Há exatos dezoito dias aceitei realizar um trabalho novo de webdesing, atividade que desempenho mais por hobby do que por objeto financeiro. Tratava-se de uma reforma total do layout e funcionamento do blog PERPLEXO INSIDE, do meu amigo Valter Ferraz.
Tive três momentos distintos e marcantes nesta empreitada. Inicialmente foi o prazer de ser novamente lembrado, depois de ter vivido a honra de produzir a capa do seu primeiro livro. Este foi o momento de aceitar um novo desafio.
Depois de esboçar o desenho do layout, etapa feita em "html puro", o outro seguinte foi uma espécie de frustração, acontecido ao fazer o “levantamento” do terreno e me descobrir sem o conhecimento suficiente para interpretar o sistema utilizado por um provedor diferente do meu, no caso o Blogspot, ou Blogger.com. Era árido demais. Embora um período de esforço, relutância, tentativas de superação, reconheci-me pequeno para o tamanho da dificuldade. Desisti.
Fui levar a notícia ao Valter e, mesmo sem apresentar o veredito, dele recebi todos os incentivos a continuar. As argumentações não me convenceram, mas decidi por novas tentativas. Fui estudar, pesquisar, fazer testes.
Montei o laboratório em endereço provisório onde só nós tínhamos acesso e fomos vencendo as barreiras. Houve, então, o momento mágico. Um insight. Vislumbrei ampliar as possibilidades com inserção de alguns blocos escritos em html puro, dentro do CSS. Deu certo. E tinha que dar, pois isto é possível. Só eu não sabia por estar preocupado em demasia com aquela novidade assustadora.
Terminei o trabalho. O resultado foi bom. Vinha então a etapa mais importante e obscura pra mim: além de reconfigurar o novo blog para que boas ferramentas fossem utilizadas na prática, tinha que transferir o conteúdo da casa velha para a nova. Apesar de ser uma “implosão” reversível, fui com calma. Tomei as precauções de backup para eventualidades e acionei o botão do explosivo. Surpresa! Não deu certo.
Era madrugada. O calor sufocante pedia a companhia de uma loira engarrafada. Eu não tinha. Saí e fui pra rua, esfriei o couro cabeludo já gasto, sorvi a mulher líquida e voltei. Antes de dormir, nova tentativa. Percebi o erro e o corrigi remediando com o resultado de outro insigth. Bingo! Estava vencido o novo.
O blog está no ar, endereço acima linkado, funcionando plenamente.
Gente, ficou uma bela lição que quero dividir.
“A vida cria novos sentidos quando aceitamos desafios. Mesmo que não tenhamos instantaneamente todos os recursos precisos, a receita é buscá-los com vontade. Vencer barreiras requer exclusivamente, antes de tudo, vontade. De posse desta ferramenta, temos sempre meio caminho percorrido. O novo, na maior parte das vezes, pode ser assustador, mas é preciso ter ânimo e disposição para aceita-lo. O grande segredo e a mais gostosa cachaça é que, convencidos da utilidade do novo, podemos moldá-lo ao nosso gosto. Isto dá uma plena sensação de liberdade. Daí a gente começa a voar.”
É com este espírito que hoje encerro o meu ano bloguístico. Aproveito para desejar a todos que aqui estiveram, prestigiando-me com sua leitura, comentários, sugestões e ótimas colaborações, um FELIZ ANO ANO. Um novo que não devamos temer, mas um novo no qual alcancemos essa tão aspirada liberdade em todos os sentidos que ela seja possível.
Sim, bem marginal! Porque esta não toca nas rádios FM, nos programas de auditório das TVs, que continuam pensando que os ouvidos dos telespectadores são penicos. Bastou um zap ontem à noite para ver, no SBT Hebe Camargo "ensebando e massageando" o ego da dupla Bruno e Marrone, na Globo "Xuxa" -- vem cá, alguém pode me explicar o que que essa mulher tem que eu não consigo ver? --, na Educativa PR, mais tarde, uma missa local concorrendo com a Missa do Galo de Bento XVI e por aí afora.
Bem, dirão vocês, mas na Noite de Natal não é hora de ver TV. Eu sei. Mas tudo depende de onde você esteja.
Voltando ao assunto que me levou a postar hoje, abri meu e-mail e descobri um belo presente que me foi oferecido pela honorável amiga Tânia Macei, a Lua. Um vídeo (que reproduzo abaixo) com uma música que concorreu no Festival Cultura - A Nova música do Brasil, de 2005.
"Classe Média". A letra desta canção é fantástica. Talvez não tenha sido divulgada, tocada nas rádios e na TV porque é um tapa na cara. Talvez porque quando se ouve tem-se a impressão de sentir Max Gonzaga tocar o ego, como um dedo sendo enfiado no núcleo da ferida. E o ego não admite "sabão", prefere os cremes hidratantes, daqueles que costumeiramente são usados por Hebe Camargo. Gracinha!
Aqui tem a letra. Vale a pena uma visita ao site de Max Gonzaga, um artista que, confesso, não conhecia, mas que agora já virei fã.
Sobre o festival leia isto, para ter certeza que até na música existe uma politicagem que nos deixa indignados, mesmo que seja na TV Cultura.
"Dedico este texto a dois grandes companheiros.
AoRicardo "Lord" Filho, que já publicou livros para crianças
e aoÍtalo de Paula, entusiasmado e competente profissional de Educação".
A imagem desta criança me emociona.
Mas não é uma emoção comum, nem tampouco porque dezembro costuma ser um mês onde o reservatório da sensibilidade parece acumular um estoque não exteriorizado durante os onze meses passados.
Também não é apenas por ser uma criança tão bonita como tantas outras. Muito menos por possivelmente ser curitibana ou porque seus olhos refletem a certeza que será um ser humano diferente, parecendo ler a perspectiva de uma realidade melhor do que viram outras gerações.
