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Terça-feira, Julho 31, 2007

[gente da terra paranaense]
SPONHOLZ, UM ESTILINGUE ANTILULA




Arte que te abriga, arte que te habita
Arte que te falta, arte que te imita
Arte que te modela, arte que te medita
Arte que te mora, arte que te mura
Arte que te todo, arte que te parte
Arte que te torto, arte que te tura...


[Paulo Leminski]



Abomino áulicos e covardes.
Sou criativo: Crio brigas, confusões e não fujo delas.
...Enfim, não tenho nada. Só tenho o que me falta.
E o que me falta, é o que me basta.
Sem lenço e sem documento, nada nos bolsos e só grafite nas mãos,
eu quero seguir vivendo pelos campos, cidades, em pequenas
ou grandes construções, caminhando, desenhando,
projetando e seguindo a canção.

[R.Sponholz]


Acabo de descobrir lá no Blog do Noblat o site e a arte de um grande conterrâneo: Roque Sponholz.

Além de arquiteto, este cidadão de Imbituva é um charchista e caricaturista de mão cheia e que se diz "exaltador do traço do Loredano, do cérebro do Millôr, do trabalho e do caráter do mestre Niemeyer". Seus trabalhos gráficos nos permitem uma visão realista da política do PT. A trágica mitomania do poder e a insanidade lulística são retratadas com fidelidade fotográfica pelos traços que combinam o escracho e a reflexão, provocando-nos a obrigação do desafio coletivo de mudanças. É a arte ajudando a pensar em quebrar o que existe para alcançar o sonho que nos habite.

Sponholz não é só um arquiteto das construções concretas. Acumula funções. É, igualmente, um arquiteto das, ainda, construções utópicas que se acumulam como folhas de um memorial em cada charge. A planta, então, já existe. Resta-nos a vontade de construir.

Visite o seu site e navegue por todos os links para conhecê-lo melhor. Garanto que ao sair de lá você sentirá uma imensa vontade de ser convocado para trabalhar na obra de um "outro Brasil", aquele que é projetado a partir da consciência do que até hoje fizemos questão de menosprezar - a nossa própria inteligência política.




Por Ery Roberto | 10:17 PM
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[o povo na rua]
AINDA SOBRE A PASSEATA DE SÃO PAULO


Por Ery Roberto | 2:59 PM
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Domingo, Julho 29, 2007

[velhacarias]
FAÇA UM SEGURO PARA OS OUVIDOS


A enganação continua a mesma, o propalado crescimento “nunca visto nesse país” continua com a maquiagem escorrendo, a omissão e a mentira, infelizmente, ainda farão muitas vítimas e os ouvidos dos mais humildes continuam sendo tratados como vaso de privada. A única novidade é que agora existe um novo vocábulo nos improvisos do presidente: “merda”.

Entre o dia do acidente da TAM e o último sábado, caiu mais um tanto da máscara do governo. Depois da troca do ministro da Defesa, a quem o próprio Lula recomendou que fosse “escrever suas memórias”, de toda bagunça que veio à tona dos órgãos envolvidos com o controle da aviação, daqueles gestos da patética dupla de assessores diretos da presidência, da condecoração expúria, o incorrigível Lula rompeu seu recolhimento --que deve ter sido de vergonha--, pegou um avião e foi para o nordeste. Foi lá para proferir uma frase magnífica: “Nós consertamos o país e não fizemos nenhum milagre”.

Mais adiante explicou: “O maior investimento que um governo pode fazer é fazer (sic) com que as pessoas estejam de barriga cheia, é fazer com que as pessoas tenham escolas de qualidade, é fazer com que os pobres tenham a oportunidade de chegar à universidade, é fazer com que as pessoas tenham a oportunidade de ter um emprego na vida. E é isso que nós vamos fazer. Podem ficar certos. Nós temos três anos e meio e se nós já demos uma surra em nossos adversários, pelo que fizemos em quatro anos e meio, quando a gente não tinha tanta experiência, eles vão ver agora, nesses próximos anos, o que vamos fazer nesse país”.

Diante desta pérola é possível perguntar: O que terá sido feito em quatro anos e meio? Se a promessa é “nós vamos fazer”, tudo leva a crer que o plano de poder além dos oito anos continua de pé. Aguardará 2010 para criar a "bolsa-sobremesa", anunciar o PAC 2 e mais algumas velhacarias porque estaremos em ano eleitoral.

Tenho certeza de duas coisas. Uma, ele demorará a vir fazer discurso em São Paulo e no sul (foi para o nordeste depois de adiar uma viagem marcada ao Rio Grande do Sul temendo a possibilidade de vaias). A outra, o recesso parlamentar acaba na próxima semana e Renan deve estar torcendo para que caia mais um avião, preferencialmente com toda oposição dentro dele.

Já o novo ministro, o Jobim, anunciou que o custo da segurança será a fila. Ou seja, quem não souber “relaxar e gozar” que fique em casa.

É verdade! Tudo continuará a mesma “nova palavra” dos improvisos.







[+] - Eduardo Lunardelli fez um post especial sobre a passeata "Exijo Respeito", de hoje, em São Paulo, que teve Seu Jorge lendo um manifesto ("Que não seja um 'basta', mas um 'vamos'.") e cantando "Pra Não Dizer que Não Falei de Flores".

Por Ery Roberto | 6:49 PM
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Sexta-feira, Julho 27, 2007

[inverno]
A SIBÉRIA É AQUI




"Ai, que saudade eu tenho da Bahia
Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia..."



Aqui está difícil até pra pingüim!

Dói muito. A sensação térmica é sempre uns três graus a menos, o sangue não circula, se aglomera. Mas, pelo menos a chuva deu uma trégua. O sol? Anda bem "jaguara". Haja cana, sopa e "cobertor de orelhas"!



"Janeiro vai chegar
O pensamento está tão longe..."

Por Ery Roberto | 9:40 AM
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Quarta-feira, Julho 25, 2007

[basquete pan07]
ESTRELA DE OURO




O Brasil é prata, mas tu, Janete, foste ouro! Um ouro garimpado nas lavras diamantinas do esporte brasileiro. Tu és a estrela de nêutrons. Maciça da competência cintilante da humildade. Quando teu brilho se confunde com as próprias lágrimas pelo último arremesso, projetado no espaço do jogo que foi teu universo, a descendente da bola nos encerra gratidão em seu rastro certeiro: foste a maior guerreira das quadras, que agora sem teu brilho perdem muito deste encanto traduzido nas incontáveis vitórias. A vida haverá de te presentear centenárias contagens de outras alegrias. Novas oportunidades serão diferentes rebotes ofensivos, os quais te servirão para que transformes em maravilhosas conquistas. Tão lindas, vibrantes, muito aquém do garrafão, sem berbas...

Por Ery Roberto | 9:53 AM
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Segunda-feira, Julho 23, 2007

[livros]
CINCO TÍTULOS INESQUECÍVEIS



Recebo do Lord o simpático convite a participar desta salutar atividade de falar sobre 5 (cinco) livros especiais, favoritos. Acrescento, neste caso, que marcaram minha vida.

