Domingo, Novembro 30, 2008
[mudanças]
Recesso forçado
[UPDATE 5 - 09.12.08 | 13:13] - Daniel, o técnico da Via Hospedagem, está analisando hoje um tema Wordpress que escolhi. Estou padecendo com a síndrome de abstinência, pois o vício de blogar é terrível (de bom, lógico!). Poderia ter continuado a blogar aqui, até resolver definitivamente a mudança, mas tenho uma sensação estranha a cada vez que abro o painel do Blogger.br. O "serviço do Globo.com" já morreu pra mim. Peço desculpas aos amigos, que com tanto carinho deixam mensagens nos comentários. Na melhor oportunidade responderei a todos.
[UPDATE 4 - 04.12.08 | 19:09] - Hoje a Locaweb confirmou o registro do domínio. Iniciei os procedimentos de contratação do serviço de hospedagem do Via Hospedagem para operacionalização do endereço e migração do material do blog. Estamos discutindo sobre os detalhes do template e outros. Encontrei no Via alguém decididamente disposto a ajudar. É um Suporte Técnico da melhor qualidade. Já disse a alguns amigos blogueiros que aguardarei o final da mudança para daí então fazer uma recomendação oficial, mas desde já adianto que o amigo Daniel é atencioso de verdade. Vamos aguardar a conclusão e a disponibilidade do blog no novo endereço para abrir todos os detalhes quanto a isto.
Por ora digo que estou satisfeito. O domínio será www.infinitopositivo.com. Começo a sentir os ares da liberdade. O "alvará de soltura" está emitido. Agora só falta chegar o "oficial de justiça". De malas prontas, aguardo com ansiedade.
[UPDATE 3 - 03.12.08 | 18:59] - Aguardo o retorno da Locaweb sobre a quitação da fatura do domínio. Depois, o próximo passo será implantar o endereço na Via Hospedagem, por quem decidi para hospedar o novo blog. O atendimento lá é especial. Mais alguns dias e tudo volta ao normal. Ou melhor, passa a ser normal, acredito. Grato pela paciência e uma vez mais pelo apoio de todos.
[UPDATE 2 - 02.12.08 | 19:28 ] - Registrei hoje o domínio "infinitopositivo.com". Continuarei postando aqui os próximos passos, até que o novo endereço esteja em condições de uso. Sairemos juntos desta casa e pela porta da frente. Até mais.
[UPDATE - 01.12.08 | 13:43 ] - Agradeço a manifestação carinhosa e as sugestões que me foram trazidas até este momento.
A Denise Rangel me deixou entusiasmado com a sugestão do Wordpress. Corri fazer a consulta, mas infelizmente :<( o sistema Blogger.br não permite migrar nada para outro sistema, seja qual for. Meus amigos, está aí, este é o padrão Globo! Quer abrir um blog com eles?!!!!
---------- +oo ----------
Dias atrás o Blogger.br, hospedeiro deste blog, alterou o procedimento de login anunciando mudanças. Aparentemente um procedimento normal, mas que com o decorrer dos dias foi mostrando o que definitivamente havia por trás da medida.
Certamente a intenção é forçar usuários gratuítos a aderir aos seus pacotes. Também é outro direito que tem o portal Globo.com e isto ninguém discute. Apenas é estranho impor um "pacote" onde está inclusa a obrigatoriedade de adquirir serviços de banda larga e outras "facilidades". Mal comparando, algo como o sujeito ir comprar um carro e ser obrigado a também comprar uma rodovia.
O que causa constrangimento é o fato de todas estas mudanças e intenções implícitas não serem anunciadas publicamente para que as pessoas possam tomar suas decisões. Há informação, colhida extra-oficialmente, fruto da iniciativa de usuários, que os "assinantes" recebem todas as informações. Qual o motivo de tamanha discriminação?
Outra informação, que não tive oportunidade de checar com maiores detalhes (li num fórum), dá conta que os blogs de usuários gratuitos não estão sendo acessados fora do Brasil.
Diante do que está acontecendo, movido pela preocupação de a qualquer momento ficar sem o endereço - diga-se, procedimento que já foi praticado outras vezes pelo Blogger.br, que se arvorou em simplesmente apagar alguns blogs, inclusive um que minha filha mantia - saí à busca de uma alternativa para mudar.
O serviço mais acessível no momento é o Blogger.com (o blog gringo, como é conhecido por muitos).
Já tive uma experiência com este serviço quando me dispus a produzir um template novo para o Valter Ferraz, do blogue Perplexo Inside. Foi uma empreitada difícil. O serviço não admite muita liberdade de criação. O código é algo imposto. Parece uma ditadura digital.
Mesmo assim, dediquei duas madrugadas seguidas, a de sábado e a deste domingo, tentando adaptar meu atual modelo ao "queixo-duro" dos templates lá existentes. Não tive sucesso. Também não há uma forma, pelo menos que eu conheça, de simplesmente migrar o que existe de um serviço para o outro, pois seus códigos são específicos. Desta maneira, mesmo que consiga me instalar por lá, meus arquivos serão mantidos apenas no computador local, sob a forma de backup. É o fim das referências.
Assim, meus amigos, ante ao esgotamento físico e certa frustração a que me submeti, vou descansar e depois pensar em outra solução. Estarei algum tempo afastado. Preciso pensar. Pois não quero parar, todavia nada ajuda a poder continuar.
De tudo que pesquisei, o domínio próprio pareceu-me o melhor recurso. Se alguém que tem blog nesta condição pretender ajudar, escreva-me. Ao final´, nesta página, existe um formulário.
Abraços a todos. Bom domingo, boa semana.