É uma emoção provinda do orgulho, de um enlevo que me invade o coração e quase me cura. Resultado da constatação que o poder público, se quiser, pode substituir seu tão rabiscado papel por uma nova página na história.
Como tantas outras, esta criança vive a maior parte do tempo dos seus pais em uma creche (Centros Municipais de Educação Infantil) da rede municipal de ensino da cidade de Curitiba.
Estes Centros representam o que há de mais empreendedor no sistema educacional do país. Neles a atuação de educadoras e pedagogas, com a participação dos pais, se transformou no projeto dos sonhos.
Uma vez por semana, educadoras conhecidas como "condutoras de aventuras" dirigem as atividades de leitura. Os pequenos são levados de suas salas até um local chamado "Cantinho Literário", espaço saudável que é dotado de almofadas, tapete de borracha colorida, paredes desenhadas com personagens das histórias infantis e muitos livros à sua disposição.
Este deslocamento ganhou a preferência das crianças justamente porque é feito à bordo do "Expressinho Literário", um veículo de madeira construído pelo pai de uma delas. Circula por toda a unidade antes de levá-las ao destino final.
Com a diversão o ensino fica facilitado. A atividade propicia uma iniciação para o futuro comportamento leitor, constrói uma base sólida de princípios na tarefa de formação de um adulto consciente que irá perceber o valor do exercício da cidadania.
Neste projeto as crianças menores também participam da atividade devidamente adaptada ao seu estágio. Elas não saem das salas. No próprio ambiente são montadas as condições para contação de histórias com ilustrações feitas através do uso de fantoches. Quando aprendem a sentar, passam a manusear os livros.
Importância superior é dada ao material. São livros especiais, adaptados para cada idade, feitos de plástico, tecido ou borracha, com capa dura, fartamente ilustrados e de manuseio fácil.
É inegável que este trabalho despertará em futuro próximo um diferencial nessas crianças. Quem tem o hábito da leitura exercita seu raciocínio e se capacita a uma melhor interpretação dos problemas do mundo. Desperta, igualmente, a vocação para a escrita. É, em síntese, um trabalho que indica desde cedo o melhor caminho, mostrando progressivamente através do lúdico os melhores destinos para uma vida.
Certamente que há uma grande possibilidade que a criança submetida a este sistema de formação tenha mínimos riscos de futuramente se tornar um problema para a comunidade. É inquestionável que a seara preparada com esmero, amor e cuidados constantes produz bons frutos. Além da própria criança, quem ganha com tudo é a família, a comunidade e o país que terá cidadãos conscientes e sabedores dos acessos às suas múltiplas possibilidades de participação na vida em todos os espaços.
Curitiba faz tudo isto porque felizmente seus últimos governantes não pertenceram ao time da falácia, da arrogância, da improbidade administrativa e do enriquecimento ilícito. Foram pessoas com capacidade e formação, sensíveis às necessidades comunitárias e empreendedoras na aplicação dos recursos, de forma a valorizar o remédio da Educação como o tratamento definitivo contra todo conjunto de males que atua contra a sociedade e o bem comum. Leia também esta história que já contei aqui.
É por isto que me emociono ao olhar esta criança. Ela já é feliz.
Justifico a inicial origem que citei, dizendo que o orgulho é uma força interior que se lança como flecha e é capaz de impulsionar nossos imperativos.
Um dos poetas da terra compôs uma canção. Nela, em certo verso, não havia, embora parecesse, um modo subjuntivo de rogar por um desejo. Era, sim, este modo imperativo nascido do orgulho e que fazia da evocação uma verdadeira prece, para que a cidade continuasse trilhando este caminho de respeito ao ser humano. "Que Curitiba seja a grife do planeta Terra" é um verso que descarta a natural tendência da vanglória desmedida, pois o histórico de excelências nas realizações prioritárias é suficiente para reunir argumentos incontestes que blindam esta nossa forma de orgulho.
Com os pés dentro da realidade da vida, embora sem renegar a poesia, sendo impossível de cantar "grife do planeta Terra" pelas especificidades da cultura no globo, sem receio de exageros Curitiba tem a melhor política educacional a ser oferecida ao Brasil como uma marca de qualidade necessária. O segredo é fazer. Quem espera nunca alcança.
Crianças como estas, certeza tenho, vivem todos os dias o seu verdadeiro Natal.
Você, independente de dezembrite, não se emocionaria?
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Curitiba é governada atualmente pelo prefeito Beto Richa (PSDB), um político da nova geração que segundo avaliação Datafolha, em recente pesquisa encomendada pelo jornal Folha de São Paulo, foi considerado o melhor prefeito entre dez grandes capitais. Obteve índices marcantes de aprovação popular. O conceito ótimo ou bom atingiu 75% dos entrevistados e apenas 5% de ruim ou péssimo. Os prefeitos do Rio e São Paulo ficaram em 5º. e 7º. lugares respectivamente. Esta avaliação é resultado da transparência, da administração baseada na ética e no diálogo, um trabalho com dedicação e seriedade, com responsabilidade na gestão dos recursos, obras em toda a cidade e participação do povo através das audiências públicas.
[Jornal Tribuna do Paraná, Grupo Paulo Pimentel, edição 15.311, de 18.12.07 - terça-feira.]
Parafraseando a minha amiga Denise (Sturm und drang!), "um dia ainda vou conhecer pessoalmente estes links". Enquanto esse dia não chega, vou continuar curtindo suas artes, seus conhecimentos tão bem traduzidos pelos textos e ao mesmo tempo me divertindo com seus temperamentos.
Aproveito para apresentá-los mesmo sabendo que são conhecidos na blogosfera, mas aqui foram linkados recentemente.
O Blog do José Louro é diferente. Ele mesmo assim o define. É um blog gráfico. Seus posts trazem belos trabalhos artísticos onde quase não há texto, particularidade que é suprida pelo transbordamento de arte das seqüências que impõe aos seus temas traçados com admirável dom.