Decidi não relacionar as leituras mais antigas, a exemplo daquelas do período de formação acadêmica, quando tive meus primeiros contatos com filosofia e sociologia. Aquele tempo foi marcante, eu lia muito, pois vindo da escola pública não havia ainda consolidado o hábito de ler. Era preciso recuperar o tempo perdido.

À exceção de um deles, que é uma das minhas leituras mais antigas, resolvi escolher algumas obras que li mais recentemente e cujos conteúdos muito me ensinaram, mudaram a forma de ver tantas coisas importantes e consolidaram velhos conhecimentos. Estes livros me são sinônimos de momentos especiais que ficaram comigo como verdadeiras referências. Contribuíram para o refinamento do processo individual de descobertas, interpretação das realidades e até como subsídios inspirativos.

Guardo-os com o maior zelo e algum dia os repassarei a alguém igualmente muito especial.

Eis, então, a listinha.




1. CONFIESO QUE HE VIVIDO – MEMORIAS – Pablo Neruda

Este não foi um livro que somente li. Releio quase sempre, desde 1978, pois o considero uma fonte inesgotável. O grande poeta universal chileno relata com doçura sua juventude provinciana, seus primeiros poemas, a vida estudantil, a militância política no próprio país e nos caminhos do mundo, a solidão luminosa descrita com imagens maravilhosamente humanas, os amigos poetas, as mulheres, o prêmio Nobel e passagens marcantes da história conturbada do seu país. É um livro que permite acompanhar a formação da sua ideologia, cujo nascedouro está nas experiências vividas com a Guerra Civil Espanhola. Na verdade foi este período que lhe consolidou o tom que usaria para escrever o “Canto general”, em 1950. Também nessas memórias é emocionante sentir sua ligação com o Brasil, contada a partir da amizade que teve com Luiz Carlos Prestes. É um livro rico. Imperdível para quem gosta de conhecer profundamente o valor de uma vida dedicada à simplicidade, de passar por grandes momentos históricos do século XX e principalmente descobrir o poder da poesia. Marcou-me profundamente uma descrição feita quando da viagem de volta do exílio:

“Olho as pequenas ondas de um novo dia no Atlântico.
O Navio deixa de cada lado da proa um risco branco, azul e enraivecido de águas, espumas e abismos agitados.
São as portas do oceano que tremem.
Sobre elas voam os diminutos peixes voadores de prata e transparência.
Volto do exílio.
Olho longamente as águas. Sobre elas navego até outras águas: as ondas atormentadas de minha pátria.
O céu de um longo dia cobre todo o oceano.
A noite chegará e com sua sombra esconderá uma vez mais o grande palácio verde do mistério”.


2. O MUNDO DE SOFIA – Jostein Gaarder

Entendo que este livro seja uma boa forma de ter contato com a evolução da história do conhecimento filosófico ocidental, dos pré-socráticos aos pós-modernos, através de um intrigante thriller que toma um surpreendente rumo. Quando estava prestes a completar quinze anos, Sofia Amundsen passa a receber bilhetes e cartões postais de um estranho e através deste mistério a personagem começa seu contato com a essência do conhecimento. Mas é um contato que ela não faz sozinha, pois o leitor, de capítulo em capítulo, é convidado a trilhar as sendas da mesma história.

“O mundo é um palco, e homens e mulheres, não mais que meros atores. Entram e saem de cena e durante a sua vida não fazem mais do que desempenhar alguns papéis”. [Willian Shakespeare]

3. A REINVENÇÃO DO MUNDO – Jean-Claude Guillebaud

É uma obra magistral para quem ainda sonha com o futuro, tem interesse pela igualdade e quer entender mais sobre a razão, o universal, a liberdade e a justiça. Usando este apelo Jean-Claude se apega a um pensamento de Pierre Legendere, “A humanidade está sendo acossada pela necessidade de se alicerçar para poder viver”, para convencer que só a clara consciência desses valores, tratados de forma específica no pensamento grego, no judaísmo e no cristianismo, nos fará perceber a necessidade de uma verdadeira “re-fundação”. Usa os acontecimentos do século XX para incitar sobre a obrigação de pensarmos sobre a modernidade e o grande desafio do terceiro milênio: neste mundo globalizado, multicultural e plural, o que pode alicerçar a possibilidade real dos homens viverem juntos e em paz?

4. COZINHA CONFIDENCIAL – Anthony Bourdain

São revelações incríveis de um respeitável Chef de Cozinha. Bem disse o The New York Times: “Um chef literário – senso de humor e filé com fritas igualmente deliciosos.”. Bourdain consegue levar o leitor ao mais recôndito subúrbio da arte gastronômica, fazendo rir e nos ensinando ao abrir detalhes inimagináveis. Como explícito no subtítulo, é uma aventura nas entranhas da culinária. Além de tudo a gente ainda ganha um magnífico passeio por ares nova-iorquinos para conhecer como funciona o ambiente do ramo, envolvido numa espécie de máfia que congrega donos e freqüentadores. Obra didática e envolvente que devorei de uma só vez, sem sair da mesa e sequer olhar para quem chegava ou saía. Quem ler este livro nunca mais pensará a mesma coisa a respeito de comidas.

5. AS INTERMITÊNCIAS DA MORTE – José Saramago

O grande escritor português inventa um estranho canto no mundo onde a morte suspendeu suas atividades. Uma fábula sobre os caprichos dessa figura temida que resolve mostrar aos ingratos seres humanos o quanto ela lhes é importante, que sua falta é um enorme problema não só para as agências funerárias, mas também para os hospitais que ficam entupidos de pacientes agonizantes que não conseguem mais apagar, além de idosos que avançam na decrepitude sem esperança de descanso. Um governante que se vê ante uma crise insolúvel, um cardeal que se apavora com a existência da igreja em situação absurda onde a própria instituição se ameaçará, pois “sem morte não há ressurreição, e sem ressurreição não há igreja”. Disso tudo se aproveita uma organização secreta – a máphia. Um questionamento a respeito da “importância” do supremo medo no coração dos homens. A estética da escrita de Saramago se apresenta absoluta com humor e ironia. Teve gente que não gostou, eu adorei.

Existem muitos outros, mas a tarefa era falar de apenas cinco. Noutro dia, por conta própria, falarei mais. Preferencialmente dos livros de crônicas.

A idéia sugere que a tarefa seja repassa a mais cinco blogueiros. Escolhi os seguintes amigos:

- João, do Bombonière Delikatessen;
- Paulo, do Visão Masculina;
- Nilza, do Por Mim Mesma;
- Ítalo, do Críticas e Reflexões; e
- Thiago Emmerich, do Parada pro Café

Por Ery Roberto | 3:45 PM
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Sexta-feira, Julho 20, 2007

[comportamento padrão]
O GOVERNO NÃO SE EMENDA


Minha caixa de entrada do e-mail amanheceu diferente. Só recebo mensagens de pessoas conhecidas, a maioria delas velhos amigos e alguns costumeiros leitores deste blog. Só que hoje não havia velhos amigos nem os leitores de sempre. Eram pessoas que não conheço nem mesmo de nome. Algumas manifestações eram azedas, outras agressivas. Todas, no entanto, referiam-se a comentários que postei em outros blogs, todos referente a textos que opinaram sobre o acidente da TAM.

