[educação - o brasil de hoje]
E a imprensa do Maranhão?
A reportagem do vídeo a seguir foi mostrada ontem pela Rede Globo, no programa "Fantástico". Indignação é uma palavra insuficiente para definir o que a situação causa nas pessoas que ainda acreditam neste país, principalmente na Educação como única forma de resgate da igualdade social que tanto sonhamos.
Hoje acessei o portal Guia de Mídia e procurei pelos jornais do Maranhão. Para minha surpresa, nenhum deles, oito de São Luis, um de Grajaú, um de Imperatriz e um de Itapecuru Mirim falam a respeito em suas edições online. De quatro webjornais, apenas dois - , que reproduziu o teor da matéria televisiva e o portal de codó, que comenta e abre espaço para comentários.
Ao rever esta matéria e pesquisar os jornais manhanhenses fiquei ainda mais convencido que há um Brasil que o próprio Brasil não faz questão de mostrar. E pior, pelos mais longínquos rincões, interior a fora, de norte a sul, grassa a perversidade da nossa irremediável política. Em muitos casos, corroborada pela imprensa comprometida com outros valores (?).
Quando incluí o meu comentário abaixo, por volta das 18:00 horas, ninguém ainda havia se interessado pelo assunto.
"No domingo a reportagem da Rede Globo/Fantástico causou uma indignação sem precedentes em todos aqueles cidadãos que ainda sonham com o resgate social deste país através da Educação. Mas esta indignação foi maior no dia de hoje, segunda-feira (31.03), pois ao acessar os principais jornais do Maranhão, pela internet, surpreendi-me com o fato de nenhum deles abordar o assunto, sequer para tecer algum comentário sobre a referida reportagem. Encontrei menções apenas neste portal e no "www.portaldomaranhao.com". Amigos, isto demonstra mais ainda o descaso para com a Educação no Brasil. Se os próprios meios de comunicação do estado envolvido não se interessam por reportar denúncia tão grave com o que se deixa de fazer por aquelas crianças, como esperar alguma solução? Não seria o momento oportuno da imprensa estar exercendo seu papel, dando ao fato o tratamento adequado, cobrando medidas, denunciando o que certamente a reportagem não tratou? Sabedores que somos da situação de esquecimento a que está submetida a escola pública em todo país, e pelo Estado do Maranhão não se resumir apenas à cidade de Caxias, é óbvio que outros municípios possuem situações semelhantes. Acredito que a imprensa desse estado perdeu uma grande oportunidade de exercer seu mais sagrado dever. Uma pena."
Trecho do documentário "Darcy Ribeiro: O Guerreiro Sonhador"
Por bom tempo tenho acompanhado o conteúdo exuberante do blog Umbigo do Sonho, escrito pela carioca Adelaide Amorim. Além dos proveitosos textos, resultado da rara desenvoltura para transitar por diversos temas, como poucos ela rege com habilidade os comentários mais polêmicos lá postados.
No último dia 22 postou um texto marcado por olhar distinto sobre o Rio de Janeiro. Buscou nesse olhar o resgate do lado mais belo da cidade e sua gente, da admirável alma do povo carioca, onde, como sabido, reina a vontade da paz e cultivo do bom humor, motes atualmente relegados a planos secundários quando se deseja falar do Rio. Um desabafo necessário pela conhecida fixação dos nossos olhares apenas na produção das mídias, boa parte feita de forma oportunista no jogo de interesses das mais variadas naturezas. Lembrou com clareza os resultados de ações importantes nas comunidades de baixa renda, que já levaram a resultados elogiáveis. Enfim, como já fez muitas vezes, mais uma respeitável declaração de Amor.
Já aproveitei textos de temática semelhante, autoria de outros blogueiros igualmente inteligentes, para questionar e aprender um pouco mais sobre o Rio. Sempre me toca muito fundo, aqui do Sul, pensar nas maravilhas daquela cidade, na dádiva de beleza que existe e, para não me estender, no jeito carioca de ser, principalmente dessas pessoas que querem viver com alegria, as quais Adelaide com toda razão evocou. Quando faço essa "viagem", penso não ser único, há um frame que se interpõe no filme mental para promover uma interrogação: por que a violência persiste em terreno tão propício ao plantio e colheita da Paz?
Pautei meu comentário novamente através de questionamentos políticos e algumas afirmações que se movem por convicções próprias da realidade mais comum ao país inteiro. É natural que à distância e sem convivência se tenha uma visão incompleta da realidade. Além disto, longe de lá, é normal sofrer maior pressão do pensamento dos que produzem as notícias.