Peri já é uma das referências da blogosfera. Costuma nos brindar com bons textos que abordam a arte, além de apresentar finíssimos desenhos. Tem também histórias do seu cotidiano, algumas destas comentadas com auxílio de trabalhos fotográficos produzidos atualmente na difícil relação com seu celular-câmera. Cria imagens lindas, mas o perfeccionismo dele precisa ser aplacado pelos comentários para que se convença que fez uma obra de arte. Lá no Armazém Peri S.C. tem uma "placa" engraçadíssima: Secos e molhados, e também úmidos, mofados, enferrujados, carcomidos, liofilizados e ectoplasmados.
Conheci o Jens no Blog da Magui. Só ficamos amigos porque ele é petista e eu não. Aproximamo-nos dentro do sistema de comentários da capixaba. Discordei de uma opinião e tal foi minha alegria quando ele replicou e tivemos aberta a oportunidade de aprofundarmos o pensamento. Uma semana depois de ter ido ao Toca do Jens, ele me surpreendeu com um post em que se despedia da blogosfera. Dei uma sonora gargalhada defronte ao monitor. Tem aquela máxima do Fernando Cals e que se comprova ainda estar em vigor, pelo menos quanto aos blogueiros: "Não existem ex-prostitutas nem ex-blogueiros". Caiu nesta vida? Um abraço pro gaiteiro. Dito e feito: cinco dias depois ele voltou com a corda toda. É um sujeito de extrema bondade, bom papo e talentoso no que faz. Além de pai coruja dessa moça linda que adorna a foto.
Admiro gente combativa, contestadora, cheia de garra, que procura exteriorizar suas convicções, sem no entanto ser radical. Quando é mulher, mesmo não sendo candidata, tem meu voto. Foi assim que fiquei fã da Magui e agora da Letícia Coelho. Com um estilo bloguístico bem casual, discute política com maioridade, diz-se política por convicção, respira e ama a política. Não poupa críticas ao sistema dominante e argumenta com a simplicidade que faz brilhar seus pensamentos. Mesmo nas suas costumeiras reticências, há muito o que decifrar. São aspectos que admiro em blogueiros que exploram o tema. Existem muitos cidadãos por aí que não têm coragem de expor suas indignações por temor de represálias, por acharem que o assunto não é interessante, oportuno e que muita gente não gosta. Outros porque se dizem incapazes de escrever.
Letícia faz exatamente aquilo que penso. Para se viver a democracia é preciso usá-la com responsabilidade e propósitos ampliados.
As novas amizades, algumas coincidentemente iniciadas neste mês, chegam-me como um doce remédio em costumeiro período de recesso interior.
Sejam benvindos por aqui. Aos velhos amigos a recomendação que o "clique vale a pena quando a alma não é pequena".
Está tudo tão triste por aqui. Você sabe como sempre me foi difícil viver dezembros. Ainda lembro que tive uns quatro que não poderei esquecer nunca, aqueles quando Gabriela era criança.
Hoje mãe, minha dezembrite se tornou crônica. Tenho dores intensas nos tímpanos, elas quase me levam à loucura. Um velho amigo sem saber, não o culpo, me mandou um cartão de Natal. Quando abri para ver o que estava escrito, começou a tocar "noite feliz". Eu o fechei imediatamente e larguei lá na estante. Mesmo assim vou agradecer por e-mail.
Pior, mãe, é que quando saio pela cidade está tudo enfeitado de artificialidades. Fachadas, vitrines, monumentos, prédios inteiros me agridem com aqueles tons vermelhos saídos dos laços de fitas das caixas de presente estilizadas. À noite, aquelas luzes pequeninas e enfileiradas me atacam a retina e como uma ordem unida fazem meu cérebro imediatamente pensar em velhos tempos que eu queria tanto esquecer. No outro dia, lá defronte a padaria, cedinho, já está a postos aquele vendedor de pinheirinhos. Ele vende uma árvore morta para que se comemore vida.
Mas o que mais me agride é a hipocrisia desta multidão que sai às lojas comprar presentes e toma as ruas com três filhos em cada mão, mãe. Tenho evitado ônibus. Aquela linha que freqüento, onde tem um carro novo com sistema de som sempre tocando música clássica, agora mais parece corredor de shopping com um interminável "dingobell". Outro dia tive que viajar com a cara pra fora da janela, porque possivelmente o pacotão de uma senhora pagou duas passagens! Por isso tenho andado muito a pé e evito sair do bairro.
Aqui no Rebouças, pelo menos é mais pacato. A urbe sai de casa todas as tardes e vai se acotovelar lá defronte ao Palácio Avenida pra ver e ouvir a piazada cantar. Eu saio do trabalho, volto pra casa e fico sentado na calçada. A solidão me enche de um vazio perturbador, não acho qualquer pensamento interessante que sirva pra um texto novo no blog.
Tenho evitado os restaurantes, eles estão cheios demais. São muitas crianças correndo com sorvetes escorrendo, grupos festejando o Natal da empresa, happy-hours de executivos que tentam a última trepadinha do ano com a secretária cantada o ano inteiro. É tudo tão comum, mãe. Todo ano a mesma coisa.
Quando vou dormir tenho pesadelos. Ouço uma sinfonia de sinos e acordo assustado e trêmulo, vertido em suores, pensando que tudo é verdade, até que estou apaixonado outra vez. Acendo a luz e caio na real. Ainda são só duas da madrugada. Levanto e vou olhar a lua. É incrível, no vizinho ainda pisca um pinheirinho e Simone continua na vitrola! Volto pra cama, me debato e penso só em janeiro mãe, só em janeiro.