Como é difícil dialogar com os simpatizantes de Lula!

Qualquer análise ou comentário que se faça envolvendo crítica à atuação do governo, tomam por pura ofensa e até mesmo --por força da enorme dificuldade de interpretação ou gesto de autodefesa-- revidam com insensatez sem precedentes. A realidade e a verdade doem.

Todos os posts nos quais comentei diziam da grande parcela de culpa atribuída ao comportamento do governo, sua condescendência com a inépcia, sua falta de pulso e de medidas voltadas aos problemas da aviação civil, das nomeações de irresponsáveis para postos relevantes. Isto não é novidade, exceto para os alienados e talvez para alguns petistas cegos. Em nenhum momento percebi excesso epistolar capaz de construir uma linha cuja interpretação fosse o absurdo de dizer que "Lula foi o culpado, pessoalmente, pelo acidente da TAM". Assim não li, tampouco escrevi - nem em comentários, nem em meu texto de 18.07 aqui postado.

O governo é criminoso? Sim, é! Não fosse apenas pela sua falta de interesse nas soluções de graves problemas (o que causa insulto aos direitos e até mortes), pela sua forma intempestiva de agir para evitar o pior (que igualmente causa prejuízos de toda ordem), seria pela sua alta complacência com a corrupção e com os interesses excusos de seus próprios personagens ou de terceiros a seu serviço, pois falta de atitudes a partir da certeza de erros é conivência. O Direito ainda cuida da cumplicidade.

Independente da causa principal do acidente, em tempo anterior ao seu acontecimento, o Aeroporto de Congonhas já agonizava ante a visível saturação da sua capacidade. Isto se agravou pelo Apagão Aéreo e todas as suas conseqüências, fruto da má atuação na gestão do problema e o desinteresse em atacá-lo nos momentos mais oportunos. Tanto é razoável afirmar desta maneira que o Ministério Público acaba de pedir seu fechamento temporário.

O que estas pessoas não entendem, ou fazem questão de não aceitar, é a responsabilidade do poder público no caos. Como se a população e usuários tivessem o poder de por si só buscar soluções para problemas coletivos sem a menor possibilidade de rompimento das barreiras legais.

Entristeci-me. Tanto quanto no dia da notícia do acidente. Mas, não responderei a nenhuma delas, pois melhor seria que tivessem coragem de mostrar seus argumentos aqui, mas não o fazem porque sua versão democrática é outra. Infame. Essas pessoas não merecem atenção. São incapazes de perceber o tamanho da sua mochila de arrogância. Elas não lutam para ajudar a melhorar as coisas. Elas competem com quem diz, aponta ou escancara verdades. Elas tratam a política como se fosse um jogo. Onde alguém tem que perder. O Brasil que exploda.

Acredito que estas que me escrevem estejam vibrando com a cena deste vídeo abaixo que amanheceu nas páginas dos blogs políticos. Sem contar que logo mais, à noite, terão orgasmos quando Lula falar à nação. Possivelmente obviedades e condolências atrasadas.




Por Ery Roberto | 4:30 PM
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Quinta-feira, Julho 19, 2007

[o brasil de sempre]
A REPÚBLICA DAS PALAVRAS




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charges.uol.com.br

Por Ery Roberto | 12:03 PM
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Quarta-feira, Julho 18, 2007

[infra-estrutura aeroportuária]
A TRAGÉDIA DE CONGONHAS REABRE MUITAS FERIDAS





Evidente que este não é um momento de caça às bruxas. Até pelo profundo respeito que se deve aos parentes e amigos das vítimas e porque é preciso saber suportar a dor, impedindo-a que através da incontida emoção transforme palavras em armas da indignação.

Óbvio que o destino final não será o conformismo. É preciso lembrar que todas as informações que desenham o quadro caótico da situação aeroportuária no Brasil (e diga-se, é uma ferida antiga) levam, no mínimo, a convocar envolvimento da incompetência, insensibilidade e passividade absoluta do poder público. Isto não vive sob a dependência do esclarecimento oficial desta última tragédia, a maior da história da aviação no país.

Ontem mesmo, lendo e ouvindo reportagens e debates, anotei algumas afirmações, todas bem ao estilo da avalanche de justificativas que são vomitadas na mídia, como uma espécie de brainstorm reativo, mas que devem merecer atenção e cobranças rigorosas.

A Rede CBN informou em sua vasta cobertura que “determinado juiz havia embargado a reabertura da pista principal de Congonhas –- que ficara fechada por algum tempo para melhoramentos --, mas a instância superior a liberou”. A considerar que a referida obra foi entregue com a pista desprovida das ranhuras que ajudam no escoamento da água em dias chuvosos, já se pode perceber em que nível de preocupação atua este poder com relação à segurança nos aeroportos.

Outra constatação manifesta é o conhecido fato das autoridades quererem passar para a população a falsa idéia que “tudo está sob controle”. Isto, como pseudo-realidade, e todos sabem que é, caracteriza e prova sobre verdades anunciadas em diversas instâncias da imprensa e até nas discussões de fóruns não acadêmicos. A inércia dos poderes executivo e legislativo, mais preocupados em preservar a maquiagem que lhe faz parecer uma cara boa, sangra a vida do cidadão e jamais reprimirá conhecida deterioração natural decorrente da mesma artificialidade com que trata as maiores questões nacionais.

“O governo precisa parar de falar e começar a agir” foi outro tema do pós-acidente. Disse o porta-voz da presidência: "O fechamento do aeroporto dependerá das investigações. Essa hipótese não está excluída, não está excluída nenhuma hipótese, as investigações dirão o que deve ser feito nesse caso". [Folha Online, Cotidiano – 17.07.07]. Há muito tempo estudos específicos concluíram que Congonhas é um doente terminal (sem qualquer analogia ou trocadilho). Ele consegue ser ao mesmo tempo um aeroporto condenado e o aeroporto mais congestionado do país. Será que isto somente não seria bastante para anunciar a tragédia?

Expressiva parte das autoridades entrevistadas falou na necessidade de encontrar os culpados. Teremos então, agora sim por analogia, um novo e inédito caso Renan Calheiros na aviação? Ou seja (e então no plural), os envolvidos buscando um culpado dentre eles próprios? Mais uma comédia do tipo “sou réu e juiz e daqui ninguém me tira”? Por que não se promover esta investigação e apontamento dos culpados através de um órgão externo, isento dos vícios e mazelas próprios do meio comum?

E afinal de contas, que resultado objetivo no nível prioritário haverá de se chegar buscando culpados se aqui não existe justiça competente para puni-los? Entendo que esta degeneração sistêmica serve mais para dar continuidade a agressão às vítimas e seus familiares.