Adelaide acolheu meu comentário e usando de uma gentileza elogiável disse que iria elaborar resposta mais apurada. Para tanto resolveu fazê-la em novo post – "Rio – comentando o comentário".
Não escrevo este texto como tréplica, mas no objetivo apenas de elucidar o estado de espírito e dividir o que aprendi com a respeitável amiga. Parte do primeiro objetivo acredito já ter mencionado acima e, para completá-lo, lembro mais uma vez sobre o caráter interrogativo que coloquei ao início da minha intervenção. Foi interrogação de busca, de investigação, nunca com sentido capcioso ou visando denegrir o modo de ser, pensar e agir do querido povo carioca. Reconheço minha contumaz veemência para determinados assuntos, mas também confesso que mesmo afirmações foram construídas no intuito do debate salutar. E, felizmente, ele aconteceu.
Mantenho, por convicção, minhas posições quanto a "Sim, a população pode reverter estes quadros, lenta e gradativamente, mas pode", justo por acreditar no sonho de Darcy Ribeiro e na pregação de Cristóvam Buarque [esta notícia é excelente para os que ainda acham que o Senador é "o homem de uma nota só"], oportunamente mencionada no post. Venho de uma família que foi vocacionada para a Educação, pai, tios, irmãos, o que me concede o suporte inabalável para sentir que as mudanças que precisamos só podem ser construídas a partir deste nobre material. Mesmo o tempo mínimo exercido no magistério serviu para consolidar tal suporte.
Dirá você, caro leitor, "mas o sonho é só um sonho quando nunca buscado". Sim, não há como divergir. Todavia, resta a grande questão: como e quando vamos buscar sua realização? Comungo com Adelaide, cujo pensamento foi magistralmente ilustrado com "Quando houver boa escola em vez de esmola, emprego em vez de arrego, boa alimentação em vez de sopa dos mendigos, saúde satisfatória para todos – ou, pra não ficar na pura utopia, pra quase todos, a maioria absoluta. Quando enfim os eleitores do Rio (mas não só) tiverem condições existenciais de encarar a eleição como uma escolha conseqüente, e não um jeitinho para sair do sufoco. Como se consegue isso? A longo prazo pela educação e por políticas consistentes e duradouras de inclusão; a médio prazo, com emprego e salários decentes".
A propósito:
Tem pelo menos um paradoxo a ser entendido nas manchetes acima (Portal UOL – 27.03.08 – acesso por volta das 12:00 h). "CNI/Ibope: avaliação positiva do governo sobe" e "Desemprego aumenta e deve continuar subindo, avalia IBGE". O mercado de trabalho está desestimulado pela política de encargos e engorda as estatísticas da vil informalidade ou a economia saudável e estimulante é uma farsa são duas premissas possíveis para serem estudadas.
Não pretendo discutir o contraste, apenas uso-o como ilustração para reforçar as primeiras linhas do pensamento por último referido.
Quem são nossos políticos? O Big Brother Brasil explica um pouco:
Foi para tal preocupação que as "excelências" foram eleitas, algumas possivelmente surfando nas pranchas das promessas vãs e uso indevido do dinheiro?
Erramos sim, muitas vezes elegendo vermes, mas precisamos ter a vontade de corrigir. Se não podemos atribuir tal carga igualmente aos mais analfabetos (que "mal falam, mal ouvem, mal vêem"), com o que concordo, então nossa responsabilidade aumenta. Pensar assim concorreu para que eu escrevesse "somos todos nós [não analfabetos], cariocas e demais brasileiros de todos os lugares, os únicos responsáveis por tudo que vivemos e acontece em todos os lugares deste imenso país". Reconheço ter me expressado mal. Gostaria de ter dito que somos responsáveis como agentes de mudanças, através da participação, do voto com qualidade, da cobrança, do resgate de valores.
Quando me referi à glamourização da pobreza, servi-me do sentimento reinante que costuma achar mais adequado "o nivelamento por baixo", algo onde está incluso o ridículo pensar que as classes miseráveis só precisam de comida. Ainda não conheço quem tenha erradicado a pobreza apenas com políticas de curto prazo. É como tapar buracos das estradas. Mais grave, é da nossa cultura pouco valor atribuir aquilo que foi concedido de graça. Acredito que a pecha populista jamais seria admissível se estivéssemos testemunhando um programa de desfavelização mais amplo, com a integração das gentes de quaisquer níveis e das comunidades beneficiadas em projetos que incluíssem a obrigação de mudança de hábitos pelas vias de uma educação formal, melhor estruturada, dirigida e reeducação de hábitos (higiene, saneamento, sentimento comunitário, respeito à propriedade, ao próximo como pessoa humana, preservação ambiental, exercício da cidadania e tantas outras necessidades) e das efetivas oportunidades de trabalho.
