Quarta-feira, Outubro 31, 2007
[no país do futebol]
SAI RENAN, ENTRA TEIXEIRA
 Claro que a Copa do Mundo é um evento importante para o país.
A exigida capacidade de realização mobiliza povo, iniciativa privada e governo no sentido da construção não apenas da infra-estrutura necessária, mas acima de tudo exige união para cumprimento do compromisso maior que é o estabelecimento de um clima nacional que envolve, em nosso caso, soluções de problemas cruciais.
Além das condições dos estádios - para quem pouco entende de futebol, no Brasil atualmente não existe sequer uma praça esportiva que atenda plenamente as exigências da FIFA -, as cidades-sedes terão que resolver um pacote de exigências onde consta, entre outros itens, segurança em nível de excelência, capacidade hoteleira, qualidade de transportes, capacidade e normal funcionamento de aeroportos, estrutura de atendimento médico e outros serviços de natureza essencial.
Temos seis anos para mudar tudo isto (veja aqui apenas um resumo dos pontos fortes e fracos de cada cidade candidata) visando abrir nossas portas ao megaevento.
Se por um lado devemos acreditar na capacidade do país em cumprir os encargos assumidos com a escolha, de outro há uma evidência quanto ao comportamento político que poderá ser praticado no decorrer deste prazo. A cultura corrupta instalada no âmbito do poder tem uma oportunidade sem precedentes na história do país para exercer sua ação devastadora do erário público. Os exemplos de superfaturamento, amplamente divulgados por ocasião das construções preparatórias à realização do Pan Rio2007, demonstram a oportunidade magnífica que se abrirá a políticos e empreiteiros.
O desafio ganha contornos ainda mais dramáticos quando lembramos que serão dois governos federais distintos no decorrer do prazo existente. No regional, a fúria e o apetite com que alguns governadores encamparam a defesa de suas capitais como sede a ser escolhida prenunciam desde já o clima da próxima sucessão, agora revestida de um novo, poderoso e influente ingrediente monopolizador.
Que o projeto bem conduzido poderá produzir mudanças fundamentais, que o evento é uma rara oportunidade de se estabelecer um agradável divisor na vida do país, face aos inúmeros melhoramentos que beneficiarão a população, eu não tenho a menor dúvida. Como cidadão consciente quero muito que até 2014 tenhamos uma revolução de vida. Apenas desaprovo o ufanismo que já toma conta de boa parte da imprensa, profissionais do esporte e políticos. Temo que vivamos por um bom tempo sofrendo conseqüências desastrosas por obra dos oportunistas. Estranho que governantes achem normal ser necessário primeiro mostrar ao mundo que temos condições de melhorar para depois brindar ao povo com os benefícios decorrentes, quando melhor seria já ter construído o país para que o mundo soubesse, e visse, há muito tempo, que pouquíssimo precisaríamos fazer para podermos patrocinar uma Copa do Mundo.
Definitivamente, de qualquer forma, estarei torcendo pelo sucesso. Sei que não faltará clima de alegria e hospitalidade ao povo brasileiro e também confio na sua participação quando à vigilância e capacidade da melhor escolha política nos próximos anos, pois não há como deixar de pensar que o futebol virou um grande filão. Se bem conduzido poderá se transformar num excelente mecanismo que ajudará a resgatar a educação e oportunidade de vida a muitas crianças.
Também torço, tanto na vida cotidiana quanto numa esperada final, para que marquemos os gols. Naquela o gol da virada, nesta o da confirmação do "hexa", ou do "septa", pois antes tem a África do Sul (se é que seja possível acreditar que com o temperamento questionável do Dunga consigamos chegar na terra do grande Mandela).
COMO PENSA PARTE DO TORCEDOR
Curitiba é uma das cidades candidatas a sediar jogos da Copa 2014. O estádio nominado é o do Clube Atlético Paranaense, a Arena da Baixada, hoje construído apenas pela metade, embora seus torcedores cantem em prosa e verso que se trata do melhor do planeta (terminado certamente "será" o melhor da Via Láctea). Ontem à noite, enquanto rascunhava parte deste texto, na mesa de um bar onde fui assistir com amigos o jogo Ponte Preta x Coritiba pela TV, no intervalo fiz crescer minhas orelhas para ouvir a conversa de um grupo de fanáticos do Furacão que lá estava para "secar" os coxas. Comentavam:
— Cê viu? Agora com a Copa aqui, com Requião (governador do Paraná) apoiando, Petralha (presidente do Atlético) "trabalhando" e Lula nas cabeça, advinhe se não vai cair grana pra "nóis" terminá a Arena? É a "chancha", meu!
[Melhor que levemos para o campo das masturbações mentais e principalmente etílicas, dado o local, ocasião e platéia presente.]
GA(FE)LHOFAS
Na cerimônia de escolha do Brasil, em Zurique, como não poderia deixar de ser, aconteceram algumas gafes e galhofas:
1- Ricardo Teixeira, presidente da CBF, referiu-se a Romário como tendo jogado futebol. Em outras palavras, "jubilou o baixinho";
2- Michael Platini (membro do comitê da FIFA) estranhou a ausência de Pelé. Nos vídeos apresentados, com gols brasileiros, não havia nenhum de Pelé. Ausente estava Pelé. Ele não sabia que Teixeira, desafeto de Pelé, escolheu Romario, desafeto de Pelé, para embaixador da Copa;
3- Paulo Coelho discursou e sexualizou o futebol: "Já vi os brasileiros discutindo cinco horas uma partida de futebol, mas nunca discutir uma relação sexual o mesmo tempo". E eu que sempre pensei que sexo a gente fazia e não discutia. Se for verdade que o prazer do futebol dura mais do que o do sexo, vou pensar seriamente em abandonar a mulher e comprar uma "bola oficial, revestida de poliuretano que é pra ficar mais 'rapidinha', com dez camadas de poliestireno com borracha natural, onde há microbolhas cheias de gás, igualzinha aquela da Copa de 2002, a Fevernova", lembram? O tal do mago entende de sexo pra caralho!;
4- Teixeira irritou-se com uma repórter canadense quando questionado sobre a violência no Brasil (será que ela estava se referindo às "organizadas"?);
5- Santo Lula III..., bem (como Paulo Coelho lembra Raul Seixas), "Lula é a própria gafelhofagem ambulante que sempre tem uma opinião formada sobre nada.
Não custa perguntar: será que até 2014 Galvão Bueno se aposenta?
[+] Gafelhofas -
[UPDATE - 31.10.07 | 14:15] - Começamos errando as contas.
[Hoje estou bonzinho. Dei-lhes a oportunidade de escolher: a parte séria do assunto ou a parte cômica da ocasião. Curem-me desta abstinência de comentários porque já estou fazendo um post durar mais de um dia pra não passar vexame. O Webstats me mandou para um vergonhoso "infinito negativo" e só me deu a passagem de ida...]
[UPDATE - 31.10.07 |16:57] -
É AGORA OU NUNCA!
Dante Mendonça [31/10/2007]
Postado no site Parana Online, acesso para cadastrados.