Por Ery Roberto Corrêa |
4:28 PM - Link deste post
Quinta-feira, Novembro 27, 2008
[solidariedade]
Para a bela e Santa Catarina
Maravilha de gesto do Roque Sponholz.
Para quem acompanha diariamente a produção dele, centrada exclusivamente na figura do "PresiMente", a ilustração de hoje soa como uma trégua capaz de nos fazer entender que a sensibilidade humana é fator de integração na convivência. Quando provocada através da arte, ainda com mais força do que aquela que é exclusiva para fazer da própria arte um instrumento notável, aparece assim como apelo que é impossível de não ouvir. E atender.
Por Ery Roberto Corrêa |
1:11 PM - Link deste post
Terça-feira, Novembro 25, 2008
[made in curitiba]
Caderno de poesias 12
Sonho em preto e branco
com um mundo colorido
e o cinza do concreto, muda o
tom dos meus sentidos
[Alecsander Mattos]
O grupo Epopéia, nascido em 1996, é formado por Alecsander Mattos, Cristiano Farias, Dayane Silva, Gilmar Chiapetti, Paulo Matos e Thor Rio Apa. O Caderno 12, recém lançado, tem a participação de Batista de Pilar. As ilustrações, aquarelas sobre papel com imagens de Curitiba 1996, são assinadas por Salvador Barbeta.
Esta turma, além de escrever poesia, tem que sair às ruas na titânica luta que é divulgar o seu trabalho, cedido em troca de uma doação financeira. Ainda é assim, desta forma quase artesanal, que caminha o verso por aqui.
A Rua XV se revela
em vidas que não se cruzam
verbos que não se falam
olhos que não se vêem.
A calçada clama por atenção
árvores perdem as folhas
flores desabrocham em poesia.
E você, passa?
[Só passando - Gilmar Chiapetti]
Meus passos vagam sozinhos
a procura de um céu
na boca maldita
[Cristiano Farias]
[...]
Em um céu azul de lembrança
transborda passivo, um mar de dádivas.
E já não há dúvida concreta ou
armada que resista
ao desejo aquarelado de
mudança.
[Alecsander Mattos]
| | O mago das palavras
rodopiou o pensamento
deslocou o verbo do tempo
Cruzou a rua antiga
discursou para os séculos
Habita o castelo invisível
construído no tempo incerto
Onde cada palavra escrita
é mais uma palavra
enfeitiçando o Universo
[Vertente - Batista de Pilar]
No meio do caminho
tem um relógio.
O tempo está a seus olhos
ou a suas mãos?
A cada passo, um pulso...
segue-se o concreto
preso ao abstrato.
[Gilmar Chiapetti]
|
No sábado passado bateu saudade da Adelaide Amorim. Digo sempre que ela tem a prosa feita poesia. Anda sumida do blogue Umbigo do Sonho, curtindo merecidas férias perto do mar.
Gosto muito dela. Dediquei-lhe, de improviso, estas mal traçadas linhas que deixei lá nos comentários do último post:
Outrora, quando não te reconhecia
Pelos caminhos, doce Adelaide,
Era impossível ver-te nesta romaria
De meus cliques na "blogocidade".
Fizeste me apaixonar pela palavra
Mostrando fontes de inspiração
Com as pérolas da tua lavra.
Qual mar me tira esta monção?
Se ganho em teu "estar" o lume,
Simbologia da viagem digital,
Sem a força da oração imune
Sofro riscos desta fé perder.
Devolve-me em breve teu recital,
Ateu da prosa não quero ser.
Por Ery Roberto Corrêa |
12:57 PM - Link deste post
Domingo, Novembro 23, 2008
[utilidade pública]
Os ataques do coração
Hoje é um dia ideal para este post, à vista dos resultados da rodada do Brasileirão. Vascaínos e gremistas devem prestar bastante atenção. É uma nota importante.
Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo ou direito. Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes. Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram. Mas a dor no peito, pode acordá-lo de um sono profundo. Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e
engula-as com um bocadinho de água. Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ''ataque cardíaco'' e que tomou 2 Aspirinas. Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse, pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro.. NÃO SE DEITE !
Esta informação pode salvar muitas vidas. Repasse-as.
[colaboração de Gisele Mello]
---------- +oo ----------
E para começar nova semana, depois de domingo estafante e torcida contra, uma animação espetacular do gênio Alan Becker.
[colaboração de Selva Maria Moreno]
Boa semana.
Por Ery Roberto Corrêa |
8:44 PM - Link deste post
Sexta-feira, Novembro 21, 2008
[ilustrações]
Reflexões sobre a velhice - I
Esta é para quem está próximo ou já passou dos cinquenta (eliminei o trema, 1º. passo de uma nova caminhada ortográfica).
Nossos heróis (das HQ, do cinema e da TV) também envelheceram, óbvio. Mas, pelo menos na visão do ilustrador Donald Soffritti - um baita artista -, o casal "Super Maravilha" ficou muito decadente. Verdade que a "fumacinha do capeta" ajuda, no entanto fatores etílicos e a falta de uma atividade mais intensa provocam um certo "alargamento transversal que resulta em protuberâncias bem esquisitas".
Talvez nossos heróis, pela excessiva ocupação na defesa do bem, não tenham valorizado o sexo como das melhores atividades para manter a boa forma. Agora com esta "forma" (ou falta de) isto fica um tanto difícil. Melhor apelar para o que resta: a desintoxicação, um spa para a reeducação alimentar e a academia para a terceira idade.
Por Ery Roberto Corrêa |
1:44 PM - Link deste post
Quinta-feira, Novembro 20, 2008
[gastança de fim de ano]
Estranho festival
Lembro-me que à epoca da ditadura o futebol foi largamente usado para ajudar a produzir a cortina de fumaça. Esta servia como uma película que agredia o real translúcido para fazer certos atos da ditadura aparecerem como um considerável blur.
