expressão "Vai Tomar no Cu". Quando conheci a Cris Nicolotti pensei que ela poderia fazer coisa melhor. Até critiquei, reconheço. Mas foi apenas uma passageira recaída moralista. Agora, acho que ela "não poderia ter feito coisa melhor". Porque mandar, com música, quem merece, "Vai Tomar no Olho do seu Cu" é regenerante, desabafante, fórmula de reequilíbrio perfeito para quem é ofendido por saraivadas de execráveis hipocrisias. Maravilhoso. Reconfortante.
Viva a pluralidade libertária da amantíssima língua portuguesa! Harmoniosa! Salve a Última Flor do Lácio. Viva os gregos, os romanos, os franceses, todos os latinos e tantos outros povos que colaboraram para a formação do nosso idioma. Pois eles sabem que temos uma das mais lindas línguas do mundo. Eles sabem que o brasileiro ama com fé e orgulho a terra em que nasceu.
POST-POST-POST (este pronuncia-se póst-póst-poust, segundo o mesmo expert)
[Eu estou ficando parecido com o Milton Ribeiro com estes tais "post-posts" e com a Meg no tamanho dos seus belíssimos textos e inimitáveis comentários. Ainda bem que consigo copiar os bons! O primeiro até já declarou publicamente que "eu aprendi com ele". Que beleza!]
SENHOR, LIVRAI-NOS DOS CHATOS. AMÉM.
Abro um jornal curitibano e descubro que ontem, 14.06, foi dia do aniversário de Dalton Trevisan, nosso genial fabro, para concordar com as palavras do jornalista Fábio Campana. Este, por sinal, faz em sua crônica magistral referência a uma das obras-primas do "Vampiro de Curitiba":
"Livra-me dos chatos e Te agradecerei, oh Senhor. Rouba-me o emprego, planta-me em cada dedo a Tua unha encravada, mata-me de morte lenta e dolorosa, mas livra-me dos chatos. Há chatos demais, Senhor, nesta Tua cidade. Cobre a minha cabeça de piolhos, arranca-me os meus olhos das órbitas, Senhor, mas livra-me dos chatos".
Prossegue Campana, admirado que Dalton escreveu isto quando boa parte dos chatos de hoje nem tinha nascido e se reproduzido aos milhares nesta nossa cidade. Hoje temos chatos de novos tipos. Mas os piores, sem dúvida, habitam a política e os seus arredores, inclusive a crônica, onde surgiu o chato fiscal dos cronistas, aquele que se corrói de pura inveja e incapaz de produzir algo que vá além da mediania, derrama sua bílis sobre os que têm talento.
Retorna à prece daltonista:
"Eles podem mais que Teu rum da Jamaica, que Teu éter sulfúrico. De Curitiba fugiram os Teus anjos. Senhor e, se fugiram, eles que eram anjos, o que será de mim?"
Há chatos demais nesta cidade, neste país, nesta vida. Concordo com Campana. E imbatíveis são aqueles que se levam à sério, que se acreditam heróis (eu acrescentaria, "aqueles que se disfarçam de Deus"), que se alardeiam sem pecados, sem fragilidade, e fazem de seus cargos e da pompa do poder a justificação para uma existência medíocre.
Precisamos orar, como fez Trevisan, para que o verdadeiro Senhor nos livre dos chatos que se acreditam salvadores da Pátria, que se arvoram como os pobres que venceram na vida sem estudar, e, principalmente, daqueles que sendo desta estirpe os descobrimos bipolares em suas ações de teoria e prática, na mais perfeita configuração comportamental do brasileiríssimo tão conhecido como "malandro-agulha".
É preciso não esquecer, também, de agradecer ao Senhor pela vida de Dalton Trevisan, pedindo-lhe ainda muitos anos entre nós, com a fartura de sangue necessária à inspiração magnífica deste vampiro das letras, pois a existência da sua obra é um tônico que nos fortifica para poder agüentar os chatos de todos os cantos deste rincão.
[UPDATE - 15.06.2007 | 19h32] -
[+] - A luta pelo "Renancimento" de Calheiros - penúltimo episódio.