“50 anos em 5!” - dizia Juscelino Kubitscheck. “Aumentou a nossa responsabilidade!”, declarou ontem o presidente Lula na Suíça, só faltando acrescentar: “100 anos em 7!”. Não temos mais desculpas. Ou o Brasil se torna uma potência de primeiro mundo em 2014, ou não se fala mais em futebol neste País.
Na Suíça, foi dado o pontapé inicial para a maior reforma de infra-estrutura que o Brasil tem a oportunidade de receber. Em Brasília, o pontapé que faltava para o terceiro mandato de Luiz Inácio da Silva. “Afinal, quem começa uma obra tem que terminar!” - dirão os áulicos no centro do poder. “E se o presidente começou a Copa do Mundo, que vá até o fim!” -hão de concordar os circunstantes.
Apesar de Lula descartar a possibilidade de um terceiro mandato, a senha para 2014 foi dada por ele mesmo na véspera da boa nova: “Não precisa mexer em coisa que não é prioridade. A prioridade não é o terceiro mandato”.
Para bom entendedor, uma bola na área basta. A Copa do Mundo se tornou prioridade e esqueçam o que foi dito até ontem. Daqui para frente, tudo será muito diferente, a base aliada vai repetir o refrão: “100 anos em 7! Nem mais nem menos, essa é a prioridade!”.
A política é uma caixinha de surpresas. No país do futebol, nunca antes neste País um presidente viu passar à sua frente um cavalo assim encilhado para 12 anos de mandato.
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Joseph Blatter bateu o martelo, Ricardo Teixeira beijou a mão, Paulo Coelho abençoou, Dunga ergueu a taça, Romário falou a Copa do Mundo é nossa, ficamos combinados quanto ao terceiro mandato e agora só nos resta escolher o presidente da Comissão Organizadora do Carnaval - digo, da Copa do Mundo. Por sete anos, o segundo mais importante posto da República.
Cargo suprapartidário mais relevante que a presidência do Congresso Nacional, melhor seria escolher o cartola-mor pelo voto da galera, aproveitando as eleições municipais do próximo ano. Não sendo possível, já visto que os negócios da Fifa exigem colégios eleitorais reduzidíssimos, de preferência urdidos em camarotes refrigerados, teremos nos próximos meses uma batalha sangrenta pelo cargo de primeiro-ministro da Copa. Dentro das bases governistas, o PMDB deve trocar tudo o que tem, e o que ainda não tem, pela indicação. O PT vai exigir, sem conseguir, um companheiro na bilheteria do Maracanã. O PTB vai reivindicar a presidência da comissão de árbitros das licitações de obras e o Partido Comunista, que está sempre na zona do agrião, vai se colocar à disposição para intermediar as negociações entre o público e o privado. Quanto aos tucanos, não devem ficar nem mesmo no banco de 2014. Aécio Neves, um ponta-de-lança ainda no juvenil, que se contente com uma possível convocação para a Copa de 2018.
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Candidato único, este país tropical não foge à própria natureza: ganhou a Copa sem concorrência, sem licitação. Na cerimônia da abertura, que pelo menos os aeroportos estejam em condições de jogo. Caso contrário, corremos o risco de ver a seleção canarinho ganhar todas as partidas por WO.
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No Paraná, não corremos nenhum risco de ficar fora da Copa do Mundo: se Mário Celso Petraglia não conseguir viabilizar a Arena da Baixada, a Copel entra na concorrência.
[Dante é jornalista e cartunista.]
Por Ery Roberto Corrêa |
9:48 AM - Link deste post
Segunda-feira, Outubro 29, 2007
[cotidiano]
O BRASIL NÃO É PARA AMADORES
 Por extremamente oportuno, empresto o título do excelente livro do prof. Belmiro Valverde Jobim Castor, ex-professor da UFPR, obra que dedicou ao tratamento da burocracia na terra do jeitinho.
Embora o próprio presidente tenha declarado seu "repúdio" à idéia, manifestação igualmente repetida pelo presidente do Partido dos Trabalhadores, não há como considerar diferente de atitude rasteira, verdadeiro pachequismo, a proposição pensada pelo deputado federal Devani Ribeiro (PT-SP).
O distinto deputado trata do assunto com o espírito amadorista da política, sem pensar que se resume a uma proposta sem nenhuma consistência moral, alheio ao sentimento de respeito aos princípios democráticos que fazem da alternância de poder um dos mais respeitáveis legados do nosso regime.
É de se imaginar o que uma iniciativa da espécie teria causado se houvesse nascida de alguém de qualquer base governamental se o PT estivesse novamente na oposição. No mínimo a tratariam como tentativa de golpe. E não sem razão. Neste aspecto é assim que se traduz, na sua mais absoluta literalidade, qualquer idéia que tente se impor à tradição política resguardada pela Constituição. Além do mais, o Brasil jamais estará disposto a desenvolver uma vocação para o chavismo.
Perdeu o deputado excelente oportunidade de guardar sua estrela no bolso traseiro e ficar calado. O fato só serviu para que ficasse ainda mais patente que certos petistas, claramente divorciados da autenticidade que um dia fingiram emprestar à construção de um partido com o dom de luta e zelo pelas instituições democráticas e ao estado de direito, só servem, hoje, para provocar crises.
A julgar pelas reações (a considerar que não sejam fingimentos) do próprio PT, o que mais dizer de um sujeito como esse, a não ser que se trata de um oportunista que hoje veste a mesma roupa suja que um dia, no corpo de outros, costumava tampar o nariz para poder passar por perto?
Por Ery Roberto Corrêa |
9:20 AM - Link deste post
Sexta-feira, Outubro 26, 2007
[música]
A CRIA CAIU NO SAMBA
“A intenção não é ser a Maria Rita sambista. Tenho paixão e respeito pelo samba,
essa é minha única pretensão. E o fato de eu ser de São Paulo
e não ter nascido na Lapa ou no subúrbio do Rio não impede o meu respeito e minha paixão.”
[Maria Rita, em entrevista coletiva virtual.]
 la chegou de mansinho por obra de Milton Nascimento que a convidou a participar de um disco. Quando soltou a voz para cantar Encontros e Despedidas encantou o Brasil e logo vieram as comparações com Elis, sua mãe. Maria Rita foi inteligente porque não fez das comparações um problema para sua arte.
Decidiu-se por um estilo que marcou seu surgimento para a música brasileira, sem que este fosse mais um fator a encarcerá-la em inevitável vínculo. A tendência jazzística do seu canto, possivelmente uma herança genética de César Camargo Mariano, seu pai, a colocou nos palcos do Brasil como nova musa a partir do CD Maria Rita, em 2003.
É evidente que ela traz outras heranças artísticas muito típicas do lado materno. Quem não lembra de algumas interpretações onde a Pimentinha incorporava o tema da composição e verdadeiramente se transformava em personagem? Não há muito desta característica em Maria Rita, mas, a exemplo de Elis, é inegável que ela tem um conjunto gestual marcante e principalmente um fabuloso domínio de palco. Quanto a sua voz, carrega um timbre e sonoridade ímpares, transmitindo doçura e leveza só atingíveis por quem traz do berço o inestimável talento artístico.