Pois nem naqueles tempos, analisando o que se ouve e lê nos dias de hoje, se viu tanto uso do mesmo expediente, agora, talvez, como forma de comprar apoios e articular comprometimentos políticos e partidários. O governo do DF deve ter praticando um download financeiro de algum servidor oficial. É só pensar um pouquinho e analisar. A CBF de Ricardo Teixeira, que interesseiramente se tornou amiguinho íntimo do presidente Lula, precisa fazer um bom caixa para 2014 e nada como patrocinar eventos com o dinheiro alheio. Seria ignorar os fatos não pensar que a entidade seja suspeita de distribuir a senha para tal download do dinheiro público.
Ontem a Seleção do Dunga jogou um amistoso contra Portugal. Os trajetos da capital federal ao Gama - aproximadamente 25 quilômetros -, estavam cobertos de publicidade oficial, dando "boas vindas" às otoridades de todos os cantos do país, convidadas para assistir ao espetáculo da Seleção. Todas as faixas exibidas tinham a mesma concepção gráfica, o que torna ainda mais nítido que pertenciam a uma mesma encomenda. Essas faixas faziam menções nominais dos "homenageados".
Nunca se viu um estádio com tantos "torcedores" de terno e gravata. Alguém acredita que esta platéia pagou ingresso?
Outro detalhe é que o evento marcava a reinauguração do Estádio Bezerrão. Este, teria sido planejado para custar "X" para ser remodelado para "Y" espectadores, mas que acabou custando "X + n" para "Y - z" espectadores. Entendeu?
O cúmulo é que lá no DF quem joga no Bezerrão é o time do Gama, que em 2009 disputará a 3ª Divisão do futebol brasileiro.
Não duvido que após a "maravilhosa vitória" do timeco do Zangado (pqp! como o cara é mau humorado, hein!? É o tipo que não sorri nem quando tá feliz), a "platéia oficial" tenho ido comemorar em alguma mansão, ou... em alguma boate. Afinal, ninguém viaja para Brasília "a serviço" em uma quarta-feira para voltar a trabalhar na quinta.
Dizem as más línguas que Lula não quis ir ao Bezerrão temendo que Dunga fosse vaiado e a imprensa caluniosa dissesse, depois, que tais apupos também tinham a sua direção. O problema é que no timeco português não se salvou nem o tão badalado Cristiano Ronaldo. E Dunga se salvou. Ou, o futebol da seleção que se dane.
NOTA: Enquanto o Bezerrão acolhia 18 mil espectadores (e foi muito) para ver a Seleção Brasileira, no Beira Rio, em Porto Alegre, o Internacional recebia um público de 40 mil torcedores que foram ver a passagem do Colorado para a final da Copa Sul Americana.
Por Ery Roberto Corrêa |
1:16 PM - Link deste post
Segunda-feira, Novembro 17, 2008
[papelão]
Época acaba de fundar a "umbigosfera"
A Revista Época (Editora Globo) prestou um "desfavor" à blogosfera em sua última edição.
Dizendo eleger "Os 80 blogs que você não pode perder", a iniciativa acabou servindo apenas para demonstrar qual método usa esse tipo de imprensa quando se trata de trabalhar assuntos sérios.
Para começar anunciou 80, sendo 50 blogs brasileiros e 20 estrangeiros. Suponho que os outros 10 sejam aqueles que ela diz "não ter esquecido porque são os dela". Não tive a parcimônia para checar isto. Tive acesso à lista pelo Twitter e visitei os diversos que não conhecia. No site da revista a lista só é acessível a quem é assinante. Colocaram um infográfico que faz o internauta cansar. Parece o “circuito integrado da panela”.
A verdade é que requisitou os serviços de 25 "principais blogueiros" do país para chegar ao resultado encomendado. E quem escolheu os tais vinte e cinco principais blogueiros? Eles devem estar entre os 80, óbvio! Até para ser lógico. Ou serão "deuses" que não se misturam e costumam olhar para tudo daquela posição de câmera alta?
É notório no resultado publicado que Época escolheu o caminho do "QI" (quem indica) como metodologia de seleção. Também evidente que há blogs bons, mas, cá pra nós, a maioria é constituída de blogueiros profissionais, jornalistas, patrocinados, gente que é paga pra fazer blog. Tenho sérias dúvidas se a blogosfera é isto. Época certamente quis dizer que blogueiros de verdade são aqueles que são jornalistas, os que tem domínio próprio, os mantenedores de comunidades e fóruns, colunistas de revistas e jornais, escritores, roteiristas de programas de humor, e assim por diante. O resto, bem o resto deve ser a escória, o lixo. A maior prova disto é que ao percorrer a lista vi pouquíssimos blogs hospedados nos mais conhecidos serviços, a exemplo do Blogspot, do Wordpress, etc, onde também residem ótimos textos e fica a maioria do povo que faz blog por hobby.
Há exceções em termos de qualidade. Na lista estão o Ao Mirante, Nelson! e o Faça a sua parte.
Agora, vem cá: Paulo Coelho, blog rebocado no G1, do portal Globo, Eu Capricho (pura futilidade) da Luiza Gomes? O Kibe também já se repetiu demais, será que estou enganado?
Como Marcelo Vitorino, não estou falando que todos os blogs das primeiras cinqüenta posições são ruins; alguns são muito bons, outros apenas bons e uma enorme parte é da pior qualidade. Ele mencionou um pouco diferente estes últimos, mas eu não tenho qualquer receio de tratar assim. É a verdade que sinto.