Por Ery Roberto |
3:08 PM
[antigos cartões postais]
SAUDADE, A IDADE DA MEMÓRIA
"Saudade! és a ressonância
De uma cantiga sentida,
Que, embalando a nossa infância,
Nos segue por toda a vida!"
[Da Costa e Silva, Pandora, p. 83]
Rua Direita - São Paulo - Cartão Postal de 1928
Do lado direito
Da Rua Direita
Olhando as vitrines coloridas
Eu a vi
E quando quis me aproximar de ti não tive tempo
No movimento imenso da rua eu lhe perdi
E cada menina que passava
Para o seu rosto eu olhava
E me enganava pensando que fosse você
E na Rua Direita eu voltarei pra lhe ver...
[Do Lado Direito da Rua Direita, Antonio Carlos e Jocafi]
Por Ery Roberto |
2:34 PM
Quinta-feira, Junho 14, 2007
[lulês de A a Z]
VOCABULÁRIO DO LULA
"o Lulês não é para ser entendido, mas é
salutar que seja explicado".
CUCUIA
[Elemento subst. fem.
Usado na antigüidade na locução "ir para cucuia". Veja o verbo morrer.]
Forma que adquire parte do traseiro dos passageiros que ficam esperando as naves nos aeroportos brasileiros. De tanto "relaxar e gozar", a região anal adquire a forma de cuia. Daí a expressão cucuia.
- Regionalismos aplicados à CUIA (fruto da cuieira)
-MG - meretriz
-RS - A cabaça, quase sempre ricamente prateada e lavrada, em que se prepara e se bebe o mate por meio de uma bombilha.
Comentário:
Como se vê, o Lulês procura preservar coerência das ligações morfológicas na construção dos seus vocábulos. O sentido de prazer contido na expressão da esdrúxula-sexóloga-ministra Marta Suplicy, ou seja, o "gozo" (nem que seja por esperar), remete-nos ao prazer de sugar a bombilha gaúcha para absorver o mate quente, que normalmente é praticado em rodas (chamadas de rodas de chimarrão). Como uma certa aglomeração que converge para uma só vontade pode levar ao sentido (intenção, prática) de orgia, suruba, a construção acaba ganhando no regionalismo mineiro uma boa explicação para "meretriz".
No recurso histórico-político do PT podemos ilustrar certos aspectos do binômio "intenção-prática". Fora do governo, ou seja, na intenção, "relaxar" com a adminstração pública e "gozar" da boa vontade popular sempre foi um vício das elites políticas de outrora. Já na prática, ou no exercício do poder, o sentido "relaxar e gozar" é um recurso plenamente utilizável para justificar a inoperância com uso do sarcasmo e da cara-de-pau.
Convenhamos, é uma língua coerente! Um dia o Lulês pode acabar com o Português.
Por Ery Roberto |
10:47 PM
Quarta-feira, Junho 13, 2007
[crônica da não convivência]
DIÁRIO IMUNOLÓGICO DE UMA VÍTIMA DO CÃO
Minha história com cachorros sempre foi desastrosa. E sou um sujeito esforçado em fazer amizades. Nunca desenvolvi comportamento radical a exemplo de maltratar os bichos só porque eles não me acham bonito, mas criei reservas com qualquer cão conhecido ou não que eventualmente cruza o meu caminho.
Apesar do nome, sintam o contra-senso: Beethoven, um daqueles buldogues baixinhos e carrancudos, me fez desistir da primeira escola de música. Existe coisa mais "genial" do que um cão temperamental guardar um conservatório?
Eu chegava meia hora antes da aula começar para entrar na companhia de mais alguém. Sozinho não encarava. Depois que estávamos todos lá dentro, em plena execução, o sacana voltava mansinho para escolher por qual perna iria "se apaixonar". Numa tarde cheguei atrasado e tive de enfrentá-lo. Pisei no primeiro degrau e ele avançou. Recuei e me atacou. Babava. Virei as costas e fui procurar a escola do primo da minha mãe. Um cão me fez trocar o piano afinadíssimo da Profa. Raquel pelo acordeão velho e desafinado de Mestre Arlindo. Eu tinha 8 anos.
Chede, nosso único cão, teve raiva, mordeu meu pai e ganhou bilhete azul por insistência da minha mãe.