Após cinco anos do lançamento do primeiro disco, já com um estilo consagrado, ela mostra versatilidade e encara o Samba. Reconhece que no primeiro trabalho foi "muito protegida por uma imagem de diva intocável que em nada combinava com o seu dia-a-dia". Independente deste sentimento, a gravação do CD "Samba Meu" não representa outra iniciativa que não seja a vontade, existente desde quando ainda era desconhecida, em trafegar por um ritmo que, segundo ela própria, já namorava quando ouvia Chico e Gil fora do país.
No histórico do projeto sambista estão nomes como Mart’nália, a filha de Martinho da Vila, Diogo Nogueira e Leandro Sapuchay. Mas, inegavelmente, o grande nome dos bastidores foi Arlindo Cruz, que assina seis composições das quatorze que foram gravadas.
Na música que abre o disco, faixa-título da autoria de Rodrigo Bittencourt, Maria Rita chega à capela para em seguida receber a companhia de uma cuíca que chora para ilustrar a seqüência bonita dos versos de Samba Meu. Com a Velha Guarda da Mangueira ela revive um hit de Gonzaguinha, O Homem Falou, que aliás é uma canção inesquecível, um sambão escolhido a caráter para dar peso e rótulo definitivo ao álbum. Dentre as composições presentes de Arlindo Cruz, destacam-se Maltratar não é direito (A. Cruz/Franco), Num corpo só (A.Cruz/Picolé), um samba sensualíssimo que é grifado pela interpretação requintada e Tá perdoado (A.Cruz/Franco). Esta é a sexta faixa, momento em que já se percebe uma Maria Rita perfeitamente à vontade dentro da nobreza do ritmo mais brasileiro.
Seguem outros sambas, para todos os gostos, como Pra declarar minha saudade (Jr. Dom/A.Cruz) e O que é o amor (A.Cruz/Maurição/Fred Camacho), letras belíssimas que são um porto inevitável para os românticos. Aos fãs da famosa dor-de-cotovelo reserva-se Trajetória (A.Cruz/Serginho Meriti/Franco), cujo piano mostra o quão maiúsculo foi o arranjo escolhido.
Considerei Mente ao meu coração (F. Malfitano), uma canção que já foi gravada por Paulinho da Viola, o ponto G do disco. O casamento da marca registrada instrumental das músicas cantadas por Maria Rita, ou seja, presença marcante dos arranjos de piano, contra-baixo e bateria com os elementos naturais da instrumentação sambista, cuíca, percussão e cordas de violão, tornou esta releitura uma gravação da melhor qualidade.
Em Corpitcho (Picolé/Ronaldo Barcellos), por citar Madureira, Império Serrano, Copacabana, Paquetá e outras, sente-se a necessária referência à carioquice, passagem inevitável pela contribuição do Rio de Janeiro à biografia do nosso samba.
Há também a presença de uma brincadeira de crianças em Cria (Serginho Meriti/Cesar Belieny). As vozes do início da música são do filho de Maria Rita e do filho de Tom Capone, o produtor do seu primeiro disco.
A capela do início se repete no fim, em Casa de Noca (Serginho Meriti/Nei Jota Carlos/Elson do Pagode). Um "de volta ao começo". Será que Maria Rita quis dizer que gostou e já pensa em repetir a dose? Foi autêntica em entrevistas que deu para falar do novo trabalho. O Samba lhe é apenas uma possibilidade, realizada, e, se neste nível, quiçá repetida, mas apenas como uma forma de amor pela música brasileira.
Terceiro disco. Parece que essa menina surgiu ontem! Coincidência ou não, os primeiros sambas gravados por Elis Regina faziam parte do seu terceiro disco. Mas isto é apenas uma lembrança. EXPECTATIVA E REPERCUSSÃO
Maria Rita já ultrapassou fronteiras há algum tempo. Portugal que o diga.
Também tem gente que faz um crítica menos ardorosa, mas que deve ser respeitada pela argumentação técnica.
E deu no New York Times: "Sooner or later every Brazilian pop singer comes to terms with the omnipresent, far-reaching tradition of samba. Maria Rita’s 'Samba Meu' ('My Samba') (Warner Music Brazil) takes on a group of sambas with the lightest possible touch, using mostly unplugged instruments, easing in and out of jazz harmonies and singing in a casual tone that recognizes the longing in the songs but doesn’t get weighed down by it. Her voice enjoys a continual dialogue with the cuica, the Brazilian friction drum that regularly answers her with playful squeaks".
Sorry! "... e eu que nem sei falar inglês / venho pensando há mais de mês / pra onde vai meu português..."
Por Ery Roberto Corrêa |
11:34 AM - Link deste post
Terça-feira, Outubro 23, 2007
[serviço]
JUSTIÇA VOLANTE
Ontem havia postado um texto divulgando um serviço (justiça volante em casos de acidente de trânsito) prestado pelo Juizado Especial de Pequenas Causas de Curitiba e que supostamente era solicitado por telefone. Inclusive divulguei o número.
Obrigo-me ao esclarecimento que deletei o post. Apresento minhas excusas por não ter pessoalmente checado a fidelidade. Hoje, em contato com aquele Juizado, obtive a certeza que se trata de falsa informação, produto de notícia "criada" por alguém que se encarregou de usar a internet e produzir mais um spam.
O telefone divulgado, fiz diversas tentativas, não atende (está permanentemente ocupado).
Fico pensando qual o motivo que leva alguém a produzir alguma coisa falsa deste porte, fato que se agrava em diversos sentidos pela rapidez com que uma informação é hoje repassada pela rede. Normalmente este tipo de gente, para dar o start da sua "brincadeira de mau gosto", cria um e-mail igualmente falso. É difícil entrar nos meandros psíquicos e entender quem assim procede. Perdem todos: o proprietário da linha telefônica que certamente já sofreu muitos aborrecimentos, as pessoas bem intencionadas que repassam a informação e até o Juizado com sua credibilidade.
A serventuária que me atendeu, por sinal muito simpática, contou de alguns inconvenientes que a notícia já causou e revelou que o assunto está sendo levado aos responsáveis para que seja feito um esclarecimento mais amplo na imprensa.
Casos assim contribuem definitivamente para certa desmoralização da comunicação via e-mail.
Por Ery Roberto Corrêa |
6:46 PM - Link deste post
Segunda-feira, Outubro 22, 2007
[mini conto]
O GREMISTA
Havia numa cidadezinha um sujeito que era um "torcedor gremista" de verdade. Diziam que, no mundo inteiro, não havia ninguém mais gremista do que ele.
O homem envelheceu e ficou muito doente. Estava nas últimas, tinha só mais uns dias de vida. Então mandou chamar seu filho mais velho e ordenou:
— Filho, vá até o Beira Rio pra mim, tire uma carteirinha de sócio do Inter para o seu velho pai e compre uma camisa do colorado.
O rapaz não entendeu nada, mas foi. Voltou para casa com a carteirinha e a camisa.
Quando o velho recebeu a encomenda deu aquele sorriso! Jogou fora a camisa do Grêmio, vestiu imediatamente a do Inter e agarrou a carteirinha junto ao peito.