Culpados devem ser apontados sim. É justo. Mas já passou da hora de dar prioridade às ações. Antes, é preciso ter a coragem e hombridade para desmentir que “está tudo sob controle” e isto é tarefa da alçada exclusiva do mandatário principal, a quem compete exigir, acompanhar, cobrar, mostrar serviço. Será preciso que lhe digam que a questão envolve vidas humanas portadoras de pele e não couro, de mais sentimentos que reflexos condicionados, movidas pela capacidade do pensamento e não do chicote e dos arreios?

Muito há de se dizer nos próximos dias. Muito há de se lembrar dos culpados de outras tragédias recentes e que até hoje ainda não apareceram. Este escriba não é a pessoa indicada para filosofar ou analisar, mesmo que de modo simplório a respeito de tanto. Nesta condição, aplaudo e fico com Eliane Castanhêde, colunista da Folha Online em sua reportagem de ontem, em “Pensata”:

"... em Brasília, o clima é de total empurra-empurra. O ministro da Defesa, Waldir Pires, estava justamente numa audiência com Lula para discutir o orçamento da Força Aérea, mas, como sempre, foi o último a saber do acidente. Já em casa, teve de voltar ao Planalto. A Aeronáutica diz que não tem nada a ver, porque desta vez o controle de tráfego aéreo não tem nenhuma responsabilidade. E joga a culpa na Infraero, que cuida da infra-estrutura dos aeroportos, e na Anac, a agência civil que substituiu o antigo DAC e que não tem força --talvez nem vontade-- de enfrentar as companhias para de fato regulamentar o setor e definir a malha aérea brasileira.

Como ficam sob o foco também as próprias companhias, por não aceitarem abrir mão da concentração de vôos em Congonhas.

O que explodiu hoje não foi só o Airbus da TAM. Foi também o resquício de credibilidade que ainda sobrava do sistema de vôo no país e a capacidade de o governo, no seu conjunto de órgãos responsáveis, gerir a situação. O que há é o caos. Junto com a dor, a perplexidade e a sensação de que não tem mais conserto.

Desculpe, mas o que todo mundo agora se pergunta é: "Quando vai ser o próximo?”
.

Ante esta incrível manifestação jornalística é propício lembrar de um velho ditado mineiro (ah, como admiro os mineiros!) que, salvo lapso de memória, diz assim: “Vaias trate-as com humildade e otimismo, para que quando cheguem os aplausos sejas suficientemente capaz de merecê-los”. Se não for assim, é quase.

Meus respeitos e condolências pelo luto de todas as famílias e amigos das vítimas. Que esta dor nos sirva de combustível para o resto da árdua caminhada.

Por Ery Roberto | 10:43 AM
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Terça-feira, Julho 17, 2007

[língua portuguesa]
SOLTANDO OS BICHOS


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Você já se sentiu alvo das conhecidas metáforas zoomórficas?

Por força da analogia e pela necessidade que existe na língua de ilustrar a idéia de uma forma direta e sintética, surgiu a comparação entre o homem e os animais. Este artifício é utilizado tanto para enaltecer as qualidades de alguém como seu uso descamba para o lado pejorativo, que explora deficiências e particularidades de toda espécie.

Bem, se você é uma mulher bonita, impossível que nunca tenha sido chamada de "gata"! Se além de bonita for nova, bem dotada em seus atributos físicos, por mais que nunca tenha ouvido, saiba que um dia, com quase toda certeza, alguém já sussurrou ao amigo quando viu você passar: Lá vai aquela "potranca"!.

Pior se por aqui lhe chamassem de "lagartixa", o equivalente a "cegonha" em Portugal. Aí o problema seria a anorexia. "Baleia", nem pensar. Se o caso fosse obesidade deveria lembrar que, normalmente, tudo começa por também ser "formiga", a compulsiva por doces. Há casos em que, ao recorrer aos artifícios possíveis para sair dos mares e voltar a ser uma felina, é tarde demais. Até quando se trata de doença é preciso exercer o amor próprio, pois as sentenças zoomórficas não perdoam e são capazes de transformar humanos em seres mitológicos, como o "dragão". Aliás, o que é ainda pior: dragão é uma metáfora que significa ser a pessoa, além de feia, de má índole ou de caráter intratável.

O perigo é cair na seção extravagante dessa zoologia. Já vi muita gente não ligar e até achar que ser "perua" está na moda, sem perceber que isto acontece pela vontade de ser elegante, mas que no fundo é uma crítica ao péssimo gosto, normalmente exagerado, com que se veste. Além dos "micos" do comportamento hilário. Pela presunção e vaidade, há quem, por se considerar o máximo, ganhe a pecha de "pavão".

O fundo de quintal, os rios e os pastos contribuem fortemente para soltar seus bichos na direção pejorativa. Ninguém quer ser chamada de "galinha", "piranha" ou "vaca". Estas comparações adentram ao terreno da devassidão. É aqui que certos bichos começam a ser comuns aos dois gêneros. Lembremos que "galinha" também se aplica ao homem que gosta de variar de parceira.

Há uma linha de estudo comportamental que defende a incontrolada "galinhagem" masculina como sendo uma das origens da traição, algo que leva o sujeito a ser promovido do poleiro para o pasto. Como corno, passa a ser "boi" ou “carneiro” em direta alusão às guampas que lhe crescerão imediatamente.

Para ilustrar a falta de inteligência recorre-se ao "burro" e seus parentes, como o "jegue" e o "jumento". Num caso mais grave entram a "anta" e o "avestruz", para identificar pessoas que além da notória dificuldade de aprender são estúpidas e sem cultura.

No terreno político há muitos tratantes e trapaceiros "ratos". Também existem as "raposas", canídeos espertos e loucos por aves. Procede se lembrarmos que o poder está sempre às voltas com escândalos onde é imprescindível a presença de algumas "peruas" e até "galinhas".

O falso amigo é o "crocodilo". É capaz de tudo para enganar. Até chorar. Deve ter saído daqui a origem da expressão "lágrimas de crocodilo".

"Pato" é quem cai fácil, é enganado com pouco esforço ou joga mal. "Pangaré", cavalo reles, é jogador do Coritiba (!!!), normalmente contratado pelo seu presidente Giovani Gionédis, que se ainda fosse político e estivesse no lugar do Renan teria vendido diversos haras.

Interessante são os casos de animais que noutro contexto são associados a uma virtude, mas também são utilizados na metáfora pejorativa. O "cachorro" é um deles. Apesar de ser considerado o melhor amigo do homem, zoomorficamente representa um sujeito que não vale nada, que é indigno, vil e detestável. Paradoxal até com os cuscos -- cão pequeno, de raça comum -- e os vira-latas, que nunca encontram muita dificuldade para serem adotados, já que sempre existe quem goste de um cão.

Outro é o "urso". Apesar de significar deselegância e baixa sociabilidade, já ouvi menções elogiosas a quem sabe abraçar por inteiro e ser chamado assim. "Fulano abraça gostoso, como um urso". Pode ser que tenham confundido abraço com curra, não posso garantir porque nunca abracei nenhum.

Sem preconceitos, o "veado" é múltiplo. Vai de eterno "frango" a deputado. Vira artista, estilista, big-brother, celebridade. Uma vida corrida!