Enfim o que enoja é o jeitinho, a panelinha e o mau trato das coisas que tem valor sendo praticados de "cara limpa" por uma publicação importante da imprensa brasileira. Demonstra vontade absoluta de se enfileirar ao lado de outras revistas do gênero, cujo papel é apenas o de manipular os fatos e a vida nacional.
Sem qualquer outra preocupação, afinal ranking, listinha, melhores, mais mais "qualquer um faz", o que fica é a certeza, triste certeza, que a blogosfera está se tornando mais um "grupelho". É a "umbigosfera", como bem disse o Marcelo.
Falta coerência na mídia. Sobra cara-de-pau.
Por Ery Roberto Corrêa |
7:34 PM - Link deste post
Sábado, Novembro 15, 2008
[tertúlia virtual V]
Meu ídolo
"Quero melhorar em tudo. Sempre."
Tenho alguns ídolos. O primeiro é meu pai. Mas hoje não vou falar dele. Lembrarei outro, também muito especial.
Perdoe-me, caro leitor, mas pelas circunstâncias poderá lhe passar pela cabeça que estou monotemático, tantas as vezes que abordei F1 nestas últimas semanas. Todavia, não se trata disto.
Depois da espetacular experiência do Jayme Serva, que está fazendo sonetos "a pedido" e confessa ter gostado, eu tenho que revelar que também acho ótimo escrever sobre um assunto que nos sugerem. Por este fato, sou apaixonado pela Tertúlia Virtual.
Ayrton Senna não é para mim um ídolo apenas porque foi um fantástico esportista, o maior piloto de todos os tempos. É, sim, pelo pensamento que fazia nascer dentro de si, pelas vias da experiência vivida no que melhor sabia fazer. É pelo homem, pelo caráter capaz de nunca ter usado sua fama para exaltar o que praticava em benefício de outros fora das pistas. Refiro-me aos primórdios de uma obra social, hoje admiravelmente continuada pela sua irmã Viviane - o Instituto Ayrton Senna, uma causa voltada à Educação.
Vibrei com Ayrton pelo seu sentimento de brasilidade ["O fato de ser brasileiro só me enche de orgulho."]. Fiquei fã do Senna pelo seu comedimento quanto aos aspectos da vida íntima ["Uma maneira de preservar sua própria imagem é não deixar que o mundo invada sua casa. Foi um modo que encontrei de preservar ao máximo meus valores."].
Considero-o um exemplo de dedicação, tenacidade e certeza da competência.
Vidas como a dele nos permitem assimilar que nossos limites estão bem mais adiante do que pensamos.Também, que o desafio pode dar emoção e prazer.
["Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo."]. Aqueles que pensam terem atingido o sucesso sem trabalhar, sem o suor do extenuante, são feitos de plástico. Não passam de mercadorias que em algum momento parecerão descartáveis.
Ayrton não tinha receios da sua condição humana. Os valentões são vulneráveis. Ele confessava o medo e o encarava como sentimento de preservação.
Tirar lições do próprio fracasso é uma virtude que enobrece a pessoa ["Podem ser encontrados aspectos positivos até nas situações negativas e é possível utilizar tudo isso como experiência para o futuro, seja como piloto, seja como homem."].
Senna me presenteou belíssimas manhãs de domingo, algumas madrugadas gloriosas. Também faço parte daqueles que consideraram ter vivido um dos domingos mais tristes e horríveis da vida de fã: o domingo de Ímola, o acidente, a espera, o anúncio da morte, as lágrimas derramadas pelo fim de um extraordinário piloto, um homem invejável.
Ficou, porém, bem guardado, tudo que lhe dava a performance, o exemplo magno da pessoa, a canção que não sai da cabeça como a trilha sonora que dá encanto às intensas energias que representam a superação nos momentos marcantes da vida: o Tema da Vitória.
Carlos Drummond de Andrade escreveu um poema de título "Recomeçar". Ao lê-lo é possível sentir uma simbiose perfeita entre o que representou o luta do ídolo e a inspiração do poeta:
Onde você quer chegar? Sonhe alto ... queira o melhor do melhor!
Queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos.
Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos ...
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.
[Dedico este post a todos aqueles que fazem de cada novo dia a continuação da luta de querer o melhor para si, sem deixar de pensar nos outros.]
[+] - Veja AQUI a lista dos participantes.
Por Ery Roberto Corrêa |
3:36 AM - Link deste post
[blogagem coletiva]
Adoção, um ato de nobreza
 Constituindo-se verdadeira "saia-justa", fui convidado pela Geórgia para participar da coletiva "Adoção, um ato de nobreza". Não posso deixar de agradecê-la.
Confesso-me pequeno para um tema de tamanha importância em nosso País. Obviamente que seria bonito escrever sobre um ato de amor na qualidade de portador desta experiância na prática. As pessoas que a ela se submetem tem o meu profundo respeito pela sua coragem e humanidade. Sabemos, no entanto, que se trata de algo difícil pela necessidade de estar amplamente preparado para tanto.
Felizmente as preocupações da Justiça levaram o Conselho Nacional a lançar o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), que integra as listas de crianças que podem ser adotadas e de candidatos a adotá-las, existentes nas Varas da Infância e da Juventude de todo o país.
Com isto os interessados em adotar passam por um processo de habilitação (que inclui entrega de documentos, entrevistas com psicólogos e assistentes sociais e um parecer do juiz da Vara da Infância e da Juventude) para entrar numa fila de pretendentes e aguardar uma criança com o perfil desejado.
A medida não descarta problemas futuros no relacionamento e educação da criança, mas certamente minimiza as possibilidades de maus tratos na formação da personalidade de um novo ser.