O filho, achando que o pai estava pirando, não resistiu:
— Mas, pai... O senhor foi gremista fanático por toda a vida. Não conheci outro como o senhor. Por que agora, no fim da vida, resolveu mudar de time?
E o pai:
— É que eu quero que morra mais um colorado...
[Este texto passa a idéia, de forma bem humorística, de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro. Foi-me enviado sem menção da autoria.]
COXA QUASE LÁ
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E por falar em futebol, Gustavo ("ex-colorado", que no início do ano trocou aquela camisa vermelha horrorosa por esta gloriosa alvi-verde), foi o nome da partida de sábado (Coritiba x Santo André). Marcou os dois gols do Coxa na virada contra o time do ABC.
Foi um sábado espetacular: tarde ensolarada, 23 mil pessoas (as três últimas partidas tiveram somadas um total de público próximo aos 80 mil espectadores) e um bom jogo com muita vibração da torcida e o já tradicional agradecimento dos jogadores ao final das partidas.
Quando o Coritiba caiu para a Série B em 2005, na última rodada, jogando contra o Inter (vitória nossa por 1 x 0), esta fiel torcida, em meio a muitas lágrimas, protagonizou uma cena magnífica que ficou marcada para todo o Brasil através da narração de Cléber Machado e comentários do Falcão. Mesmo na humilhação do rebaixamento ela confessava o seu amor pelo time, cantando e desabafando o orgulho que nunca morre. Eram mais de 20 mil coxas.
Hoje não é surpresa alguma que esta torcida tenha feito o maior público do ano em Curitiba (35 mil, na partida contra o Ceará) e no lugar daquelas sofridas lágrimas de 2005 esteja nascendo em seu semblante um novo sorriso: a empolgação com a certeza que em 2008 "estaremos de volta". |
Por Ery Roberto Corrêa |
11:48 AM - Link deste post
Sexta-feira, Outubro 19, 2007
[costumes]
GAMBIARRA: A FORÇA DO JEITINHO E AS SOLUÇÕES MALABARISTAS
 Sociedade dos Ilustradores do Brasil
Autor: Luana Geiger
Cliente: Coletivo ARTE AO(S) VIVO(S)
Técnica: vetorial - Illustrator
Pauta/briefing: imagens para live art "Gambiarra!"
Quem ainda não passou pela situação de ter que apelar para uma “gambiarra”?
Embora existam inúmeras definições para esta arte do improviso (veja quadro ao final), acho mais criativa a que li outro dia em uma revista: “soluções inusitadas para necessidades imediatas”.
Convenhamos, o brasileiro traz na veia a capacidade de improvisar e esta verdadeira engenhosidade contribuiu para que a prática do famoso “jeitinho” se incorporasse na nossa cultura. É evidente que a maioria dos “jeitinhos” carrega uma dose de esperteza explícita. Dependendo da situação chega a causar repulsa.
A utilização da gambiarra provoca risos e lágrimas. Sem contar que pode provocar as duas coisas em tempos distintos e não necessariamente nesta ordem.
Tema de trabalhos de conclusão de cursos, sua pesquisa contribuiu para o entendimento que a ocorrência não existe apenas como simples fator de emendas cotidianas, mas que também é possível estabelecer uma profunda relação com o conceito de design industrial.
Interessante é constatar uma destacada intimidade em âmbitos tão paradoxais quando se projeta uma comparação elementar. O design é tido com uma "nobreza" e a gambiarra tem a identidade do "mal acabado, do lixo e do feio". Para aumentar a crença que os opostos se atraem, tanto uma gambiarra adaptada em escala industrial poderá ser considerada posteriormente um design, assim como um design, se dedicado a uma necessidade, poderá ser taxado de gambiarra.
Há outras áreas, como a arte popular, onde o conceito se instala de modo semelhante por uma via de transformação de materiais. Joãozinho Trinta, carnavalesco carioca, pode ser considerado um tipo de designer cuja inspiração não menosprezou o terreno da sucata. Processando em escala e ambiente teoricamente industrial (o barracão), viu sua arte ser premiada e copiada por muitos anos. Mas a Sapucaí, diferente de tempos românticos, tem sido mais um palco de julgamento da melhor engenhoca, da mais efusiva pirotecnia, do que propriamente do desfile de soluções típicas de ocasião que tenham o poder de se transportar para alguma seção da realidade, na forma ortodoxa do útil. Tem uma similaridade com a filosofia da moda, que faz das suas passarelas uma provocação de tendências, nunca um ditado de costumes.
Nem o webdesign escapa da gambiarra. Quem pratica alguma linguagem de programação sabe do uso de subterfúgios aplicados nos códigos para que se possa driblar, por exemplo, o queixo duro de alguns browsers que não respondem amigavelmente a determinados estímulos do html.
O certo é que tudo, no âmbito da simples gambiarra, tende a se considerar como solução e em muitos casos de forma dissociada da vontade de mudança ou regularização. Tem muita gente contente com seu banho quente por conta do "gato" na instalação elétrica. Outros são despreocupados com a falta de alternativas da TV aberta por conta do "jeitinho" do sinal pirata na transmissão fechada. Outros devem sentir vergonha de abrir o capô do carro para que ninguém veja a ferida exposta em seu motor.
As gambiarras que nos fazem rir persistem por aí impunemente. Daiza Neves, brasileira que mora na Itália e bloga no Farofa na Neve, esteve recentemente na Bahia e clicou uma maravilha. Vale o link. Será uma economia de poste, protesto contra o Ibama por dificultar o corte da árvore ou pura baianada?
Cabe dizer que "pura baianada" não significa minha vontade de tornar gambiarra uma referência explícita ao regionalismo. Afinal as soluções inusitadas acontecem por todo território e também fora dele. Leia dentro desta reportagem um caso cubano que, embora realidade, parece muito com uma cena de cinema.
No site Metacafé descobri este vídeo que tem profunda identidade com a famosa foto Gambiarra 19, de Cao Guimarães, abaixo reproduzida, apresentada no texto de William Gibson (projeto de livro onde o texto seria mais voltado para o campo específico da "gambiarra tecnológica"). [pdf]
Make Safty Pin From A Paperclip! - Funny home videos are a click away
Existem outras fotos engraçadas no site Orapois e o Gambiarra dedica seus posts a mostrar o que se inventa em termos de adaptações eletrônicas, como "Desentupindo Cartuchos de Impressora", originalmente postado em inglês no The West Virginia Blog.
Embora toda a amplitude semântica e o sentido de repulsa (como citei ao início) que possa provocar o ato do "jeitinho", só se atingirá um conceito maduro na hipótese de eliminarmos a acepção vulgar da palavra para separar de forma isenta tudo que seja interessante tratar.
Porém, bem mais significativo que o melhor conceito elaborado será a consciência que toda gambiarra precisa, no primeiro momento possível, ser apresentada ao desenho de solução definitiva. A menos que sejamos militantes do PJBS – Partido do Jeitinho Brasileiro de Ser, onde muita gente conhece a firmeza das fibras que prendem a fruta ao coqueiral.