Outra noite, em meio a todo este drama, tive um sonho bom. Estava numa parte do mundo onde o ano só tinha onze meses. Lá, pra compensar a falta do dezembro, as pessoas se tratavam bem todo o tempo. Não havia presentes, mas todos se cumprimentavam ao se encontrarem, independente se eram conhecidos ou não. Andei num trem onde as pessoas davam os lugares para os velhinhos. Os jovens não fingiam dormir para não olhar as pessoas necessitadas e ceder o assento. Teve um que até me ofereceu o dele, imagine! Desligou o MP3 e viajou todo o percurso conversando comigo. Minha emoção não suportou aquela cena e eu chorei de alegria. Tarde da noite eu saia passear e, sem medo de nada, marcava encontros inesquecíveis com minha inspiração. Escrevia até poemas.
Algo me tocou neste sonho, mãe. Quando o relógio marcou meia-noite do último dia de novembro e janeiro já rasgava o tempo e entrava no palco da vida, todos pararam onde estavam e tentaram achar algum desconhecido. Abraçaram-se, sorriram, conversaram. Eu estava defronte a porta de uma casa com janelas floridas. Vi subir a vidraça e um casal apareceu e desapareceu no mesmo instante. Quando dei por mim eu estava entre os dois, cada um me tomando mais que o outro.
Levaram-me lá pra dentro daquela bela casa e me trataram como um filho. Quiseram saber tudo de mim. Deram-me todas as honras, ofereceram-me um belo jantar, servido numa enorme mesa com toalha amarela, mãe. A minha cor preferida! Enquanto jantávamos tocava uma música suave que eu não decifrava. Tudo que perguntaram sobre mim eu contei. Foi incrível, eu nem lhes conhecia. Respondi só a verdade. Também me disseram sobre eles e senti que havia sinceridade. Aquelas pessoas eram tão boas e não havia nem um santo na parede.
Quando chegou a hora de voltar pra casa, ofereceram-me um cômodo, pediram-me para que ficasse e retornasse no dia seguinte. Levaram-me a outra sala e uma grande vitrola se encheu de jazz. A música daquele lugar era linda demais, mãe.
Acordei do sonho intrigado. Tudo pareceu novidade demais, à exceção de um detalhe apenas: as fisionomias daquele casal eram por demais parecidas com você e papai...
Mãe, mas eu não vejo a hora de janeiro chegar. Daí eu irei lhe visitar. Prometo levar um presente de Ano Novo.
Tem uma toalha amarela aí?
[Dedico este texto a dois grandes amigos virtuais, Jayme Serva e Ricardo Ramos Filho, companheiros de enfermaria no tratamento da dezembrite e autores de dois textos fenomenais, linkados respectivamente no segundo e terceiro parágrafos deste meu precário desabafo.}
Concebido para ser uma "Ordem de Pagamento à Vista", nos tempos modernos o cheque virou uma espécie de Nota Promissória.
Agora é comum o comércio em geral aceitar parcelamento de dívidas com pagamento garantido pela emissão de cheques pré-datados. Precavendo-se contra eventual descuido do credor, o brasileiro inventou o "chorão".
Desde um simples pedaço de papel escrito à mão, grampeado no cheque, até aos mais sofisticados que na maioria são brindes de gráficas, essas papeletas proliferaram pelo Brasil afora. Com o decorrer do uso foi se acrescendo a criatividade na inserção de variados recados, do que resultaram algumas peças engraçadíssimas.
Um bancário tratou de colecionar essas "figurinhas". Juntas elas formam um desenho interessante, capaz de transmitir um tanto do característico humor da nossa gente. É de se supor que exista quem tenha diversos tipos e os use conforme o credor e a ocasião.
Mais do que apenas uma peça do folclore bancário, que acredito assim possa ser chamado porque tem gente que já considera a papeleta uma extensão do cheque e nem se dá ao trabalho de desgrampear quando vai fazer o depósito, o "chorão" é, na verdade, uma peça do folclore econômico do país.
Selecionei alguns que recebi num arquivo e deles extraí os dois da imagem ao lado. Se fosse para dar uma nota pela criatividade e pelo humor, eram estes que eu escolheria. O primeiro porque até pode ser considerado uma obra de arte, tem o grafismo do autor. Além disto, sua legenda dá a idéia que o emitente desenha uma série para cada ocasião. Este foi emitido por ocasião das festas juninas. Parece, também, uma evolução dos primeiros que apareceram na praça. O segundo exclusivamente por seu conteúdo humorístico.
É bem provável que com a extinção da CPMF muita gente esteja correndo aos credores tentar substituir seu "chorão". Lógico que, sabendo que a partir de 01.01.08 não tem mais o imposto, não custa dar mais uma choradinha e renegociar o prazo dos cheques que vencem em dezembro.
O brasileiro gosta de levar vantagem em tudo. Mas é criativo e divertido, isto é inquestionável.
[o jogo do governo] CPMF - A DERROTA QUE DEVERIA SER PEDAGÓGICA
Costuma-se dizer no terreno futebolístico que certas derrotas são pedagógicas, ou seja, uma oportunidade de ouro para que se analisem e corrijam as deficiências de um time e se tire proveito futuro do que elas ensinam. Obvio que este aforismo esportivo é mais bem colocado nas situações em que um time "ainda pode perder", sem que o revés lhe traga prejuízos considerados irrecuperáveis.
Pois à derrota do governo Lula nesta madrugada 13 cabe perfeita analogia. Não digam que meu argumento foi infeliz, pois o presidente gosta de futebol e até costuma embasar (!) parte dos seus argumentos político-administrativos com conceitos do jogo. Isto talvez ajude a incentivar o vício petista de ser tão torcedor.
O governo tem contado com um péssimo dirigente, limitado no conhecimento das melhores táticas de atuação indispensáveis a um time vencedor. Nesta peleja da renovação da CPMF praticou o verdadeiro anti-jogo.
Se era possível propor a prorrogação do imposto por apenas um ano para que neste período se discutisse uma nova política tributária ou por quatro anos, e, neste caso, com destinação total da arrecadação ao seu objetivo primogênito, por que preferiu antes a tática espúria do "toma lá dá cá", via distribuição de verbas e cargos em negociata que mais se assemelham às contumácias da 'direita' de outrora, alvo de suas próprias farpas em passado cuja tinta ainda resiste?