Recorro a um exemplo de Curitiba. Na maior favela, a Vila Pinto (Favela do Capanema), governo passado investiu na edificação de um centro de atividades comunitária, de início imponente e que mudou a fachada do lugar. Os contemplados com a ocupação não receberam treinamento adequado para poder cuidar e produzir. Acabou sem qualquer manutenção, não gerou absolutamente nada de empregos e os "sorteados" acabaram por transformar os prédios em residências, objetivo distinto do que havia sido planejado. A população continua carente, o rio Belém (que atravessa o local) segue podre pelo lixo atirado, não canalizado, as crianças sem escola e saúde, adultos desempregados e construindo novos barracos com o que catam nas ruas, tudo permaneceu igual para os mesmos miseráveis que anos antes acreditaram nas simples obras como erradicação dos seus problemas. A violência do tráfico, nem é preciso dizer, aumentou. Continua sendo o mesmo "colégio eleitoral" de sempre. É visto como um modelo de planejamento a ser evitado. Existe um documento de 2006, muito interessante, em página do MP-PR, que apresenta um retrato abrangente da situação que não é diferente dos maiores centros. Vale a pena ser lido por quem acha que temos só paraísos.
Preocupa-me pensar no remendo, na maquiagem, no benefício financeiro que tem origem apenas no programa social. Este, o governo seguinte pode se encarregar de eliminá-lo. A isto não se pode chamar "reconstrução do país". A melhor reforma prevê o reestudo sério do terreno, aproveitamento das condições favoráveis, remoção dos entulhos que se formaram com o tempo enquanto eram provisórios e viraram definitivos. Em nosso caso é preciso plantar nas pessoas o valor da reconquista de uma vida digna, também representada pela conscientização de justiça e participação ativa. Isto só será real se lhes forem oferecidas as oportunidades, administrado o conhecimento de como fazer e melhor aproveitar em benefício de si próprio, nunca para que se torne compromisso eleitoral.
Sim, ao governo atual não se pode atribuir todo ônus da desgraça, mas também não podemos ficar repetindo as lembranças das mazelas e heranças bicentenárias como razão absoluta para que tudo permaneça igual ou apenas aceitando maquiar soluções com mirabolâncias.
Temo pela enganação populista que é capaz de provocar conflitos classistas. A democracia tem um sentido muito amplo para abrigar apenas "parte do povo" e os vazios serem completados com a instalação de palanques que viram fortalezas contra quem pensa em fazer o melhor, diferente e com boas intenções. Deixar de ouvi-los, apenas por contrastes ideológicos, ou pior, por revanchismo, parece-me indecorosa exclusão provinda de um caráter ditatorial.
Encerro dizendo que seria ingênuo se não concordasse com a forma dela pensar sobre as ditaduras. Aquela que vivemos juntos, durante 20 anos, foi patente que nada resolveu embora tanto tempo tivesse. Reservo-me, no entanto, a sublinhar alguns dos nossos pensamentos abertos aqui e lá, que transporto para a própria definição em si: "poderes se enfeixam nas mãos dum indivíduo, dum grupo, duma assembléia, dum partido, ou duma classe". Isto nos ajuda no refletir sobre a nocividade das alianças monopolizadoras que mais parecem um festival de aluguel de falsas ideologias, servindo apenas à tentativa de no futuro legitimar uma artificial alternância de poder. Esta é a verdadeira ferida citada, corrijo, e o ácido que nela se pinga tem entre seus antídotos o papel da imprensa livre. Por este elemento temos que lutar sempre.
Especialmente à caríssima Adelaide, quero deixar meu profundo agradecimento pela excelência da oportunidade de diálogo franco que ajudou a materializar. Manifesto, uma vez mais, o particular respeito pelo povo carioca, a quem admiro e tenho fé que saberá sempre avançar em sua capacidade de soluções, ajudando em breve tempo a cortar a fita simbólica da inauguração de um novo tempo, um novo país, pois seus problemas não são somente seus, são de todos nós que amamos e não perdemos jamais o orgulho desta Pátria.
Em 2006, no dia 29 de março, nasceu este blog e eu o iniciei escrevendo sobre o aniversário de Curitiba. Amanhã, sábado, 29 de março de 2008, o Infinito Positivo completará dois anos. Falando hoje do Rio de Janeiro considero uma bela forma de comemorar o aniversário, pois isto faz lembrar o conterrâneo Leminski, que também curtiu a alma carioca. Ele dizia: "Se o Rio é o mar, Curitiba é o bar". Brindemos, pois.