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"refere-se a uma extensão elétrica, de fio comprido com uma lâmpada na extremidade; serviço elétrico mal feito para obter energia elétrica de maneira ilegal; ou um rosário de lâmpadas."
[conceituação geral]
"Rampa de luzes e/ou refletores, de cores variadas, situada ao lado de outras, ou na parte anterior do urdimento, acima da ribalta, ou no teto da platéia, a alguns metros de distância do palco."
[teatro. Dic.Aurélio Séc. XXI]
"ato de criar soluções na forma de objetos para as mais variadas necessidades."
[Antonio Carlos Quinto, em Conceitos de design de produtos e gambiarra]
"A gambiarra, mesmo que utilizada com diferentes nuances, com mais ou menos alegoria dependendo da vocação do artista para o símbolo, é a peça em torno da qual um tipo de discurso está ganhando velocidade."
[Lisette Lagnado, em O malabarista e a gambiarra]
"Estão acesos tangões, gambiarras e ribaltas para lhe esmaltar a pele (da atriz) e afagar as linhas do corpo."
[Antero de Figueiredo, em Cômicos, p. 131.] | | |
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Por Ery Roberto Corrêa |
9:53 AM - Link deste post
Terça-feira, Outubro 16, 2007
[cpmf]
QUEBRA DE CONTRATO
“Quero ver quem no planeta Terra pode prescindir de R$ 40 bilhões.”
[Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a CPMF]
O povo também não pode prescindir do seu direito de não querer pagar. Mas não se trata de um "não querer" por "não querer". É preciso trazer à tona alguns sentimentos sobre a existência do imposto.
O descumprimento da sua real finalidade – foi criado para investimento na área de Saúde Pública no país – revela má administração de recurso e, assim, se constitui em desvio, ato que sugere, dentre outras coisas, má intenção.
Se o montante arrecadado cresce anualmente significa que a movimentação financeira reflete a saúde da economia, fato que também faz aumentar a arrecadação de toda carga tributária já existente e que não é baixa.
40 bilhões que tem origem em “verdadeiro confisco” da economia popular não pode, efetivamente, ser prescindido por um governo tirano.
A Saúde Pública no Brasil, objeto e real destinatário da “arrecadação provisória”, passa por um estado de calamidade que tem levado brasileiros carentes a esperar atendimento deitados em corredores de hospitais e postos de atendimento da rede pública, com a ocorrência até de mortes que são motivadas pela falta de estrutura vigente.
Se o imposto persiste – e não se diga que isto é culpa de governos anteriores, até porque o atual governo foi quem mais o utilizou para outras finalidades durante os últimos cinco anos – e tem uma recomendação prevista na legislação que o define, quem é o culpado pelo estado caótico da Saúde no Brasil? Quem nos garante que não se perpetuará, sendo incorporado como arrecadação definitiva, aumentando a já escorchante carga tributária e sendo criminosamente gasto para manter as regalias dos cabides de emprego e para financiar as mazelas e as farras dos gastos anuais do Planalto, sabidamente totalizados em astronômicos bilhões de reais?
Se a nossa economia vai tão bem, o caixa está em nível saudável e a perspectiva de crescimento tem sido motivo para que o presidente diga, por onde quer que vá, que seu governo é tão competente “como nunca se viu neste país”, qual argumento é suficiente para não recomendar sua extinção, já que a população cumpriu compulsoriamente sua obrigação em tempo maior do que o inicialmente previsto e, mais grave, sem receber uma contrapartida decente que seja? Houve, digamos, um descumprimento contratual, é tão óbvio. O insano é a parte que "descumpriu" querer tirar proveito!
A alíquota de 0,38% do imposto representa, em média, 1,7% do preço final dos produtos e serviços consumidos no País. É imposto sobre imposto. É típico do autoritarismo e da ganância do Estado que não admite controlar e reduzir seus próprios gastos via enxugamento da máquina.
Se o governo Lula é tão “probo” como se tenta passar para a opinião pública, se é tão diferente dos anteriores, como tem uma base de apoio tão “engajada” nos ideais de justiça social largamente pregados pelo PT durante anos (quando não tinha o poder), porque não resolve o problema com uma urgente reforma tributária?
Se o PT é tão transparente como diz ser, por que não mostra sua real verdade quanto à aplicação dos recursos que contém verbas que são contestadas pelo TCU a cada encerramento de exercício?
Amigo leitor, já está na hora de deixarmos de nos fazer passar por hipócritas ou por piores cegos. Só não prescindem de impostos espúrios governos mal intencionados, descomprometidos com a mais humana distribuição de renda e justiça social.
Que o Senado dê a resposta que lhe cabe em nome da população. Esperemos, apesar do cheiro ruim que ainda predomina naquela Casa, que na hipótese de aprovar a PEC para prorrogação da CPMF, o faça impondo profundas alterações como redução da alíquota, estabelecimento de isenção para um limite mínimo de movimentação compatível com a renda média da população e crie confiáveis mecanismos fiscalizadores da sua real aplicação. É o mínimo que deveria fazer.
Aos deputados federais pelo Estado do Paraná já apresentei, via e-mail, a todos que votaram “SIM” à continuidade da CPMF, o meu mais profundo repúdio.
Assunto: PEC – Prorrogação da CPMF
Data: 16.10.07
Destinatários:
dep.ratinhojunior@camara.gov.br
dep.airtonroveda@camara.gov.br
dep.andrevargas@camara.gov.br
dep.angelovanhoni@camara.gov.br
dep.assisdocouto@camara.gov.br
dep.maxrosenmann@camara.gov.br
dep.dilceusperafico@camara.gov.br
dep.giacobo@camara.gov.br
dep.hermesparcianello@camara.gov.br
dep.marceloalmeida@camara.gov.br
dep.moacirmicheletto@camara.gov.br
dep.nelsonmeurer@camara.gov.br
dep.odiliobalbinotti@camara.gov.br
dep.osmarserraglio@camara.gov.br
dep.ricardobarros@camara.gov.br
Só prova em contrário poderia manchar meu respeito pela sua condição de deputado federal pelo meu estado. No entanto, frustro-me agora com a notícia que veicula o "seu verdadeiro compromisso", que a julgar pelo voto favorável à prorrogação deste verdadeiro confisco do dinheiro do trabalhador não é com o povo, nem mesmo com a maioria daqueles que o elegeram, enganados que foram com sua repugnante decisão.
Seu nome estará exposto em painel que pretendo divulgar ao fim do processo de aprovação da PEC em meu blog Infinito Positivo. Não espere outra menção que não seja o repúdio a esta total falta de sintonia da sua pessoa no desempenho de tão importante função, que infelizmente se configura em falta absoluta de conhecimento dos maiores anseios do povo brasileiro já intolerante com a insensibilidade dos seus legisladores.
Tenha absoluta certeza que este gesto desastroso da sua atuação parlamentar estará registrado na lembrança do povo paranaense quando dela precisar fazer uso, em eventual pretensão de V. Exa. nos próximos pleitos. É profundamente lamentável quando um deputado atua na contramão das aspirações da sua base representada, caracterizando uma verdadeira afronta aos compromissos públicos e princípios democráticos.