O que há de mais sublime na adoção, além do ato em si, é a oportunidade que se cria para que uma criança desamparada possa se transformar em alguém através da Educação, pois quem assim pensa não apenas adota um ser humano, mas abraça e aceita para si a nobre missão de adotar uma causa.
Penso que o troféu que representa a vitória nessa causa é ouvir no futuro o filho adotado dizer com orgulho e mostrar com atitudes de amor que "pai e mãe não são apenas aqueles que geram, mas principalmente aqueles que amparam".
Por Ery Roberto Corrêa |
3:34 AM - Link deste post
Sexta-feira, Novembro 14, 2008
[pós eleição]
O criticar por criticar
Olhar para o próprio traseiro antes de criticar alguém sempre foi uma medida que os homens públicos "esquecem" de praticar com cuidado. Um belo exemplo foi o que veio da lavra do ex-ministro e ex-deputado cassado José Dirceu (PT-SP).
Recentemente criticou em seu blogue o total de despesas da campanha do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).
A prestação de contas do tucano, eleito com 778.514 votos (77,27%) apontou o total de R$ 6,89 milhões. Fazendo uma conta ingênua, cada voto do Richa custou R$ 8,85.
Dirceu deixou de comentar que a candidata do seu partido, Gleisy Hoffman (PT), gastou R$ 6,0 milhões e obteve apenas 183.027 votos (18,17%). A mesma conta ingênua aponta um custo de R$ 32,78 para cada voto obtido. É quase o quádruplo do que gastou Richa. Só tem um detalhe: o Beto foi eleito, ela enterrou o PT na capital paranaense.
Duas observações: ainda penso que se lembrasse do detalhe o Zé Dirceu não teria feito a crítica. Ele é arrogante, mas não é idiota; segundo, para enterrar o PT na capital paranaense acho até que foi preço de liquidação. Deixei este comentário lá no post dele.
Por Ery Roberto Corrêa |
2:30 PM - Link deste post
Quarta-feira, Novembro 12, 2008
[televisão]
Entrega em domicílio
Ilustração: thethales.com
A TV aberta devia ser fechada (desculpem o trocadilho) por vender "drogas". No caso, o "tráfico" vai à sua sala. Ao invés do telefone, o controle remoto.
Ney Latorraca disse ao "Fantástico" que é o melhor ator do país, na sua faixa etária, que adora ser capa de revista e que dá entrevista de óculos escuros porque gosta de aparecer. Ele tem 64 anos. Não gosto do Ney. Há outros atores da sua safra muito melhores e menos ou nada arrogantes.
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Conhece o "Teleton" do SBT? O primo pobre do "Criança Esperança", da Globo. Posso ser intolerante com tudo tudo que vem do Silvio Santos e do império dos Marinho, mas domingo passado, o que vi en passant, foi demais. Na cena do Sr. Abravanel pensei: não é um contrasenso este ridículo implorar que pessoas pobres doem R$ 5,00 para a meta ser alcançada, quando no momento seguinte ele fica dobrando cédula de cinqüenta e jogando feito aviãozinho aos seu "seleto" público feminino? É dinheiro do patrocinador dirão. Mas é ele quem joga...
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Até Serginho Groisman, a quem considero uma raridade nesse meio televisivo, anda apresentando bagaças. Uma das suas "atrações", no sábado passado, foi Helaine Muzy, diretora de cinema pornô. O interessante neste caso foi ver a moça falando sobre produções do gênero sem qualquer desenvoltura, revelando inclusive certo desconhecimento de causa, e em seguida ver a famosa vinheta do intervalo gravada por algumas figuras boas: "Altas Horas - vida inteligente na madrugada!". Pra piorar ainda tinha outra mala sem alça chamada Luana Piovani. Esta, acredito, quando velha poderá parecer pior que o Ney Latorraca.
Ainda bem que existe computador e cama!
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“AMO E ADORO CLODOVIL.”
Adorei a justiça feita ao Clodovil.
O programa pânico acabou com o programa do Clô.
Justiça seja feita estamos precisando de um programa inteligente na tv aberta.
Vai aqui Clodovil a minha torcida.
Beijos.
Cibele Narvaes - 12/11/2008 19:45 - nos comentários do Portal da Imprensa.
A declaração de amor foi feita sob texto da notícia que o deputado federal Hernandes obteve êxito em mais uma ação contra antigos patrões. Desta vez foi contra a Rede TV, que lhe demitiu por dizer no ar mais do que o necessário. Antes já havia sido a Bandeirantes.
A considerar coisas feitas por Clodovil como "programa inteligente na TV aberta", como menciona a possível fã no comentário pinçado, é de se esperar o quê?
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Vou poupá-los de outras. Fiquemos por aqui. Foi só para estravasar um pouco da minha alergia pela televisão que se faz no Brasil e alguns dos seus mais nefastos personagens. E nem mencionei o Faustão (um dia ainda haverá de ter rodada dupla no Brasileirão!)
Mudando para o que há de melhor, AQUI tem Luiz Fernando Veríssimo, em cômica crônica sobre a TV. Se não ler pensarei que você não não sai da frente da dita cuja. E por falar em "crônica cômica", Mônica voltou a postar. A blogosfera está mais rica.
Por Ery Roberto Corrêa |
8:27 PM - Link deste post
Sexta-feira, Novembro 07, 2008
[I have a dream]
Do ônibus de Montgomery a Barack Obama
A narrativa da segregação racial nos EUA representa marca profunda na história universal.