[UPDATE - 28.03.08 | 15:35] -
A PIADA DO DIA
Primeiro a mãe do PAC negou. Depois continuou negando mas admitiu algumas "tonturas". Hoje as notícias correm em manchetes nos principais veículos: a ministra Dilma "pariu" um lindo e saudável dossiê. Nasceu com 13 páginas e passa bem. Na pia batismal receberá como nome/título "Lixa de Unha da Da. Rute Cardoso" e terá como madrinha a secretária-executiva da Casa Civil e braço-direito da ministra, Erenice Alves Guerra. Tão logo seja autorizada pelo médico Dr. Inácio, passará a receber visitas e, quando voltar para a Casa, recepcionará a todos da família da base de apoio com uma "tapiocada". Afinal, tudo é feito de "farinha do mesmo saco".
Definitivamente a ministra Marta Suplicy não deveria passar nem perto de aeroportos. Pensando melhor, considerando-se certos procedimentos, ela nunca deveria ter entrado na vida pública.
Na última terça-feira protagonizou cena de arbitrariedade tentando usar o cargo em benefício próprio e de seu marido, o argentino Luís Favre. Quando embarcava para a China no vôo 455 da Air France, o casal recusou-se a passar pela revista de bagagem de mão através de raios-X. O procedimento, como é público e notório, faz parte das determinações vigentes dentro das rotinas que objetivam a segurança dos passageiros de aeronaves.
Diversos outros passageiros se revoltaram. A ministra, além do reprovável gesto, ainda tentou "se justificar" dizendo que, "no Brasil, para as autoridades não valem as exigências que recaem sobre os brasileiros comuns". Foi uma evidente demonstração da prepotência que é própria de tantos outros políticos brasileiros, mais uma prática antes tão censurada pelo PT e hoje um pouco da sua identidade.
Mesmo embarcados os passageiros continuaram a reclamação. Foi quando o comandante do Boeing 777, usando da autoridade que lhe confere o posto, chamou uma equipe de segurança do aeroporto e pediu providências, informando que não decolaria enquanto todos os passageiros do vôo não passassem suas bagagens pela revista. A distinta ministra teve que deixar sua poltrona na primeira classe e atender a exigência.
Penso que está na hora dos "brasileiros comuns", principalmente dos eleitores de São Paulo - caso ela venha a postular cargo público novamente - darem a resposta necessária a esta senhora, que por alguns dos seus comportamentos se tornou das figuras mais toscas da república.
No final de semana passado na Ilha do Mel aconteceu um fato curioso. Na chegada, além dos proprietários da Pousada Coração da Ilha, fomos também apresentados ao Tom, gato preto de estimação do casal Guima e Ju. O felino estava esperto, brincalhão e receptivo.
Na noite de sexta-feira ainda o vimos sair faceiro com os donos. No sábado chegaram mais dois casais. Também duas moças argentinas, uma médica e outra engenheira, de início esquivas e caladas e que depois, apesar do ar ciumento da primeira, nos proporcionaram alguns bons papos.
Ouvi certa vez que os animais são extremamente sensíveis a energias negativas transmitidas pelos humanos. Gatos, mais ainda.
No início do sábado Tom parecia muito bem. Estava sempre num canto da sala de café, próximo à porta, como um perfeito guardião. Respondia normalmente aos estímulos e a qualquer chamado que fazíamos.
Todos, à exceção de um dos casais, conversávamos animadamente pela manhã, aproveitando o raro momento que passávamos juntos. Até descobri que na Argentina o "noço guia" não joga a bola toda que a torcida brasileira acredita.
No domingo o gatinho amanheceu doente. Desde a noite de sábado parecia engasgado, não comia e passou a ficar sonolento e prostrado em outro canto.
Rimos muito após o café da manhã de domingo, depois que o casal pouco social deixou a pousada. Durante a madrugada tinha sido possível ouvir uma discussão quando chegaram de um baile de forró que rolou na Praia de Fora, lá na Praça de Alimentação. A mulher tinha refugado o companheiro para dançar com um nativo. Foi o que ouvimos.
Tempo depois que saíram, percebemos que o gato voltou a ficar "on". Passava por nós, miando, pedindo comida e logo em seguida já estava bem, fazendo o dono cancelar a idéia de levá-lo ao veterinário.
À porta da pousada, quase ao final do curto corredor de madeira, que por lá chamam de deck de entrada, havia um vaso poderoso que acolhia Espada de São Jorge, Arruda, Comigo ninguém pode, Guiné e outras, o que muita gente considera um verdadeiro coquetel botânico contra "mau-olhado".