Ery Roberto Corrêa
Professor - TE 5245...
Curitiba - PR
Por Ery Roberto Corrêa |
11:47 PM - Link deste post
Quinta-feira, Outubro 11, 2007
[poesia e realidade]
SEM TÍTULO (*)
Periodicamente mudo o personagem do "topo" desta página. Costumo considerá-los como verdadeiras grandezas pela magnitude do seu pensamento. Esses homens, dotados de inteligência e capacidade de ver o mundo pela janela da coerência do raciocínio, fizeram das palavras um instrumento eficaz para a compreensão da nossa realidade.
Mesmo diante da amplitude da realidade e sua natural dinâmica observada em função de múltiplos valores, dentre eles os pertinentes a cada cultura, a força da observação processada com a excelência das suas mentes brilhantes permitiu uma concepção de totalidade, mesmo num sistema onde a transformação é natural. Assim, seus conceitos se tornaram transcendentes em relação aos limites do tempo.
Hoje trato então de dois gênios: sai Leminski e entra Borges. Impossível não permitir em determinado momento de criação de cada um deles a co-relação entre os dois pensamentos, embora figuras formadas por diferentes influências e que viveram escolas e culturas distintas, em época que certas realidades do mundo eram compartimentadas pela não globalização. Isto propicia o entendimento de uma incomum convergência filosófica, mesmo que em cada contexto pessoal possa ter habitado a extravagância, o contraditório e a utopia.
Leminski, o samurai futurista, célebre por sua poesia marginal, aquela em que um rabisco já é um clássico [Cid Ottoni Bylaardt, professor de Pré-Vestibular, em Estudo da Obra Literária "Distraídos Venceremos"], consegue nos mostrar em "Se Incenso fosse Música" a certeza de resultar do pensamento uma verdade por obra não de um jogo natural ou de certa casta de seres, mas uma denotada intervenção de um princípio superior. Metafísico:
"isso de querer
ser exactamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além".
Como Borges:
"Qualquer destino, por mais longo e complicado que seja, vale apenas por um único momento: aquele que o homem compreende de uma vez por todas quem é".
Nos complexos da fé e nos terrenos abstratos, Borges vê um virtuoso esforço humano para chegar à interpretação do universo.
Percebo que como Leminski, para usar uma rara definição da Profa.Bella Jozef, emérita da UFRJ, crítica e especialista na obra de Jorge Luis Borges, em texto-resumo da conferência que pronunciou na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, em abril de 1999, o argentino "desrealiza a realidade para projetar outra mais essencial; desmonta o texto numa problematização de nossa relação com o mundo".
Em ambas as definições há uma contemporaneidade capaz de rapidamente nos incitar à transferência dos seus conteúdos a fatos da política brasileira de hoje.
Em Leminski somos levados a enquadrar o Presidente do Senado. O "além" pode se transformar em crise institucional de repercussões desastrosas no caso do Sr. Renan Calheiros se manter na insistência do (querer) indecoro e irresponsabilidade próprias da sua personalidade. Suas atitudes não permitem que se pense apenas em abuso de poder, canalhice, mentira e crime, pois nos últimos episódios se inscreve toda uma paranóia que contamina cada dia mais o corpo da instituição. A decorrência principal, por tudo que já sucedeu e que possivelmente ainda haverá de render, é o ponto final da nossa já combalida classe política.
Depois de eliminados os bispos, derrotada a cavalaria e trocadas as damas, será que "Distraídos Venceremos" evitando o "Cheque-Mate" que se aproxima, onde duas torres escondem a presença fulminante de um remanescente peão em posição invejável e estrategicamente protegido pelo rei? O tempo é inexorável. Carecemos de um movimento de redenção. Metáfora ma non troppo.
De ora em diante, pelo menos aqui no meu topo, fiquemos um pouco com Borges. Cuidemos da chama quase nula da esperança para que o Brasil encontre o tal "único momento". Ainda que convivamos mais com a utopia, ainda que esse momento seja apenas e tão somente um sonho, é nele que será possível um lance mágico neste tabuleiro da nossa realidade.
(*) – Parodiando o próprio Leminski: “Pra que título? O poema não funciona sozinho?".
[A caricatura de Borges é da autoria de Baptistão e a imagem de fundo da ilustração é da whatatop.com. Não tenho crédito para a foto de Paulo Leminski.]
[UPDATE - 11.out.2007 | 19:12] -
Embora haja um jogo sujo nos bastidores da base aliada, provando que nem mesmo as atitudes esperadas pela população têm imunidade contra a negociata e o conchavo, o "coco" saiu de cena temporariamente. Bom seria que ninguém o "catasse" e "apodrecesse politicamente" para delírio dos vermes. Enquanto isso o ministro "cavaleiro da CPMF" continua com suas estúpidas ameaças. Tudo se resume em mais um jogo de cena indecente, para não dizer cruel.
Por Ery Roberto Corrêa |
12:31 PM - Link deste post
Segunda-feira, Outubro 08, 2007
[coisas de casais]
MÁGOAS INCURÁVEIS
— Preciso de você hoje!
— Como se eu nunca estivesse à sua disposição...
— O Nelson e a Lídia virão aqui à noite e gostaria que os recebesse até eu chegar.
— Como? Você convida seus amigos para vir em casa e não vai estar?
— Eu só vou atrasar um pouquinho.
— Mas eu não os conheço, são pessoas que não me dizem respeito!
— Gildinha, eu já falei de você a eles. Depois, também já recebi suas amigas enquanto você não estava.
— Mas é diferente. Você até se divertiu com elas.
— Assim você me ofende, eu as tratei com todo respeito.
— Se você tem certeza que vai chegar depois por que não combina de recebê-los mais tarde?
— Gildinha, você não está sendo razoável. Estou apenas pedindo um favor. E não será pela noite inteira.
— Paulo, você devia entender que não os conheço e que mesmo tendo falado a meu respeito é constrangedor ficar aqui fazendo sala para pessoas que nunca vi.
— O Nelson gosta de música. Se for o caso deixe-o à vontade lá no studio com os discos, sirva-lhe uma bebida e pronto. Diga-lhe que chegarei em seguida. Com a Lídia você terá o que conversar.
— Sei. Conversarei sobre o marido que não pára em casa, sobre a felicidade que me tomaram, esta minha submissão forçada...
— Ok Gildinha, você venceu! Vou recebê-los no apartamento da Silvia.
O celular toca e Paulo atende.
— Pronto! As coisas me parecem vindas por encomenda. Era Silvia dizendo que receberá uns amigos do trabalho hoje à noite para comemorar a promoção. Pediu-nos para chegar lá um pouco antes para recebê-los porque poderá se atrasar no salão do cabeleireiro. Adiarei o compromisso e avisarei ao Nelson do endereço. Você me acompanha?
— ...
— Gildinha, fiz uma pergunta!
— Eu nunca estive à disposição da Silvia. Ela é sua filha, não minha.
— Se era pra ofender não precisava ter respondido.
— Foi o que fiz. A insistência foi sua.
— A TPM já chegou?
— Não, disse que vai atrasar um pouquinho...