A pequenez ideológica do presidente, colocada em jogo quase nos "acréscimos do segundo tempo da prorrogação", além de levar à acachapante derrota do seu governo, confirmou ao país um conjunto de verdades que durante todo o tempo se teve a imprudente intenção de esconder ou disfarçar. Propor a renovação da CPMF por apenas mais um ano (2008) sabendo-se tratar de ano eleitoral, beira ao ato de subestimação da inteligência coletiva. Dizer que do montante boa parte seria desviada para o custeio da sobrevivência petista e da base aliada nos pleitos municipais não se trata absolutamente de nenhum desacato. Contra a verdade o excesso de dribles é perigoso.
Mais grave e outra vez erro ideológico, embora sem originalidade, a infame proposição dos quatro anos com aplicação total na Saúde serviu para confirmar pública e oficialmente que o governo aplica em outras prioridades, compromissos decorrentes da sua subserviência à pompa que veste o caráter perdulário. Ou seja, pauta-se, ainda mais, no descumprimento descarado dos compromissos públicos em real vilipêndio às verdadeiras intenções com que foi justificada aos contribuintes a sagrada destinação do dinheiro.
Se preferirem mentira, inconstitucionalidade, corrupção ou descompromisso com a ética, saibam que se trata apenas de questão semântica. Tudo será igual a improbidade administrativa. No futebol, Luxemburgo chamaria de falta de competência técnica e possivelmente usasse o surrado "falta de atitude". O governo pode dizer: "Exacerbamos nas atitudes". Lula reconheceria suas fraquezas caso tivesse alguma experiência administrativa.
O presidente foi novamente o perna-de-pau de sempre. Seu papel de negociador com a oposição foi o mais pífio. Neste âmbito, poder de argumentação requer muito mais do que simples retórica. A inconsistência dos propósitos se agrava com a arrogância e a provocação. Desqualificar com a prepotência, substitutivo usual da competência política na condição apedeuta, é igualmente um comportamento abusivo bem próprio de governantes totalitários. Aduzida a responsabilidade no compromisso com a luta democrática, descreve uma resultante degenerada.
Outro episódio que acrescentou nova mancha ao governo Lula foi a tentativa de fraude ao texto da Constituição. Por sete votos contra dois, os ministros do Supremo derrubaram na tarde desta quarta-feira uma das medidas provisórias que, a pretexto de acelerar a votação da CPMF na Câmara, Lula revogou e reeditou em seguida [Blog do Josias]. É mais um verbete que se acrescenta ao histórico da derrota: "golpe". Foi, no mínimo, tentativa.
Mas as derrotas pedagógicas produzem melhores efeitos quando a torcida reconhece que seu time, apesar da tática errônea, perdeu lutando, respeitou as regras e não menosprezou o adversário.
Para o governo o efeito poderia ser semelhante, mas sua torcida e, mais grave, ele próprio, por natureza, apostará que a melhor atitude será colocar a culpa na oposição. Isto sem reconhecer que hoje ela conta com aprovação substancial daqueles que, emitindo seu cheque ou usando seu cartão de saque, eram os maiores financiadores da gastança e irresponsabilidade palaciana.
Nas filas do SUS e nos corredores dos hospitais não espera nem morre nenhum brasileiro. Nossa Saúde Pública é um serviço de primeiro mundo e os equipamentos são os mesmos que atendem ao presidente da república. Luis Inácio falou ta falado!
Mentiu pra torcida presidente, fique humilde, enxugue logo as lágrimas porque água apodrece madeira, reconheça que nas democracias também se respeita as minorias e vá trabalhar. Não blefe mais. Aqui não é truco, é futebol. O grito chama-se técnica competente. Treine mais, faça um esforço extra. Convoque o time e mude a tática. Não subestime a inteligência de ninguém e aposente o ódio. Não faça como Chavez que confia demais na revanche.
Talvez ainda dê tempo para ser campeão. Só lembre que as chances não costumam se repetir. E em 2010 acaba de vez o seu campeonato. Outra chance só em 2014. É o ano da Copa do Mundo do Teixeira. Enquanto isto curta a maior derrota com o "PAC do carnaval". Mas, cá pra nós: aquela esmolinha pras Escolas de Samba do Rio fará mal pra saúde de quem é sério!
Que o respeito ao povo brasileiro não permita o delito subseqüente. Porque não estamos livres em futura campanha petista, sem ser por deficiência de memória, mas por prática da hipocrisia e por achar que o povo esquece, ouvirmos um renovado discurso onde se auto proclama como o partido que decidiu não renovar a CPMF em exclusivo atendimento aos interesses do contribuinte.
- Brincando de Partido Político: - O presidente do PT no DF, Chico Vigilante, expôs ontem um problema que atinge um dos maiores orgulhos do partido - o tamanho da militância, estimada hoje pela sigla em 900 mil filiados. Falou que foi descoberta uma "quadra inteira filiada ao PT" sem que as pessoas tivessem conhecimento de que pertenciam aos quadros do partido.
Inez não devia estar vivendo bem com o Mané. No jeito que arrumou para sair de casa estava implícita a existência de um outro homem em sua vida.
É possível também imaginar que tudo tenha sido armado com a participação do amante, em caso bem característico das antigas "fugidas" que volta e meia aconteciam nas melhores famílias. Eis a síntese do samba Apaga o Fogo Mané, uma batucada em ré menor feita para contar uma história de amor mal acabada.
Adoniran Barbosa, o dono do samba paulista, transformou-se em um compositor popular justamente porque diversas das suas letras também eram crônicas urbanas. A simplicidade da temática leva a pensar assim. Evidente que o poeta do Bixiga usou de certa alquimia para dar um tom pessoal às suas histórias, apimentando as composições com certa malandragem tão típica do samba. Trem das Onze mostra isto claramente. Ninguém me convence que aquela desculpa de filho único, de morar em Jaçanã e não poder perder o trem não era uma forma de sair da casa da namorada para cair na gandaia.