Tigre, o companheiro inseparável do meu avô, conhecia todos os netos. E não eram poucos. Quando em férias cheguei ao sítio e ele estava sozinho, cuidando da casa, não me deixou entrar nem digitando todas as senhas. Parecia ter deletado seu banco de dados. Tive que esperar por quase duas horas, sentado sobre a mochila, à beira do rio, morto de frio, até que minha avó voltasse de um funeral. O caseiro estava no boteco e meu avô havia viajado.
Certa vez fui passar uma temporada na casa de praia de um amigo. Tremi quando fui apresentado ao Kirk, um belo filhote de dobermann, já crescidinho e aparentemente dócil . Dias depois, querendo agradá-lo em uma brincadeira, ganhei o primeiro arranhão e me arrependi de não ter levado a barraca para, acampado, continuar desfrutando tranqüilamente do verão no litoral catarinense.
Quando ia visitar meus dois tios em Paranaguá, um trio de vira-latas encurtava a permanência e às vezes me fazia recusar o café.
Tinha um pastor alemão na casa de um caso que achava que eu era judeu. Devia ser o espião do ex-marido dela. Nunca consegui relaxar com aquele Geisel me fitando de longe, como que a censurar tão boas intenções. Quando certa noite me abocanhou pelo calcanhar, ferindo com gosto, decidi pelo exílio e só voltei quando a moça mudou para um apartamento e ganhei anistia pela obrigatoriedade dele ter ido para outra casa.
Fui vítima de outras tantas situações indigestas que me fazem evitar amizade com essas feras.
No dia 4 de fevereiro último, um domingo, fui parar no hospital. Voltava por um caminho rotineiro e quando virei à esquina, quase encostado a um muro, fui surpreendido por um desses cães vagabundos que não tem um dono e vivem de sexo e latas de lixo pela periferia. Era preto. Grandalhão. Guapetão. Olhos vermelhos. Pêlos escorridos e sem brilho. Sujo. Fétido. Passei a acreditar que o diabo não tem chifres, só rabo. E ereção contínua.
Levei uma bela mordida na coxa esquerda. Fui encaminhado para a primeira das cinco doses da anti-rábica no outro lado da cidade, perdi o futebol, durante um mês tornei-me habitué de dois postos de saúde para completar as doses e ganhei uma "charmosa" cicatriz escura.
Disseram-me que mordeu mais algumas pessoas e alguém, com raiva, o matou. Mas não me tranqüilizo, acho que ele volta. O capeta tem muitas vidas.
Outro dia, quando ainda estava verão, um amigo me viu de bermuda e ensaiou um novo apelido: "Angélico". Eu preferia que fosse Huck.
Vocês entendem porque acho que o capeta é o cão?
Acho que vou me mudar. Sou vizinho da Arena da Baixada. Um meio-estádio conhecido também por "Caldeirão do Diabo". Ali joga o Furacão, maior adversário dos "Coxas-brancas" [¹]. Tudo a ver: Caldeirão, do Huck (lata velha), do Diabo, do Cão...
Pior que a Branca, uma graciosa poodle, há cinco anos animal de estimação da minha filha, sempre dócil, brincalhona e obediente, anda me estranhando. E só a mim. Se lá chegar um desconhecido ela corre pra abraçar.
E por falar em futebol, o Coxa mandou embora o treinador Macuglia -- conhecido por "comedor de chicletes" -- e trouxe René Simões. Este, pelo menos tem música no nome: Ré e Si. Só espero que ele seja competente e tire nosso time desta fase que já está dando "dó", porque a Série B também é um inferno. Mas, se um dia o time substituir mascote, que é um "vovô", por um "cachorro", eu paro de torcer e adoto uma tartaruga.
[¹] - Assim são chamados os torcedores do Coritiba, o alviverde do Alto da Glória.
Por Ery Roberto |
6:01 PM
Terça-feira, Junho 12, 2007
[new7wonder]
CRISTO REDENTOR
Até o final do mês de junho você ainda pode votar. Clique na imagem e vá até ao site www.votecristo.com.br. O Rio merece. O Brasil merece.
Se quiser um selo com o nome ou logo do seu blog mande um e-mail.