Por Ery Roberto Corrêa |
9:45 AM - Link deste post
Domingo, Outubro 07, 2007
[música]
STEVIE WONDER
Stevie in the Grammys 2007
Imagem: VH1 | | Poucos artistas me impressionam tanto como Stevie Wonder. Hoje passei a tarde longe do futebol, dos blogues, dos problemas. Revivi intensamente belíssimas lembranças da minha vida através de boa música. Stevie estava presente.
É incrível o poder da música. Eu não conheço Porto Alegre, apenas estive lá de passagem para Serra Gaúcha em 1984, mas na juventude ouvia muito a Rádio Gaúcha e havia um programa (não lembro o nome) que tinha Yester-Me, Yester-You, Yesterday como prefixo. O apresentador que o comandava falava muito da cidade, transportando os ouvintes para as coisas interessantes da capital, além de tocar muita música de excelente qualidade. Foi então que esta canção ficou pra mim linkada à Porto Alegre. É impossível não lembrar de lá cada vez que a ouço. Viajo, sinto-me lá sem nunca ter estado de verdade.
Do repertório que tenho, de Isn't She Lovely (linda!) a Yester-Me, Yester-You, Yesterday, de My Cherie Amour a I Just Called To Say I Love You, de Part-Time Lover a You Are The Sunshine Of My Life, verdadeiras pérolas na voz incomparável de Stevie, escolhi "Lately" para dividir com vocês, porque além da magnífica voz, o piano me arrepia... |
LATELY - Tradução daqui.
Ultimamente eu tenho tido sentimentos meio indefinidos,
Sem que haja nenhuma razão aparente prá eles.
Pensamentos de perda têem sido constantes, na minha cabeça...
Frequentemente sinto você usando perfume
E você diz que não vai a nenhum lugar em especial
Mas quando pergunto se você vai demorar a voltar
Você diz que não sabe, que nunca se sabe.
Bem, eu sou um homem de muitos quereres,
Queria tanto que minha intuição estivesse errada,
Mas o que realmente sinto meus olhos não conseguem esconder,
Porque eles logo começam a chorar,
Porque desta vez essas coisas poderiam significar um adeus.
Ultimamente eu tenho me encarado no espelho
Bem devagar, querendo mesmo me enxergar,
Tentando dizer prá mim mesmo que não há nenhuma razão prá esse sentimento, no seu coração.
Numa noite dessas, enquanto você estava dormindo
Eu ouvi você sussurrar o nome de outra pessoa
Mas quando te pergunto o que você está pensando
Você só diz que nada mudou.
Bem, eu sou um homem de muitos quereres,
Queria tanto que minha intuição estivesse errada,
Mas o que realmente sinto meus olhos não conseguem esconder,
Porque eles logo começam a chorar,
Porque desta vez essas coisas poderiam significar um adeus.
Por Ery Roberto Corrêa |
9:01 PM - Link deste post
Sexta-feira, Outubro 05, 2007
[vigilância garantida]
QUE DUPLA!
Se você tem uma dupla assim pode "cair na gandaia" no final de semana sem se preocupar com a casa (fez-me lembrar cena de "Esqueceram de Mim"). Mas é preciso tratar bem os bichinhos.
Bom fim de semana.
[Thank you Gisele.]
Por Ery Roberto Corrêa |
6:28 PM - Link deste post
Quinta-feira, Outubro 04, 2007
[free bruma - postagem coletiva]
INTERNATIONAL BLOGGERS' DAY FOR BURMA
Blogueiros de todo o mundo estão unidos em ação de apoio à revolução pacifista em Burma. Mais do que apenas um gesto simbólico, esta adesão concentra e emana energias positivas em direção daqueles monges que lutam sem armas no país, na tentativa de estabelecer sinais de liberdade. i
Você pode aderir à lista de apoio. Basta clicar na imagem e será direcionado ao site do International Bloggers' Day for Burma.
Por Ery Roberto Corrêa |
1:33 PM - Link deste post
[umas & outras]
DO CARIMBAÇO AO CHEQUE-AVIÃO
 Este carimbo, mostrado ontem pela Folha Online, vinha sendo utilizado pela Secretaria de Coordenação do Congresso Nacional, desde agosto último. O material de expediente, segundo justificativa da Secretaria Geral do Senado, foi providenciado por um funcionário daquele órgão governamental.
Eu não condeno o barnabé que mandou fazer o carimbo, pois entre suas serventias era aplicado em documentos como medidas provisórias enviadas pelo Executivo. Nada mais a caráter.
Depois, convenhamos, "herrar é umano"!
 Já Renan gostou de terem colocado um exemplar da sua especialidade ao lado de Drummond, em Copacabana, porque isto prova que hoje em dia já aprenderam a ler e aí está explicado o fenômeno do preço alto atualmente cobrado pelas cabeças.
Lula detestou. Onde é que já se viu? Mais um pouco e essas criaturas se incentivam, começam a ler sobre política, estagiam em Murici e vão querer virar senadores pra "vender Renan". Isto é revolucionário. A crise no Senado o está deixando muito preocupado, daí foi ler George Orwel.
 Outra notícia vem da Globo. Segundo matéria do Ricardo Feltrin, colunista do UOL News, o tempo fechou para o Faustão lá pelos lados do Jardim Botânico.
A atriz Gisele Itiê, ensaiando para o quadro "Dança no Gelo", sofreu um acidente grave: teve traumatismo craniano e facial e afetação da mandíbula. Ela é a sexta vítima do quadro televisivo.
O interessante da notícia é a revelação que há um ano a direção já havia pedido para acabar com o quadro porque o considerava perigoso, mas o insólito apresentador se negou a atender.
Melhor seria a emissora acabar com o programa todo do ridículo. Com relação aos domingos da TV, se Silvio Santos é o químico (transforma um dia da semana naquela coisa), o programa do Fausto Silva trocado pela coisa é caro demais.
 Se a crise áerea não permitir o pouso do cheque, tem gente que vai dar o cano no Papai Noel.
Outro dia me contaram que um sujeito pegou um cheque assim e foi descontar na agência bancária do aeroporto.
Quando eu digo que "a criatividade é uma diversão" vocês não acreditam!
Agradeço aos amigos Eduardo Lunardeli, que além do Varal de Idéias agora tem também o Drops Azul de Anis e ao Ítalo de Paula, um batalhador da educação em Volta Redonda (RJ), por terem me concedido os prêmios abaixo.
É sempre uma lisonja ser lembrado e incluído em uma lista de honraria. Se "Vale a Pena Conferir" porque ajudo a produzir "Bons Momentos Virtuais" para algumas pessoas, além do prêmio fico feliz porque tudo se traduz em algo muito maior: o carinho de tão construtivas amizades.
Admiro Lunardeli e de Paula por todos os seus talentos, mas os tenho numa categoria especial porque respondem a todos os comentários em seus blogues, dando belos exemplos de consideração aos leitores, ao contrário daqueles "que só respondem aos amiguinhos". Estes últimos, aliás, são muitos. Meu blogroll não está imune. Penso que deva haver uma certa coerência: ou se responde a todo mundo ou não se responde a ninguém. Grato lhes sou, Eduardo e Ítalo.