Uma viagem por sua obra permite, no entanto, visualizar o amplo contexto de realidades, tratadas da forma singela que caracterizou seu estilo marcante, a exemplo das mudanças causadas na cidade pelo progresso.
A especulação imobiliária que promovia as demolições das casas velhas para construção dos "edifício arto" em Saudosa Maloca, revela, além da fotografia em preto&branco de um recorrente problema social (os moradores de mocós nos casarões abandonados), a extrema solidariedade entre o narrador e a dupla Mato Grosso e o Jóca. Pra esquecer a demolição, o "despejo", depois da espiritualidade do último ("Deus dá o frio conforme o cobertor"), foram juntos pegar as "paia" na grama do jardim para se conformar cantando a saudade da maloca no refrão.
Nascida de uma notícia de jornal, Iracema foi outra. Sumiu de repente, morreu atravessando a São João na contramão. Pior que faltava só vinte dias pro casamento. Adoniran usou o artifício da declamação na parte final daquela tragédia para valorizar uma mensagem. Isentando de culpa o "chofer" e pedindo paciência, para depois se conformar porque a amada foi pro céu, soa a construção de mais uma página rotineira do que foi por muito tempo a representação do pedestre no caótico do trânsito: um aventureiro sem resguardos ou apenas mais um número da fatalidade ou da irresponsabilidade. Há uma crítica social eminente.
Revela-nos, ainda, a pseudo-virtude do pobre, qual seja a fácil conformação com as coisas, mesmo quando nos transfere a idéia de uma enorme perda (uma pessoa, o casamento marcado, o amor da vida). Perdido o retrato, menos mal, sobraram-lhe as meias e os sapatos como recordação.
Curiosamente o problema do trânsito apareceu mais de uma vez na obra de Adoniran. O flerte fatal naquele olhar demolidor de Tiro ao Álvaro, fazendo do peito uma tábua que não havia mais onde furar, termina com a comparação que matava mais do que atropelamento de "automover". E a violência urbana já se fazia presente em "Mata mais do que bala de revorver...".
Quem acha que não havia romantismo em Adoniran se engana facilmente. Ou não é uma Prova de Carinho fazer uma aliança da corda mi do cavaquinho? "Quantas serenatas / Eu tive que perder, / Pois o cavaquinho / Já não pode mais gemer. / Quanto sacrifício / Eu tive que fazer, / Para dar a prova pra ela / Do meu bem querer."
Em temática tão ampla não poderia faltar ao velho Adoniran deliciosas pitadas de humor, daquelas, porém, provindas do sarcástico.
Na história da Inez ele foi mestre. Arrolou os objetos possíveis para maliciosamente enrustir o ciúme do Mané, tratando-o carinhosamente como "fogo". Mas o fogo verdadeiro estava faltando, pois Inês 'arrumou uma desculpa para sair' dizendo que iria comprar um "pavio pro lampião". O restante da letra mostra o corno acendendo o fogão, botando água pra esquentar enquanto a mulher voltasse. Mas Inez deve ter saído com outras chamas lhe ardendo os quadris. A pitada está ao final, quando no bilhete encontrado, bem próximo ao fogão (que ironia!), se lia: "Pode apagar o fogo Mané / Que eu não volto mais".
João Rubinato, o nosso Adoniran, foi poderoso por diversos motivos. Doou um rosto para o samba da paulicéia. Como Chico Buarque com o MPB 4, deu aos Demônios da Garoa um rótulo interpretativo da sua obra. E não menos importante, teve Elis Regina cantando suas composições. Isto tudo, somado ou apresentado em simples parcelas autônomas, não é coisa pra qualquer Mané. Fosse assim, como explicar que Adoniran é nome de rua no Bixiga e, lá mesmo, busto imponente de praça pública?
Inez saiu dizendo que ia comprar um pavio
pro lampião
Pode esperar Mané
Que eu volto já
Acendi o fogão, botei água p'ra esquentar
E fui por portão
Só pra ver Inez chegar
Anoiteceu e ela não voltou
Fui p'ra rua feito louco
Pra saber o que aconteceu
Procurei na Central
Procurei no Hospital e no xadrez
Andei a cidade inteira
E não encontrei Inez
Voltei pra casa
Triste demais
O que Inez me fez
Não se faz
E no chão bem perto do fogão
Encontrei um papel
Escrito assim:
— Pode apagar o fogo Mané
Que eu não volto mais
Faço parte de um grupo de amigos e nos reunimos uma vez ao mês, em residências diferentes a cada oportunidade. Este grupo não tem sua afinidade definida no aspecto profissional, religioso, intelectual ou de classe social. Ao contrário, o vínculo matriz vem da convivência de algumas das famílias desde tempos remotos e nele já se contabiliza harmoniosamente três gerações.
Sou um agregado por força da proximidade que mantenho há quase sete anos com uma pessoa de raízes mais próximas a esse núcleo. Este já é quase o tempo em que freqüento o grupo, onde mantive por bom período a condição de "último admitido". Hoje já existem outros que me fizeram veterano.
Nele há certas diferenças sociais, o que normalmente para muitas pessoas seria um obstáculo para determinar seu papel no conjunto. Evidentemente não é o que ocorre conosco. É um particular que não produz nenhuma dificuldade exatamente porque o clima é familiar e, reunidos, nossos objetivos são a convivência e a troca.
Durante algum tempo fiquei observando os pensamentos e os gostos de cada um. E pelo menos entre os homens, concluí que, além do vínculo de amizade que rapidamente amadureceu, o que nos mantém é exatamente a diversidade daquilo que gostamos, conversamos, acreditamos e fazemos, sem que ninguém tenha o interesse de mudar a opinião alheia.
Claro que existem coisas comuns, a exemplo da gastronomia, mas ela é apenas uma conseqüência das nossas reuniões.