[UPDATE - | 12.06.2007 | 18h30 ] -
DIA DOS NAMORADOS
Milton Ribeiro vem aqui e diz, nos comentários, que esperava me encontrar "todo apaixonado" e que "deveria deixar o Cristo para amanhã". É preciso explicar.
Claro que hoje é um daqueles dias em que a cabeça faz um giro de "um pi.r", ou cento e oitenta graus como queiram, e eu fico lembrando dos primeiros anos da juventude. Da primeira namorada. Do primeiro presente dado e recebido. E não se trata de ser apenas saudosista, mas principalmente romântico.
Eu devo reverência à minha primeira namorada. E talvez ela não tenha esquecido que me ensinou muitas coisas em tempo relativamente curto. Ainda éramos adolescentes, mas ela mais vivida. Sabia mais da vida, aprendera a se virar sozinha por circunstâncias e porque gostava de viver tinha prazer absoluto pelas coisas da idade.
Jamais se magoava, embora tivesse um temperamento forte. Era ousada e auto-suficiente para algumas questões relativas da idade, especificamente quanto à liberdade que nossos pais faziam questão de medir. Era uma dançarina e tinha perfeita intimidade com um tal de rock'in roll, a quem me apresentou e fez questão que tornássemos três.
Num dia como hoje, no ano de 1969, ela me levou a um baile pela primeira vez. A cumplicidade da minha irmã me permitiu fugir de casa às dez da noite. Eu estava praticando ousadia sem limites pela primeira vez, aos dezesseis anos. Pra minha namorada tudo era normal, já tinha quase dezoito e não tinha em casa a figura "poderosa e cerceadora" de um pai. Mas eu fui. Não esqueço, por mais que ainda passem muitos anos, pois a magia e o intenso romantismo daquela noite serão sempre maiores do que a dor da surra que levei ao chegar de madrugada, quando todos, sem exceção, me esperavam ao portão de casa.
Ainda lembro da minha irmã me confessando: __ "Nunca mais vou apanhar por sua causa!".
Foi uma relação maravilhosa onde principalmente aprendi a não cultivar mágoas. Cidinha era assim. Quando lhe telefonei no dia seguinte, contando tudo que acontecera, ela simplesmente me disse: __"E porque você não vem para cá?". É claro que fui. E saí, à tarde, no meio de uma reunião familiar, convocada para discutir as "irreverências" da noite anterior.
Depois que terminamos, surpreendi-me ao sentir que Cidinha continuava me tratando exatamente igual nos encontros da escola. Tinha o mesmo sorriso. Tinha a mesma atenção, consideração e respeito. Sempre quis saber por onde eu andava sem nunca interferir. O destino nos reservou caminhos distintos, mas algumas coisas nos aconteceram iguais. Filhos, casamentos desfeitos, aventuras. Todavia, os atalhos existem para que os utilizemos. Este caminho fora da estrada comum nos permitiu um grande reencontro.
Foi um tempo muito melhor, suficiente para que concluíssemos tudo aquilo que não havíamos dito, feito, vivido. Estávamos na mais absoluta maturidade, mas saímos por aí feitos dois felizes adolescentes daqueles irresistíveis anos dourados...
Dela eu guardo um acróstico feito em inglês (a danada foi morar no exterior e deu aulas da língua), uma declaração magnífica de um amor que jamais se dissolvera com o tempo. Nunca mais nos vimos, nunca tive outras notícias. Deve ter voltado para a Holanda.
O que devo responder ao Milton é que ainda não tinha escrito nada sobre o Dia dos Namorados porque lembranças como esta e outras tantas, envolvendo outras grandes mulheres, eu as tenho todos os dias, o que me faz ser um apaixonado contínuo. A paixão absoluta, no entanto, aquela em que todos os capítulos de uma grande história, por mais que reescritos conservam o mesmo encanto, capazes de se transformar em afeto permissivo de convivência comum, "... como um raio de sol / Que aquece e tira o medo / De enfrentar os riscos, se entregar..." permitindo concluir que "... Amar é envelhecer querendo te abraçar / Dedilhar num violão / A canção pra te ninar", eu sonharei sempre.
Talvez seja porque não sei viver sem sonhar.
Feliz Dia dos Namorados. Uma felicidade que tenha o delicioso sabor do "sempre aprender".