Quando nos referimos ao "potencial" do vaso, Guima soltou uma pérola que produziu boas gargalhadas:
— Isso aí é um verdadeiro "firewall", não deixa passar nada de ruim cá pra dentro!
Naquelas condições fiquei pensando que Tom deva ter sido atacado por algum espírito invasor que já havia deixado seqüelas no HD da pousada, ação ocorrida antes da plantação do firewall. Só podia.
A facultativa portenha, ainda com cara de ciúmes da companheira, também deu um sorriso amarelo. Bem da cor do brasão da AFA (Asociación de Fútbol de Argentina).
Meses atrás comentávamos, eu e o Peri, com a participação do Jayme Serva, a respeito do quanto se perde de uma boa troca de informações em um post pelo fato de muitos de nós encerrarmos o assunto a partir da publicação seguinte.
Disto nasceu a idéia de iniciarmos um movimento com o objetivo de passar a dar um tratamento diferente a estas situações. Junto com O "dono do Armazém" que passou ótimas coordenadas, produzimos este selo que ajudará a divulgar.
Quem achar válido e quiser ajudar pode copiar a imagem e publicar em seu blog. Aqui, ao lado esquerdo, ao final do "Releituras", tem uma versão em tamanho menor.
[UPDATE - 19.03.08 | 11:06] -
COMO CONTROLAR A ENTRADA DE NOVOS COMENTÁRIOS EM POSTS ANTIGOS? O sistema HALOSCAN disponibiliza a opção do usuário ser comunicado por Email quando da entrada de um novo comentário, indicando o link do post que o recebeu. Basta efetuar o login e entrar no Painel de Controle, abrir "Settings" e ativar a condição de notificação (Email Notification). Após 30 minutos do novo comentário ser postado o sistema emitirá uma mensagem para o endereço Email cadastrado. Outros sistemas, como o Comentários do Blogger.com (Blogspot) também oferece condição semelhante.
Com uma saia à la Clara Nunes, rodando feliz, linda e cheia de graça, Maria Rita estreou seu show "Samba Meu", em São Paulo. O Samba agradece. Seu Jorge também está gostando "desse deslocamento de Maria Rita para o samba".
"Dai-me Senhor,
a perseverança das ondas do mar,
que fazem de cada recuo
um ponto de partida
para um novo avanço."
[Gabriela Mistral]
A previsão do tempo para o último final de semana era extremamente bondosa: sol forte, céu limpo, temperatura média beirando 30 graus centígrados durante o dia e previsão de pancadas de chuvas apenas ao final do domingo. O Simepar nos ajudou a decidir desembarcar na Ilha do Mel (entrada da Baía de Paranaguá) na sexta-feira à tarde.
Antes de mais nada é preciso contar uma proeza. Nasci em Paranaguá e consegui esta façanha de levar 53 anos para conhecer o verdadeiro paraíso que existe naquele lugar. A meu favor, mas nem tanto, o fato de estar em Curitiba, fora do meu berço, há exatos 33 anos, o que de todas as maneiras não justifica o fato de ter sido marinheiro de primeira viagem nesta maravilhosa direção.
Pois bem, a Ilha do Mel tem uma paisagem deslumbrante. Quem deixa o continente, a partir do Pontal do Paraná, em menos de 25 minutos da travessia de barco já começa a sentir o encanto que vai encontrar. Desembarcar na parte sul da ilha, na comunidade de Encantadas, significa contar com boa infra-estrutura necessária a uma estadia saudável e repleta de expectativas e descobertas. Mesmo fora das temporadas concorridas, é mais pacata que a comunidade ao norte, a Nova Brasília, onde se concentra maior número de nativos e o movimento de turistas é mais elevado.
Lá, na Pousada Coração da Ilha, localizada na Prainha, a 600 metros à esquerda do trapiche, Leila e eu fomos recebidos e bem hospedados pelo casal Guimarães e Juliana. Guarde esta dica. Eles fazem um trabalho profissional com excelente atendimento, orientação e prática de preços honestos. As instalações são agradabilíssimas, bem localizadas e o casal contribui para um ambiente mais que amigo.
Final da sexta, sábado, domingo e meio dia da segunda-feira foi o tempo necessário para que desfrutássemos de quase tudo.