Sábado tivemos nosso encontro "dezembrino", oportunidade em que trocamos presentes, falamos dos assuntos que rotineiramente aparecem, principalmente sobre música, política, mais do primeiro que do segundo, família, lembranças de outros encontros (os mais novos produziram um vídeo com fotos das reuniões antigas), viagens, problemas da juventude e muitas outras coisas.
Era um encontro de Natal, desses que fecha o ano e que deveria ter um significado especial. Digo "ter" de maneira formal, produzida, porque implicitamente ele existia, embora ninguém tivesse priorizado qualquer preocupação com arrumações diferentes, música típica, mesa com toalhas verdes e vermelhas, luzes piscando e principalmente aquela necessidade de se sentir emocionado por um comportamento artificial, desses tão próprios da época natalina.
Foi também a primeira vez que estive com o grupo sem a presença da pessoa que lá me introduziu. Boa oportunidade para que certas coisas se provassem. Em nenhum momento, no entanto, foi possível sentir minha presença ser tratada de forma diferente. Nunca tive esta preocupação, até porque me sinto perfeitamente integrado, co-partícipe, mas confesso que me passou pela cabeça enquanto para lá me dirigia.
Neste excelente grupo já tivemos perdas. Um amigo se foi há quase um ano. Lembro que na primeira reunião após sua morte comentamos a respeito, todos juntos, cada um disse algo como se fosse uma oração. Nos seguintes eu sentia a presença dele entre nós, na sua maneira habitual de se comportar, de sorrir, de ficar calado. Tenho certeza absoluta, que mesmo ninguém falando nada, todos sentem sua presença como eu sinto, seja através das notícias de recuperação de um filho ou da presença cada vez mais marcante de um neto que tanto amava.
Nossas despesas são irmanamente divididas e não há reclamações, praticamos transporte solidário, tocamo-nos, abraçamo-nos, confessamo-nos, brincamos. Este ano os corinthianos e paranistas pagaram um belo pato.
Quando termina, todos saímos juntos, após o costumeiro mutirão para deixar a casa do anfitrião exatamente como foi encontrada. Civilidade total, o que efetivamente não me espanta.
O que impressiona é ao final dos encontros como de sábado, todos termos a certeza que já comemoramos nosso verdadeiro Natal. Nele, o mais importante foi a consciência do objetivo de estarmos juntos e na condição de igualdade, independente das nossas posições e principalmente crenças. Os abraços da recepção e das despedidas nos proporcionaram um calor humano inigualável e capaz de firmar esta certeza. Foi Natal sim, e quem o fez fomos nós, à nossa maneira. Independente de como acreditamos nesse Natal. Comemoramos porque sempre fizemos questão de ser o que somos.
Corrói-me o pensamento uma antiga questão: por que não acontece assim na verdadeira família da gente?
Ou o conceito de família é alguma coisa tão ampla e há verdadeiramente neste aspecto a presença do livre arbítrio que nos proporciona a sagrada possibilidade de a escolhermos?
De modo bastante particular já encontrei minha resposta. Há uma ocasião onde nosso íntimo sente verdadeira necessidade de ir buscar um refúgio e nele se sentir bem, fazendo da presença dos amigos os verdadeiros pais e irmãos. Enfim, a família de verdade. Aquela onde você possa se sentir exatamente o que é, sem que suas convicções sejam olhadas como notas destoantes da canção natalina. Sem que suas diferenças possam ser consideradas uma luz apagada que compromete o brilho artificial e hipócrita da árvore de Natal.
A pedido da minha querida Rosana, estou ajudando a divulgar o evento abaixo. Quem for de São Paulo ou lá estiver de passagem tem uma ótima oportunidade para conhecer a Banda NADA PREM, onde toca o Gabriel, irmão da Rô. Mais informações no site www.cantopelapaz.org ou pelo e-mail ari@cantopelapaz.org.
Terminei a semana concedendo um prêmio e inicio a semana ganhando outro. Agradecimentos ao Eduardo Lunardelli, do Varal de Idéias. Fico honrado com a lembrança e principalmente por estar ao lado de blogs como:
Você que gosta de ler coisas escritas magistralmente, principalmente com um conteúdo onde se aprecia a inteligência do autor repassada por impressionante leveza, clareza absoluta, repleta de verdades tão singelas, certamente já deparou com um super post em algum blog contendo uma dessas verdadeiras pérolas.
Pois bem, eu navego muito na blogosfera. Esta atividade tem me trazido gratas alegrias e com ela meu aprendizado se aprimora. São textos verdadeiramente profissionais, embora feitos por gente que assim não se considera, talvez pela modéstia típica diante do elogio.
Estes textos dão vontade de conceder um prêmio para que de certa forma fiquem destacados como mensagens diferentes, bem além do conjunto da trivialidade da escrita na rede.
Criei um selo personalizado para expressar a admiração por estes escritores e seus textos maravilhosos. É o selo Post de Ouro, uma forma humilde de conceder um prêmio virtual à dedicação blogueira, ao primor da qualidade do texto, para funcionar, também - o que haveria de errado? -, como um "óleo para massagem do ego", algo que não há quem não goste.
Aqui na blogosfera o melhor feedback deveria ser o comentário. Muito já se teorizou sobre isto, mas existem inúmeros aspectos que concorrem contrariamente para simples afirmações sem uma análise apurada. Há razões de natureza científica neste complexo.
Sem querer fazer do award outra coisa qualquer que não seja um presente e o verdadeiro reconhecimento pessoal que o texto me fez muito bem, hoje apresento a primeira ganhadora: Adelaide Amorim, do blog Umbigo do Sonho.
Já havia feito menção, em Update, no meu post de ontem, sobre seu texto Ego Malhado. Reafirmo, com este prêmio, a recomendação da sua leitura.
Parabéns Adelaide! Você sempre escreve belas linhas que incitam a reflexão. É bom demais conhecer gente com tamanha bagagem de capacidade. Escreva cada vez mais.