Contraditório é o "leão". No reino é o rei. Na zoomorfia da linguagem figurativa ele é considerado grosseiro, gênio indomável, alguém de relacionamento complexo. Mas no simples âmbito da comparação é comum dizermos: "lutou como um leão", "o nosso time foi um leão contra a Argentina". Ambas as referências expressam idéia de garra, luta, raça, disciplina, denodado esforço. Astrologicamente, como signo, identifica pessoas de extremo poder de posicionamento e persuasão, talentosas, líderes, carinhosas e boas amantes. As "leoas", diria, são geniais.

Triste é ser chamado de "gambá", em alusão direta ao desleixo com a boa higiene. Agora, o pior mesmo é "espírito de porco". Por sinal, é uma espécie que não pára de crescer.

Esta constante cultural fez o cinema de animação dar formas humanas a animais, configurando uma tradição da arte. Os comportamentos humanos decorrentes da diversidade de caráter, da cultura predominante, do referencial de personalidade, são retratados com uso deste artifício tão comum na maioria das línguas, com o intuito de expressar uma crítica que simplifique certas razões. Pejorativamente é um recurso que promove a síntese da depreciação dentro de um conjunto variado de fatores torpes.

Por Ery Roberto | 10:47 AM
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Segunda-feira, Julho 16, 2007

[mal traçadas linhas]
ÂNGULO DIVERSO


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Ah, estranha sensação
Deste ângulo diverso!
Foi olhar assim, diferente,
E descobrir teu universo
Quase inconseqüente
Na realidade em mutação.

Onde está teu pensamento
Que solene me ignora?
O teu rosto coincide
Com coisas que vão embora,
Este ângulo me agride --
Não te vejo toda, que sofrimento!

Deste posto a visão é corrompida,
Abre-se um horizonte ultrajante.
Quero tua verdade outra vez,
Antes que a ilusão delirante
Remeta-me à insensatez
Desta falsa, inerte e louca vida.


Ângulo Diverso - jul/2007




ENSAIO SOBRE O INUSITADO PODER DO ÂNGULO FOTOGRÁFICO
(Se o objeto não aparecer, clique AQUI)



Por Ery Roberto | 1:27 PM
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Domingo, Julho 15, 2007

[o esporte brasileiro]
UM DOMINGO PARA LAVAR A ALMA


LAMBAM AS NOSSAS SANDÁLIAS



Ontem, na véspera do jogo Brasil x Argentina (final da Copa América 2007, Venezuela), jornalistas argentinos usavam sandálias havaianas com a bandeira do Brasil. Se passou pela cabeça de alguém pensar que o gesto era de carinho, bastou a resposta de um deles para que se retomasse a certeza da velha rivalidade:

-- Compramos sandálias com a bandeira do Brasil porque fica mais fácil para pisar em cima - disse sorrindo um desses jornalistas.

Hoje, a melhor seleção do continente (temos que reconhecer, não somos hipócritas), com um meio de campo daqueles que rima na escalação - Verón, Mascherano, Cambiasso e Riquelme, levou mais uma carimbada canarinha. O time de Dunga, de longe, não é o time dos sonhos, mas contra "los hermanos" a gente torce independente de qualquer discordância.

Valeu a vontade de ganhar estampada nos nossos campeões e principalmente porque Dunga pareceu ensinar-lhes a calçar as sandálias certas.

Um golaço de Julio Batista, um gol contra de Ayala (que é mais gostoso!) e por fim um belo passe de Love para Daniel Alves lacrar o caixão.

Hermanos, lambam as havaianas!

A EMOÇÃO DO PRIMEIRO

No Pan, o paulista Diogo Silva foi protagonista de uma bela imagem após conquistar o primeiro ouro brasileiro no Pan Rio07. Raramente se viu alguém se emocionar com um pódium, ao ouvir o hino nacional, como ele. Foi às lágrimas.

É possível imaginar o que passa pela cabeça de alguém de raízes humildes e que, com a ajuda da mãe, foi colocado na trilha saudável do esporte para vencer na vida. Diogo já tinha chegado perto em S.Domingo e Athenas. Em casa, o sabor é outro.





SETE VEZES BERNARDINHO

Já virou rotina. A Seleção de Volei Masculino ganhou, pela sétima vez, a Liga Mundial de Volei.

Falar desse grupo, que tem no técnico um símbolo de trabalho profissional, é bater na mesma tecla. O impressionante, porém, é que não existe o "fastio de conquistas". Qualquer grupo que seja comandado por este homem dá certo. É a prova da inteligência e seriedade na perseguição de um objetivo.

Foi um domingo para lavar a alma.



Por Ery Roberto | 10:31 PM
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Sábado, Julho 14, 2007

[abertura do pan]
MARACANAZZO SEM DOR


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Na véspera, em Pernambuco, disse que "Severino Cavalcante foi perseguido pelas elites". Hoje, iria entregar medalhas na Praia de Copacabana. Desistiu, foi passar o fim de semana em Brasília, na companhia dos "puxa-sacos" que o consolam e devem estar dizendo: "Companheiro, mas eram menos de 100.000, isto não representa nada..."

Por Ery Roberto | 3:24 PM
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Sexta-feira, Julho 13, 2007

[pais & filhos]
CONSENSO RECUPERACIONAL E HIPOCRISIA GERAL



R.M. aos vinte e um anos já tinha pendengas com a lei. No domingo, mesmo com a carteira de habilitação suspensa há meses por algumas infrações de trânsito, apanhou o carro do pai, alcoolizou-se e depois foi rodar pelas ruas de Londrina.

O pai de R.M. foi avisado e ele próprio tratou de acionar a Polícia. Durante a perseguição da viatura o garoto descontrolou-se, bateu em alguns veículos e por fim capotou. Prejuízos apenas materiais. Acabou preso por dupla infração: dirigir sem licença, agravada pelo estado de embriaguez (interessante, percebi agora, embriaguez termina com Z – o mesmo que inicia Zeca-Feira).

Na delegacia, cumprida a praxe da ocorrência, foi fixada fiança. R$ 500,00.

Para surpresa geral, R.M. continuou preso. A família assim decidiu. O pai, que resolveu não desembolsar o dinheiro por ter concluído que a cadeia era o melhor lugar para o filho refletir sobre o que seria melhor para ele, foi apoiado pela mãe. Ela, embora o coração partido e triste, como qualquer mãe estaria naquela situação, ainda foi forte para publicamente revelar que a decisão não tinha sido fácil e que foi adotada em benefício do filho.

Reconheciam que ele deveria ser punido porque há tempo vinha se comprometendo com os erros. Antes de querer o filho junto, desejavam que sua conduta fosse responsável, que soubesse o que estava fazendo.

Ainda não é possível descrever o final da história. Isto não é um conto, é notícia que esteve estampada nos veículos nacionais na última segunda-feira.

O que me leva a escrever sobre o fato são seus desdobramentos.

Ontem, em seus noticiários e programas locais, a televisão paranaense entrevistava profissionais da educação, psicólogos, operadores da justiça e o público. Aprovações e desaprovações. O tema virou tão controverso quanto à própria maneira de pensar e agir das pessoas quando colocadas em situações nas quais não há envolvimento direto.