Por Ery Roberto Corrêa |
9:32 AM - Link deste post
Terça-feira, Outubro 02, 2007
[conto recontado]
O URINOL DE MADAME POMPADOUR
 Os anjinhos não compõe a imagem original e foram aqui montados apenas para ilustrar.
O saudoso crítico paulista Francisco Luis de Almeida Salles tinha razão quando disse, referindo-se a Olavo Drummond, que "surgiu um contista claro, realista, gracioso, tão mineiro na sua visão das criaturas como a própria humanidade que ele trata nas suas alegrias e tristezas".
Aprendi a gostar do Olavo quando achei seu livro "O vendedor de estrelas" (Editora Arx – São Paulo, 2003, 2ª. edição) na Feira do Livro do ano passado, aqui em Curitiba.
Havia preparado um post sobre um conto engraçadíssimo incluído neste livro, mas descobri uma nota que fazia veemente menção sobre os direitos da obra, cedidos à Editora Siciliano S.A., proibindo reproduções parciais ou totais do conteúdo. Há mais de uma semana enviei um e-mail pedindo permissão para isto, mas não recebi resposta.
Só me restou um caminho: recontar o conto.
Ele é gostoso de se ler porque não dá vontade de parar e contém muito daquela fotografia exuberante feita por Almeida Salles, presente na menção citada. Evidente que o adjetivo gracioso está aqui não apenas em suas significações mais conhecidas de "generosidade" e "graça", mas muito principalmente com o sentido substantivo da comicidade típica do teatro do Século de Ouro espanhol.
Enfim, bom é ler e rir. Pena que certamente não tenha o mesmo efeito recontado por mim. Considerem, porém, meu esforço. Preservarei os nomes de logradouros e personagens e tentarei ser o mais fiel possível ao contexto original. Espero que não me processem. Boa leitura.
 O ricaço cafeicultor mineiro, coronel Pereirão, tinha recém casado com Ambrosina. Logo nos primórdios da união descobriu que a amada sofria de uma curiosa compulsão. Nem bem havia acabado as sessões de louco amor, a mulher saia em desabalada carreira em direção ao reservado de banhos para se aliviar daquele inapelável ataque diurético.
Um prosaico e sem gosto penico de galalite, onde se lia dupla saudação inscrita em azul – “bom dia” e “boa noite” – na tampa, foi solução nas primeiras semanas. O coronel, tomado de intensa paixão, resolveu dar um fim naquela peça insólita ao decidir decorar a intimidade da consorte apelando para a França. Requisitou um modelo de porcelana de Sévres, com especial requinte, que tornasse a beleza líquida de Ambrosina especialmente decorada.
Se aquela nobre raridade pertencera ou não à Madame Pompadour, era caso de menos importância. O que interessava é que havia saído de um famoso antiquário de Paris e agora estava ali naquele casarão da pequena Serrania, sempre à disposição para socorrer as cada vez maiores esguichadas da doce amante.
Ambrosina ficou encantada com o presente. A peça de Sévres tinha dois anjinhos, em biscuit dourado, enfeitando a alça da tampa. Havia até um certificado, o signatário pouco importava, comprovante da legitimidade do urinol que teria servido aos alívios da favorita de Luiz XV.
A mulher freqüentou tanto aquele vaso portátil que o coronel desfaleceu por não agüentar as avalanches sexuais. Acometido de tísica foi abotoado num pijama de madeira, deixando triste neste mundo a vigorosa viúva.
Ambrosina amadureceu a viuvez cuidando dos anjinhos do urinol como se fosse uma reverência ao falecido. Quando o conforto já se instalava lhe apareceu um terceiro anjinho, só que de carne e osso, na potência dos floridos vinte e poucos anos. O mancebo acabou causando um rebuliço na pequena Serrania. O pretexto inicial de sondar o preço do café da viúva, utilizado por Pedrinho Valente, acabou em nova paixão para a balzaquiana.
A cidadezinha comentava e não entendia a relação. Era estranha aquela trintona experiente passar a perna nas meninas casadoiras assim tão impunemente. Todo mundo queria descobrir o verdadeiro motivo da gamação de Pedrinho por Ambrosina, a misteriosa senhora do casarão. Ele confessou ao padre encarregado de oficiar a união que ela tinha uma orquestra dentro de si.
Pouco tempo e o urinol de Madame Pompadour voltou a receber a líquida descarga de um amor cada vez mais insaciável.
Pedrinho Valente operava transações de café e tinha que viajar para Monte Santo. Ia negociar com o coronel Pedro Paulino. Ainda na estrada foi acometido de uma concreta nostalgia que lhe afligia a alma e corroia o coração. Sua cabeça girava ao relembrar do gozo de Ambrosina que vazava daquelas contorções e gritos frenéticos e depois produzia um estado de voluptuosidade que a levava ao nobre penico. Os tímpanos beiravam ao estouro só de lembrar daqueles jatos maravilhosos retinindo na porcelana da Rive Guache. Tomado de inigualável ardor e já incomodado por interminável ereção, tendo até ensaiado mentalmente um majestoso improviso para recitar à amada, deu meia-volta e retornou para casa.
Lá chegando e indo direto ao palco do desejo deu com uma Ambrosina como que literalmente pega em flagrante, deitada sobre a cama acusadoramente desarrumada, ainda com a respiração arfante e pele suada. Sobre o criado-mudo, ainda não guardado, o "santinho" do alcaide Necésio, propaganda de candidato a deputado. Foi um choque. Pedrinho nem precisou perguntar e Ambrosina já foi explicando:
– Meu amor, ele só veio entregar a propaganda. Quer o meu voto, mas acho que não vou dar. Além do mais ele também é dos tais que prometem tudo, mas na hora da onça beber água escondem o líquido.
Para provar sua verdade picou a propaganda em pedacinhos e destampando o vaso cheio mandou o prefeito boiar aos pedaços lá dentro do urinol. Valente caiu em amargura e adoeceu. Sentindo as dores de uma galhada crescente em sua cabeça não resistiu e, em poucos dias, morreu consumido por cruel decepção.
Acometida de profundo remorso, a insaciável desabou doente. Tempos antes de passar do estado líquido para o gasoso e viajar para o além, foi ao cartório e fez o testamento dos seus bens doando-os à paróquia. Cuidou de separar o urinoir de Pompadeour para presentear Eleutéria, sua honorável amiga, esposa de conhecido boticário. Sem saber do que se tratava o casal adotou a linda relíquia como um enfeite e elegeu a mesa de centro da sala para acolhê-la. Em perfeita disponibilidade à visão das inúmeras visitas que por ali passavam, numa tarde foi vista por um caixeiro viajante, vendedor do sal de frutas Eno, que se encantou com a peça e resolveu fazer oferta irrecusável para levar o achado para São Paulo.
Conta-se que, depois de possivelmente ser arrematada em leilão, a porcelana de Sévres foi vista pela última vez numa mansão do Morumbi, agora servindo como sopeira de jantares festivos.

Por Ery Roberto Corrêa |
9:04 AM - Link deste post
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