Por trilhas estreitas e a beleza inconfundível da orla, com o Atlântico aos pés, foi possível matar a curiosidade em conhecer a Gruta das Encantadas (entre a Praia de Fora e a Ponta da Encantada), local místico e cheio de lendas de pescadores. Para os que se aventuram em lá chegar nas noites de lua, há quem jure ouvir o canto de mulheres que vivem na gruta. A lenda diz que cantam para atrair os homens. Fomos durante o dia e ao menos tivemos o prazer de ouvir a música instrumental da natureza exuberante: o som das ondas quebrando nas pedras da entrada da gruta.
No sábado uma bela caminhada pela orla para repor energias através das areias brancas das Praias do Miguel e Grande e uma tentativa frustrada de atravessar por entre as rochas para alcançar a Praia do Farol que deixamos para chegar de barco, por Brasília, no dia seguinte. Almoçamos no Marisquinho, na Praça de Alimentação, sentindo a brisa do oceano e ouvindo a sinfonia das ondas no "gargarejo".
A noite costuma presentear com um silêncio maravilhoso. Defronte à Prainha em penumbra, com as luzes do continente ao longe, silhuetas de pequenos barcos ancorados e o céu magnificamente pintado de estrelas, o vento brando e suave parece anestesiar o corpo. A contemplação faz a gente se aproximar da própria alma. É uma experiência espetacular que propicia ao silêncio nos dizer muito mais do que simples palavras. O homem tem na natureza o maior aliado na sua busca pelo caminho da realização espiritual, mas assim mesmo comete o disparate de tratá-la tão mal por pensar que tudo sabe, como se fosse um deus.
"Domingo lindo, tarde de sol, pego uma lancha e corro para o Farol...". Lembra de ter cantado algo parecido com isto? Não fomos pescar, como Erasmo Carlos na canção chinfrim, mas comemos um bom filé de pescada branca e boa porção de camarão frito lá em Brasília, no Restaurante Tropical, defronte a Pousadinha, outro lugar muito bonito.
Do alto do morro, sem sabermos da proibição de subir no Farol das Conchas — por obra do vandalismo de alguém que arrombou a porta as pessoas estavam adentrando ao interior —, apreciamos uma paisagem emocionante, verdadeira maravilha da natureza em 360 graus de visão indescritível. Os olhos conseguem alcançar todo formato da Ilha, cujo coração da mata é engalanado de um lado pelos tons verdes e azuis do oceano, a costa bordada pelas areias das praias e rochas nos morros, e, de outro, pela suavidade da baía com suas águas calmas abrindo portas da bacia para o porto, alimentando os mangues e depois abrigando o pôr-do-sol encantador.
Talvez a gente desça rápido do Farol não pela vertigem, mas principalmente pelo efeito magnético que em nós exerce a terra firme, sábia em ensinar o quão minúsculos todos somos ante a exuberância da natureza infinita.
No Norte, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, construída pelos portugueses em 1767, que tinha a missão de proteger o litoral paranaense e a entrada estratégica para o porto de Paranaguá de uma possível invasão espanhola, desta vez foi apenas apreciada de longe. Deixamos para uma segunda visita. Ela significa desde já um dos motes para breve retorno a este lugar encantado e que, apesar de ser ponto minúsculo na grandeza do oceano, é capaz de nos oferecer verdadeira aula sobre a magnitude do meio ambiente. Além de nos fazer voltar na História e oferecer a oportunidade de refletirmos sobre nosso trágico desaprender da importância fundamental da Natureza.
Segunda-feira chegamos a Curitiba no final da tarde, recebidos por uma chuva torrencial. Eram as águas de março fechando o verão. Promessa de vida nos nossos corações.
"A Ilha do Mel não é um balneário, é uma área de conservação da Natureza!" [IAP - Instituto Ambiental do Paraná]
[blogagem coletiva - dia internacional da mulher]
Divas e feiticeiras
O Dia Internacional da Mulher é um tema cativo em meus blogs desde o início desta empreitada prestes a completar seis anos. Durante esse tempo, em data tão gloriosa e onde os textos escalam menções de lembranças das inúmeras lutas vividas pela mulher, preocupei-me muito mais no enaltecimento da força extraordinária que nela se contém, para até mesmo usando a magia poética nascida na emoção, prestar o tributo do meu respeito. Usei referências musicais, fiz conto, crônica, poesia.
Desconheço um homem que não tenha mulheres favoritas. Elas sempre ganharam de minha parte uma reverência sobremodo especial. Foi o que fiz nesta época no ano que passou. Além do post, visitei-as em seus diários ou deixei uma mensagem eletrônica na caixa postal.