A linha de questionamento foi desde crítica ao pai de R.M., que, segundo alguns, deveria ter usado autoridade, afinal teve o carro retirado da sua propriedade sem autorizar, o que configura apropriação indébita -– mesmo sendo praticada por alguém maior e responsável, mas que é seu filho --, até considerações que o ocorrido não causou prejuízos à integridade de terceiros. Assim, deveria ter pensado mais na condição consangüínea e tratado o problema por outros meios. Para estes, certamente mais amenos.

O debate não excluiu a solidariedade materna. A pobre mãe recebeu alguns aplausos e admirações, mas muito mais duras reprovações.

Não esperem que me posicione de qualquer lado, até porque penso que as pessoas que sofrem com a educação dos filhos são as maiores conhecedoras da própria razão. Permito-me, no máximo, ao respeito à decisão e ao calar. Mas, permitam-me somente lembrar da hipocrisia que, como uma reação química entre a visão das coisas e as palavras que a traduzem, explode sob a forma de bobagens e inconseqüências, mesmo que no tubo de ensaio de pessoas consideradas inteligentes e profissionais.

Temos o absurdo costume de prejulgar. Temos uma sentença para a distância do fato e outra, contraditória, quando estamos no fato. Ou estariam as pessoas opinando e reagindo de igual forma se, por fatalidade, tivessem um filho ou qualquer parente como vítima fatal de um atropelamento causado por R.M.? Tenho certeza que não. Neste momento ele seria bandido.

Ninguém pensou que apesar do envolvido ser maior, por ainda estar dependendo e residindo com os pais, deve-lhes ao menos algumas satisfações e anuências. Se ampliarmos o contexto, esta visível dificuldade de análise na leitura dos fatos é a grande vilã do retrocesso social e político que enfrentamos.

Enquanto não aprendermos a mergulhar nas profundezas do entendimento, primeiro no sentido íntimo e depois na forma coletiva, estaremos alimentando um monstro terrível que é produto da falsa devoção e da presunção da virtude de tudo sabermos. Tornar-nos-emos tão insuportáveis que um dia a criatura devorará o criador.




[UPDATE - 14.Jul.2007 | 12h39] -

Incrível! Eis, "the other side of midi night". Um verdadeiro reforço de análise.

Por Ery Roberto | 9:44 AM
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Quarta-feira, Julho 11, 2007

[gastronomia]
OSTRAS E VINHOS BRANCOS: CASAMENTO À MODA ANTIGA


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Imagem: www.guiadasemana.com.br



Na verdade as convenções que orientavam a escolha certa de um vinho para acompanhar um prato vêm sofrendo uma espécie de anarquismo gastronômico. Isto se reflete por circunstâncias da multiplicação das receitas na culinária de hoje em dia. Mas também não é só isto: as transformações da vinicultura, resultado de novos fatores de produção, aspectos de operacionalidade, preços e multiplicação da oferta, também contribuem para que o conhecido casamento entre comidas e vinhos torne-se progressivamente uma "relação aberta".

Entretanto, no caso das ostras e vinhos brancos este "liberou geral" não encontra a menor receptividade. Diz o jornalista paranaense Luiz Carlos Zanoni, especialista em vinhos e autor de artigos para diversos veículos, que este casamento continua inabalável. É um enlace fiel que não admite outros pretendentes.

Já ouvi outro jornalista bom no assunto -- Renato Machado -- comentar no mesmo tom. Nesta conjunção gastronômica não se deve pensar nem nos roses. Imagine abrir um tinto! O ato é pura heresia. E para complicar não é qualquer branco que emplaca esta célebre união. As ostras têm personalidade forte e são ultra seletivas. Como aquela mulher consciente que é bonita e gostosa. Ajoelhou tem que rezar. Exigentes. Nada que não seja de boa acidez, jovem e vibrante. Os exuberantes não conseguem sequer aproximação suficiente para um simples flerte.

Esta característica de fidelidade das ostras deve ter contribuído para que, em exercício de analogia, se deduzisse o seu propalado poder afrodisíaco. Ou pelo menos ajudou. E não dá para esquecer que sua aparência desperta fantasia que povoa a cabeça de qualquer um, seja branco, negro ou amarelo. Começa pelo esforço do rompimento bivalvar e termina pelo prazer da sucção de iguaria provida de exuberante consistência e inebriante cheiro de maresia. Como algo assim não levaria ao florescimento da imaginação, mesmo em cabeças onde o terreno já se encontra desprovido da fertilidade original?

Todavia, há quem não goste. Mesmo quando ela se apresenta devidamente preparada, portando elementos culinários nobres e engalanada pelos recursos modernos da guarnição.

Eu diria que ela é divina. Não apenas pelo seu sabor, mas principalmente por estes magníficos poderes. Ou o estímulo que é capaz de provocar com perfeita harmonia de duas forças -- mar (ela própria) e terra (onde surge a vinha) -- não é suficiente para arriscar?

Adoro uma orgia gastronômica onde ela esteja presente. E me divirto com as caretas dos que não as apreciam. A estes sempre digo: bebam apenas, enquanto eu "sorvo" e sorvo.

Por Ery Roberto | 9:24 AM
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Domingo, Julho 08, 2007

[novas sete maravilhas]
CRISTO REDENTOR


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Foto: Globo Online


Agora falta o mais difícil: tornar a cidade do Rio de Janeiro "uma maravilha pra se viver".

Pena que isto não dependa só da união do seu povo, mas também da boa vontade das autoridades em todos os níveis.

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[UPDATE - 10.07.2007 | 14h39] -

Esta charge é simplesmente SENSACIONAL. Uma idéia de quem observa e através da arte consegue transmitir uma curta mas belíssima mensagem. Trouxe para cá depois de ver o link no blog da Adelaide Amorim.

Por Ery Roberto | 6:18 PM
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Sexta-feira, Julho 06, 2007

[da sorte e do mentiroso]
SEVEN, SEVEN, SEVEN


O número 7 sempre esteve envolto em certa magia. Muita gente o considera número da sorte. É ligado a mitos históricos de diversas naturezas.

Para a Física são 7 as cores refratadas pelo prisma, mesmo número dos Elementos Fundamentais. Na Matemática são 7 os algarismos romanos. A Filosofia usa o 7 para apontar sábios da Grécia, virtudes humanas e formas dos Deuses do Olimpo. Para a Religião são 7 os pecados capitais, assim como as Virtudes Cardinais, os Sacramentos, as Igrejas da antigüidade e as quedas de Cristo no caminho do Calvário. Na umbanda é cabalístico. São sete as Artes (veja Manifesto das Sete Artes). A História também recorre ao sete para contar desde as Pragas do Egito até a quantidade de estados onde Lampião desafiou a polícia.

No descobrimento a carta de Caminha tinha 7 folhas. A Independência foi proclamada no dia 7 de Setembro, o nome Brasil aparece 7 vezes no Hino Nacional e já vivemos sob a proteção de 7 Constituições.