O fim da Guerra Civil Americana, em 1865, a eleição do afro-americano Blanche Kelso Bruce para o Senado, em 1875, pelo Mississippi, os movimentos separatistas do Sul entre 1880 e 1890, desaguados em novas leis de segregação, o surgimento da Ku Klux Klan, que defendia a restauração da supremacia branca no país, são capítulos que ensinam sobre a saga racial nos EUA.
No entanto, foi na coragem de um ato individual promovido por uma cidadã de Montgomery, no Alabama, que a luta se transformou. Naquela época, em 1955, ainda se preservava uma herança nascida dos movimentos separatistas do Sul, até consolidada em novas leis de segregação. Incorporada aos hábitos americanos em diversos lugares, havia se estabelecida a divisão racial em bairros, cinemas, escolas e transportes.
Rosa Parks, a costureira de Montgomery, voltava do trabalho em um ônibus. Aos brancos estavam reservados os assentos da frente e, aos negros, os de trás. Se os assentos estivessem preenchidos e um branco entrasse no ônibus, o negro da fileira mais dianteira deveria levantar e ceder-lhe o lugar. Era o que Rosa teria que fazer, mas ela se recusou a ceder o seu lugar a um branco. Foi presa.
Movimentos de direito civil começaram a articular um boicote ao sistema de ônibus de Montgomery. O episódio teve tanta repercussão que, no ano seguinte, a corte do Alabama declarou inconstitucional a segregação racial nos meios de transporte.
O boicote de Montgomery foi organizado na igreja do pastor batista Martin Luther King, que também foi preso durante o episódio. Luther King comungava a idéia da resistência pacifista, adepto da filosofia de Gandhi e dos pensamentos de Henry David Thoreau, que defendia o direito a desobedecer as leis injustas. Por pregar a desobediência civil na luta por leis igualitárias, King ganhou o Nobel da Paz, em 1964. Até ser assassinado, em 1968, fez mais de duas centenas de discursos pela igualdade.
O discurso de Washington, em 1963, foi antológico. Disse: ["I have a dream"]. Eu tenho um sonho. Meus filhos viverão, um dia, em um país onde não sejam julgados pela cor da sua pele, mas sim por seu caráter.
A luta prosseguiu, mesmo proporcionando outros episódios que ganharam referência nos anos 60, sem a compreensão dos métodos de não-violência tão defendidos por Luther King. Malcolm X [*] , juntamente com os Panteras Negras, estiveram nesse front.
Sob a presidência de Lyndon Johnson, em 1964, foi aprovada a lei de direitos civis que existe até hoje nos EUA. Foi necessário quase um século depois de Blanche Kelso Bruce para que os negros pudessem se impor na política e na sociedade norte-americana.
Barack Obama, o novo presidente dos EUA, recebe toda uma reverência da população global. Como se a história tivesse o papel de preservar estigmas, muitos louvores contêm maior ênfase à afro-descendência. Penso que este homem seja uma esperança. Como um dos "filhos" de King, precisa ser avaliado não pela cor e sim pelo instrumento norteador no espírito democrata: o caráter como essência primordial da sua inteligência, que há de servir ao cumprimento do gigantesco desafio delegado pelo povo americano.
Que o sonho sagrado comece a se realizar em janeiro do ano da graça de 2009, pois "é tempo de mudança" e o mundo precisa sentar no banco da não-violência e voltar para casa em paz.
Meu amigo Jotaele lembra-me, por e-mail, em texto emocionado, que "Para quem acompanhou, nos anos sessenta, a luta dos negros nos EUA por igualdade, por dignidade, por oportunidade e, de modo especial, a longa revolução de não-violência conduzida pelo Bispo Dr. Martin Luther King, seguramente se emocionou com a vitória (expressiva) do Sen. Barack Obama nas eleições. A chegada dele na Casa Branca promoverá uma mudança muito intensa nas relações pessoais entre os americanos.
Registra, com rara oportunidade, que a música como instrumento de comunicação, nos remete à canção "A change is gonna come", criada pelo excelente Sam Cooke prevendo que, um dia, as relações haveriam de mudar. A hora chegou.
Aqui a performance de Luther Vandross.
Esta canção foi gravada por vários artistas e fez parte da trilha sonora do filme "Malcoln X" [*]. A letra é fantástica e nos remete para os dias terríveis que todo ser humano passa diante da injustiça, da hipocrisia e da desesperança. Mas, ao mesmo tempo, nos remete para a esperança de novos dias que chegarão e nunca podemos desistir dos nossos sonhos e objetivos. Em algum dia a vida muda e a dignidade é alcançada. Obrigado mestre Jotaele.
Além das gravações clássicas, como a da Areta Franklin, tem a velha e boa de guerra Tina Turner; em 2000 teve uma matéria na Veja recomendando um disco chamado "The Steel Town Sessions", com regravações dos anos 50 e 60, por Jackson Five. O repertório inclui esta música. Mais recente, anos 90, apareceu um grupo chamado Fugees saído da onda hip hop. Não lembro qual o disco deles, mas também gravaram-na. A mais recente é a gravação no primeiro álbum da recém surgida cantora Leela James, uma californiana de Los Angeles que canta soul. Seu estilo é generoso, incorpora R&B, funk e gospel.
Durante seu tempo de existência, por ter sido tão gravada e tocada, A change is gonna come parece ter sido uma "longa prece".

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Por Ery Roberto Corrêa |
12:58 PM - Link deste post
Quarta-feira, Novembro 05, 2008
[conexão weblog]
Os avessos dos meus sonhos
 | "Este texto foi escrito em atendimento à convocação do nobre amigo Adelino, o carioca nostálgico que
virou blogueiro daqueles que renova automaticamente o contrato com a blogosfera a cada novo e espetacular tema, costumeiramente tratado com as cartas da vivência carregada do pitoresco, do belo, do singelo e da saudade." |
A tarefa de listar oito sonhos, se bem pensada, às vezes não é nada fácil. Os sonhos, todos os temos; contados com atenção, até em número maior do que este, porém ao contá-los há, entre outras coisas, o risco da empolgação que leva fácil ao exagero da vaidade.