Por Ery Roberto |
3:03 PM
Sexta-feira, Junho 08, 2007
[momento drummond]
LAGOA
[Composição gráfica em Fireworks 8 com uso dos plugins Eye Candy 400, Alien Skin Xenofex2 e Splat LE]
|
Eu não vi o mar.
Não sei se o mar é bonito,
não sei se ele é bravo.
O mar não me importa.
Eu vi a lagoa.
A lagoa, sim.
A lagoa é grande e calma também.
Na chuva de cores da tarde que explode,
a lagoa brilha,
a lagoa se pinta
de todas as cores.
Eu não vi o mar.
Eu vi a lagoa.
[Carlos Drummond de Andrade] |
Por Ery Roberto |
7:00 PM
Quarta-feira, Junho 06, 2007
[mundo corporativo]
E AGORA JOSÉ?
Minha empresa costuma premiar funcionários participantes e criativos. Boas idéias valem dinheiro.
Recentemente a Diretoria de Serviços lançou um desafio para que estudássemos alternativas e sugeríssemos a simplificação de uma burocrática rotina na área de atendimento interno, coincidentemente onde estou lotado.
Neste setor somos cinco funcionários. Todos afinados e excelentes amigos. Eu sou o mais velho. Como eu, os demais são dedicados e formamos uma excelente equipe. Além disto, nossas rotinas são fundamentais para os demais setores desempenharem suas atividades com o máximo de recursos e segurança absoluta.
Empenhei-me no estudo da rotina por dois motivos: primeiro pela oportunidade de mostrar meus conhecimentos e a possibilidade de vir a ser destacado, o que me daria algum handicap em futuras promoções. E em segundo lugar pela possibilidade de faturar uma remuneração extra, extremamente útil para conseguir um pouco de tranqüilidade quanto a algumas dívidas por sanar.
Fui o primeiro a cumprir e entregar o material da tarefa.
Findo o prazo a diretoria analisou, comparou as propostas mais interessantes e por fim optou por duas. Estas foram testadas e noutra etapa a minha sugestão foi aprovada. Recebi, galhardamente, o prêmio prometido e fiquei muito feliz.
Passadas três semanas da implantação da nova rotina, nosso sistema de avaliação apontou ser possível a dispensa de dois funcionários na área de atendimento interno e a Diretoria decidiu pelo corte.
Que faço? Estou me sentindo culpado pelo drama de dois colegas já escolhidos e que serão dispensados da empresa. As pessoas já não me tratam nem me olham como antigamente. Parece que carrego um peso em minha consciência. Estou isolado. Estou ficando sem amigos.
Consultei um especialista em Recursos Humanos.
Ele me disse o seguinte: "Você fez tudo certo. Cumpriu as regras do jogo. Nelas, não havia de forma explícita a possibilidade de dispensa de eventual excedente funcional após a implementação da nova rotina. Você venceu pela sua competência. Agora, ou você coloca seu cargo à disposição e se oferece para ser demitido no lugar dos dois operadores, ou continua seu trabalho normalmente, consciente do dever cumprido".
"Ou você será um desempregado com a consciência premiada e poderá usar o fato como bom argumento em uma próxima entrevista de emprego, o que adianto, poderá ser muito útil, ou você continuará um empregado sem amigos. O que prefere? Você decide!".
E aí? Se estivesse em meu lugar, o que você faria?
Por Ery Roberto |
3:37 PM
Terça-feira, Junho 05, 2007
[postagem coletiva]
DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE
Maldives é formada por 1190 ilhas, sendo 190 habitáveis.
Maldives consist of 1190 islands, only 190 are habitable. 90% of population is Muslim.
Se o aquecimento global continuar como nos dias atuais, em 50 anos o arquipélago se dissipará no oceano...
If global warming continues at it is nowdays in 50 years the island will sink in the ocean...
Hoje é comemorado o Dia Mundial do Meio Ambiente. Já existe, felizmente, um nível de consciência considerável sobre qual planeta herdarão as futuras gerações por conseqüências dos lastimáveis comportamentos do homem do nosso tempo.