Temos ainda, 7 Notas Musicais, 7 Maravilhas do mundo antigo e eleição para outras 7 do mundo moderno, 7 Planetas Sagrados, 7 Grandes princípios Herméticos e outros "seven" que comandam, ou pelos menos marcam diversas áreas da nossa existência. Já criaram até o award "7 Maravilhas da Blogoesfera", é mole?

Dizem os saudosistas que o número sete caia muito bem na camisa de Garrincha. Parecia a estilização da sua perna torta. Também é o número do mentiroso (será que isto explica serem os cargos eletivos da nossa república em número de 7?)

Amanhã é o dia sete de julho de dois mil e sete. 07-07-07! Isto ocorre apenas uma vez em cada século. Será uma raridade numérica acontecendo em pleno sábado (o sétimo dia da semana). Que haverá de especial neste fato?

Bom talvez para tentar um jogo na Megasena, mandando ver em todos os sete. Muito difícil ganhar, mas a hipótese mínima da possibilidade não impede de pensar em Pintar o Sete".

Por Ery Roberto | 6:30 PM
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Quinta-feira, Julho 05, 2007

[blogs]
DIFERENTES, IMPERDÍVEIS E DESOPILANTES





Nestes últimos dias ganhei três belos presentes. Verdadeiras relíquias. Descobrir o Café Impresso, site do Antonio Caetano, foi um brinde e tanto que meu deu a Meg. Ela postou um texto rasgando os maiores elogios ao AC e tudo correspondeu. O site tem o "lado blog" e apresenta vários links onde é possível encontrar um pouco de tudo, como vários textos, crônicas e coisas úteis. Tem um podcast e você também poderá receber crônicas por e-mail e ter a mordomia de um café impresso quentinho, fumegante, delicioso. Dos últimos posts, destaque para o do dia 02.07.07 -- "O Brasil está louco" --, onde AC faz uma análise da mais recente situação social e política do Brasil, explorando notícias com um tom crítico fabuloso.

O Umbigo do Sonho, da Adelaide Amorim, escritora com alguns livros publicados, foi um presente arranjado de forma diferente. Quando participei da empreitada de continuar um conto do Milton Ribeiro, sugerida pelo Valter Ferraz, recebi da Adelaide uma menção em seu blog e em seguida simpáticas visitas e comentários.

Ao conhecer o Umbigo do Sonho fui fisgado pela apresentação da autora: "Ser escritor ou exercer alguma arte no Rio é quase uma conseqüência natural, pela beleza das paisagens, da arquitetura, pela riqueza e pluralidade das pessoas que a habitam. Ser carioca é por si só uma experiência estética - um tipo de experiência que não se vive impunemente".

Ela escreve de forma contagiante, com linguagem clara e direta, além de ilustrar maravilhosamente com imagens da melhor qualidade. Seus contos amarram a gente. Devo aos dois, Milton e Valter, a imensa alegria de ter conhecido pessoa tão envolvente e educada.

Elisa Quadros e Valeria Semeraro, que parecem ser capixabas -- pelo menos estão lá --, são as Redatoras de Merda. A gente já começa a rir pelo título do blog.

Certo dia fui visitar a Cacau e ela havia reproduzido um texto hilário desta dupla. Ainda não tive oportunidade de relacionamento maior, mas depois que se lê um texto da parceria é impossível não voltar. Tem gente que não conseguiu nem digitar comentário porque teve que ser internado, vítima de um "ataque fulminante de gargalhadas". São geniais explorando situações típicas das mulheres através de uma ótica sarcástica. Levantam o astral de qualquer vivente, pois só não ri quem já morreu ou assiste o Jornal Nacional.

A Blogoesfera (como dizem os portugueses, só para stressar a Meg que ainda prefere "blogverso"), tem esta magnífica força de nos fazer conhecer pessoas especiais e que não demoram muito para entrar no coração (como a Adelaide), não importando, em absoluto, que a descoberta seja apenas virtual. A identificação é quase imediata quando se percebe o nível de inteligência e carisma que só facilita a comunicação e a imensa possibilidade de construir um belo relacionamento de amizade.

Aumentei meu círculo. Aproveite você também.

Por Ery Roberto | 9:45 AM
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Terça-feira, Julho 03, 2007

[nosso mundo]
A DESAFIANTE VERDADE NA DOCE VOZ DE UMA CRIANÇA


"Sempre digo que é preciso considerar as verdades desses pequenos seres
porque eles estiveram com Deus mais recentemente que nós.
Velhos, já esquecemos da maioria dos objetivos da nossa missão, por tão viciados que ficamos
nos efeitos da usura que se disfarça em certeza de poder."




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["Agonia do Planeta" - ilustração produzida em Fireworks 8 - jun2007]


Por quais motivos somos capazes de esquecer em pouco tempo o que um dia aplaudimos, certamente com o coração tomado por fortes emoções, exatamente por serem palavras portadoras de um milagre capaz de abrir nossos olhos de cegos?

Por quais razões bastam alguns anos subseqüentes para retornamos à antiga cegueira e aumentarmos ainda mais a nossa tirania?

Qual justificativa reservamos para dizer da nossa vocação para a mesquinhez? Com quais argumentos defendemos a hipocrisia da controvertida postura entre o nosso dizer e agir, relativamente ao respeito à natureza e ao próximo?

Será que conseguiremos um dia medir a decepção plantada no coração de uma criança que literalmente pede socorro porque o seu mundo, que hoje não é mais o mesmo que sonhou, certamente pior será para os seus filhos?

Até quando continuaremos a ensina-las a serem bem comportadas, a não brigar com outras crianças e a resolver as diferenças pela via do respeito, para serem capazes de perceber o quanto é salutar arrumar suas bagunças e assim se tornarem pessoas organizadas, conscientes e incapazes do maltrato a outras criaturas, dividir para aprender o que é igualdade e repudiar a mesquinharia, se fazemos exatamente o que ensinamos a não fazer?

Que tipo de orgulho haveremos de buscar na frustração dos nossos netos? Será que conseguirão carregar o peso do seu cognome?

Durante a Conferência da ONU para o Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho de 1992, uma garota canadense, Sevem Suzuki, de aproximadamente 13 anos, calou fundo uma platéia de altos dirigentes de governos, jornalistas e outros políticos. Ela era representante da ECO, uma organização de crianças em defesa do meio ambiente. Começou seu discurso dizendo que todo dinheiro que ela e três garotos que ali estavam precisaram para vir de tão longe foi conseguido por eles próprios. Disse que não tinha motivos para tergiversar sobre seu objetivo porque estava lutando pelo futuro e defendia as crianças que não tinham seus apelos ouvidos.

Falou pelos animais que morriam no planeta porque perdiam seus espaços. Contou dos seus sonhos e apresentou com exuberante realismo o paradoxo de não termos as soluções e continuarmos destruindo. Mencionou que, apesar de sentir medo do mundo em que vivia, não tinha medo algum de dizer as verdades a quem quer que fosse porque, apesar da raiva já adquirida, ainda não estava cega.