Hoje, tendo aderido à proposta contida no blog Pensieri e Parole, da querida Meiroca, e tendo que fazer uma breve viagem, altero meu rito para participar (antecipadamente) da blogagem coletiva, cuja recomendação de abordagem trata-se de problema que nos aflige e violenta: a desvalorização da mulher brasileira pela via da prostituição.
O noticiário recente atualizou de forma aterrorizadora as estatísticas referentes ao crescimento de um tipo de prostituição, consumado como prática de absoluto "trabalho escravo" vivido por milhares de mulheres brasileiras, principalmente na Europa. Fazem parte do universo de pessoas atraídas pelo ganho fácil ou iludidas por agenciadores internacionais que lhes oferecem benesses e mordomias, as quais jamais sonharam em obter, principalmente na promessa de tudo alcançar em curtíssimo prazo.
Manifestei-me em alguns blogs comentando sobre a responsabilidade do Estado no problema. Cabe a este não apenas o sagrado dever da promoção de políticas específicas que possam agir com efeitos preventivos – a exemplo do investimento educacional do indivíduo e ocupação profissional -, mas também a saudável intervenção sobre qualquer atividade legal ou não, que se ocupe em promover a consumação ou mesmo apologia ao ato de se prostituir sexualmente.
Todavia, um Estado não se completa sem a participação da sociedade. Em muitas searas a não intervenção desta pode frustrar quaisquer políticas por mais úteis que se apresentem. E entendo que seja o caso nesta questão.
É triste perceber e ler que boa parte da população se preocupa prioritariamente em relacionar culpados em detrimento de participação no debate com raciocínio mais equilibrado. A dignidade da vida, assim como ela própria, deve estar acima das friezas das atitudes dogmáticas, doutrina, teoria e lista.
Muita gente, por vezes, condena a prostituição em sua apresentação realística sem a necessária reflexão do motivo específico e estabelece o rótulo discriminatório na pessoa, mas ao mesmo tempo aplaude a personificação oferecida por certas mídias. Consome-se a prostituição de forma indireta. Prestamos audiência ao que provoca, confundindo com diversão. Somos condescendentes quando nos é servido o glamour que se oferece apetitoso e cuja digestão se processa na forma da idolatria. Já existe séria intenção de reality show pornô a ser transmitido pela internet. Condenamos a pedofilia, mas não abrimos mão da nossa fantasia voyerista quando há sexo "permitido".
Também é lógico reconhecer que política de prevenção, por exemplo, não se consolida por inteira, pois há que se levar em conta o livre-arbítrio. Há mulheres que querem ser prostitutas, seja de qual forma lhes convenha. Como discordar do direito individual? Não é apenas a pecha de paraíso do turismo sexual que nos preocupa. É possível que um dia possamos argumentar ao turista estrangeiro que a "mercadoria saiu de linha", mas antes disto temos que alcançar a igualdade social, esta sim, a solução para todas as nossas estúpidas mazelas e responsabilidade de homens e mulheres.
Há outro cuidado que se requer. É muito fácil desfrutar de uma exposição em exagero que se provoca com finalidades diversas, invariavelmente usando o próprio corpo. Não sejamos apóstolos da hipocrisia. A mulher brasileira é detentora de encanto natural, performático. Sua forma invejável é matéria que suscita admiração geral e se torna assunto dominante. Óbvio que este particular transita em todos os âmbitos, mas o grande pecado talvez seja o fato de dedicarmos mais tempo associando-a a libido que exaltando como magnífica obra de arte da natureza, onde sejamos capazes de associar a forma à mensagem que possa existir no conteúdo.
Arrisco afirmar, com a devida vênia feminina, que a própria mulher tem ajudado a escolher a primeira. Mas isto também é um caso de liberdade individual que em nenhuma hipótese vai empanar o brilho do meu eterno tributo.
As mulheres são divas. O homem é apenas homem. Preço justo por ter lhe sido concedida a graça do discernimento para escolher quais devam merecer seu culto.
Que todas as mulheres sejam felizes, minha mãe, minha filha, minha irmã, minhas amigas, minhas colegas de profissão, minhas ex-mulheres, minha mulher, minhas futuras mulheres se isto houver e todas aquelas que "satisfazem meu ego se fingindo submissas, mas no fundo me enfeitiçam...".
Darei resposta aos comentários e visitarei os demais blogs participantes apenas na próxima terça-feira, 11.03. Ótima comemoração e belo final de semana a todos.
Veja AQUI a relação completa com links de todos os blogs participantes desta coletiva.
Sem nos apercebermos contribuímos para mudar os costumes das gerações e quando, em algum momento da vida, descobrimos que certa ausência de conteúdo acaba ajudando a levar nossos filhos e netos por caminhos que jamais nos aventuraríamos, a primeira reação é buscar culpados. O certo seria encontrar respostas para o obrigatório questionamento do "onde foi que eu errei".