Certos sonhos realizados passam a sugerir outros mais ousados, onde, por vezes, crescem aspirações que transitam por estações de foros recônditos – não que haja comprometimento de qualquer natureza ao revelá-los, mas porque é mais plausível que permaneçam na ordem do onírico controlado.
Falei em "cartas" na dedicatória ao Adelino e até parece que estou "me fechando em copas", mas tenho me esquivado com gosto do exagero e da empolgação. Assim, evita-se, também, um tipo de poesia, tal como concebeu e realizou Eugênio de Andrade, a tal que "... não engana ninguém quando é feita para enganar" [João Gaspar Simões, in "Crítica", II, pg. 76], bem como se degusta a realidade com sabor de quero mais.
Por isto, resolvi dizer dos sonhos às avessas, ou seja, da realidade atingida e que já foi no todo ou em parte resultado de antigas aspirações, daquilo que sou ou deixo de ser na razão direta do estágio concreto. Concordemos ou não, tal realidade é repleta de coordenadas cartesianas que marcam a trajetória de pensamentos transformados em ações, que não escondem as incógnitas de remotas quimeras. Aquilo que somos é produto da forma como cuidamos dos nossos sonhos, alguns alcançados, outros apenas sonhados.
AMOR
Ora quis um grande amor
ora me converti à solidão.
Sustentei paixões interessadas,
o clássico aprendizado
do que é ser, pensando ter, sem ser.
DINHEIRO
Quando dinheiro não faltava
descobri-me amado pela hipocrisia.
Hoje minha riqueza é sorrir
por ter somente o que é preciso
pra ser ninguém além de mim.
MEU LUGAR
Conheci muitos lugares por aí,
cheios d' arte, beleza e prazeres.
Se, sozinho, em todas as vezes voltei,
Foi por descobrir que meu chão é aqui.
TRABALHO
Venci o preconceito do mercado
contra os ralos e grisalhos fios.
Se não pagam o que mereço,
A dignidade resgatou-me o apreço. | AMIGOS
Ainda há pouco ouvi de um amigo:
'Por onde andas? O pessoal pergunta por ti,
Fazes falta de tão alegre que és, Ery!'
O irmão de fé,
aquele que de sangue não é,
confessou-me uma vez em bom tom:
'não fossem tuas cartas, amigo,
as dores da imérita clausura
jamais teriam alívio e cura'.
MULHER
Àquela que hoje me atura
pouco lhe falta a ser heroína.
Ela, porto seguro, essência madura;
eu, incurável amante da velha sina.
SEXO
Algumas noites fui ao 'Oriente'.
Chegava lá sozinho e não ficava só.
No Ocidente, atrapalham certos nós
e acabamos, por dias, amarrados sós.
FUTURO
Sempre atrelamos novas eras
ao imaginário das doces quimeras.
Quero viver o futuro presente,
o já feito do ontem ausente. |
Por Ery Roberto Corrêa |
1:11 PM - Link deste post
Terça-feira, Novembro 04, 2008
[desurbanidades]
Aterrizados na avenida
Eu sei que a cidade grande tem mazelas.
Também sei que parte significativa desta juventude que se acotovela pelas esquinas já viveu no interior até bem pouco tempo atrás. Para cá vem muita gente estudar, fazer um curso superior. As perspectivas são maiores. O que sucede a partir do momento em que essas pessoas se juntam é que é estranho.
Vamos ao fato, uma cena insólita do cotidiano de Curitiba.
Duas vias das mais movimentadas – especialmente em horário de pico – se cruzam a uma quadra da Praça Rui Barbosa, centro da cidade: a Av. Visconde de Guarapuava com duas pistas em sentido único e a Rua 24 de Maio, onde moro. Do lado direito desta no sentido Centro-Bairro, bem na esquina, existe um bar chamado 14 Bis com capacidade para 60 pessoas. Um pouco antes da esquina, no lado esquerdo da Rua 24, está o prédio do grupo Bom Jesus, um estabelecimento de ensino de segundo grau e superior. É a FAE.
A partir das 17:30 horas e até boa parte da noite o 14 Bis fica lotado. Até aqui tudo normal, nada de errado.
Acontece que os distintos freqüentadores do ambiente, uma patotona de jovens entre dezoito e vinte e poucos anos, não fica dentro do recinto. Ela invade toda a calçada, dos dois lados da esquina e até um pedaço da rua, onde não é permitido estacionamento de veículos. São mais de cem garotos e garotas. Muito mais!
Pedestres, tantos os que transitam em uma ou outra via, já sofrem na travessia porque não há um intervalo do farol que lhes seja reservado. Tem que competir com os automóveis, equilibrando-se sobre faixas específicas parcialmente invadidas por esses absenteístas do currículo.
Passo por ali todos os dias. Observo muito. Às vezes paro e fico preso no meio daquela multidão, procurando uma brecha para seguir adiante. Já fui empurrado, já derrubei pacotes, já fui pisado, já levei cerveja na cara. Outro dia não teve jeito: o acotovelamento era de tal ordem que só restava sair para o asfalto e se aventurar ao trânsito, em competição com os veículos a 50, 60 km/h. Quase fui atropelado.