Ilustrou sua oração contando sobre o choque que sentira quando encontrou com uma criança brasileira moradora de rua, pelo altruísmo percebido no coração daquele ser. A criança brasileira havia lhe revelado: "Eu gostaria de ser rica e se fosse daria a todas as crianças de rua alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho". Sevem Suzuki, em raro exemplo de lucidez, questionou: "Se uma criança de rua que não tem nada ainda deseja compartilhar, por que nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos?”.

Ao final foi suficientemente capaz para perguntar aos conferencistas o que estavam fazendo ali e desafiou-lhes a equalizar o discurso com a prática. Revelou que as crianças choram à noite pelo que fazem os adultos.

Sempre digo que é preciso considerar as verdades desses pequenos seres porque eles estiveram com Deus mais recentemente que nós. Velhos, já esquecemos da maioria dos objetivos da nossa missão, por tão viciados que ficamos nos efeitos da usura que se disfarça em certeza de poder.

Confesso a enorme emoção sentida ao ter visto este vídeo, concluindo que, após 15 anos, além de cegos, continuamos surdos e muitos ficamos mudos, seja por nada dizer ou por muito querer calar. Vale a pena refletir sobre ele, concordemos ou não sobre a culpa do comportamento humano na destruição do planeta.








[Tenho o texto na íntegra. Quem sentir interesse por guardar, repassar ou publicar, pode me pedir por e-mail. O código html para postar o vídeo pode ser copiado clicando no botão "embed" acima.]

Por Ery Roberto | 10:20 AM
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Segunda-feira, Julho 02, 2007

[tantas e quantas]
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE




ROBINHO E A SELECINHA

Temos uma extraordinária vocação para passar da zombaria à devoção em minutos. Porque não marcava gols há muito tempo, por suas conhecidas firulas, por estar no papel de única estrela dessa grotesca Seleção do Dunga e, como todo time, não ter produzido muita coisa diante do México, Robinho foi apelidado de triatleta: corre, corre, corre, pedala, pedala, pedala e nada!

Bastou jogar uma boa partida contra o Chile, desencantando nos últimos minutos com dois golaços, para virar herói. É o que se lê dos cronistas esportivos nos jornais de hoje.

Fosse profissional do ramo eu estaria preocupado. Dunga como comandante me faz lembrar um aforismo muito usado por Machado de Assis: "a morte é séria e não admite ironia". Como não sou e já que a ironia aceita tudo, o único milagre seria um encontro de Dunga com Sócrates (o filósofo, não o "doutor" da ex-democracia corinthiana), para que conseguisse alcançar humildemente o "reconhecimento da sua própria ignorância". Saudades do Telê!

A propósito do título principal deste post, Lulu Santos tem razão: "...Com passos de formiga e sem vontade".




PREFIRO AS PUTAS

Estarrecedora a maldade, uma praga que infesta o coração de alguns jovens desta terra fazendo-os atingir o ápice da irracionalidade pelas vias do preconceito, desocupação e possivelmente da dependência de drogas.

Somente neste fim de semana (fui recomendado a não ler notícias ruins) vi detalhes sobre mais este crime contra a pessoa humana, praticado há dias por rapazes de "classe média alta" contra uma empregada doméstica. Se apenas o ato em si já é repugnante, a justificativa (como se existisse) fede toda a podridão dessa gang, autêntica escória da sociedade.

"Pensamos que fosse uma puta!".

Independente da culpa sinto compaixão dos pais. Apesar disto, não abdico do direito de pensar que animais assim não deveriam somente ficar presos por uns tempos, mas também indenizar a vítima principal e sua família com altíssima obrigação financeira, além de relativo período de prestação de duros serviços comunitários ao segmento ofendido, sob intensa vigilância.

É preciso rever os conceitos sobre o tendencioso discurso de justificar a violência apenas pela desigualdade social que nos leva a imediatamente pensar na maioria que vive na miséria -- apesar das esmolas governamentais -- e na ignorância. Os maurícios também queimam índios, assaltam bancos, afogam colegas de faculdade na piscina e agridem diaristas.

Mais Lulu: "Ainda vai levar um tempo / Pra fechar o que feriu por dentro..."




GRASSA A FUTILIDADE

Registro isto porque não sou hipócrita. Se lá não caísse, por conseqüência do poder do hipertexto, não teria condição de crítica. Na semana passada fui parar no blog de uma comunidade que se diz fã clube de "Íris e Lemão" (ex-Big Brother). Reconheço o descuido que não me permitiu alterar a rota de navegação.

É impressionante como existe gente desocupada e praticante desse "culto à futilidade". Textos que se prezam a discutir se foi justa ou se foi sacanagem a atitude de um contra o outro pelo fim do namoro; ou se Íris abafará com sua aparição na próxima Playboy, se ela deveria mostrar só os pelos pubianos e os peitos ou incluir o útero; se a Globo vai ou não vai renovar o contrato dela; que Alemão está abafando com seu criativo(!) quadro no Fantástico; lamentações mil porque os dois são "tão bonitinhos" e "foram feitos um para o outro" e deveriam ficar juntos para fazer diversos "shumakinhos" e "caipirinhas", entopem as caixas de comentários com milhares de participações.

Quantas dessas pessoas seriam capazes de dedicar alguns minutos desse tempo em benefício de si mesmas ou de alguma coisa coletiva? Será que lêem? Que prioridade se contém em sua ótica de preocupação social? Será que lembram em quem votaram na última eleição? Será que conhecem Renan ou Roriz? Será que têm neurônios para pensar no seu futuro e principalmente na sua própria felicidade?

O vazio é cúbico! Exatamente porque em situações como esta é fácil imaginar o volume.

Não me perguntem do link, estou com mal de Alzheimer.

"...Ainda leva uma cara / Pra gente poder dar risada..."




MAS AINDA EXISTEM PÉROLAS

Felizmente, parte deste país ainda preserva sua tradição de inteligência. Há pessoas que dedicam a vida ao pensar clarividente e movem-se pela inspiração profunda, do saber olhar, da lucidez e da experiência, fazendo abrir raríssimas flores nos jardins da poética, da literatura e das artes em geral, impondo a capacidade inspiradora para distribuir pensamentos positivos que se ampliam e se tornam infinitos. Isto é vida.

Aprecie um pequeno texto de Rubem Braga, de novembro de 1958, pérola que transborda lirismo e faz a gente sonhar em qualquer dia aprender a dizer tanto com tão pouco. Achei-o em meus alfarrábios.



O PAVÃO

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d’água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas.

Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.



"... Natural que seja assim/ Tanto pra você quanto pra mim..."




E O MASSA HEIN?

Difícil entender a Ferrari. Se está atrás no campeonato, tem o Massa mais próximo dos adversários e ele está na frente do companheiro de equipe, por que não deu ordens para o "homem de gelo" tirar o pé, delicadamente, ou pelo menos inverteu a ordem de entrada dos pilotos na segunda parada para evitar os retardatários?

Não entendi. Não gostei.

Massa por massa, fico com o meu "gnocchi" do domingo. Também não foi lá aquelas coisas, o primeirão, mas quem comeu gostou. Quer a receita? É só emprestar a cozinha.

"... Não vou dizer que foi ruim / Também não foi tão bom assim..."

Por Ery Roberto | 10:41 AM
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