Se de um lado o progresso foi alcançado, trazendo para muitos o conforto tão esperado, é evidente que gerações anteriores somadas à nossa deixam para o futuro uma dívida impagável proporcionada pela frenética destruição da natureza, cometida justamente pela irracionalidade da falta de planejamento e do inadequado uso dos recursos que ela nos proporciona. Fizemos tudo em nome da riqueza, do crescimento, da modernidade, sem atentarmos para tantos fatores primários.
Nunca poderemos dizer que as ações devastadoras foram frutos do desconhecimento. A ciência caminhou lado a lado dos empreendimentos futurísticos e de sua parte nos alertou contra a sede capitalista. Mas o mundo esteve surdo.
Agora, quando as conseqüências se antevêem, pode ser que seja tarde demais para corrigir todos os erros. Por serem tantos jamais conseguiremos, mas é lícito que se pague o que nos é possível. Não como forma de redenção, mas como justo reconhecimento dos maiores delitos cometidos contra a integridade do planeta.
Hoje é comum lermos e escrevermos a respeito do caos. Neste dia, principalmente, o ideal seria enumerar tudo que já foi feito ou que se projeta em termos de preservação, pois está na hora de olhar positivamente para o horizonte e através deste olhar convencermo-nos da necessidade da consciência individual e coletiva para que seja possível um mínimo de resgate. Do contrário o cenário de Loyola Brandão, em "Não Verás País Nenhum", será a realidade da nossa herança.
Algumas razões para comemorar
Bela ilustração de um sonhoUm pouco da ignorância de Lula
O aquecimento global
Mudanças Climáticas
Galeria de Imagens da Devastação da Amazônia (reportagem de 2005) - O que foi feito daquele ano até hoje?
Movimento Amazônia para Sempre. Assine.
Este post faz parte da postagem coletiva coordenada pelo Lino Resende.
Por Ery Roberto |
2:04 PM
Sexta-feira, Junho 01, 2007
[roteiro do próximo verão]
ILHA DO MEL
ILHA DO MEL (PR) - Um dos mais belos recantos do sul brasileiro
[Composição gráfica em Fireworks 8 com uso dos plugins Eye Candy 400, Alien Skin Xenofex2 e Splat LE]
UPDATE - | 01-06-2007 | 17h31 | -
Hoje fui visitar a Cacau (já que a danada não aparece mais por aqui) e tive um ataque de riso. O texto lá reproduzido é da autoria da dupla Eliza e Val, do blog Redatoras de Merda e lá está publicado com o título Tortura Moderna. É incrível o bom humor das moças. Você tem que estar preparado para rir como nunca. Cuidado para não ter uma síncope. Vale a pena, é sen-sa-ci-o-nal! Mas, antes, leiam este que acabei de receber por e-mail:
SENSIBILIDADE MASCULINA
Tava num clima meio ruim com o maridão e resolvi fazer uma surpresa...
Comprei 250 velas de tamanhos diferentes, 10 dúzias de rosas vermelhas, espumante, queijos e frutas e decorei toda a casa. Nosso quarto fica no segundo andar e eu fiz um caminho de velas desde a porta de entrada até o quarto... As escadas iluminadas, tudo lindo !!!
Chamei um casal de amigos para acender as 250 velas antes de chegarmos a
casa. A cama estava coberta com pétalas de flores... Arranjos maravilhosos de antúrios (flores que usamos no nosso casamento), além do espumante no gelo e as frutas, queijos e frios completavam o clima do quarto. Guardamos o carro na garagem e pedi pro marido ir à frente que eu já
estava saindo do carro.
Enquanto ele abria a porta eu tratei de tirar o vestido. Fiquei só de lingerie e cinta-liga. Imagina a cena... Quando meu maridão abriu a porta eu desci do carro. Semi-nua, claro !!! Quando olhei a cara do meu marido percebi que ele estava BRANCO. Virou pra mim, sem perceber "meu modelito", e gritou:
-- A casa tá pegando fogo !!!
Eu, calmamente, disse para ele olhar novamente. Fiz até uma cara "sexy" para dizer isso...
Ele abriu a porta mais uma vez e gritou, mais branco ainda:
-- PUTA QUE PARIU !!!!!!!!!! Não é incêndio !!!!! É MACUMBA !!!!!!!!!!!
[Não havia menção de autoria]
Por Ery Roberto |
3:13 PM
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