[Os selos sempre estarão disponíveis no meu provedor de imagens em duas versões: a primeira, no tamanho 260x310 px, próprio para (se assim for o desejo) ser mostrado em post no respectivo blog ou acrescentado no post original; a segunda, no tamanho 182x217 px, para aqueles que gostam de aplicar permanentemente na lateral dos seus blogs. Sempre informarei os dois links a cada ganhador.]
Cantou uma canção esquecida,
Fez-se o rei
(por que se deixa de cantar certas canções?).
Cantou tanto e a fez toada. Testemunhei.
Já sentado em sólio esplêndido
Achou-se letrista
(para quem interessará o ecletismo inútil?).
Compôs muito, até refrão futurista.
A plebe rude aclamou as cantilenas,
Bela orquestração
(nunca nesse reino tanto rádio se vendeu!).
O soberano venerado era bufão.
A corte perdida e devassa
Proveito previu
(qual melhor que chalaça para esconder orgias?).
Antes bobo abonado que escol servil.
O rei leu as letras do mago
E bradou mirabolante
(qual melhor que outra camaleônica canção?):
"Eu sou a metamorfose ambulante!"
Bem ali, noutra terra limítrofe,
Entre sim, não, ser,
Sem rádio o povo aprendeu o canto certo daqui:
"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer..."
UPDATE - [06.12.07 | 19h22]
POST DA SEMANA - O ego malhado, da Adelaide Amorim. Ainda não havia lido um exemplo tão bonito do perfeito equilíbrio emocional e conhecimento da sua própria pessoa. Vale a pena ler. Não deixe de clicar.
UPDATE - [07.12.07 | 10h58]
Poderia comentar o ótimo texto do Valter Ferraz neste seu livro de estréia, mas tudo que escrevesse estaria contido na belíssima resenha publicada em 21.11.07, no Apoio Fraterno, pelo Mário Leal.
Ao que levou Valter a se dedicar ao relato, permito-me apenas somar um pensamento de Constantino - coincidentemente estampado no blog do Leal - "Viver é acreditar no amanhã melhor, seja como for, apesar de tudo, crendo na força do universo velando por nós."
Lá no Capão Redondo, bairro da periferia de São Paulo, cenário das histórias reunidas neste livro, deveria ser colocada uma placa com esta frase. Porque na realidade o Capão representa uma síntese do mundo do tráfico, da violência e do abandono social, do explícito descaso público a que são submetidos os habitantes da periferia, tão bem contextualizados nesta breve obra. A vivência que somamos com relação ao crime e ao vício, uns mais próximos por circunstâncias da eventual preocupação com um parente, outros mais distantes por sorte ou apenas por conhecerem só a notícia, não se compara com a experiência de quem conviveu por necessidade, por lá residir durante algum tempo e ter participado da vida da comunidade.
Ao juntarmos tudo compreendemos os motivos desta sina ser um túnel sem luz de onde não há como voltar. O intrigante é que as pessoas adentram ao túnel por livre e espontânea vontade, sabendo que seu destino é a morte. Muitas delas conhecem outros caminhos e ainda são capazes do discernimento, mas estes parecem lhes fugir tão rapidamente, como um relâmpago, um passe de mágica.
Assim sendo, só restam as forças do universo, pois o homem já não é mais dono de si.
Recebi com imensa satisfação o convite do autor para participar da realização deste seu sonho. Coube-me o projeto gráfico da capa. Além do texto realista, apresentado na linguagem cotidiana, simples, mas contundente e sem rodeios, Valter ainda teve o mérito de escolher mais três excelentes personalidades para marcar sua obra. O prefácio entregue ao escritor Ricardo Ramos Filho, a apresentação de contracapa à escritora Vivina de Assis Vianna e a orelha esquerda entregue aos cuidados da Profa. Maria Elisa Guimarães são referências do mais alto gabarito. Além de terem se constituído num triunvirato magistral de paraninfos do autor.
Mário Leal acertou quando fechou sua resenha: "A tinta com a qual Valter Ferraz escreveu cada frase constante de “CAPÃO, OUTRAS HISTÓRIAS” deixa no ar um sutil aroma a convidar o leitor para mais atenta leitura, porque o impulsiona a funda reflexão sobre a vida tal qual esta realmente é".
Um tanto Nelson Rodrigues do outro lado da ponte, a confirmar, sem meias palavras, como é a vida sem tempo para maquiagens nem faz de conta, porque, então, o "bagulho é doido".
Capão, outras histórias", Edição do autor, Câmara Brasileira de Jovens Escritores - Rio de Janeiro, será lançado no próximo dia 06.12, em São Paulo, no Canto da Madalena - Rua Medeiros de Albuquerque, 471 - Vila Madalena, a partir das 19h00.
O amigo Valter realiza um sonho. Um lindo sonho. Digo-lhe, como Eleanor Roosevelt, que “O futuro pertence aos que acreditam na beleza dos próprios
sonhos”. E os realizam.
[Os interessados em adquirir o livro poderão fazer contato através do blog do autor.]
Será que tudo não passou de um justo castigo para um clube que usou e abusou das falcatruas nos últimos anos? Que até contratou gente para intervir na política e conchavar nos bastidores a não instalação da CPI do Corinthians?
Que é um justo castigo a quem há cinco anos debochava da torcida do Palmeiras, isto eu tenho certeza! Que os gaúchos estão vingados, minha certeza é maior ainda.
Amiguinhos da Fiel, da Camisa 12, preparem-se! A Segundona não é fácil. Só quem lá esteve sabe do que se trata. De qualquer forma é um santo remédio para curar a arrogância de diretores futebolísticos, para aprender a levar o esporte a sério e principalmente um estágio fabuloso de humildade. Boa sorte a vocês em 2008.
O presiMente-torcedor talvez agora faça menos comparações da vida pública com o futebol.