Pintou uma briga das grandes. Quando cheguei à esquina já havia começado. Por algum motivo um carro teve que estacionar na Avenida Visconde defronte ao bar. Apesar de ser em local proibido, poderia ser uma emergência. Lembro que estava com o pisca alerta acionado. Pois sabem qual era o motivo da briga? Alguns dos nossos novos “manguaceiros” entendem que a esquina lhes pertence. Discutiam porque o cidadão teve que parar ali e voavam garrafas por todos os espaços. A certa altura um deles chamou o motorista pra luta corporal porque este lhe havia dito algo mais duro. Voou pra cima do parabrisa com um “draps”. Outros chutaram a porta do motorista já com este dentro do veículo, alguém cuspiu-lhe na face. Só faltou aparecer arma. Acuado, o carro aguardou o melhor momento e arrancou na troca de luz do farol.
Passado o tumulto a aglomeração retomou sua "normalidade", só que agora mais sonora pelas gargalhadas e comentários sobre o incidente.
Há dois aspectos. Um, a passividade de quem usa aquelas vias diariamente nesses horários submetendo-se, como eu, a enfrentar o meio da avenida em pleno asfalto. Outro, o fator comportamental de quem promove a balbúrdia.
Este último é o mais interessante, já que faz subentender uma mudança de atitudes promovida pelo fator “me livrei do velho”. Só pode ser. Nós, os “românticos”, hoje com mais de cinqüenta, pensamos (!) em liberdade de outras maneiras.
Enquanto lá ficam, bebendo e jogando conversa ao vento, devem rolar umas aulas. Possivelmente sendo pagas pelo “babaca” que ficou lá no interior trabalhando para pagá-las. Fora o aluguel, o rango, a “cachaça” e a trepada.
De tudo, salta um comportamento difícil de compreender: a valentia grupal na ignorância (ou não) do erro. Houvesse a consciência que aquele local invadido é um cerceamento à liberdade de outras pessoas, houvesse a lembrança que todo cidadão também paga para ocupar as vias da cidade e, principalmente, que o direito próprio termina quando inicia o do alheio, tudo poderia ser mais saudável.
Mas, “temos que relevar”. Esta juventude saiu da sua casa para “estudar”. Talvez um dia se tornem homens. Homens assim como as autoridades que passam por ali sem nada ver, de moto ou de carro, com sirenes ligadas e uniformes de milicos. Homens que futuramente serão funcionários públicos responsáveis por concessão de alvarás para outros "teco-tecos" como o 14 Bis.
Por Ery Roberto Corrêa |
9:08 PM - Link deste post
Domingo, Novembro 02, 2008
[fortes emoções]
Valeu Massa!
Imagem: AP/Oliver Multhaup - Portal UOL
O Grande Prêmio do Brasil de F1 foi uma resposta aos céticos do automobilismo. Todos os ingredientes que juntos definem uma atividade esportiva estiveram presentes em uma das mais belas disputas de título dos últimos anos.
Teve de tudo. Largada com tempo ruim, safety car na pista, troca de posições no pelotão dianteiro, rodadas e ultrapassagens, shows particulares e no finalzinho, com a chegada outra vez da chuva (infelizmente atrasada), uma última volta de arrepiar.
A três curvas da bandeirada, Lewis Hammilton havia perdido o título para Felipe Massa, mas a falta de tração do carro de Timo Glock, da Toyota, que não trocara pneus, devolveu ao inglês o quinto lugar que precisava.
Felipe foi da euforia à frustração em segundos (havia chegado antes com o adversário ainda em 6º lugar) e mesmo vencendo a corrida viu o título escapar por apenas 1 ponto.
Foi um GP que agitou a adrenalina em todos os torcedores. Sobraram emoções durante as últimas três voltas, a partir do retorno da chuva, a organização esteve perfeita e o Brasil experimentou raro momento de contato com um ídolo que está muito próximo da consagração como grande campeão da categoria.
Valeu Massa! Apesar que na F1 há um particular difícil de entender: a mesma equipe que às vezes prejudica seus próprios pilotos com erros imperdoáveis, ao final conquista o título de construtores com a soma dos resultados conquistados por esses mesmos pilotos.
O choro de Massa, ao final, fez lembrar Ayrton. E quando a gente lembra do grande Senna um silêncio invade a alma e vem um nó na garganta que dura segundos, mas parece uma eternidade, assim como é a noção fracionária de tempo no relógio da velocidade.
Por Ery Roberto Corrêa |
8:05 PM - Link deste post
Sábado, Novembro 01, 2008
[3 em 1]
O passo da geisha
Você sempre teve curiosidade sobre aqueles passos curtinhos das geishas?
Então está aqui a resposta. Vai encarar?
---------- +oo ----------
Espetacular
"...tu me prolongas nos ares
eu te dedico minha lida,
tu, meu navio errante,
eu, tua âncora escondida."
Se você sempre quis saber como se faz um poema perfeito, lindo de viver, não deixe de ler Simbiose, uma pérola da Dora Vilela. É doce como mel silvestre. Se você, eventualmente estiver com a garganta seca, pode ser pela falta de um grande amor; lendo-a, vai sentir uma garoa na alma a hidratar o corpo inteiro. Para escrever poemas assim á preciso ter parte com os anjos. Clique AQUI e procure pelo post de 31.10.08 - Simbiose (não tenho como fornecer o link direto, os blogues do "zip.net" não fornecem a facilidade).
---------- +oo ----------
Cara-de-pau
Agora, se você não gosta de poesia, fique aí com esse locutor de FM e seu "inglês fabuloso". Só me poupe, meu camarada, não conte pra muita gente que o cara é lá de Paranaguá. Sinceramente, tenho cada conterrâneo...!
Por Ery Roberto Corrêa |
11:32 PM - Link deste post
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