Essas transformações na maneira de agir dos jovens e adolescentes do nosso tempo fazem parte do processo evolutivo da humanidade, e parece lógico que devam crescer sintonizados com os costumes do seu tempo. Eles têm que construir sua própria história e se relacionar em contexto equivalente, mesmo que submetidos a riscos. Todavia, há determinados princípios que são atemporais e se olharmos ao nosso redor iremos perceber que deles temos abdicado.
Fomos envolvidos pelas revoluções sistemáticas e a luta desenfreada pela sobrevivência, marcada, desde o final do século XX, por uma tirana competitividade em todos os sentidos. São desafios próprios do sistema capitalista. A obrigação de competir nos diminuiu o tempo e a disposição de educar.
Ao final do ano de 2006 fui convidado a participar de um trabalho promovido pelo Curso de Psicologia da Universidade Federal do Paraná. Nele, os colaboradores tinham a incumbência de levantar problemas de relacionamento familiar com os filhos. Através de uma notável dinâmica de grupo muito original, trabalhada com instrumentos simples, concluímos ao final que um dos grandes problemas ali deduzido era a dificuldade da definição de limites.
Foi preciso debater os extremos. Há quem não perceba que também se peca pela rigidez, configurada, entre outros, pelo ato protecionista. É preciso encontrar o ponto ideal. Neste particular a própria natureza nos ensina maravilhas. Quando a águia percebe que seu filhote já tem as asas empenadas, ela o empurra do ninho para que alce seu primeiro vôo. Nós, em muitos casos, podamos as asas dos nossos filhos. Usamos, sobretudo, as tesouras do medo e dos exemplos errados, em absoluta descrença naquilo que nós próprios fomos capazes de lhes entregar.
O extremo mais grave está relacionado ao caráter concessivo que, ao contrário do costume da águia, é a permissão que concedemos ante o ímpeto e a ousadia do vôo mesmo sem as asas terem crescidas o suficiente para planar.
Perdemos a autoridade por exclusiva ação dos modismos, transmitindo falsa noção de liberdade. Colocamos nossos filhos ao volante do carro das suas vontades, ainda enchemos o tanque, entregamos o cartão de crédito para que reabasteçam e os largamos sem habilitação dirigindo na freeway da vida.
Como na estrada, depois de um acidente grave, a vida também oferece oportunidades de resgate. O acidentado, porém, não vai a pé ao Pronto Socorro. É preciso que alguém o embarque na ambulância e o leve aos cuidados especializados. A maior dificuldade parece se originar pela desqualificação de certos ditos radicais dos nossos avós, que diziam: "doentes não tem querer". Normalmente se referiam aos turrões que não gostavam de tomar remédios, não aceitavam qualquer tipo de tratamento, não reconheciam temporárias limitações nem assimilavam os "velhos conselhos".
O que me faz escrever este texto é minha implacável intolerância com o uso de drogas por nossa juventude, cuja prática cada dia inicia mais precocemente e aumenta toda sorte de desgraças pessoais e familiares, repercutindo sobremaneira pela ousadia inerente que os leva a causar prejuízos à sociedade.
Ontem ouvi no rádio um especialista dizer que o comércio de substâncias ilícitas está consolidado de tal forma que não há mais condição de combate efetivo. Já somos o segundo país do continente americano em consumo de cocaína, perdendo apenas para os EUA.
Perguntado sobre o que fazer diante de tão drástica situação, foi categórico: "precisamos pensar nas próximas gerações e urgentemente mudarmos a nossa forma de educar".
Parece, à primeira vista, que não há qualquer relação. Mas a missão de plantar coisas edificantes nas crianças a partir de atitudes tão singelas não poderá jamais se perder de nós. Pensei nisto quando li o magnífico texto "Contando Histórias", escrito por este cara fantástico chamado Kledir Ramil, da dupla Kleiton & Kledir. Leia, é simplesmente maravilhoso.
E se você gosta de aprender através da música, veja o primeiro DVD da dupla - Kleiton & Kledir Ao Vivo (o CD ganhou o prêmio TIM de melhor disco de 2006, na categoria Canção Popular), gravado ao vivo no Salão de Atos da PUC Porto Alegre, em 2005. Nele, além do fantástico show, contam sua vida, que inclui uma saída de Pelotas para o Rio, com escala em Porto Alegre, em plena década de 70. Depois me conteste, caso entender que família, educação para a arte e coisas simples não resolvem.